quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Rei Arthur - O clássico animê

O mítico Rei Arthur, herói de um animê
clássico exibido no Brasil nos anos 80, no SBT. 
Um dos personagens mais conhecidos da literatura ocidental é o lendário Rei Arthur de Camelot. Unificador da Grã-Bretanha e líder da elite de cavaleiros da Távola Redonda, Arthur teve seu mais famoso registro literário no romance A Morte de Arthur, publicado em 1485. Foi escrito por Sir Thomas Mallory alguns anos antes, inspirado em relatos que datam do século XIII. Por sua história reunir vagas referências a fatos reais, misturados com criatividade, misticismo e lendas regionais, Arthur é uma figura mítica poderosa e que rendeu inúmeras interpretações, versões e adaptações para outras mídias, sendo um ícone da cultura pop mundial.

Entre as adaptações mais cultuadas, está o clássico desenho da Disney A Espada Era a Lei (1963), o filme Camelot (1981) do diretor John Boorman, e a ousada HQ americana Camelot 3000 (1982), da DC Comics. A lista é enorme e não podemos deixar de incluir nela a clássica versão em animê do Rei Arthur.

Arthur se prepara para
encarar seu destino ao
tirar Excalibur da rocha
A série foi exibida no Brasil pelo SBT na primeira metade dos anos 1980, uma época em que poucas animações japonesas eram vistas na programação. 

Exibida no Japão entre 1979 e 1980 e dividida em duas fases distintas, a animação foi vagamente inspirada nos textos de Thomas Mallory mas tem um desenvolvimento próprio, graças à adaptação do autor de mangás Satomi Mikuriya


Com seu rosto inspirado em Wildstar, da
Patrulha Estelar, e usando uma elegante
armadura, esta é talvez a mais heróica
versão do Rei Arthur
Fase 1: A Lenda do Cavaleiro da Távola Redonda

A trama da primeira pega elementos tradicionais, como a origem de Arthur, cujos pais foram mortos por usurpadores do trono. Crescendo como um camponês, o jovem predestinado retoma seu lugar de direito ao conseguir retirar a espada mística Excalibur, que estava encravada em uma rocha. 

Na verdade, as narrativas literárias admitem a existência de duas espadas Excalibur: a da pedra (que raramente tem o nome mencionado) e uma outra, entregue a Arthur pela Dama do Lago. De qualquer forma, a Excalibur que Arthur usa no animê tem, além do corte infalível, a capacidade de emitir uma poderosa rajada de energia, fazendo dele um oponente capaz de enfrentar ameaças sobrenaturais. 
Os Cavaleiros da Távola Redonda. Ao lado de
Arthur, o pequeno príncipe Christopher
O melhor amigo e companheiro de batalhas de Arthur é o cavaleiro Sir Lancelot mas, diferente da história original, não acontece o triângulo amoroso envolvendo os dois amigos em disputa pelo amor de Lady Guinevere, a futura esposa do Rei. A Távola Redonda, nome da grande mesa de reunião dos cavaleiros, também tinha outros valorosos lutadores, como Tristão, Kay Galahad, Percival e Hector. 

O grande inimigo dos cavaleiros é o Rei Levik e a guerra entre os reinos se intensifica com a presença da feiticeira Morgana Le Fey. A vitória de Camelot sobre as forças do mal é seguida pelo surgimento do sanguinário Cavaleiro Caveira, na verdade o ex-rei Levik em busca de vingança. Após esse arco de histórias que encerra a primeira temporada, teve início a fase 2, com rumos bem diferentes para a série.


Fase 2: Mais humor,
menos drama e um
toque mais leve à saga
Fase 2: O Príncipe do Cavalo Branco

Nessa segunda temporada, Arthur parte de seu castelo para combater o Rei Viking que ameaçava a paz de seu reino. Para isso, ele se faz passar por um andarilho sem rumo e tenta se misturar ao povo das aldeias mais limítrofes do reino. Nessas andanças ele encontra os jovens Bosman, Pete e seus animais de estimação, e estes passam a ser seus companheiros de jornada. 

Quando preciso, Arthur veste secretamente sua armadura e parte para a luta como o heróico Príncipe do Cavalo Branco. Ao contrário do que diz a Wikipédia em português, essa fase passou no Brasil, mas talvez tenha ficado incompleta sua exibição, por conta de constantes mudanças na grade de programação do SBT. 

