sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Bate-papo: Power Rangers é um tokusatsu?

O elenco de Power Rangers Super Megaforce, a
versão americana de Gokaiger
Power Rangers e seus derivados (adaptações americanas de séries japonesas) também são tokusatsus? Existe algum conceito original que defina ou restrinja tais produções estrangeiras com o segmento da séries japonesas com efeitos especiais?
César Filho

Fala, César. Eis outra excelente pergunta para o Bate-papo e vai permitir abordar um assunto cujos desdobramentos sempre geram polêmica e opiniões mal embasadas. 

Sim, considero Power Rangers como sendo tokusatsu. É um tokusatsu americano, mesmo que use visuais japoneses. Assim como Cruzer, o herói do clipe On The Rocks, é um herói de tokusatsu genuinamente brasileiro, pois foi criado por brasileiros. Mas vamos analisar melhor essa questão. 

Tokusatsu, vamos lembrar, é a abreviação de "tokushuu kouka satsuei" - ou "filmagem de efeitos especiais". Essa é a definição de efeitos especiais no Japão, mas qualquer produção live-action (filmagem com atores) que use efeitos especiais é, de certa forma, um tokusatsu. 

A base tradicional do tokusatsu engloba efeitos com maquetes, miniaturas, trucagens de câmera e efeitos pirotécnicos, técnicas que ganharam prestígio com o mestre Eiji Tsuburaya, mas atualmente engloba boas doses de efeitos digitais combinados. Mas não dá pra dizer que todo filme de efeitos especiais é tokusatsu. 

Técnicos da Toho  Films  trabalham
no filme Radon, clássico de 1956.
O tokusatsu como arte.
No Japão, as produções de Hollywood, com sua qualidade técnica absurda, não são chamados de tokusatsu, mas de filmes SFX (de "special effects"). O vindouro filme dos Power Rangers poderá ser chamado de tokusatsu ou de SFX, vai depender da escala de produção. 

Mas essas definições vão ficando cada vez mais estreitas e o próprio tokusatsu já teve uma definição mais abrangente do que hoje. Os livros mais completos sobre tokusatsu no Japão, por exemplo, incluem programas infantis com bonecos e pessoas fantasiadas como sendo tokusatsu. Um exemplo é Booska, famoso monstrinho da Tsuburaya Pro

Porém, aos poucos o gênero foi sendo cada vez mais associado com aventura, ficção científica e fantasia, até que virou quase sinônimo de seriado de super-heróis. 

O recente filme de Ataque dos Titãs não tem sido chamado de tokusatsu, apesar de ser claramente um. Isso tem um pouco a ver com o fato de tokusatsu ser hoje mais associado a produções infantis e infanto-juvenis, o que é uma distorção que foi virando regra. Sobre isso, há um artigo no blog onde comento esse preconceito que se formou. 


Finalmente, esse caso de considerar ou não Power Rangers como tokusatsu é o mesmo do mangá e do animê. Mangá é história em quadrinhos japonesa ou que use o estilo visual ou narrativo dos quadrinhos japoneses. É uma linguagem que pode ser usada como referência ou emulada em qualquer país, assim como o animê. 

No Japão, chamam de mangá o quadrinho feito lá e de comics o quadrinho estrangeiro. Da mesma forma, chamam de animation os desenhos feitos fora, restringindo o termo animê a produções locais. E, como disse, chamam de SFX as produções estrangeiras de efeitos especiais. Fora do Japão que as definições consideram mais estilo do que procedência, mas há gente que afirma que mangá é só a HQ feita no Japão, e por aí vai. 

Mas assim como há mangás feitos em vários países (fato reconhecido até pelo governo japonês), como a cultuada série brasileira Holy Avenger, existe também tokusatsu feito em outros países, como nas Filipinas, EUA ou na Coréia do Sul, por exemplo. 

Tokusatsu é um recurso de produção e, como tal, pode ser criado em qualquer lugar. Mas rótulos podem ser muito restritivos, e o bom senso deve prevalecer. 

Pessoalmente, acabo reconhecendo como tokusatsu qualquer produção japonesa com efeitos especiais ou qualquer produção ocidental que se baseie na tradição japonesa de aventuras com efeitos especiais.

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11 comentários:

Rogério disse...

Boa noite Nagado,

As definições são uma das mais elusivas, e por isso mesmo mais interessantes, discussões da Cultura POP.

Eu sei que há muita gente que cresceu com Power Rangers e tem uma relação afetiva com a franquia, mas eu sempre considerei uma tipo de filho bastardo da Cultura POP.

