sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Reflexões sobre o fandom da cultura pop japonesa

Olá, saudações. Este é daqueles posts mais pessoais e eu começo pedindo desculpas pela fala de atualização recente no blog. O tempo nem sempre colabora, mas vamos lá.

Não é muito do meu feitio entrar em polêmicas no reino dos fãs, o popular fandom, mas vira e mexe me pego incomodado com algumas coisas que leio. Então, reuni alguns itens pra dar um desabafo geral, listando, na ordem em que eu lembrava, de coisas que me incomodam ou preocupam no meio dos fãs de cultura pop japonesa. Na verdade, a maioria dos itens abaixo são coisas que existem em todo tipo ou categoria de fandom, mas vou me ater ao foco principal deste blog.

Cultura pop é entretenimento.
Tem que relaxar e curtir.
1) Autoafirmação

Adolescente (ou gente nem tão jovem) se autoafirmando com cultura pop é deprimente. É irritante ver certos otakus arrotando que "Pokémon e Naruto são formas de lixo comercial pra crianças". Aí, ficam exaltando as qualidades de seus títulos favoritos e se achando de uma raça intelectualmente superior e madura perante a vida. Menos, menos. Cultura pop é entretenimento, não tem que levar a ferro e fogo. E patrulhamento ideológico, cultural ou do gosto alheio é algo muito desagradável. 


Dá pra gostar de mangás seinen (p/ jovens adultos), de clássicos do Studio Ghibli e achar a Equipe Rocket (de Pokémon) o máximo. Eu, inclusive, adoro eles.


Estes cosplayers de "Ataque dos Titãs" estão
fazendo bem seu papel. Já muitos fãs agem como
se estivessem prontos para uma batalha na vida real. 
2) Militância ~ Fã que veste a camisa e bate no peito por uma "causa".


Me incomoda um pouco ver gente que encara cultura pop como religião e que idolatra o Japão com exagero e idealização que não condizem com a realidade. E que vai bancar o troll descontrolado se seu "objeto de adoração", seja mangá, autor, banda, série ou o que for receber uma crítica (educada ou não). Se eu não gosto, deixo de lado e não vou perder meu tempo. 

É por isso que evito a palavra "fã", que vem de "fanático", algo que mina o senso crítico. E otaku é um tipo de fã, existindo cada vez mais os do tipo nipólatra radical. Claro que conheço otakus desencanados, que gostam de muita coisa, que convivem bem com o gosto alheio e buscam o entretenimento, não a autoafirmação, o confronto ou a catarse de seus problemas. Esse tipo mais sadio, infelizmente, não parece ser a maioria que vive nas redes sociais. 
Ninguém precisa ser expert pra curtir um assunto,
mas um pouquinho de informação sempre ajuda.
3) Falta de informação (significados, pronúncias)

Um exemplo pra ilustrar como a falta de informação é nociva: Vejo que muita gente vê "tokusatsu" e lê "tokuzatsu". Não, a pronúncia correta é "tokussatsu". É a norma de romanização internacional que deixa a palavra com apenas um "s", mas deve ser lido com dois. 


A romanização também confundiu o povo que lia "anime" (como paroxítona) em revistas americanas nos anos 1980 e 90 e não sabia que tinha que pronunciar "animê". Com as primeiras revistas especializadas usando "anime" (*), isso foi mudando a forma como nosso país chama a animação japonesa em relação ao resto do mundo. Ninguém é obrigado a saber e isso não me aborrece em hipótese alguma, mas acho que eu tenho a obrigação de tentar ensinar certo enquanto dá tempo.

Espero que não aconteça com tokusatsu o que aconteceu com animê. Sobre o termo, aliás, muita gente acha que a palavra é sinônimo de "super-herói japonês", ou de live-action (que é termo universal pra qualquer filme com atores) ou ainda sinônimo de Super Sentai (que é uma franquia específica). Nada disso, é apenas "efeitos especiais", se referindo a filmes e séries que usam esse recurso com intensidade para contar uma aventura. Não é um gênero, é praticamente uma mídia, como o mangá ou o animê. 

(* Tenho minha parcela de culpa nisso. Por evitar termos estrangeiros na época da revista Herói, usava sempre "animação japonesa". Quando notei que estavam lendo errado o termo anime, já era tarde. Até hoje eu ainda insisto em escrever e falar "animê".)