Essa fase não era emocionalmente tão intensa quanto a anterior, sendo bem mais leve e recheada de humor. Nem a participação eventual de Lancelot e Tristão conseguiu levantar muito o interesse da "fase super-herói" do Rei Arthur e o animê terminou sem grande repercussão, mas com a boa marca de 52 episódios, somadas as suas duas fases. 
Capa de um compacto em vinil da época,
com músicas da série

A direção geral de toda a série foi de Masayuki Akehi, que também fez story-boards de alguns episódios. Ele tem no currículo participações em Cavaleiros do Zodíaco, Cyborg 009, Slam Dunk, Mazinger Z e muitos outros títulos famosos. 

No Brasil, a abertura foi substituída por uma canção original composta por Mário Lúcio Freitas, que anos depois faria a marchinha infantil usada como primeira abertura dos Cavaleiros do Zodíaco na TV Manchete. Sem desmerecer o tema infantil de CDZ, a do Rei Arthur possui um toque épico e emocional totalmente condizente com a série, sendo belíssima em sua execução. 

Emocionante, com um traço elegante e expressivo e uma primeira fase épica, Rei Arthur foi uma pequena pérola que passou desapercebida para muita gente, numa época em que os animês ainda não haviam se tornado uma febre entre os jovens. Merecia um lançamento oficial em DVD, desde que pudessem utilizar a dublagem e trilha sonora brasileira original como opção de áudio. 

Arthur e sua amada Guinevere
Rei Arthur - Ficha técnica
Fase 1:
Entaku no kishi monogatari ~ Moero Arthur (ou "A Lenda do Cavaleiro da Távola Redonda ~ Queime, Arthur!"
Total: 30 episódios
Estreia no Japão: 09/09/1979

Fase 2:
Moero Arthur ~ Hakuba no ouji (ou "Queime, Arthur! Príncipe do Cavalo Branco")
Total: 22 episódios
Estreia no Japão: 06/04/1980

Criação: Sir Thomas Mallory (romance "A Morte de Arthur")
Adaptação e conceito da série: Satomi Mikuriya
Roteiro: Mitsuru Majima, Kenshô Nakano, Tsunehisa Itou e Sukehiro Tomita
Character design: Takuo Noda
Trilha sonora: Shin´ichi Tanabe 
Direção geral: Masayuki Akehi
Animação: Toei Animation
Produção: TV Fuji e Toei Animation

EXTRAS MUSICAIS:

Confira agora um dos mais belos temas de animê originais já criados no Brasil. A performance foi assinada por Turminha Zig Zag e saiu num compacto lançado na primeira metade dos anos 80. O coral tem uma harmonia arrepiante e o instrumental é excepcional - preste atenção no som da bateria e do baixo. Sendo sincero, fico com os olhos marejados quando ouço. 



Ouça também a abertura original em japonês, "Kibou yo sore wa", cantada pelo lendário Isao Sasaki, dos temas de Patrulha Estelar e Metalder, junto com o grupo Koorogi´73. É uma bela canção, mas ainda prefiro o tema brasileiro, e não é só memória afetiva. Mas ambas são músicas muito boas. No original, Mitsuko Horie e Ichirou Mizuki também cantaram temas da série, que assim registrou as vozes dos maiores cantores de anime songs da época - e de todos os tempos, segundo muitos fãs. 

 

19 comentários:

Mauricio disse...

Eu me lembro de ter visto alguns episódios e gostei bastante, mas na época eu estava na escola no horário que passava e acabei não conseguindo assistir a toda a série.

Anônimo disse...

Dá pra assistir aqui:

http://www.superanimes.com/rei-arthur

;-)

Usys 222 disse...

Gostava desse desenho quando era garoto. Especialmente do visual das armaduras, que eram boas interpretações japonesas dos modelos medievais europeus. O capacete do Arthur era muito bonito.

Esse desenho foi uma boa "versão da Toei" d'A Morte de Arthur, com uma adaptação bem livre para agradar o público-alvo. Pena que teve gente que não entendeu o espírito da coisa. Um colega meu era fã ardoroso da versão original e detestava o desenho por distorcer os fatos. Obviamente ele não sabia a diferença entre "se basear" e "reproduzir fielmente". Tudo o que eu podia fazer era inclinar o pescoço para o lado...

Uma coisa interessante é que na versão japonesa, Morgana era chamada de "Medessa", talvez uma mistura de "Medeia" com "Medusa". Não posso confirmar a origem desse nome. Na página oficial da Toei Animation ela consta como "Morgana", mas vi alguns capítulos e a personagem é chamada mesmo de "Medessa".

Ale Nagado disse...

Olá, Mauricio. Espero que a dica do Anônimo que postou depois de você ajude a desvendar melhor esse belo animê.

