segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Yu Yu Hakusho - A volta de um clássico

A volta de um clássico mangá, em edição definitiva para colecionadores
Capa da nova edição brasileira
de Yu Yu Hakusho
Um grande sucesso do mangá está sendo republicado no Brasil, em formato mais fiel ao original japonês. É Yu Yu Hakusho, aclamada série de Yoshihiro Togashi, autor de Hunter x Hunter. A série se tornou conhecida pelo público brasileiro em 1996, quando sua versão em animê foi exibida pela extinta TV Manchete e havia grande euforia com desenhos animados japoneses graças à explosão dos Cavaleiros do Zodíaco dois anos antes. Anos depois, foi lançado por aqui pela Editora JBC o original em mangá, que agora volta às bancas em edição caprichada. O sucesso de Yu Yu Hakusho se deve, acima de tudo, a um personagem central muito carismático inserido em uma trama criativa e envolvente. 



Yusuke Urameshi é um jovem estudante de comportamento agressivo, preguiçoso e rebelde. Filho de uma mulher irresponsável e meio desmiolada que foi mãe aos 15 anos, (Yusuke tem 14 anos e a mãe, 29) Yusuke é temido por muita gente e visto como um rival a ser derrotado por valentões de gangues estudantis. Mas ele não é mau como imaginam e lá no fundo possui um forte senso de justiça, apesar de tudo indicar o contrário. 

Certo dia, vê um menino pequeno prestes a ser atropelado e se lança para salvá-lo. Consegue salvar a vida da criança, mas é atingido em cheio pelo carro e morre rapidamente. Rapidamente, seu espírito deixa o corpo e ele vê, atônito, o resgate chegar apenas para constatar que nada mais podia ser feito por ele. 

Sua morte é apenas o início de suas aventuras fantásticas, pois logo ele é contatado por Botan, uma graciosa "deusa da morte" (na visão japonesa), que o avisa que ele não só estava morto como também não tinha para onde ir. Acontece que seu gesto nobre fora tão surpreendente que o mundo espiritual não estava preparado para recebê-lo. Por isso, é dada a ele a chance de ressuscitar, desde que ele tivesse a paciência e nobreza de passar por um teste de caráter. No plano físico, a morte dele é sentida com mais intensidade e tristeza apenas por sua mãe e por sua amiga de infância Keiko, que o ama profundamente. 


Yusuke Urameshi: de bad boy
a herói do mundo espiritual
Decidido a voltar ao mundo dos vivos, Yusuke começa sua jornada para se tornar merecedor da dádiva, ajudando espíritos atormentados, seja de pessoas ainda vivas ou já falecidas e até mesmo animais. Aqui, vale lembrar que a série foi criada no Japão, país de maioria budista e xintoísta e tudo é feito dentro desss sistema de crenças envolvendo vida e morte, além de mesclar elementos mitológicos japoneses. É muito diferente da visão judaico-cristã que moldou o Ocidente e há até uma cena divertida onde Botan diz, durante uma conversa, que "O Sr. Cristo não é da nossa alçada...". 

Em sua jornada espiritual de redenção, Yusuke toma contato com histórias tristes e tocantes e se envolve profundamente para ajudar os que precisam, sem deixar de lado seu temperamento forte e impulsivo. E ele descobre, com grande surpresa, que seu rival de brigas Kuwabara não só tem sensibilidade espiritual como também é um sujeito leal e preocupado com os amigos. No futuro, será um grande companheiro de Yusuke em perigosas missões. 

Nessa primeira fase, há histórias fechadas dentro de um arco maior, mostrando pequenas pérolas cheias de sentimento. O título da série, inclusive, se encaixa melhor na primeira fase do que nas posteriores, pois uma de suas traduções possíveis é "Arquivos Fantasmas". Essa tradução foi usada como subtítulo nos EUA, que conheceu a série como Yu Yu Hakusho - Ghost Files quando o animê foi lançado lá pela distribuidora Funimation

Como já é sabido por quem acompanhou anteriormente, Yusuke não só ressuscita como também recebe poderes especiais e a missão de ser um Detetive Espiritual, um protetor das pessoas comuns contra entidades sobrenaturais malignas. Ao longo da saga, Yusuke conhece outros guerreiros, além de Kuwabara se juntar ao poderoso grupo. Com o tempo, as aventuras vão ganhando foco maior na ação e em grandiosas batalhas. Mas o início, totalmente focado no desenvolvimento do personagem principal, fez com que Yusuke se tornasse um herói de primeira grandeza. 