Claro, essa pode ser uma visão preconceituosa porque no fundo os originais japoneses são produtos mercadológicos tão friamente calculados quanto a versão americana.

De qualquer forma Power Rangers virou sinônimo de Super Sentai para muita gente. Outro dia lendo comentários sobre o novo filme num site americano me surpreendi como muitas pessoas não sabiam da origem japonesa do conceito.

Acho que já disse isso em algum comentário aqui: certos produtos culturais tem características e linguagens que os definem. Pegando um exemplo da música: Jazz tocado e composto no Japão ou na Dinamarca é tão Jazz quanto aquele composto e tocado por americanos nos EUA.

Bruno Seidel disse...

Eu não considero Power Rangers Tokusatsu. Aliás, acho que muitos fãs fervorosos até se irritam com essa comparação, o que tem seu lado compreensível. Apesar de entender toda a definição que existe por trás da nomenclatura “Tokusatsu” (perfeitamente explicada nesse post e em textos anteriores aqui no blog), essa expressão acabou sendo ressignificada com o passar do tempo. Tokusatsu já não é mais sinônimo de “ação real com efeitos especiais”, porque o próprio conceito de “efeitos especiais” já mudou muito desde os anos 1950, quando os primeiros filmes de Godzilla e Kaijus foram produzidos. Era uma época em que não havia recursos como CG. Hoje em dia, qualquer moleque de apartamento com uma câmera e um programa de edição de vídeo pode fazer algo com efeitos especiais sem muito esforço ou orçamento. Eu mesmo cheguei a produzir minha “própria série de Tokusatsu”, que foram os Blast Rangers (anos 1990 ~ 2000). Gravamos um total de 16 episódios em VHS e, anos depois, cheguei até a editá-los no Movie Maker. Era uma produção autoral (apesar de amadora) com efeitos especiais, personagens próprios, trajes criados por nós mesmos, enredo original... mas tudo nos moldes e nos “clichês” de séries Super Sentai que eu conhecia. E aí, meu camarada, posso dizer que Blast Rangers é Tokusatsu também? Sou um produtor de Tokusatsu?
Power Rangers também faz isso, apesar dos trajes dos heróis, dos vilões, os monstros e os robôs não serem originalmente feitos pela equipe de criação da série. Tokusatsu, pra mim, ainda é algo que pertence aos cinco gêneros principais: Ultraman, Kamen Riders, Super Sentais, Metal Heroes e “outros”. Os quatro primeiros são gêneros patenteados e licenciados por suas respectivas produtoras (ou seja, pra ser considerado Super Sentai, precisa ser produzido ou reconhecido pela Toei como tal). O quinto, em específico, é o que compreende produções que não pertencem a um gênero consolidado (Cybercops, Spectreman, Patrine, Lionman, Grandseizer, Garo, Kikaider...). Nesse aqui não existe uma regra muito clara, até porque são produções que pertencem a produtoras diferentes. Mas são Tokusatsu porque, afinal de contas, são “séries de super-heróis made in Japan”.
Power Rangers mutilou o conceito de “esquadrões coloridos” no ocidente, mesmo que legalmente. Para a Toei, só existem 39 séries Super Sentai até o momento e Power Rangers não é nenhuma delas. Alguém poderia dizer que pertencem a um gênero à parte, paralelo aos Super Sentais. Ok, mas então teríamos que considerar muita coisa “made in USA” como Tokusatsu também (Capitão Power, O Demolidor, Lazy Town...). Pra evitar qualquer complicação e “paradoxos”, eu prefiro não considerar Power Rangers como Tokusatsu. Aliás, pra mim, Tokusatsu continua sendo só aquilo que é produzido no Japão.

Ocidente Tokusatsu disse...

Parabéns, Nagado!
Esse foi um dos melhores artigos que você já fez!
Não deixa de ser uma discussão bem semelhante a de se existem ou não mangás nacionais.
Se acrescentarmos a quantia enorme de material ocidental utilizado para criação de tokusatsus ( alguém falou em Jiban?) ou a quantia enorme de dinheiro que a Saban injetou na Toei pela compra dos Sentais, fazendo com que a franquia sobrevivesse (diferente dos Meta-Heroes e Kamen Riders, que foram interrompidos e voltaram fundidos no começo do século 21), vemos que a coisa vai longe.
Inclusive todo tokufã deveria assistir o novo box de DVD do primeiro Godzilla no qual temos declarações oficiais de como monstro gênese dos tokusatsu foi inspirado em King Kong e no Monstro Ártico, produções americanas! Fica difícil traçar limites, o que faz com que tenhamos mais "estilos artísticos" que pegaram influências do local onde forem feitos do que existir um estilo de produção 100% regional, ainda mais no mundo globalizado de hoje.
Inclusive criei meu blog justamente para mostrar esse fluxo continuo de influências entre oriente e o ocidente. Afinal, sem os filmes de samurai não existiria o épico Guerra nas Estrelas e sem este não teríamos Jaspion! Em sem termos tanto a produção Marvel no cinema quanto os tokusatsu no oriente não teríamos Big Hero, a animação ganhadora do Oscar (bem mereciado0 do ano passado!
Que o fluxo cultural continue produzindo essas maravilhas!