Usys: Interessante esse lance do nome. E tem outro nome divergente: Vendo uma referência num livro infantil, descobri o nome Kay Galahad. Galahad é o nome mais conhecido do personagem, mas no animê o chamavam mais de Kay. Não sei se esse é o nome completo do personagem ou se só existe na versão japonesa. Aliás, o episódio da morte dele eu revi no YouTube outro dia. É angustiante, pra dizer o mínimo, com uma direção primorosa.

E tem razão. O design das armaduras era muito bonito. Foi uma série muito boa, ao menos a primeira fase, incomparavelmente superior à segunda.

Abraços!

Ultra Ace Jack disse...

Bons tempos ! Rei Arthur ! felizmente pude assistir esse anime assim como Honey Honey .. Fica ai dica Nagado ! Que tal uma matéria sobre esse outro clássico....
Parabéns pela matéria ! e por trazer ótimas recordações !!

Aniki disse...

Eta, nostalgia...

Devo lembrar de relance de uns dois episódios da fase do Príncipe do Cavalo Branco, no máximo.

Creio ter assistido mais a fase do rei Levik mesmo.

Mas as crianças oitentistas tinham diversas opções de entretenimento televisivo, então era difícil acompanhar tudo com frequência. Fora o horário escolar.

Ocidente Tokusatsu disse...

Bom artigo! Como agora to vendo The Seven Deadly Sins é bem interessante conhecer outros anime s de temáticas semelhantes.

Diogo Almeida disse...

Fala Nagado! Òtima reportagem sobre esse anime clássico cuja reprise acompanhei na antiga TV Corcovado (atual CNT).
Não sabia que o Cavaleiro Caveira que matou Sir Kay (lembro bem desse episódio) era o Rei Levik disfarçado.Isso faz dele o vilão mais onipresente da história dos animes pois ele também é o Rei Viking (ou Rei do Norte como chamavam na dublagem) da segunda temporada.
Aliás,a fase do "Príncipe do Cavalo Branco" (identidade secreta do Arthur)realmente foi exibida incompleta no Brasil que ficou sem ver a batalha final onde Arthur e os cavaleiros enfrentam Levik e uma entidade da mitologia nórdica.

Gabriel Silva disse...

Mais um anime que eu nunca tinha ouvido falar, e nem sabia que tinha passado por aqui. Agente já se acostumou tanto a pensar na história dos animes no Brasil a partir de CDZ, que o resto acaba sendo menosprezado, principalmente para quem só começou a acompanhar a partir desse ponto. Legal ter pessoas como você, Nagado, que ajudam a reconstituir a história animística [sic] desse país :)

Ale Nagado disse...

Ultra AceJack: Honey Honey talvez seja difícil escrever aqui, pois eu sinceramente não gostava muito. Agora, Angel é outra história. Talvez ainda faça uma postagem sobre a Menina das Flores.

Aniki: Realmente era difícil acompanhar séries naquela época, ainda mais em animê, que não era uma atração das mais importantes nas grades de programação. A primeira temporada tenho a impressão de ter sido mais reprisada, mas não tenho como confirmar isso.

Ocidente Tokusatsu: Ainda não li The Seven Deadly Sins. Interessante saber que também aborda esse tema. Uma hora, darei uma olhada.

Diogo: Não sabia que o Levik também era o Rei Viking! Mas que personagem insistente! (rs) Infelizmente não consegui levantar quantos episódios dessa fase passaram no Brasil, mas talvez tenha sido só a metade. Eu tenho certeza de ter visto até a aparição do Lancelot. Depois fiquei sabendo que o Tristão também aparece em um episódio.

Gabriel, que bom que estou acrescentando informação relevante com este blog. Tenho que registrar essas coisas enquanto a memória ainda ajuda, ah ah.

Abraços a todos!!

Bul mah disse...

Não lembro de ver esse anime... Eu devia ser bem bem pequena, maa vendo os vídeos e lendo o post achei bem interessante e até um ar de nostalgia, mesmo eu não tendo visto! Ótimo post!

Ale Nagado disse...

Oi, Bul mah! Recomendo que tente assistir via streaming, que é uma aventura bem legal. A segunda fase, infelizmente, não é tão boa e passou incompleta. Mas os capítulos finais da primeira temporada são emocionantes.

Valeu a força!
Abraço!

Karina Dos Anjos disse...

Lembro desse anime. Foi um dos primeiros que eu assisti, e o meu personagem favorito era o Sir Tristão. Mas eu nunca consegui assistir todo, justamente porque o SBT mudava sempre de horário e na época eu nem sabia que era um desenho japonês. Ótima lembrança de infância.

Ale Nagado disse...

