RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog ainda está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, Katokutai, Pinóquio de Osamu Tezuka, Danger 3, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Jaspion, Changeman e a invasão dos heróis japoneses

JASPION
Herói de toda uma geração.
Produzidas em 1985, Jaspion e Changeman puxaram a primeira grande febre de heróis japoneses no Brasil, anos antes do fenômeno do animê Cavaleiros do Zodíaco (1986). 

Programas assim já eram conhecidos do público brasileiro, que já havia acompanhado heróis como National Kid (de 1960), Ultraman (66), Ultraseven (67), Robô Gigante (67) e vários outros. O SBT ainda reprisava o antigo herói Spectreman (71) em 1987, época em que as fitas de vídeo VHS de Jaspion e Changeman começaram a chegar no Brasil pela Everest Vídeo

"30 anos? Então toma 30 puxões
de orelha!" 1, 2, 3..." :-P
Era tudo muito colorido, cheio de lutas mirabolantes e muito humor, e uma nova geração foi descobrindo o mundo dos monstros e heróis japoneses. A febre explodiu quando começou a exibição na TV Manchete, em fevereiro de 1988.

Logo em seguida, viria Flashman (de 1986), feito nos mesmos moldes de Changeman, pela mesma Everest Video. Outras distribuidoras entraram em cena e logo haveria heróis similares sendo exibidos em quase todas as emissoras.

Trazidos pela Oro Filmes, Machine Man (1984), Sharivan (83) e Goggle V (82) passavam na Band. Pela Top Tape, Jiraiya (88), Lion Man (74) e Jiban (89) estavam na Manchete. A Manchete ainda exibiu Cybercop (88), trazido pela Brazil Home Video/ Sato Company. A modesta TV Gazeta exibiu Shaider (84) e até a Globo se aproveitou do filão, exibindo Bicrossers (85) e Space Cop (82), a série que deu origem aos Metal Heroes.
CHANGEMAN
Em pé, da esq p/ dir.: Ozora (Pegasus),
Tsurugi (Dragon) e Hayate (Griphon).
Agachadas: Mai (Phoenix) e Sayaka (Mermaid) 

Com a febre dos heróis dando sinais de cansaço com inúmeras reprises, a Everest – então rebatizada Tikara Filmes – apostou em outras séries, como Maskman (87) e Black Kamen Rider (87) na TV Manchete e Metalder (87) na Band. O carro chefe do novo pacote seria a maior aposta da distribuidora: Jaspion 2 – Spielvan (86), afinal, mesmo em reprises intermináveis Jaspion ainda conseguia 4% de audiência. 

Mas o nome era uma jogada de marketing, visto que os heróis não tinham ligação nenhuma entre si, exceto o fato de serem produções da Toei Company com heróis de visual parecido. A Everest ainda lançaria Patrine (90), Winspector (90), Solbrain (91) e Kamen Rider Black RX (88), mas nenhum repetiria o fenômeno que foi Jaspion. Nem mesmo o celebrado retorno de National Kid e Ultraman, lançados em VHS e exibidos na Manchete, conseguiram evitar o desgaste do tokusatsu na TV, mas as lembranças daquela invasão nipônica persistem até hoje. Após a falência da TV Manchete em 1999, Jaspion ainda ganharia reprises da TV Record e CNT/Gazeta. 

Tanto Jaspion como Changeman foram um sucesso absurdo, mas parece que Jaspion envelheceu melhor e ganhou uma aura de cult, indo além de seus contemporâneos.
Jaspion e MacGaren travaram combates antológicos
Não poderia deixar isso passar batido, e escrevi uma pequena matéria para o UOL sobre curiosidades da série, tendo em mente o público leigo. 


Changeman também será tema de matéria no UOL dentro de alguns dias. Aí eu atualizo este post com o link.

10 comentários:

Raphael disse...

Curiosa a observação no final, sobre Jaspion ter envelhecido melhor. Nunca tinha pensado nisso, e possivelmente é verdade mesmo. Minha teoria é que o background mais "espacial" de Jaspion permite uma apreciação mais saudosista, devido aos modelos de sci-fi/monstros que costumamos exaltar mesmo datados, como símbolos de uma era. Já Changeman, por exemplo, por ser mais colorido e ter menos desenvolvimento pessoal dos protagonistas (Tsurugi centraliza muito esse ponto), tenha seus momentos bobos mais ressaltados. Nesse ponto prefiro Flashman, que é mais dramática e urgente.

Metalder sobreviveria ao teste do envelhecimento também. E Cybercops, se não fossem os efeitos que de tão toscos praticamente viraram camp, tem a virtude de ter menos episódios que as outras séries (pouco mais de 30). Reassisti a série toda recentemente e é impressionante como a série praticamente não tem fillers, em TODO episódio acontece algo relevante: aprendemos sobre o passado de alguém, a motivação de determinada ação, a descoberta de uma nova arma que muda o jogo, há arcos muito bem definidos e que evoluem junto com a série. Jaspion fez um pouco disso também. Ótimo texto como sempre, Nagado!

Bruno Seidel disse...