Ale Nagado disse...

Rogério, essa comparação com música é pertinente e é assim mesmo que eu penso.

Prezado "Ocidente Tokusatsu", bem vindo ao Sushi POP, espero que sempre apareça por aqui. Esse fluxo de influências que citou é vital, não tem como negar isso.

Bruno:
Respeito sua posição, mas a vejo como uma postura de alguém que, de tanto amor pelo tokusatsu, colocou-o num patamar quase religioso onde somente a "pureza" - leia "origem nipônica" - conseguiria alcançar. Não vejo dessa forma.

Há ainda muita gente que diz que "mangá de verdade" é só o que é feito no Japão, por japoneses de "sangue puro". Mas o próprio governo japonês criou um prêmio internacional de mangá, reconhecendo a existência dele em outros países. Quer dizer que o mangá é algo simples e o tokusatsu é algo intocável que só pode ser feito no Japão por japoneses? Acho que não.

E claro que em sã consciência jamais chamaria Lazy Town de tokusatsu, mas se visse alguns shows infantis de tokusatsu com bonequinhos, ficaria em dúvida. Não que eu ache que rotular é tão importante assim, mas abrir o leque é importante.

E você mencionou os Blast Rangers, seu antigo projeto. Ora, acredito que era sim um tokusatsu, mas um tokusatsu AMADOR. Sim, como existem desenhistas de mangá amadores. Conheço muita gente que diz que faz mangá, mas é um trabalho amadorístico, não publicado, cheio de defeitos e que está anos-luz da qualidade de um trabalho profissional.

No Japão, existe a revista Uchusen que tem (ou tinha) uma coluna chamada "Indie´s a Go Go", dedicada a vídeos de tokusatsu amador. Você poderia ter enviado Blast Rangers pra lá que sairia nessa seção de tokusatsu amador.

Veja, eu enxergo tokusatsu pelo conteúdo e pela forma. E não vejo que tenha havido uma ressignificação como você mencionou, mas sim um reducionismo empurrado pelo mercado. Achar que tokusatsu é só super-herói que luta contra monstros ou supervilões, que tem que ter grito de transformação, golpe mortal, etc, etc, reduz demais o conceito. É claro que eu gosto de tudo isso, mas eu também gosto de variedade, gosto de dialogar com outras mídias e me agrada a ideia de que uma linguagem pode ser aprendida e bem executada.

O tema claro que rende polêmica, mas se existe jazz e até Bossa-nova e pagode japoneses, se existe mangá brasileiro e italiano (só pra citar alguns exemplos), eu não entendo qual o problema de se dizer que existe tokusatsu americano, coreano, tailandês ou brasileiro. O excesso de purismo cria uma cultura xiita e isso eu não acho legal não.

Abraços a todos!

Ultra Ace Jack disse...

Fala Nagado tudo bem ?
Não gosto e nunca gostei de Power Rangers sempre achei que os americanos poderiam criar seu próprio visual de " Super Sentai " sem ficar aproveitando o visual dos Sentais Japoneses ! algo parecido foi com aquela série " Os jovens tatuados de Bevelly Hills " era horrível !! mas era algo deles com um visual que eles criaram !! Apesar de ser americano ou não o termo Tokusatsu se aplicaria sim a Power Rangers e outras séries pelo mundo a fora ! Ex: France Five e o Brasileiro Insector Sun !!! são tokusatsu ..
Pelo menos acho isso...

Ale Nagado disse...

Fala, Ace!

Eu não conseguia gostar da primeira temporada, apesar de reconhecer que alguns personagens - especialmente Tommy e Kimberly eram bem legais. Mas a coisa foi evoluindo. Há temporadas com episódios dirigidos pelo hoje celebrado diretor Koichi Sakamoto e vi alguns episódios de Mega Force e Super Mega Force que não ficam devendo nada aos orientais e com montes de cenas próprias. Pode até não ser Super Sentai, mas é derivado dele e considero um tokusatsu. Mas como já disse, não gosto do conceito geral, que é formatar um programa para o gosto americano, apagando o elenco original.