Oi, Karina!

Bem lembrado, o SBT sempre teve problema com horários, creio que por causa de um excesso de comerciais. Tinha aquele programa do Jô Soares, o "Jô Onze e Meia", em que o apresentador brincava toda hora dizendo: "Começa agora o Jô Onze e Quarenta e Cinco, digo, Jô Meia-noite e Dez...

No segundo comentário deste post tem uma dica pra assistir a primeira temporada do animê.

Abração!

Marcus disse...

Olá Nagado,

O Anime Rei Arthur teve sua Trilha Sonora totalmente reformulada no Brasil, quando foi exibido no SBT. Não só a OST original foi modificada, como também a trilha das BGMs foi mudada em relação ao original japonês.

As BGMs usadas no Brasil foram de filmes diversos. Até BGM do filme "Conan o Bárbaro" foi usada no Anime, pra lhe dar um ar mais épico. Há inclusive uma BGM que eu procuro a anos e não consigo achar, porque não consigo sequer descobrir quem a fez. Ela toca no Episódio 8 ("Os Cinco Cavaleiros"), quando Arthur e seus companheiros estão descendo descendo o morro para resgatar Guinevere. E toca também no fim do episódio, quando eles chegam em Camelot.

A quem tiver interessado, o LINK do episódio é esse:

http://www.animeai.net/?p=211219

A BGM que estou falando toca no minuto 1:21, e toca também no minuto 21:56. Se você souber souber quem é o compositor dessa BGM Nagado, eu agradeceria...

Ale Nagado disse...

Olá, Marcus.

Realmente, lembrando bem, havia temas tirados de outras produções e músicas eruditas misturadas. Ouvi o trecho que mencionou e não consegui identificar.

Mas o meu palpite, baseado em experiência, é que essa trilha pode ter sido alterada em outro país (geralmente EUA) antes de ser exibido por aqui. Por uma questão de custo, acho muito improvável que o SBT tenha pago para ter um BGM exclusivo. As trilhas de áudio geralmente vinham em duas partes distintas: uma com diálogos (que era trocada na dublagem) e outra com BGM e efeitos sonoros. Outra hipótese é que somente partes da trilha original tenham sido trocadas a pedido da emissora, a fim de evocar mais emoção (na visão do licenciante brasileiro).

Espero ter ajudado. Se algum leitor identificar a trilha indicada pelo Marcus, pode se manifestar aqui.

Abraço!

Marcus disse...

Obrigado pela atenção, Nagado!

Essa BGM que procuro a anos da trilha sonora brasileira do Rei Arthur é uma BGM famosa, Nagado. Não é uma música desconhecida; ao contrário: é uma BGM famosa de algum cantor ou músico medievalista. Ela foi inclusive muito usada no Ceará como tema de encerramento de telejornais locais nos anos 90.

Infelizmente não consigo descobrir quem é o cantor dessa BGM. Já procuro ela a mais de 6 anos, e sei que se soubesse pelo menos o nome do artista já a teria descoberto nos Youtubes da vida. Mas...o jeito é esperar mais...

Acho que sua teoria sobre o Anime ter vindo dos EUA com essa Trilha modificada é muito pertinente, Nagado. A maioria dos Animes exibidos no Brasil vem mesmo dos EUA, pois é mais barato negociar com o mercado americano que com o mercado japonês diretamente. Mas aí, teria que fazer a pesquisa da música no mercado americano...e seria mais complicado...

Abraço!

Unknown disse...

Boa noite Nagado.
Este é o meu desenho animado favorito. Até preferia que tivesse se encerrado na primeira fase. A segunda (Príncipe do Cavalo Branco) infelizmente não gosto.
Para ajudar os amigos que comentaram, seguem algumas músicas que identifiquei na trilha sonora brasileira.
- Rick Wakeman - Arthur, e Jouney to the Centre of the Earth (primeira faixa)
- Basil Poledouris - Conan - The Barbarian
- Alan Parsons Project: Maybe a Price to Pay, Ace of Swords, e Games People Play
- Laurence Rosenthal: Clash of the Titans (sequência da Medusa)
Abraço,
Helder

BRAZ JR disse...

Com certeza foi um ótimo anime, apesar do pessoal achar que os animes japoneses não faziam sucesso mas na decada de 80 pela Rede Record e TVS foram exibidos vários: Rei Arthur, Angel a menina das flores, Honey Honey, Fantomas, Speed Racer, Shadow boy, Candy Candy, A princesa e o cavaleiro, Sawamu, Pinoquio, Marte o garoto bionico... acho que não esqueci nenhum. rsrsrsrs