segunda-feira, 1 de junho de 2015

Steins; Gate

A jovem superdotada
Kurisu Makise, na capa de
Steins; Gate, com a arte
de Yomi Sarachi
A ideia de viajar no tempo é um tema fascinante que já inspirou grandes obras de ficção científica e fantasia, em todas as mídias. Criações tão distintas entre si como o livro A Máquina do Tempo, de H.G. Wells e a trilogia cinematográfica De Volta Para o Futuro. O assunto envolve tanto complicados conceitos científicos quando igualmente complexas questões filosóficas. Supondo que a viagem no tempo seja realidade um dia, quais os limites, por exemplo, de viajar ao passado para alterá-lo em benefício próprio? E a realidade na qual a pessoa vive, seria alterada de fato ou o ponto de mudança criaria um mundo paralelo divergente? E se, no final, tudo caminhasse para ter o mesmo fim, tornando inúteis quaisquer alterações sutis? Abordando essas questões de modo ágil e vibrante, chega ao Brasil o mangá Steins; Gate


Na trama, Rintaro Okabe é um jovem universitário que fundou o laboratório Mirai Gadget (algo como "Bugigangas do Futuro"). Paranoico, histérico e nada modesto, ele se autointitula um "Mad Scientist Maluco" (sem perceber a redundância) e prefere ser chamado por Kyouma Hououin. Ele também acredita ser perseguido por uma tal Organização, uma mania de perseguição que só vai aumentar ao longo da trama. Ao redor dele, orbitam tipos bastante peculiares, como Daru, seu assistente otaku em último grau e a graciosa e meio desmiolada Mayuri. A eles se juntam a superdotada e temperamental Kurisu Makise, a misteriosa Moeka, Rukako, um rapaz transexual que sonha em ser uma garota de verdade e Faris, colega de trabalho de Mayuri em um Maid Café. [Nota: Cafeteria temática japonesa onde as garçonetes se vestem de empregadas estilo europeu - maids - e se dirigem aos clientes como carinhosas serviçais. Essas cafeterias são populares entre otakus e senhores solitários.]


Capa do volume 2 da
edição original,
destacando Mayuri
Por acidente, Okarin (apelido de Rintaro) desenvolve uma máquina do tempo que permite enviar mensagens SMS de seu celular para o passado. 

Enviando torpedos com informações para que mudanças aconteçam no presente, Okarin tenta entender e controlar o processo, que se mostra repleto de surpresas e fatos inexplicáveis. Um deles é que apenas o jovem cientista se recorda de como as coisas eram antes das mudanças serem operadas. E desde o começo da história, ele presencia situações das quais apenas ele se recorda de terem acontecido, o que aumenta sua paranoia. 

Okarin consegue se comunicar com John Titor, folclórico personagem que surgiu na internet em 2001, postando mensagens alegando ser um viajante do tempo vindo do ano 2036. Através de mensagens na internet, ele dá pistas para tentar desvendar partes do mistério da viagem no tempo. 

Os desafios e perigos iminentes aumentam quando Daru invade os computadores do SERN, o famoso centro de pesquisas que possui o Grande Colisor de Hádrons, localizado na fronteira entre a França e a Suíça. [Nota: Os nomes CERN e IBM foram substituídos por SERN e IBN propositalmente, para evitar reclamações sobre direitos de marca.] 

Originalmente, a obra surgiu em 2009 na forma de uma visual novel para Xbox 360. Visual novel é um tipo de game focado no desenvolvimento de história e personagens. Populares no Japão tanto em games quanto em computadores pessoais, as visual novels são como filmes interativos e representam uma evolução dos antigos livros-jogo, no qual, a cada situação apresentada, a decisão escolhida pelo leitor o levava a determinada página, com diferentes desdobramentos possíveis. 

A criação é uma obra coletiva das equipes das empresas 5pb (jogos eletrônicos e música) e Nitroplus (gráficos, programas e jogos) e a adaptação do enredo ficou a cargo da ilustradora e quadrinista Yomi Sarachi. Ela produz belas capas e ilustrações, mas a arte do mangá é um pouco irregular. Seu roteiro é criativo e cheio de passagens divertidas e instigantes, mas também peca pela falta de clareza em alguns momentos, devido à trama ser muito corrida em relação à sua versão animê. Sobre isso, os personagens podem ficar confusos, mas o leitor, jamais. Ainda assim, vale a pena acompanhar, pois a sensação de conspiração vai crescendo a cada capítulo. 

O primeiro mangá da franquia foi lançado quase simultaneamente ao jogo original, tendo sido publicado na revista Monthly Comic Alive (Ed. Media Factory), voltada a jovens adultos. Outros dois mangás foram publicados em 2010. Houve também uma versão em animê para TV com 24 episódios, exibidos no Japão em 2011, seguido de um longa em 2013. O jogo também deverá ter uma sequência, intitulada Steins; Gate Zero

Com Steins; Gate, o acervo de cultura pop pop sobre viagens no tempo ganha novas dimensões, com um trabalho que conquistou muitos fãs por sua dinâmica e engenhosidade. 