Abraço!

Usys 222 disse...

Compartilho de sua visão de que Power Rangers é Tokusatsu. E na verdade, eu fico surpreso em saber que esse assunto ainda causa tanta discussão, tendo em vista que já se passaram mais de vinte anos depois da estréia de Mighty Morphing Power Rangers. Ou seja, eles já são os heróis da infância de muita gente.
Percebi a popularidade deles quando publiquei a apresentação das versões S.H. Figuarts do Tyranno Ranger e do Dragon Ranger no Fórum Limited Edition. Até coloquei uma enquete de brincadeira perguntando "Quem é o mais forte?". Ia colocar como opções só "Geki" e "Burai", mas para ficar mais engraçado, coloquei "Jason", "Tommy", "Rita Repulsa" e "Shadow Moon". Tommy ganhou de lavada! Até teve gente que comentou que Zyuranger tinha uma linha de história mais interessante, mas a grande maioria falava do "Ranger Verde". Mesmo no tópico de Heróis Japoneses do Fórum, o Tommy era mencionado várias vezes com admiração, tamanha foi a presença do personagem.
No começo, de fato torcia o nariz para a série, mas anos depois vi sua evolução em Time Force e Wild Force, com cenas originais usando as mesmas técnicas usadas no Japão. E até com equipamentos exclusivos. Esses foram os únicos que pude ver além da primeira série, mas fiquei impressionado.
E não podemos nos esquecer do maior mérito da série: revelar o diretor Koichi Sakamoto. É inegável que isso foi uma grande contribuição para o tokusatsu. Isso sem falar que Power Rangers teve a participação de outros diretores renomados como Ryuta Tasaki e Taro Sakamoto.

César Filho disse...

Olá, Nagado. Primeiramente quero te agradecer por esclarecer mais um questionamento que trouxe para o bate-papo. Particularmente eu já sabia que Power Rangers é tokusatsu por algumas definições que você explanou aqui, e quis perguntar para me aprofundar ainda mais sobre o conceito. Confesso que aprendi mais coisas sobre o assunto através deste post e acredito que daqui pra frente servirá para, pelo menos, amenizar os debates e discussões na internet que acabam, infelizmente, terminando em brigas nonsense.

Power Rangers fez parte da minha infância e adolescência. Nos anos 90 eu assistia por dois motivos: porque gostava e pra (tentar) matar a curiosidade dos Sentais originais. Teve um tempo durante meados da década de 2000 que enjoei e quase odiei a franquia por ver a escassez de tokusatsu (japonês) na TV brasileira. Mas a memória afetiva e o bom senso sempre falavam mais alto, e mantive os pés no chão. Hoje eu assisto Power Rangers como eu assisto a algum Super Sentai. Entendo que ambas as franquias se ajudam entre si, comercialmente falando. Agora, algo bem particular, por eu ter os Metal Heroes como gênero favorito, também gosto (pasme!) da série VR Troopers. Por mais que aquilo seja desastroso do que PR, curto analisar as cenas e até comparo os roteiros. Eu mesmo paro pra rir daquilo e vejo como um programa que tentou ser meio dramático, mas que se tornou involuntariamente uma "comédia" por apresentar situações improváveis numa série japonesa dos anos 80. Apesar dos pesares, tenho um carinho especial pelas séries Metalder e Spielvan, que são uma das melhores da franquia.

Acredito que gostar ou não de Power Rangers é o direito que assiste a cada um. Mas que o conceito sobre tokusatsu seja realmente apreendido e compreendido pelos fãs, antes de alguém pensar em criar alguma ideologia relativista que afirme que "tokusatsu é só e somente só do Japão".

Grande abraço.

Aniki disse...

Fala, Nagado.

Achei um texto bem pertinente. Eu mesmo já tive minha fase "fã xiita", mas isso só era motivado pelo simples fato de não ter acesso às versões originais. No entanto, com o passar do tempo e o acesso facilitado a esse conteúdo, é algo que foi se dissipando e passou a não ter mais qualquer sentido tal rusga. Hoje em dia sou totalmente indiferente à versão que é produzida e depois adaptada, já que a leitura de textos relacionados internet afora fez com que eu desenvolvesse uma visão mais comercial e menos mágica da coisa toda.

Não nego, os Super Sentai e Kamen Riders atuais dificilmente chamam minha atenção. Talvez pelo exagero dos brinquedos, digamos assim. Tanto que o últimos de ambos os gêneros que realmente me prenderam do começo ao fim foram Shinkenger e Kamen Rider W. Entretanto ainda acompanho as séries Garo e o recente Ultraman X, que até aqui está se saindo bem.

