RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog ainda está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, Katokutai, Pinóquio de Osamu Tezuka, Danger 3, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Terra Formars

No futuro, soldados
especiais vão enfrentar
a maior ameaça
à humanidade:
baratas mutantes
No futuro, o descontrole populacional obriga os governos da Terra criarem um plano ambicioso para tornar o planeta Marte habitável. Além de processos para gerar oxigênio, uma das manobras consiste em espalhar grandes quantidades de uma alga e também de baratas em quantidade suficiente para cobrir a superfície do planeta e iniciar um processo de aquecimento. A operação, chamada de "terraformação" visa preparar a chegada da humanidade após um período de séculos. 

Em Marte, a evolução seguiu por
um caminho inesperado e assustador.
Quando chega o momento de verificar os resultados, um grupo de astronautas é enviado a Marte para limpar o planeta dos insetos, mas perece por causas não divulgadas pela agência espacial. Isso obriga a criação de um novo grupo melhor preparado para enfrentar a ameaça misteriosa. Assim, a missão da espaçonave Bugs-2 vai para Marte a fim de limpar a superfície das baratas, apenas para descobrir que os insetos lá evoluíram para seres humanoides com 2 metros de altura e uma força e velocidade assombrosos. Saindo de ovos já com tamanho adulto, eles são incansáveis e possuem diferentes níveis de poder e habilidade entre eles, sendo capazes de estraçalhar humanos.

Agindo por instinto, eles matam com extrema violência qualquer ser humano que vejam. Os astronautas da Bugs-2 foram manipulados geneticamente para enfrentarem os monstros, mas a capacidade evolutiva dessa espécie de baratas mutantes, chamada de Terraformars, extrapola qualquer racionalidade. O que se vê é uma sucessão de batalhas sangrentas, onde apenas poucos guerreiros conseguem resistir.

Em meio a tudo isso, há uma conspiração envolvendo a missão, que tem líderes com diferentes interesses envolvidos. A divisão atinge o grupo, que em comum só tem o fato de serem pessoas pobres com passado trágicos, que abriram mão de sua humanidade em um experimento que cria soldados com poderes de insetos.

Capa do volume 3 original.
A série ainda
está em andamento
no Japão.

Assim começa Terraformars, novo mangá da Editora JBC a chegar às bancas. Com o destino da raça humana nas mãos de jovens militares que lutam contra criaturas cujo único objetivo parece ser destruir seres humanos, não é difícil lembrar de mangás como Ataque dos Titãs e All You Need is Kill. Na verdade, todos esses bebem na fonte do clássico livro e filme Tropas Estelares (Starship Troopers), com diferentes temas, nuances e abordagens. Assim como na saga dos Titãs publicada no Brasil pela Panini, há um certo apelo nacionalista em Terra Formars, que também lida com temas como miséria e descaso com os menos favorecidos. Não é uma leitura leve e despretensiosa. 



A narrativa desse mangá é um tanto irregular, com momentos empolgantes e alguns outros pouco inspirados, mas há muito espaço para evoluir. Nas cenas de ação, algumas são realmente boas e outras soam estranhas, como as cenas onde socos e chutes decepam membros como se fossem golpes de espada afiada. Ainda, cada vez que um guerreiro vai acionar seu poder de inseto, aparece uma nota com o nome científico do citado inseto. Isso, mais algumas explicações científicas e pseudo-científicas no meio da ação truncam um pouco a experiência da leitura. 



Mas se há um momento a ser destacado no volume 1 é a cena onde Ting, o oficial tailandês do grupo, sofre uma mutação irreversível e fatal, consequência de um nobre ato de sacrifício pelos colegas. A cena entre ele e o personagem central, Shokichi Komachi, é emocionalmente intensa e poderosa, com um impacto que só os grandes autores conseguem imprimir em uma sequência de quadrinhos.

A arte de Ken-Ichi (ou Kenichi) Tachibana é boa, com design interessante e bem adequada ao roteiro cheio de nuances sociais e políticas de Yu Sasuga. Não tem a técnica de um Masakazu Katsura ou de um Takeshi Obata, mas é eficiente. E se ele tem um grande acerto é que os Terra Formars são realmente repugnantes, sendo você alguém que tem nojo de baratas ou não.