Steins; Gate 
Criação: 5pb x Nitroplus
Autora: Yomi Sarachi
Editora: JBC
Formato: 13,5 cm x 20,5 cm, com 190 páginas
Total: 3 volumes
Lançamento: Abril de 2015 (Distribuição nacional)
Preço de capa: R$ 13,90

Comic Alive: site oficial

Extra [1]: Veja a abertura do animê, com a canção "Hacking to the Gate", interpretada pela excelente Kanako Itoh



Extra [2]: Confira alguns produtos de Steins; Gate disponíveis na plataforma Play-Asia.

6 comentários:

Usys 222 disse...

Bom ver o seu contato com o fascinante mundo de Steins; Gate. Posso ver pelo seu resumo que a versão em quadrinhos é bem explicativa, já que a descrição da trama e dos personagens é bem precisa.

De fato é possível ver a conspiração se formando aos poucos e isso é o que prende a atenção. Me lembro que na época em que passava a versão em desenho animado ficava ansioso pelo próximo capítulo. Esse desenho e Madoka Magica invocaram essa sensação que eu não tinha faz muito tempo.

Acho que vou procurar por essa versão em quadrinhos. E parabenizo quem traduziu, pois Steins; Gate é jogo duro nesse aspecto.

Ale Nagado disse...

Fala, Usys! Lembrei que você tinha indicado o Steins; Gate naquela postagem colaborativa "A blogosfera recomenda". Outros títulos mencionados lá acabaram vindo pra cá também, um sinal de que as indicações faziam sentido.

E a tradução me pareceu boa, com notas de rodapé bem didáticas. Vou querer ler o resto da saga.

Grande abraço!

Bruno Seidel disse...

Bem interessante! Vou recomendar a um amigo meu que é especialista em Viagem no Tempo (inclusive dá palestras sobre o tema). Parece ser um mangá de história inteligente e capaz de prender o leitor, o que nesse "mundo streaming" e cheio de opções tem sido algo cada vez mais difícil. Esse lance de viagem do tempo não é novidade pra ninguém. Acho que a primeira obra que eu vi tocar nesse assunto foi Flashman e a máquina do Dr. Tokimura. Mas quem viveu a infância na década de 1980 não tem como desconhecer filmes como De Volta Para o Futuro e outros clássicos da ficção científica. Em séries de Tokusatsu, Kamen Rider Den-O é uma que está diretamente relacionada a esse tema. Em mangás, o primeiro que me vem à cabeça ao tratar do assunto é Dragon Ball mesmo (quando Trunks pega sua máquina do tempo e volta pra alertar Goku e sua turma sobre o perigo dos androides). Particularmente, eu acho esse assunto de "Viagem no Tempo" um tremendo paradoxo e algo que frita a mente só de pensar.. Ainda tenho minhas ressalvas quanto a essa possibilidade de "deformar a linha do tempo" (algo que a própria física admite com seriedade), entendendo o Tempo como algo maleável e não simplesmente linear. O que eu acredito que vá acontecer um dia, sim, é a capacidade de "viajarmos no tempo" como meros observadores: ver, ouvir e entender tudo que já ocorreu no passado, mas sem a capacidade de interferir no que ocorreu, pois isso por si só geraria um paradoxo temporal. Mas enfim... essa é uma oooooooutra discussão decorrente de obras como Steins; Gate e tantas outras que abordam o tema. E, claro, quando o assunto é tratado com seriedade em enredos inteligentes e com personagens bem elaborados (como aparenta ser esse mangá), o conhecimento e a diversão só têm a ganhar!

Ale Nagado disse...

Bruno, mesmo com os eventuais problemas que apontei, Steins; Gate é um trabalho de fôlego, muito interessante e que valoriza a inteligência do leitor. Recomendo bastante pra quem gosta do tema.

Abraço!

Natália Maria disse...

Olá!!

Está na minha lista desde que foi anunciado. Pode não parecer, mas adoro uma ficção científica!! xD

Estou verificando a chance de assinar o título, mas ainda nada concreto. Ainda estou incerta se o mangá vale realmente o investimento... ando lendo cada vez menos mangás e isso assusta um pouco (ando migrando de mangá para hq), talvez por isso estou meia indecisa com a compra ou não do título....

Até mais

Ale Nagado disse...

Oi, Natália.

Gosto varia muito, você sabe disso. Já teve mangá que eu indiquei com gosto que outros acharam dispensável. Eu mesmo não curti muito a arte da desenhista, mas a história é tão interessante que prende a atenção.

E se estiver pensando se vale a pena o investimento, lembre que são só 3 volumes. Apesar que, se fizer sucesso, os outros mangás relacionados com certeza acabarão saindo por aqui. Aí, a conta aumenta. E eu nunca li só mangás, e na verdade li muito mais HQ ocidental (brasileiras, americanas, européias...) do que japonesas.

Diversificar as leituras é muito bom.

Abraço!