"Oh, o que é isso?Uma trans-pa-rên-cia!!!!" 
4) Importância exagerada ao papel de impressão

Claro que o suporte (no caso, o papel) é importante na experiência da leitura. Eu não gosto de páginas com transparência ou que soltam tinta. Falha de encadernação, então, é imperdoável. Mas tem gente que fala como se papel fosse tão ou mais importante que o conteúdo. 

Falando nisso, cansei de pegar revistas japonesas novas com alguma transparência nas folhas. Isso não acontece com os encadernados "tankobon", que são a base do formato colecionável no qual os mangás são lançados no Brasil, mas a experiência de leitura é a mesma. Qualidade gráfica é importante? Sim! Comprador tem direito de reclamar? Claro, deve! Mas a situação econômica do país anda ruim, o dólar alto, o papel é um item caro e se usar os melhores papéis, vai encarecer a publicação além do que talvez o mercado comporte. Com tudo isso, acho louvável quando um editor vem a público falar sobre esses assuntos, mostrando que respeita seu público. E não adianta bater na mesma tecla toda hora.

Eu não me lembro de ter gasto tempo reclamando ou comentando papel em uma resenha de mangá. Uma parte do fandom ficou obcecada com papel, com o lado de colecionismo. Finalmente, é como disse o colega Marcelo Naranjo (do Universo HQ) uma vez no Twitter: "Crítica de livro vai ser assim: O correio entregou diretinho, o papel é bom, a encadernação é linda. Recomendo."


Com a informação bem organizada, dá
pra evitar excessos e a tal pretensão intelectual.
5) Pretensão intelectual

Esse item anda juntinho do primeiro da lista. São blogueiros ou "pesquisadores" que gostam de esfregar na cara de todo mundo sua cultura e verborragia. Muitas vezes, pra comentar o fundo filosófico-existencial de uma simples cena em que um personagem dá um grito de batalha. Gente que cita escritores e pensadores pra comentar coisas criadas visivelmente sem tanta referência cultural. 

Respeito quem tenta dar um verniz sofisticado e intelectual (coisa que eu tento fazer até certo ponto), mas em muitas situações, fica exagerado, beirando o ridículo. Junto com isso, tem gente que posa de professor de assuntos dos quais têm enormes lacunas de conhecimento de base. 

Existem fãs que acham que conhecem um assunto porque assistiram muita coisa. Mas tem que saber contexto de produção, história da mídia e conhecer nomes historicamente importantes (e os motivos). Enfim, se aprofundar além do que se vê na tela ou se lê nas páginas da obra. Mas essa pretensão intelectual ocorre em qualquer área.



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Bom, é isso o que eu tinha pra falar. Quero deixar muito claro que aqui não tem indireta pra ninguém em especial. São situações que vi diversas vezes, com pessoas e sites diferentes ao longo de meses, anos. 

Leio blogs, sites e fóruns do Brasil e de outros países. Tem coisas que citei (como o último item) mais relacionadas com situações que vi no fandom americano, por exemplo.

Enfim, espero que isso leve a alguma reflexão, lembrando que a área de comentários tem moderação.

Até a próxima!

10 comentários:

Usys 222 disse...

Eis aqui uma matéria que dá o que pensar... e repensar. Reconheço que acabo incorrendo em alguns desses casos. Tenho que tomar mais cuidado...

De fato, o importante é não esquecer que se trata de entretenimento, de curtição e não de militância e de levantar bandeiras. Mas tem gente que acaba cometendo excessos.

E taí uma fórmula que muitos não seguem: "se não gostou, deixe de lado e não perca tempo com aquilo". Queria que os chamados "haters" se conscientizassem disso.

Este é um assunto delicado, que pode acabar causando mal-entendidos se não for abordado de maneira correta. Mas aqui o tema foi levantado com a ponderação necessária. Mais uma vez um excelente trabalho!

Aniki disse...

Mandou bem, Nagado.

Antigamente a impressão que os fãs passavam era de gente que queria trocar informações sobre séries e afins, além de recomendações sobre o que assistir. Mas hoje em dia não estão muito diferentes de torcedores de futebol, defendendo título X ou Y como "o time do coração".