Terra Formars estreou em 2011 na revista para jovens adultos (os chamados "seinen") Weekly Young Jump (Ed. Shueisha) e ainda está em publicação, com 13 volumes já lançados. Ganhou dois animês direto pra DVD em 2014 e uma série de TV com 13 episódios no mesmo ano, todos produzidos pela Liden Films. No Brasil, faz parte do pacote de atrações do portal Crunchyroll. Além disso, uma nova temporada de TV já foi anunciada e, em 2016, terá um filme live-action dirigido pelo renomado Takashi Miike


Terror e violência extremos também em animê
Com seus altos e baixos, Terra Formars é uma aventura para leitores de estômago forte. Ora pretensiosa, ora realmente emocionante, a obra cumpre a missão de fazer o leitor querer se aprofundar cada vez mais nesse universo sombrio e cheio de reviravoltas. 

Com um salto no tempo mostrando os sobreviventes da Bugs-2 vinte anos no futuro, a história irá se concentrar em uma nova expedição, novos personagens e novos perigos. As baratas, como a história do nosso planeta já ensinou, não desaparecem facilmente.  

Terra Formars
Roteiro: Yu Sasuga 
Desenhos: Ken-Ichi Tachibana 


Editora: JBC
Formato: 13,5 cm x 20,5 cm, com cerca de 220 páginas por edição
Total de volumes: ainda em produção
Lançamento: Julho de 2015 (Distribuição nacional)
Preço de capa: R$ 14,90
Classificação indicativa - Para maiores de 16 anos.

5 comentários:

Usys 222 disse...

Acabei de ler o primeiro volume e é mesmo necessário estômago forte logo no primeiro quadrinho. E pensar que essa é a cena mais fraca... O começo é até cômico, com humor japonês, mas os diálogos me lembram filmes americanos.

O tema nacionalista é bem escancarado e é interessante ver o passado de cada um, representando a miséria humana. E uma coisa engraçada é que quem luta melhor são justo aqueles que têm os poderes de insetos que foram base para alguns Kamen Riders. Esse diálogo citado do Shokichi com o Thien em especial remete à franquia, embora eu não saiba se isso é intencional.

Essas partes em que a história é interrompida para explicar as habilidades de cada inseto e (em termos) justificar os poderes de cada personagem é um recurso bastante usado em mangás shonen, especialmente na Jump. E vejo que isso é feito até hoje. Só sinto que a história podia parar por aí mesmo, sem a necessidade de continuação.

De qualquer jeito, o resumo da história foi muito bem feito, sem revelar as grandes surpresas e reviravoltas que ela tem (e de monte). Me fez despertar o interesse e foi uma boa leitura. Excelente trabalho!

Bruno Seidel disse...

Das três resenhas postadas aqui recentemente, acho que essa foi a que mais despertou o meu interesse. Os comentários do Usys me deixaram mais curioso ainda.

Valeu pela dica!! ^^

Ale Nagado disse...

Fala, Usys! Fala, Bruno!

Essa comparação com Kamen Rider eu evitei fazer no texto, pois muitos leitores de mangá não gostam de tokusatsu e poderiam interpretar isso como algo negativo. Porém, a forma final do pobre Ting lembra a versão mangá do Kamen Rider Black e a arrepiante cena do abraço entre Ting e Shokichi lembra uma cena de Shin Kamen Rider.

E concordo que não precisava ser uma série longa. Esse primeiro volume funciona bem como uma história fechada.

Abraço!

Mauricio disse...

Estou comprando, mas confesso que é aquela coisa de "guilty pleasure".
O manga é realmente bem irregular.
A arte é boa, mas o design das "baratas humanóides" é muito ruim! Tem hora que aquilo me cansa.
E a história é muito bagunçada. Tem personagem que surge do nada, ganha nome, destaque, se sacrifica e só daí o autor resolve nos contar sua história em flashbacks curtos e rasos. Ou seja, ele vai matar uma penca de personagens inexpressivos, e daí na hora H tenta ganhar nossa simpatia pelo sacrifício do cara, de um jeito forçado e apressado.
Falta uma estrutura maior no roteiro. Parece que ele vai escrevendo enquanto a gente vai lendo. "Ah! Lembrei! Tem que falar disso. Ah! Que ideia legal! Vou enfiar aqui no meio". E você lá, tentando entender o que está acontecendo.
Realmente tem potencial e poderia render um manga sensacional, mas do jeito que está, fica difícil entender o hype criado em cima dele.

Ale Nagado disse...

Olá, Mauricio.

Pesando prós e contras, acho Terra Formars um mangá mediano. Tem momentos grandiosos e um clima de tensão permeando a história. No entanto, acaba sendo pretensioso em alguns momentos. Dá pra acompanhar, mas fica a sensação que alguns personagens renderiam ótimas situações, mas você só fica sabendo desse potencial quando o personagem já está morto.

Abraço!