Em seu país de origem, Yu Yu Hakusho foi publicado na revista Shonen Jump entre 1990 e 1994, gerando 19 volumes. Uma posterior republicação com novas capas, ilustrações e trechos coloridos teve 15 volumes, pois cada um trazia mais páginas. 


A versão em animê: altas doses de ação
A versão em animê foi produzida pelo Studio Pierrot entre 1992 e 95, com 112 episódios. Também foram produzidos especiais de cinema em 1993 e 95, além de episódios para vídeo, sendo 2 em 1994 e mais 4 entre 1995 e 96. No Brasil, depois da TV Manchete, foi também exibido em outros canais, incluindo a TV Bandeirantes, Cartoon Network e Play TV. Entre 2006 e 2008, toda a série de TV foi lançada em DVD, pela PlayArte

Quando de seu lançamento original pela JBC em 2002, a série seguia o formato comum na época, que era o de meia encadernação (ou "meio tankobon"), impresso em papel jornal. Tudo para oferecer um produto o mais barato possível, pois havia ainda muita incerteza sobre a viabilidade, a longo prazo, de uma publicação de mangá no Brasil. Deu certo e a obra fechou completa, totalizando aqui 38 volumes. Hoje, com um mercado segmentado porém mais consolidado, a JBC resolveu relançar a obra, uma das mais importantes do gênero shonen (para rapazes). 

A nova edição de Yu Yu Hakusho vem em formato maior que o anterior, com papel de boa qualidade e o mesmo número de páginas e alinhamento de episódios da publicação japonesa original. Ainda, foi feita uma nova revisão da tradução e adaptação de texto, além de adequação à reforma ortográfica vigente. Com isso, uma obra marcante da mais importante publicação de quadrinhos japoneses ganha sua versão definitiva para o público brasileiro. 

- Yu Yu Hakusho tem formato 13,5 x 20,5 cm, com 200 páginas. Total: 19 volumes.
Preço: R$ 14,90
- Recomendável para maiores de 16 anos.

10 comentários:

Stefano disse...

inda bem ke o Japão chutou fora os jesuitas !! senão a hsitória seria outra...
inquisição pra todo lado.... e a cultura xinto-budista ia ser detonada

Stefano disse...

ja notou ke Toguro parece o Exterminador ? (i'll be back !)

Ale Nagado disse...

Fala, Stefano.

Puxa, quanta desinformação e preconceito em tão poucas linhas!

Olha, eu sou católico e me sinto na obrigação de passar uns toques. O contato da Igreja Católica com o Japão, através dos jesuítas no século XVI, levou grande progresso científico ao país, apesar de fazer parte de um plano político bem mais amplo. A matemática, geografia e engenharia ganharam impulso no Japão e muitos japoneses saciavam sua sede de conhecimento científico com os jesuítas.

A história da expulsão do cristianismo do Japão também foi de caráter político e foi marcada por violência, execuções sumárias, humilhações e tortura.

Para saber um pouco mais sobre essa história, indico abaixo algumas leituras, caso tenha paciência para ler com atenção:

http://www.culturajaponesa.com.br/?page_id=219

http://japancultpopbr.blogspot.com.br/2012/09/cristianismo-e-catolicismo-no-japao.html

É isso. Não costumo aprovar aqui manifestações preconceituosas, mas a sua permitiu divulgar links interessantes para pesquisa.

Abraço.

Bruno Seidel disse...