A partir de que ponto o fã começou a ter esse ataque de acefalia? Difícil explicar.

Grande abraço.

Bruno Seidel disse...

Olha... esse fanatismo e relacionamento de idolatria que alguns fãs possuem com determinadas produções ou gêneros de mangá, animes e Tokusatsu é bem compreensível até, principalmente tratando-se de adolescentes ou pessoas em busca de algo que as represente. Tem um filme alemão que trata muito bem desse assunto, que é "A Onda" (2008). Esse "sentimento de pertencimento" é bem comum no ser humano, seja por um gênero de entretenimento, por um time de futebol, por um partido político, por uma religião, por uma banda de rock... acho que todo mundo, em determinado momento da vida, já se sentiu acolhido por algo que lhe representa. Certo?
Eu confesso que, até hoje, o "instinto emocional" de apaixonado por Tokusatsu (só pra evitar a palavra "fã", hehehehehe) acaba falando mais alto. Até hoje fico visivelmente incomodando quando vejo alguém chamando Changeman de Power Rangers, por exemplo.
E também reconheço que essas pessoas que se promovem intelectualmente por terem um conhecimento avançado sobre certo nicho é algo que beira o ridículo. Já conheci apreciadores de mangás mais sofisticados desdenharem fãs de Dragon Ball ou Naruto como se esse tipo de produção fosse pra gente burra. Esse tipo de gente, na minha percepção, está mais interessado em posar de intelectual (independente da mídia que consome) do que qualquer outra coisa.
Me preocupa um pouco essa "futebolização" fanática de algumas pessoas, que não é muito diferente de torcedores de futebol que agridem, choram e terminam amizades por causa de seus times. É compreensível, dá pra entender. Mas acho feio.

Basara Nekki disse...

Olá Nagado, como está?

Nossa, eu pensava que o blog estava "morto"!!! Da última vez que entrei havia um tópico de despedida, sem previsão de retorno (acho que foi no ano passado). Entrei meio que por acaso agora e vi que voltou há algum tempo. Que bom!!!

Sobre o assunto em si, esse tipo de gente sempre existiu (você se lembra de um certo editor de revista, já falecido, e sua "turminha"?), e infelizmente vai continuar a existir. A grande diferença é que com a internet eles se multiplicaram e ficaram "visíveis". E como você disse, tem muita gente assim mundo afora.

O comentário do Aniki ilustra bem como são a maioria dessas pessoas: deixaram de ser simples fãs e passaram a ser torcedores. Aliás, um lugar onde aparece um monte de gente assim são blogs e fóruns que postam os rankings de venda de BD, DVD, CD Single e Álbum. Como na maioria das vezes aquilo que os "ocidentais ou de cultura ocidental" mais gostam vende mal, os comentários postados são um verdadeiro festival de besteiras (quase todos questionando ou acusando um "péssimo gosto dos japoneses"). E pra piorar eles ainda ficam "brigando" entre si sobre qual título é melhor, ou mais popular, qual vende mais, qual dá mais audiência, qual merece uma segunda temporada, e por aí vai.

Ainda nessa questão da autoafirmação, é normal as pessoas que acompanham há mais tempo esse "universo" irem mudando as suas preferências ao longo dos anos. O ruim é ficar menosprezando algo que um dia essa mesma pessoa já gostou (é o equivalente a "cuspir no prato em que comeu"). Mas infelizmente são poucas as pessoas que conseguem acompanhar uma grande variedade de gêneros ao mesmo tempo (ou na mesma época).

Com relação a pronúncia de palavras em japonês, aí eu já acho que é algo bem mais difícil de se "consertar". Dá até para ensinar, mas os costumes (e sotaques) de cada região do país, ou mesmo de cada pessoa, são fatores que dificultam isso. Não dá para "culpar" ninguém por causa disso. Já a palavra "animê" e sua respectiva pronúncia (proveniente da palavra em inglês "animation") eu considero como uma "causa perdida", pelo tempo que já se usa "anime" e pronuncia-se "aníme" (como se tivesse acento no i). Particularmente falando, não acho que a forma mais "popular" esteja errada, pois os próprios japoneses pronunciam "ánime" (como se tivesse acento no a).