Em relação a essa idéia de "pureza", é quase o mesmo que dizer que futebol só poderia ser praticado pelos ingleses.

Grande abraço.

Tokufriends disse...

Eu procurei não ler os comentários para conseguir postar sem influências.

Não é preciso dizer que não gosto de Power Rangers. Na verdade, porque gostei do estilo japonês de fazer as séries, para as quais se popularizou o termo Tokusatsu.

Acho que se colocarmos Tokusatsu como um jeito de fazer séries com efeitos especiais, um estilo musical único (até anos atrás), aí não há comparações.

Power Rangers por si só, é algo que já foi criado para a limitada mente ocidental. Não estou dizendo que "o fã de PR é burro", estou dizendo que para a época, os "criadores-vulgo-saban" tinham a visão do público como menos avançado do que o japonês. Todo nomê de robô é zord. Todo nome de herói é ranger-alguma-cor.

Identifica a franquia pra vender mais? Pode ser, mas que me parece algo mais simplório, é. No Japão nomes diferentes, inventivos, sempre aparecem. Aqui, parece que não temos inteligência pra decorar algo novo.

E a música, não tem comparação. A japonesa era um rock bacana, que provoca uma imersão na série, nas situações.

Em PRs, o pouco que eu ouvia quando passava em frente a um monitor ligado neles, era "go go power rangeeeeeeeers".

Ainda que o termo signifique efeitos especiais, e seja genérico, se Power Rangers for Tokusatsu só porque usa cenas das séries originais (ou seja, porque tem efeitos especiais), então acho melhor chamarmos Robocop, Super Force (sim, eu sei, ninguém há de lembrar disso), M.a.n.t.i.s. e tantas outras séries de efeitos especiais americanas e mundiais, como Tokusatsu.

Daqui há pouco estaremos chamando Os Guerreiros Tatuados de Beverly Hills como Tokusatsu.

Provavelmente minha inclinação ao Japão me tirou da trilha. Não era o que eu pretendia, mas saiu como tinha de sair. Pode rebater, Nagado :D

Ale Nagado disse...

Aos amigos que são radicais xiitas e que a paixão desenfreada e indignação impediram de ler o post inteiro com igual atenção:

No último parágrafo, escrevi o seguinte:
"Pessoalmente, acabo reconhecendo como tokusatsu qualquer produção japonesa com efeitos especiais ou qualquer produção ocidental que se baseie na tradição japonesa de aventuras com efeitos especiais."

Esse lance da tradição japonesa inclui os tipos de filmes e seriados feitos no Japão como tokusatsu. Não sou tolo ou estúpido (ao menos espero não ser), mas acho que alguns amigos aqui pensam que sou ao citarem exemplos grotescos do que eu chamaria de tokusatsu dentro do que os xiitas consideram uma visão equivocada.

Vejam bem: mangá é sinônimo de quadrinhos no Japão, mas fora do Japão só se chama de mangá o que segue a tradição estética ou narrativa dos quadrinhos japoneses. "Holy Avenger" é um mangá brasileiro, e isso dito pelo governo japonês. Da mesma forma, produções ocidentais que intencionalmente busquem emular as características estéticas das produções japonesas, podem ser chamados de tokusatsu. Não seria idiota a ponto de chamar Robocop de tokusatsu.

"On The Rocks", do Ricardo Cruz, é um curta de tokusatsu brasileiro. "Blast Rangers" foi uma série tokusatsu brasileira amadora (amadora, mas ainda assim tentando ser tokusatsu). "Vektorman", da Coréia do Sul, é um tokusatsu coreano. "Yongary", filme estilo Godzilla dos anos 60 e refilmado nos anos 90, é um tokusatsu coreano. E Power Rangers é um tokusatsu nipo-americano ou só americano mesmo, em alguns casos. Não é questão tanto de opinião, vocês irão perceber com o tempo. Há os xiitas que batem no peito e dizem que não existem mangá feito fora do solo sagrado do Japão, mas estes estão perdendo o trem da história. Qualquer um é livre para achar o que quiser.

Felizmente o Usys, a pessoa que mais conhece tokusatsu dentre meus contatos, concorda comigo.

E obrigado a todos por contribuir ao debate. As opiniões contrárias são tão importantes quanto as favoráveis, pois oferecem uma visão do fandom. Por mais que eu seja um crítico do fandom brasileiro, majoritariamente focado em tokusatsu como sendo apenas um veículo das franquias Super Sentai, Kamen Rider e Metal Heroes.

Abraços!