quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Codename Sailor V

Sailor V #1 (Ed. JBC):
Uma super-heroína em aventuras
cheias de humor e romance
Sailor Moon foi um dos maiores sucessos da animação japonesa na década de 1990. Sua série de TV de 200 episódios divididos em 5 fases (mais alguns especiais) foi toda exibida no Brasil, apesar de ter sido em canais diferentes. Mesmo sendo uma série protagonizada por meninas e voltada para meninas, tanto no Japão quanto no Brasil conseguiu capturar uma boa audiência masculina, com sua mistura de aventura estilo super-heróis, romance e muito humor. 

A proeza foi conseguida graças ao excelente trabalho de uma inspirada equipe da Toei Animation, que trabalhou em cima da criação da autora Naoko Takeuchi e deu uma identidade própria à série, com muito mais humor e drama, especialmente na primeira temporada. Porém, todo esse potencial tão bem captado no animê teve, assim como o mangá de Sailor Moon, uma origem em comum. Os conceitos básicos foram apresentados na série de mangá Codename wa Sailor V (ou "O Codinome é Sailor V"), que estreou no Japão em agosto de 1991 na revista mensal RunRun (Ed. Kodansha), voltada para meninas. 

Contando as aventuras de Minako Aino, a Sailor Vênus, a série mostra a primeira heroína a usar um traje de batalha inspirado nos tradicionais uniformes escolares femininos japoneses. Fora esse aspecto visual, era uma personagem forte e muito carismática.


Sailor V e Artemis
Minako (ou Mina, como ficou mais conhecida no ocidente) é uma estudante de 13 anos boa em esportes, mas não exatamente uma boa aluna. É indisciplinada, estabanada, sonhadora, romântica (vive se apaixonando) e muito, mas muito temperamental. Sua vida muda quando encontra o gatinho branco falante Artemis. Segundo ele, Minako é a escolhida para ser a heroína de uniforme escolar, Sailor V, e salvar a humanidade de grandes perigos. 

A garota recebe um espelho capaz de revelar a verdadeira face de demônios disfarçados de humanos e uma caneta mágica com vários poderes. Com essa caneta, Minako pode assumir diferentes disfarces, além de se transformar na guerreira mascarada Sailor Venus. 

Suas missões, passadas por um chefe misterioso e por Artemis, envolvem batalhas contra as criaturas da Dark Agency, um grupo maligno que vive infiltrado na sociedade. Seu objetivo é escravizar seres humanos e absorver sua força vital, chamada de Énergie ("energia", em francês). A Dark Agency usa diversão e entretenimento para atrair suas vítimas, tendo até cantores pop como seus demônios manipuladores da vontade humana. Entre uma missão e outra, Minako também exerce seu senso de justiça distribuindo bons pontapés em pessoas mal-intencionadas e protegendo inocentes. 

Minako vive com seus pais (meio estabanados como ela) e tem como melhor amiga Hikaru Sorano. E sempre zanzando por perto, está o garoto otaku Gurikazu Amano, que é praticamente idêntico ao Umino, o amigo de Sailor Moon que foi batizado no ocidente de Kelvin. Ao longo da série, inclusive, há pequenas aparições de personagens de Sailor Moon, incluindo a própria na época em que era uma garota normal que fica fascinada com o video game de Sailor V. A origem desse jogo, inclusive, tem uma explicação bem divertida, que é ter sido criado para treinar a heroína, que é fanática por games. 

A série é permeada por citações de cultura pop japonesa que podem passar batidas. Como por exemplo a presença das cantoras estilo idol, que arrastam multidões de fãs hipnotizados por sua graciosidade. Esse fenômeno do culto às idols é algo bem japonês, que não encontra similar no ocidente com a mesma intensidade e conotações. 

Em Codename Sailor V, a grande sacada da autora foi levar o estilo de aventura de super-heróis para o mundo do mangá feminino (shojo mangá). Ela também resgatou e misturou o estilo de tradicionais garotas mágicas do animê (como Angel, clássico exibido no SBT nos anos 1980) com o das heroínas das Fushigi Comedy ("Comédias Maravilhosas") do tokusatsu. Produzido pela Toei Company, Fushigi Comedy o mesmo gênero da qual faz parte Patrine, a única série do gênero vista no Brasil (pela TV Manchete, nos anos 1990) e mais uma das muitas criações do autor de mangás Shotaro Ishinomori em colaboração com o produtor de seriados Toru Hirayama.
 

Sailor V: O início da revolução que
foi Sailor Moon na cultura pop japonesa
A estrutura das histórias, com episódios fechados ligados por um arco maior, lembra muito seriados tokusatsu, com direito a "monstro da semana" e golpes especiais. O teor é quase infantil, ou seria pré-adolescente, a faixa etária de leitoras da revista RunRun. A série fez sucesso e rendeu 3 volumes encadernados, reduzidos para 2 quando a editora fez uma divisão maior de páginas para cada volume. (Nota: Esse é o formato adotado para publicação no Brasil.)

Quando a Toei Dôga (Toei Animation) manifestou o desejo de transformar Sailor V em animê, a autora e o estúdio criaram o projeto Sailor Moon, usando elementos das séries de equipes de heróis no estilo Super Sentai. Surgiu assim Sailor Moon, desenvolvida praticamente de forma simultânea em mangá (dez./ 1991) e em animê (mar./ 1992). Sailor V continuou com seu mangá solo na RunRun até 1997, tendo sido também incorporada à Sailor Moon tanto no mangá quanto no animê. 

