quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Comic Con XP - Relembrando os velhos tempos

Um pequeno relato sobre minha participação na Comic Con Experience 2014

No último dia 7, já no final do megaevento Comic Con XP, aconteceu o painel sobre os 20 anos da revista Herói, um momento muito divertido e repleto de boas lembranças. Antes, gostaria de fazer alguns comentários sobre a convenção, que já nasce como a maior convenção de cultura pop do país. 


Da esq. p/ dir.: Nagado, André Forastieri,
Ricardo Cruz e Cassius Medauar.

O espaço do Centro de Exposições Imigrantes é enorme. Já conhecia o lugar por causa do Festival do Japão, mas certamente teve um gosto diferente ir lá dessa vez. Havia muitos estandes de distribuidoras, fabricantes de brinquedos, editoras... Não se pouparam esforços para criar espaços de aparência monumental. Por todo lado, cosplayers dos mais diferentes níveis de produção, dando um clima muito festivo ao lugar. 

O calor incomodava, pois era tanta gente que o ar condicionado não dava mais conta. Um ponto negativo era o preço absurdo e abusivo praticado pelas barracas de lanche da praça de alimentação. Um roubo, pra dizer o mínimo. Evento é assim mesmo, mas não deveria. Mas fora isso, tudo muito legal. O pessoal de staff com gente animada, educada e muito profissional. 

Na área Artist´s Alley, pude conhecer a roteirista Milena Azevedo, minha editora no projeto Visualizando Citações (sobre o qual falarei ainda), além do pessoal talentoso da MBP (Milena e Brummm Produções). Comprei meu exemplar do Fronteira Livre, que veio com autógrafos lindos, desenhados na hora por alguns dos autores. O livro de tiras do Brummm também é outro que vou ler. Do grande Alessio Esteves (outro que só conhecia pelo Twitter), ganhei um exemplar do Gibi Quântico, publicação independente com seu primeiro roteiro. 

Também reencontrei com muita alegria a Mylle Pampuch, que foi uma das amigas que fiz na viagem de intercâmbio ao Japão em 2008. Ela estava com o pessoal do coletivo Lobo Limão. Muitas edições independentes feitas com um tesão e capricho que me deixaram mal por não conseguir comprar tudo o que eu queria. E ainda encontrei por acaso o Klink, ex-diretor da Gibiteca Henfil e grande agitador cultural, grande figura humana e amigo do coração. No stand da Devir, foi a vez de reencontrar outro amigo muito querido, o escritor Nick Farewell, do romance de sucesso GO.

Uma armadura de Cavaleiro de Ouro em tamanho real
e um protótipo em miniatura de um boneco articulado
do Jaspion: tesouros do stand da Tamashii Nations
No stand da Tamashii Nations, vi os protótipos dos bonecos de Jaspion e MacGaren, que me deixaram empolgado, já que adoro bonecos e miniaturas. Fora bonecos incríveis da linha Ultra Act (alguns dos quais eu tenho) e estatuetas de diversas franquias. E, gostando ou não de Cavaleiros do Zodíaco, duas armaduras de Cavaleiros de Ouro em tamanho real eram impressionantes e imponentes. Bom, mas vamos ao tema principal do post, a palestra sobre a Herói.

No papo, o editor André Forastieri, o cantor Ricardo Cruz (que eu já havia reencontrado pra bebermos e botar o papo em dia na véspera) e o Cassius Medauar, da JBC. Depois, juntou-se a nós o Odair Braz Jr., o popular Juneca, atualmente no R7.com. Em comum, todos trabalhamos na revista Herói, sendo que eu, o Forasta e o Juneca estávamos desde o começo e o Ricardo e o Cassius, na fase final. 

O Forasta relembrou os primórdios da Herói e as pessoas que foram decisivas pra criação do título, como o Mauro dos Prazeres (o falecido fundador da Devir), o Franco de Rosa, o pessoal da Nova Sampa, até chegar aos colaboradores, quase todos relembrados ao longo da conversa. Circulavam pelas mãos do público edições históricas da revista. Depois, falamos sobre como era ser fã de gibis, desenhos animados e ficção científica antigamente, lá pelos anos 1980 até chegar aos dias de hoje. A vida não era fácil pra conseguir raridades e informações, mas era muito divertida. 