Agora essa questão do papel utilizado no Brasil na impressão dos mangás, também já é bem antiga. Desde quando chegaram as primeiras publicações da Conrad e da JBC, há uns 15 anos, já tinha gente comparando com o material original, que podia ser facilmente obtido nas livrarias "japonesas" do bairro da Liberdade (SP). E como você bem disse, é mais coisa de colecionismo mesmo. No meu caso isso nunca incomodou, eu vejo mais como uma questão de como cada um conserva o seu material, e também um pouco de "sorte ou azar". No mês passado eu estava fazendo uma limpeza no armário e percebi que, mesmo guardados em um mesmo local e da mesma forma (em sacos plásticos iguais), alguns mangás estavam amarelados ou com manchas e outros não, e isso tanto para os nacionais quanto para os japoneses.

Pra finalizar, esse último item que você escreveu, eu também vi mais essa situação em blogs e fóruns "em inglês" (não sei se todos são realmente americanos). Quando eu começo a ler algo que me parece uma "besteira" (ou "viagem na maionese", se assim preferir), nem termino o texto. E nem adianta tentar contra-argumentar que é perda de tempo (esse tipo de gente costuma ser "muito ruim de ouvido"!!). Ainda bem que não vi tantos casos assim; a maioria se encaixa nos itens 1 e 2 (são mais fáceis de se lidar).

Bom, acho que já escrevi demais. Boa sorte e muita saúde pra você e sua família!!!

Até a próxima.

Ale Nagado disse...

Fala, Usys!!

Cara, eu já me peguei em algumas situações citadas, mas felizmente a gente vai aprendendo com o tempo. É o lado bom de envelhecer. Hoje, vejo muita coisa com outros olhos e me sinto cada vez mais distante do fandom. Mas certamente, acompanho os movimentos, pois é parte fundamental do assunto cultura pop japonesa.

Aniki:
Eu, assim como você, faz parte de uma geração que vivenciou o começo desse chamado fandom de mangá, animê e afins. Realmente, a vibe daquele tempo era outra, havia mais tolerância ao gosto alheio, menos arrogância e mais camaradagem. Também não consigo identificar o ponto de virada, mas tem a ver com o comportamento tribal que a internet aflorou em muitas pessoas.

Abraços!

Ale Nagado disse...

Fala, Bruno!

O termo "futebolização" é preciso, totalmente coerente com a visão que eu tenho. Infelizmente, parte dos fãs age como torcedores de futebol. Acrescente isso a uma boa dose de "analfabetismo funcional" e verá desastres acontecendo. Um leitor, dia desses, leu um artigo meu, entendeu totalmente errado uma frase e desatou a me xingar. Apenas deletei, pois vi que o sangue dele ferveu porque ele desconfiou que eu havia menosprezado sua artista favorita, sem entender o contexto da frase. Tempos ríspidos esses que vivemos.

Basara Nekki:
Que bom que redescobriu o Sushi POP. Realmente havia dado uma pausa por tempo indeterminado pra me reorganizar, mas foram só dois meses até voltar com força total. Obrigado pelo carinho e volte mais vezes. Desde o retorno, deve haver algumas postagens que possam lhe interessar. Sinta-se à vontade para comentar.

Abraços a todos!
PS: Fico muito feliz ao ver que tenho leitores que, além de gostarem de ler, também gostam de escrever e acrescentam muito às postagens com seus comentários. Obrigado a todos que comentam neste humilde blog.

Gabriel Silva disse...

Excelente texto, Nagado. Você praticamente tirou as palavras dos meus dedos :)

É precisamente por esses motivos que você citou, especialmente o primeiro e o último, que eu tenho-me afastado cada vez mais do fandom de cultura pop japonesa. Não dá pra sentir-se à vontade para discutir com gente metida que se recusa a amadurecer e faz da discussão sobre entretenimento um show de egocentrismo. E está cada vez mais difícil encontrar sites como o seu, onde a opinião desse tipo de pessoa não é a dominante. A única coisa que eu poderia discordar nesse post, mais precisamente no último item da lista, é que é mais comum ver gente de nariz empinado arrotando cultura no fandom americano. No passado, talvez isso fosse verdade, mas hoje em dia a opinião dos fãs brasileiros é totalmente influenciada por sites americanos como o 4chan, onde esse tipo de mongól xiíta é a espécie dominante.