O mangá de Sailor V, assim como o de Sailor Moon (também lançado pela editora JBC), tem narrativa ágil e um traço delicado e expressivo, que consegue contornar as limitações do desenho de Naoko Takeuchi. As situações são rápidas, se resolvem sem muita enrolação e não permitem um desenvolvimento muito profundo, mas a proposta é de entretenimento ligeiro, sem complicações. Para o público-alvo, funciona perfeitamente, tanto que o trabalho gerou uma das mais lucrativas franquias da Toei na década de 1990. 

Com Codename Sailor V, o mundo dos super-heróis ficou mais divertido e o do shojo mangá recebeu doses bem-humoradas de ação, pancadaria e aventura. 

Codename Sailor V
Autora: Naoko Takeuchi
Editora: JBC
Formato: 12 cm x 18 cm, com 272 (vol. 1) e 296 páginas (vol. 2)
Total de volumes: 2
Lançamento: Julho de 2015 (Distribuição nacional)

Preço de capa: R$ 16,50
- Classificação indicativa - Livre



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5 comentários:

Usys 222 disse...

Ainda não tinha lido Codename Sailor V. Mas pela descrição parece ser bem divertido. Me pareceu uma Sailor Moon de outra realidade, considerando os personagens secundários, como o Gurikazu. Ia ser bem engraçado a Usagi descobrir que a Minako tem amigos exatamente do mesmo tipo que os dela.

Interessante essa pegada das idols. A gente já viu uma estratégia parecida em Kamen Rider Black e é incrível como ela funciona até hoje, como em Kyouryuger.

E foi bom ter lembrado da Angel. Deve ter muita gente por aqui que não sabia que eram exibidos desenhos do gênero muito antes de Sailor Moon ou Card Captor Sakura. E menos gente ainda deve saber que esse foi um dos trabalhos de Shingo Araki e Michi Himeno.

Vai sair uma versão S.H. Figuarts da Sailor V também. Tinha decidido não comprar, mas depois de ler essa resenha fico tentado a reconsiderar.

Ale Nagado disse...

Fala, Usys! Opa, desculpe por ajudar a enxugar mais seu orçamento, eh eh. :-P

Falando sério, eu não gostei muito do mangá da Sailor Moon. Mas em Sailor V há um frescor que se perdeu depois. Na série de animê original, minha personagem favorita era Sailor Mars, graças à suas brigas com Sailor Moon. Sailor Venus não era exatamente interessante para mim, mas agora tudo mudou com esse mangá. Que personagem adorável. Sailor V merecia um especial em DVD/Blu-ray, pelo menos. E se possível pela mesma equipe da primeira temporada de Sailor Moon (série clássica).

Sobre as idols, bem lembrado esse episódio do Black que citou. Há uma crítica ao consumismo e devoção cegas que esses otakus idólatras nutrem por suas musas. No mundo real, a mensagem que elas passam é "gastem seu dinheiro comigo, vivam para me adorar!" E nada mudou de lá pra cá.

Valeu! Abraço!

Ricardo disse...

Lembro que assisti a primeira temporada de Sailor Moon na Manchete, no auge da onda de animes da década de 90 no Brasil.

Achei a série simpática, mas os personagens eram grandes estereótipos, não vi nenhuma profundidade ou desenvolvimento (não sei se isso ocorreu nas temporadas posteriores).

Sei que como fã de tokusatsu minha opinião pode ser suspeita, mas acho a série live-action a melhor encarnação de Sailor Moon.

Claro que a produção é muito pobre, e as atrizes estavam completamente cruas no início da série (tanto em termos de atuação quanto nas cenas de ação). Mas no decorrer da série há uma evolução evidente, auxiliada em muito pelo roteiro da Yasuko Kobayashi. Ela já tinha a experiência de escrever séries com vários personagens (até aquele momento ela já havia sido a escritora principal em Gingaman, Timeranger e Kamen Rider Ryuki), e conseguiu levar a caracterização das Sailors a outro nível.

De qualquer modo, confesso que ao ler o seu review fiquei curioso para ler Sailor V - até para ver a gênese desse universo criado pela Naoko Takeuchi.

Ale Nagado disse...

Olá, Ricardo.

Hum, permita-me discordar em parte do que escreveu. Eu acompanhei as duas primeiras temporadas inteiras, e boa parte das restantes. A primeira série eu acho um primor de bom desenvolvimento de personagens e situações. Talvez pelo fato de preferir ver live-action, ou seja, ver pessoas atuando, dê a você a sensação de que o live-action tem mais profundidade. Eu não tenho essa impressão, mesmo sendo obviamente um entusiasta de tokusatsu. Mas posso estar enganado, afinal não assisti a versão tokusatsu da Sailor Moon, então não tenho como comparar.

Mas a série original, que passou na TV Manchete, eu sou da opinião de que foi muito bem escrita, desenvolvida e estruturada, dentro de sua proposta.

O interessante de Sailor V é mostrar a gênese de tudo isso e assim perceber de onde partiram as diferentes interpretações dos conceitos originais.

E eu continuo achando que os roteiros da 1a temporada do animê são bem melhores que o material da Naoko Takeuchi que, assim como Masami Kurumada, é uma ótima criadora de personagens, mas não necessariamente a melhor pessoa a desenvolver seu potencial.

Obrigado pela participação e volte mais vezes.
Abraço!!

Anônimo disse...

O pior é atualmente gente dizendo "o desenho original de Sailor
Moon era horrível, enquanto Crystal é uma obra-prima" se apoiando
unicamente no fato de ser mais sério, por que alguns usam animes
para se dizerem super maduros em vez de assumir a diversão simples.
E eu não gostei daquela história de suicídio, não importa
que ainda seja um ato normal para parte dos japoneses.