Relembrei quando conheci o Forasta na redação da revista SET, onde colaborei meio por acaso e também recordei o dia em que fui conversar com ele e o Juneca sobre minha primeira colaboração, na edição 1 da Herói, na primeira sede da Ed. ACME, perto da estação Paraíso do Metrô. O tempo, literalmente, voa. 
No confortável auditório, Odair Braz Jr
relembra o início da Herói e da ACME. 
Falei também sobre os encontros de fãs de animê e quadrinhos antigamente. Naquela época, eventos que juntassem mais 30 pessoas eram considerados um sucesso. Só na nossa palestra tinha mais de 200 pessoas, fora os milhares circulando pelo enorme espaço da CCXP. 

O Junior contou sobre a Herói número 1, sobre a primeira matéria dos Cavaleiros do Zodíaco e a dificuldade de se conseguir imagens na época. Lá no distante ano de 1994, tiveram que fotografar trechos do desenho direto da TV para conseguir material suficiente pra ilustrar a edição. Era uma época de pioneirismo e estávamos lá. Cassius relembrou empolgado sobre como se sentiu quando convidado para trabalhar na Ed. Conrad, onde editou mangás e também escreveu para a Herói. 



A lendária Herói #1, que
"ressuscitou" em edição
fac-símile vendida na CCXP
Ricardo Cruz contou sobre como lia a Herói na época em que saiu e como ficava empolgado com as matérias sobre tokusatsu, que eram escritas por mim em sua maioria. Ele fez intercâmbio no Japão e foi visitar a famosa pedreira onde a Toei filmava muitas cenas de luta de suas séries, como Jaspion e Changeman. Voltou com fotos e algumas pedras de lá e deu entrevista para a Herói contando sobre a visita. Depois de um tempo, já estava escrevendo lá, como parte da última leva de colaboradores do título e trabalhando na Herói Mangá, sofisticada publicação da fase final da revista. 

Houve perguntas do público e declarações emocionadas de agradecimento pelo trabalho que fizemos. Eu estava irradiando alegria por estar lá e isso era perceptível em todos. Estávamos lá para falar do passado e de um trabalho que nos orgulha, que nos moldou e gerou muito respeito e camaradagem. 

Lá, no distante dezembro de 1994, foi lançada uma fagulha que incendiou corações e mentes de milhares de pessoas, até chegarmos ao cenário que temos hoje, onde convenções envolvendo quadrinhos, desenhos animados e seriados reúnem milhares de pessoas com muita empolgação. Há uma certa sensação de dever bem cumprido, apesar de todos nós ainda termos muito a dizer e fazer.

Passados já alguns dias do evento e de volta à minha rotina, continuo pensando muito na CCXP. Não pelas atrações, pelas compras ou presentes, mas pelas pessoas. 

[Agradecimentos a André Forastieri, Ricardo Cruz e Odair Braz Jr.]

11 comentários:

kairasensui disse...

Caramba, Odair Braz Jr.!!! Faz uns 15 anos desde a última vez que conversei com ele haha. Na época da Conrad e do Pokemon nós fizemos alguns trabalhos muito legais. Por causa dele tive diversas oportunidades na epoca, só um moleque. Infelizmente nunca tive a oportunidade de agradece-lo, fora que duvido muito que ele se lembre de mim haha.

A revista Herói foi um marco para mim e ver essa foto com você e o pessoal que fez parte bateu aquela nostalgia. Ainda tenho uma pequena pilha de revistas Herói guardadas que custo a me desfazer.

Realmente as proporções dos eventos mudou muito. Lembro-me do primeiro AnimeCon, um evento bem caseiro, mas que tinha sido um enorme sucesso, hoje nem se compara aos eventos menores. Felizmente a cultura Nerd, Geek e a cultura Pop Japonesa está bem mais difundida e aceita no país. Antigamente gostar dessas coisas na escola podia ser sinonimo de bullying (no meu caso durante o período escolar inteiro), e hoje vejo as pessoas que faziam o bullying pagando a língua ao discutir teorias de Shingeki no Kyojin.

Gostaria muito que houvesse mais investimento de grande porte no país para que caras que foram praticamente os pais da difusão destas culturas aqui pudessem ter mais oportunidade de criar conteúdo e quem sabe adicionar o gostinho brasileiro para então atravessar as fronteiras.

Um abraço,

Gusta

Rogério disse...