Tem gente que enxerga a cultura japonesa como superior simplesmente por ser algo estranho, hermético para quem não faz parte dela. Só para citar um exemplo, há quem idolatre boy e girl-bands japonesas, bem como bandas de j-rock ridículas, e despreze grupos ocidentais do mesmo nível ou até melhores só porque são "acessíveis" demais. E isso não só no Brasil, mas em países como o próprio Estados Unidos (onde existe o termo "weeabo" para se referir a esse tipo de fã). Eu diria que, até certo ponto, a maioria dos otakus ocidentais enxergam a cultura japonesa por essa ótica fetichista, como algo que é bom por ser de difícil acesso. São pessoas sem senso crítico que se acham superiores por gostarem de coisas que ninguém mais gosta. Aqui no Brasil, mesmo, sempre que um anime vai para a TV ele passa a ser considerado "modinha", e o fandom o despreza inconscientemente por ser acessível demais... Sem se dar conta de que, no Japão, TODO anime passa na TV. Coisa de adolescente mimado, certo? Mas o pior é que tem gente na casa dos vinte ou trinta que pensa da mesma forma. Como você mesmo disse, é deprimente.

A minha vontade era que todo fã de anime nessa porcaria de país lê-se esse post. Aí sim, com certeza, teríamos uma comunidade melhor e mais bem-informada. O problema é que os responsáveis pelos sites especializados em anime mais conhecidos no Brasil são jumentos incapazes de pensar por si próprios, e a sua burrice acaba contaminando os fãs mais jovens, que repetem o mesmo comportamento.

Enfim, desculpe pelo post gigante e as ofensas aí no final. Acontece que eu precisava desabafar também, espero que você não se importe, haha :)

Ale Nagado disse...

Fala, Gabriel!

Escreva quando quiser, que o espaço para comentários que venham somar opinião e informação é garantido. Esse lance de querer "exclusividade" chega a ser quase discriminatório. Lembro de quando a Devir anunciou lançar o GURPS em português. Na época, cheguei a ouvir barbaridades como "Agora qualquer neguinho vai poder jogar RPG, que absurdo." É triste ver o atraso mental que leva um comentário desses. E volte aqui mais vezes para comentar, que sempre tem algum assunto bacana. :-)

Basara Nekki: com relação à pronúncia, sempre lembro de algo que o Prof. Pasquale disse sobre a língua ser algo dinâmico, que muda como o tempo. E vale lembrar que o idioma japonês permite mais de uma sílaba tônica em uma palavra, o que aumenta a confusão. Mas sobre a pronúncia "animê" ser teoricamente mais próxima da ideia original, é isso o que diz a pioneira pesquisadora de mangá e animê no Brasil, a Profa. Dra. Sonia Luyten. A pesquisadora Cristiane Sato, da Abrademi, também defende essa afirmação, assim como eu. Mas anime já e a forma consagrada e, portanto, válida.

Abraços!!

Rogério disse...

Que ótima discussão, Nagado.

Pena que cheguei atrasado.

Seu excelente texto e os comentários já disseram tudo.

Nem preciso comentar o quanto a ideia de superioridade cultural
é ridícula. A cultura de massa japonesa não é mais nem menos
autentica do que a de qualquer parte do Mundo, embora possamos
ter nossas preferências.

O importante é não levar tudo tão a sério que o espírito de diversão
se perca.

Ale Nagado disse...

E aí, Rogério!

Confesso que fiquei com receio de uma repercussão negativa, mas a maioria foi positiva. Ao menos, entre aqueles que se incomodam com algum dos pontos que abordei.

No entanto, via Twitter, uma leitora debateu comigo que achou o tom do meu texto pretensioso. Isso certamente chateia, pois eu odeio gente pretensiosa, que se acha. Então, pra ela (e talvez outros) eu devo ter passado a ideia de ser arrogante ou, tão ruim quanto, de não ter estofo cultural pra escrever as coisas que escrevo, pois ficaria só na pretensão.

Enfim, devo sempre me policiar quanto a isso e seguir meu instinto. Não dá pra agradar todo mundo e, com tanto tempo na área, aprendi duas coisas: que tenho muito a aprender ainda e que tenho também muito a dizer. Conhecer um assunto abrangente é um processo, que nunca deve ser considerado completo.

Abraço!