Vale aproveitar a ocasião pra mencionar aqui o nome de Toshihiko Egashira, o cara que trouxe Jaspion e Changeman pro Brasil nos anos 1980. O proprietária da Everest/Tikara Filmes certamente influenciou a vida de todos admiradores de Tokusatsu no Brasil, direta ou indiretamente. Já li algumas entrevistas dele (que hoje está totalmente afastado desse meio) e descobri muita coisa interessante. Na época em que ele trouxe Jaspion e Changeman pro Brasil, havia ainda um terceiro licenciamento que era do anime Comando Dolbuck. Toshihiko apostava muito mais nesse anime do que nos live actions, o que nos leva a crer que o sucesso avassalador de Jaspion e Changeman pegou até mesmo ele de surpresa. Acredito que pouca gente na época botava fé nessas duas séries, pois era algo muito diferente de qualquer outra coisa e os tempos eram outros. Uma das poucas pessoas que enxergou potencial nessas produções e resolveu apostar no sucesso de ambas foi, acredite se puder, o empresário Beto Carrero (1937 – 2008)! Foi ele quem “mexeu os pauzinhos” e usou seu poder de influência para que as séries fossem parar na TV.
Jaspion e Changeman hoje são uma boa forma das pessoas “entregarem sua idade” (se você lembra, é porque já passou ou está beirando os 30). É uma das principais lembranças dos marmanjos que viveram a infância nos anos 1980/90. Eu mesmo lembro das sensações e emoções que sentia quando tinha cinco anos de idade e vibrava com aquelas cenas e episódios memoráveis. Foi algo que marcou pra sempre a minha vida!

PS.: Disponibilizei aqui um PDF com a entrevista do Toshihiko Egashira pra Revista Herói Mangá ed. Nº1, em 2002: https://drive.google.com/file/d/0BwkR6gyM-0b0VllicDk2bnNiMkk/view?usp=sharing

Usys 222 disse...

Jaspion e Changeman estão no Brasil desde 1987? Então quer dizer que logo também serão os 30 anos da chegada desses heróis neste país! Mal dá para acreditar que já se passou tanto tempo...

E de fato, Jaspion foi um tremendo fenômeno social por aqui. Tanto que mesmo quem não viu pelo menos sabe o nome dele. E eu me lembro de que na época era comum apelidar um nipo-brasileiro de "Jaspion" na escola.

Foi uma boa retrospectiva dos programas de Super Heróis japoneses no Brasil. Uma coisa interessante é que pulamos dos Ultras para os Metal Heroes sem passar pelos primeiros Kamen Riders. Fico pensando no que teria acontecido se eles tivessem sido exibidos nesse período entre a exibição dos três primeiros Ultras e a de Jaspion e Changeman.

Stefano disse...

a invasão dos heróis japoneses não começou nos anos 60 ? (National Kid, Ultraman...)

pierrot disse...

Você sabe quando uma coisa atravessa o tempo quando ela cai na boca do povo a ponto de virar gíria. Jaspion e Jiraiya são exemplos que ficaram na cabeça do povo, assim como os Power Rangers generalizaram os super sentais por aqui.
Jaspion na minha opinião é mais sobressalente dos tokusatsus por aqui por englobar em grande parte o que as produções do gênero continham. Os combates mano a mano, os veículos, os monstros gigantes e o visual tecnológico.
É meu amigo, estamos velhos e eu sou um aprendiz de vovô correndo atrás do que não vi naquela época (atualmente vendo Maskman)

Ale Nagado disse...

- Raphael, acho que esse assunto do "envelhecimento" de uma série pode render uma boa discussão. Não pensei muito sobre isso quando escrevi, apenas me baseei no que tenho observado e o Jaspion parece que é muito mais lembrado que Changeman. Claro, Changeman era mais repetitivo em sua estrutura e teve muitas séries parecidas, com a mesma estrutura.

- Bruno, o Comando Dolbuck realmente não fez a cabeça do pessoal. Vi um episódio na época e nem me lembro como era. O Toshi tinha um sócio no começo da Everest, que vinha com ele desde os tempos de locadora. Era o Wilson Katakura, que, se não me engano, produziu o disco em português do Jaspion - e fez um bom trabalho.

- Usys, realmente pulamos dos Ultras clássicos para os Metal Heroes. Foi uma mudança de linguagem visual muito grande e isso foi o que chacoalhou o público. Será que os Riders antigos teriam sido sucesso? Acho que sim, mas jamais saberemos.

Abraços!

Ale Nagado disse...

- Stefano: Você fez sua pergunta sem ter lido o texto, só leu o título. Ou leu o texto e não entendeu nada. Poxa, cara, não faz isso. Logo no começo do texto eu falo dos heróis que passaram antes. O que muita gente não entende é a forma como as palavras "invasão" e "febre" foram usadas no contexto. Sinceramente, perguntas feitas assim me desanimam...

- Pierrot, então você não é público nostálgico, está vendo agora esse material. Legal, espero que esteja gostando. E olha, você disse que está vendo Maskman. Gosto demais de Maskman, achava uma boa série. Mas o final, não gostei nem um pouco. Não direi o motivo pra não fazer spoiler.

Abraços!

Stefano disse...

Are-San! Gomenasai !! Escrevi com pressa ontem !!

ALTAIR SUPER FA disse...

NAGADO, VC É NO 10 O MELHOR ESPECIALISA EM TOKUSATSUS GOSTO DO SEU TRABALHO DESDE A HEROI NAGADO VC TÁ SUMIDO NÃO VEJO VC EM EVENTOS! SUA EXPERIENCIA FAZ MUITA FALTA! VALEU NAGADO HENSIN!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ale Nagado disse...

Fala, Altair.

Estou morando bem fora do circuito de eventos e tenho um trabalho fixo. Assim, fica complicado pra mim participar. Já recusei vários convites, sendo que o último evento em que estive foi no ano passado, na CCXP. Não sei se irei neste ano.

Abraço!