Boa noite,

Estive lá no domingo. Gostei muito do evento.
Tem tudo para crescer e se destacar no calendário das Comic Cons internacionais.

Usys 222 disse...

Pena que não pude ir ao evento, mas pelo relato deu para ver que foi algo magnífico. Espero que repitam no ano que vem.

A Herói surgiu em uma época em que era difícil conseguir informações sobre mangá, anime e tokusatsu, sendo necessário apelar para publicações em japonês, o que era um empecilho para quem não dominava esse idioma.

Atualmente é fácil conseguir essas informações, graças à internet, mas o grande problema é saber quais delas são verdadeiras. Na Herói, dava para ver que as matérias eram feitas com um extenso trabalho de pesquisa por quem entendia do assunto e por isso sabíamos que elas eram confiáveis.

Renato Urameshi disse...

Olá Nagado,

Também gostaria muito de ter ido, e te conhecer pessoalmente no painel da Herói. Todos que foram dizem a mesma coisa, que foi o melhor evento que o Brasil já teve nesse tema. Enfim, a voz do povo é a voz de Deus!

Abraço.

Ale Nagado disse...

Caro Gusta, faço minhas as suas palavras. Em um momento da palestra, o Forasta lembrou uma frase que o Mauro dos Prazeres disse a ele depois de ver o primeiro filme dos X-Men, que encantou fãs e atraiu gente séria para uma invasão de filmes de heróis de HQ sem precedentes. Ele ligou emocionado para dizer: "Nós vencemos!"

Rogério, se soubesse que estava pelo evento poderíamos ter conversado um pouco pelo menos. Fica pra uma próxima vez.

Usys, realmente era complicado cruzar informações na época. E por mais que nos esforçássemos, todos nós demos umas bolas fora aqui e ali. Felizmente, a ideia geral que passamos foi credibilidade, e isso ecoa até hoje. Não poderia estar mais feliz por isso.

Renato, a CCXP foi ótima. Numa próxima ocasião, espero curtir mais o evento, pois fui só no último dia.

Abraços a todos!
Nagado

César Filho disse...

Olá, Nagado. Queria muito ter ido ao CCXP, mas moro muito longe daí (sou de Fortaleza) e não consegui me programar para ir até o evento.

Mas poxa, que legal saber que vocês se reuniram depois de tanto tempo. A Herói foi um dos marcos da minha infância/adolescência e posso dizer que admiro muito o trabalho de todos os jornalistas e redatores. Vocês me inspiraram também a escrever um blog pessoal sobre cultura pop.

Parabéns a todos da lendária revista Herói pelos 20 anos. :D

Stefano disse...

Por isso que sempre que possivel levo algum biscoito na mochila... em virtude dos preços vergonhosos....
e ainda querem proibir os "farofeiros".... pra forçarem a o público a comprar na mão destes extorsionários.

Rogério disse...

Boa noite Nagado,

Poxa. Podia ser mesmo. Que pena que eu não sabia que estava lá.
Adoraria conversar com você. Espero ter a oportunidade na próxima vez.

Bruno Seidel disse...

Nossa! Muito legal mesmo! Que bom que existam espaços como a CCXP pra fazer essa homenagem com ares de saudosismo à revista herói. Certamente, foi uma "revolução nerd" que o Brasil viveu nos anos 1990. Mas particularmente falando, eu estou no aguardo por outra homenagem que deve pintar em maio de 1995: a Herói nº 10!! pra mim, essa revista significou mais do que o próprio lançamento da Herói, foi um dos momentos que mudou pra sempre a curva da minha vida (eu sempre digo isso e nunca é exagero). Fica a dica aí, Nagado! Um post especial sobre a lendária "Tora Tora Tora" seria impagável!!

Ale Nagado disse...

Stefano, os preços estavam realmente extorsivos. 6 reais uma latinha de refrigerante é um assalto!

Rogério, combinamos numa próxima vez.

Bruno, a Herói 10 foi muito divertida de fazer. Eu tinha colaborado nas 4 primeiras edições e aí deu um hiato. Já na 10 eu assinei a matéria de capa e a maioria dos textos, com total liberdade. Foi bem gratificante. Quem sabe eu não conto sobre isso mais pra frente.

Valeu! Abraços a todos!

Stefano disse...

é por causa disso que gera farofeiros !! ninguem quer pagar 1 roubo desses !