https://drive.google.com/file/d/0BwkR6gyM-0b0enRzcTdnWUxaOTQ/view


Não sabia que Yu Yu Hakusho fazia parte da sua linha de interesses. Fiquei positivamente surpreso ao ver que você dedicou um post inteiro a essa obra que marcou a vida de muita gente aqui no Brasil (a minha, inclusive). Não cheguei a acompanhar o mangá que foi publicado pela JBC, mas assisti o anime de cabo a rabo na Manchete, entre 1997 a 1999 (aliás, foi um dos últimos suspiros da emissora, né?). Não faz muito tempo, baixei o anime e assisti novamente os primeiros episódios. Yu Yu Hakusho tem uma característica singular: é o único anime que consegue me arrancar as lágrimas logo no primeiro episódio!! Difícil acreditar que algo assim possa ser possível, né? No primeiro episódio de um anime ou seriado, ainda não estamos familiarizados com os personagens e há pouco tempo pra cativar o espectador. Mas a cena do velório do Yusuke é de arrepiar (me emociono só de lembrar). É realmente um clássico incrível e que cativou em cheio a molecada que viveu o final dos Anos 1990. Personagens marcantes, reviravoltas, vilões inesquecíveis, drama e humor na medida certa... Arrisco a dizer que boa parte da minha personalidade chegou a ser moldada por esse anime, uma vez que eu o assisti quando estava com meus 12~15 anos (ainda bem que não cheguei a me transformar num Yusuke Urameshi... hehehehehe). Ótimo post, Nagado! Uma justa homenagem a um dos mangás/animes mais marcantes que já passaram por aqui! Não conheci outro mundo por querer!! /o/

Ale Nagado disse...

Fala, Bruno.

Na verdade, nunca havia me interessado por Yu Yu Hakusho. Na época em que o animê estreou no Brasil, eu vivia a correria intensa da revista Herói. Eu tinha a liberdade de escolher pautas, mas tinha que suprir bastante material pra revista. Como deve lembrar bem, eu cobria tokusatsu em geral e animês clássicos. Quando começaram a vir animês aos montes, era o Marcelo Del Greco quem corria atrás das novidades, tendo acesso às distribuidoras e estúdios de dublagem. Naquela época, acabei pegando Sailor Moon, que eu já conhecia bem antes da estreia e depois Pokémon. YYH quem pegou pra acompanhar foi o Del Greco.

Vi poucos episódios, e eram de fases de batalhas e torneios. Desse tipo eu realmente não me interesso. Como a vida era muito corrida, não fiquei insistindo muito. Quando veio o mangá, eu estava lendo pouca coisa de HQ. Somente agora, com o relançamento, pude ler o volume 1. E como fiquei maravilhado com a história! Sei que a fase "Detetive Espiritual" dura pouco tempo, mas sei que é a favorita de muita gente. Pelo meu perfil, não deve ser diferente.

Por isso, minha análise náo teve peso nenhum do fator nostalgia, foi uma análise isenta e posso dizer que fiquei muito contente por ter descoberto esse material. Antes tarde do que nunca, não é?

Valeu! Grande abraço!

Natália Maria disse...

Mangá bastante aguardado pelo público em geral. Está vendendo como água. E eu ouvi (não li ainda o mangá e nem sei se dará para fazê-lo) que a tradução não está tão boa. A informação procede?

Até mais

Ale Nagado disse...

Fala, Naty!

Hum... boa pergunta. Quando alguém diz que a tradução não está boa, você sabe se essa pessoa leu no original em japonês e encontrou erros? Digo isso porque o tradutor de YYH foi o Arnaldo Oka, um tradutor dos mais competentes. Acho difícil ele ter errado em tradução de frases, ainda mais que é mangá pra adolescentes e não usa uma linguagem técnica, antiga ou rebuscada.

A outra possibilidade é você ter lido gente reclamando que há diferenças entre a tradução do mangá e a da série de TV. Aí pode ser, foram tradutores diferentes, empresas diferentes, épocas diferentes, mídias diferentes. Agora, isso não tem a ver com uma tradução estar boa ou não.

Ou então, a pessoa pode não ter gostado da adaptação do texto, da escolha de palavras ou da forma como o texto foi editado. Aí já não é problema de tradução.

Como não li a versão anterior da edição nacional, não acompanhei o animê e nem tenho o original japonês, não saberia dizer sobre a qualidade do trabalho feito tendo apenas a versão atual. A mim, pareceu bom, mas aí um fã das antigas pode atestar melhor.

Abraço!

Natália Maria disse...

Tai algo que não levei em consideração. E parece-me que sim, reclamaram por causa da tradução utilizada na TV, cheia de gírias....

Ale Nagado disse...

Pode ter sido isso mesmo. Gírias mudam muito com o passar do tempo. Tem gírias antigas que não fazem o menor sentido hoje em dia. Talvez tenham optado por usar pouco, para que o trabalho não ficasse muito datado, estacionado nos anos 1990.

Abraço!

Stefano disse...

e se yu yu hakusho tivesse sido feito nos dias de hoje??
na época ke foi feito... não havia internet