quinta-feira, 30 de julho de 2015

Temas de séries tokusatsu em versão acústica

Cantor e multi-instrumentista, Fábio Ribeiro faz
bela homenagem aos seus heróis japoneses de infância
Outro dia, descobri um vídeo fantástico no qual um músico brasileiro aparece cantando e tocando em um medley acústico de temas de seriados tokusatsu. Foi lançado originalmente em 2013, mas assim como eu, muitos devem ter deixado passar essa preciosidade e por isso compartilho com os leitores. 

Começando pelo tema de Daileon, o robô do Jaspion, o artista goiano Fábio Ribeiro passa pelas aberturas de Jiraiya, Changeman, Flashman, Jaspion e finaliza de modo arrepiante com o tema em inglês do Spectreman. Gostei tanto que entrei em contato com o autor e consegui um depoimento e entrevista, que apresento aqui no Sushi POP. Mas antes, curta o medley, que ficou legal demais:




Sobre o artista:

Fábio Justiniano Ribeiro tem 34 anos e nasceu em Catalão/ GO. Além de músico, é desenhista, professor de inglês e espanhol, produtor de vídeos e produtor musical. 


Depoimento: 

"Estudo música desde os  9 anos de idade, e aprendi a maioria dos instrumentos sozinho. Fui o ultimo brasileiro a entrevistar o Chaves na casa dele mesmo, em Cancún, também como a Dona Florinda, a Paty, o Senhor Furtado, fiz uma matéria também no cemitério onde estão enterrados o Seu Madruga e a Bruxa do 71, e todo o material está no canal Anos Incríveis, que antes se chamava "ahsefordeu", faz 4 anos. Troquei o nome por que achava o antigo pejorativo."



Fábio Ribeiro tocando para Roberto Gomes Bolaños,
o eterno Chaves, na casa do artista mexicano, em 2013
Entrevista com Fábio Ribeiro:

1) No vídeo, vemos que você gravou todos os vocais e instrumentos. Qual foi o primeiro instrumento que aprendeu a tocar? Existe alguma preferência, seja cantar ou tocar um instrumento específico?

R: Comecei a estudar música sozinho, com um teclado que minha avó tinha, tocando por brincadeira e de ouvido, ela percebeu que eu levava jeito pra coisa, ai fui pra uma escola de música onde estudei 5 anos de teclado e 3 anos de piano. Logo comecei a tocar com uns amigos e me interessei por outros instrumentos. É difícil ter um preferido, gosto de todos.

2) O arranjo foi todo escrito por você? Houve algum referencial na hora de fazer sua versão para o arranjo, já que alguns temas usam muito os teclados eletrônicos?

R: Os arranjos principais eu decidi manter, mas fazer de uma forma minha, os outros foram feitos por mim mesmo. O arranjos mais em destaque resolvi manter pra dar mais nostalgia.

3) No que se baseou para escolher as músicas que compõem o medley acústico de tokusatsu? Eram suas séries favoritas, ou especificamente as canções? 

O Fantástico Jaspion,
o tokusatsu de maior
sucesso no Brasil, em
todos os tempos
R: Tive como base e critério de escolha todos aqueles seriados que eu amava quando criança. Coisa que via todos os dias na TV. Cantava e sabia de cor todas as músicas, claro que não deu pra colocar todas, mas as melhores entraram.


4) A maior parte das canções - à exceção de Spectreman (que é de 1971 e foi reprisado até 1990) - engloba um período específico: a década de 1980. Como você define o estilo musical dos temas de abertura dessa época? Eles diferem muito dos atuais?

R: Comparando os temas antigos e os atuais, podemos perceber que havia uma certa tendência da própria época mesmo, muitos sintetizadores, guitarras com distorção, baterias sampleadas, por exemplo o RPM e outras bandas brasileiras se inspiravam nessa tendência. Algo que era considerado "futurista" na época. Na minha opinião, antes eles se empenhavam mais nos temas pra TV. Antes, mesmo se não gostássemos do seriado, era mais fácil ligar a música ao seriado. Bom, isso no meu modo de ver é claro. O primeiro acorde de Tom Sawyer e aquela bateria marcante já era suficiente pra que lembrássemos de MacGyver. Mas eu vejo o mercado dos anos 80 bem mais voltado aos temas e (eram) mais marcantes do que os de hoje. Davam mais ênfase nisso. Existem seriados hoje com ótimas músicas sim, como Game of Thrones, Breaking Bad, The walking dead e por ai vai. Mas a impressão que eu tenho, é que antes a questão das músicas era mais marcante. Não estou tirando o mérito das músicas dos seriados atuais, mas instrumentalmente, e falando em arranjos, penso que as músicas eram mais estruturadas, o que não somente conta as músicas de seriados, mas a música em geral. A música era mais bem arranjada, mais complexa do que hoje. 

5) Você tem cantores, bandas ou compositores favoritos quando o assunto são trilhas sonoras de produções japonesas? Vale citar de tokusatsu, animê ou games.
R: Eu não conheço quase nada "pós-Jaspion, Changeman, Flashman, Lionman" quando se trata de compositores. Acho que todas as séries que víamos nos anos 80 foram feitas com maestria. São músicas que mesmo passando-se anos sem ouvir, você se lembra dos arranjos, da melodia. Pra mim isso é uma música bem feita. Uma música que marca e deixa lembranças. Em games por exemplo, não posso deixar de citar Kōji Kondō, um dos principais criadores de temas da Nintendo. Ele foi responsável por Star Fox, Mário, Zelda e etc.

6) Quais os projetos atuais nos quais está trabalhando?

R:  Atualmente tenho uma produtora audiovisual e trabalho em rádio também. O (canal do) YouTube sempre mantive mais como hobby do que trabalho. Como faço tudo sozinho, toma muito tempo, e ai tenho que ir fazendo aos poucos.


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(São emocionantes, posso garantir.)

4 comentários:

Rogério disse...

Grande descoberta, Nagado.

Muito bom.

pierrot disse...

Poxa que som agradável.
Não só o arranjo musical mas a voz do cara também transmite uma certa tranquilidade.
Excelente achado Alexandre.

Bruno Seidel disse...

Meu! Como é que eu nunca tinha ouvido falar desse cara antes??? COMO??? Ele é um gênio!!! Além de ser extremamente talentoso, ele conseguiu uma façanha que muitos mortais sempre sonharam, mas que pouquíssimos conseguiram: conhecer pessoalmente o gênio Roberto Gomez Bolaños! Seu trabalho como multi-instrumentista e produtor musical é impecável mesmo! E que bacana ficou esse medley com clássicos do Tokusatsu!!

Que legal que você conseguiu um depoimento e uma entrevista com ele, Nagado! Um talento raro como esse não podia passar batido. Certamente agora ele terá novos fãs. E eu me incluo entre eles! ^^

Ale Nagado disse...

Pessoal, fico contente de ter apresentado o trabalho do Fábio a vocês. Quando vi o vídeo, também pensei comigo "Como eu nunca vi isso antes?" A internet é muito grande e cheia de ruído. Muita coisa passa batido e o que é novidade num momento é esquecido em seguida. Felizmente, o formato que aplico neste blog permite fazer indicações de qualquer época.

E vale muito uma navegada nos vídeos que ele já postou em seu canal no YouTube. Tem coisas muito especiais lá, incluindo gravações que vão deixar os fãs de Chaves e Chapolim enlouquecidos.

Abraços a todos!