sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Afterschool of the Earth - A vida depois do fim do mundo

Sozinhos em mundo deserto, quatro
jovens vivem um eterno
"período pós-aula".
Mas a paz não dura para sempre...
Após sucessivos ataques de criaturas sombrias misteriosas chamadas de Phantoms, a humanidade praticamente desapareceu, deixando o planeta quase desabitado. Quase, porque além dos animais, três adolescentes e uma criança ficaram para trás. Tendo um mundo aparentemente sossegado para viver, eles circulam por cidades desertas, desfrutando de uma paz há muito esquecida devido ao ritmo caótico da vida moderna. 



A história começa um ano após o grupo de jovens ter se encontrado pela primeira vez. Masashi é o mais velho e maduro. Ele sabe dirigir, é organizado, entende de agricultura e criação de animais e é quem toma conta do grupo. Junto com ele, vivem duas adolescentes, a tímida Sanae e a ousada Yaeko (que apesar de tudo é tão inexperiente quanto a primeira). Completa o grupo a pequena Anna, uma menina que faz o que bem entende, sendo ela a última criança do planeta. 

O grupo aprendeu a viver imaginando que estão num período depois das aulas (daí o "afterschool" do título). Porém, a tranquilidade é quebrada quando eles descobrem que os perigosos Phantoms ainda estão por perto e ansiosos para fazer desaparecer os últimos seres humanos que restaram na Terra. 

"Afterschool..." pode se encaixar no gênero de mangá de harém, um tipo de história no qual um jovem se vê vivendo cercado de meninas, todas intocadas, sonhadoras do primeiro amor e que, invariavelmente, se apaixonam pelo único homem do lugar. Acrescente a isso situações maliciosas aos montes, uma protagonista com seios grandes e outra que adora apertar os peitos da amiga e está montada uma fórmula que, a julgar pela repetição, faz enorme sucesso entre o nicho de público otaku. Lembrando que no Japão otaku tem mais a ver com falta de traquejo social e dedicação a um hobby do que gostar de mangá e animê. 

Então, uma grande população de otakus japoneses encontra em títulos de harém um objeto de sonho, com garotas sensuais na situação perfeita para eles: ser o único homem do pedaço, sem rivais, e ser disputado por garotas angelicais. Porém, incluir esse título no gênero harém pode abafar as suas muitas qualidades. 


Capa do volume 3 da edição
japonesa, outra grande
arte de Akihito Yoshitome.
Com o título original de Chikyuu no Houkagô, a série foi publicada na revista Champion RED, da editora Akita Shoten entre 2009 e 2012, rendendo 6 volumes compilando toda a série, no mesmo formato adotado pela Ed. JBC no Brasil. A Champion RED é voltada ao chamado público seinen, formado por jovens adultos do sexo masculino. A faixa etária é abrangente, começando por volta dos 17 anos até pessoas na faixa dos 30 anos. Por isso, o tom da narrativa é mais maduro e não se vê personagens que gritam o tempo todo, coisa muito comum nos mangás shonen, para garotos adolescentes. O foco maior da narrativa é mostrar o cotidiano dos personagens nessa realidade onde as pessoas sumiram, mas as cidades permaneceram intactas. 

O desenho do autor Akihito Yoshitome é muito bem estruturado, com ótimas caracterizações e composições de cena. A narrativa é suave, mas também há momentos tensos, dinâmicos e violentos. 

Logo nas primeiras páginas, aparece um Phantom atacando uma mulher e a cena causa certa confusão. Do monstro saem placas que fatiam a mulher em múltiplos pedaços bem finos, mas sem sangue jorrando, em uma imagem violenta que contrasta com o traçado suave e limpo. Depois a mulher é absorvida pela imagem fantasmagórica. Inicialmente, pode-se achar que ela foi morta, mas isso não fica bem claro. Ela pode ter sido apenas levada para outro mundo e o "fatiamento" pode ter sido apenas o efeito visual do corpo dela sendo teletransportado para outro lugar, aos poucos. Afinal, Masashi alimenta a esperança de que a humanidade vai voltar e é isso o que mantém o grupo unido e sereno. 

Essa confusão aumenta durante o primeiro volume, pois os personagens têm vislumbres do passado e há uma rápida comunicação entre Masashi e uma imagem espectral de sua irmã, outra vítima dos monstros. As pistas jogadas no volume um dão a entender que viagens no tempo e para outras dimensões podem fazer parte do complexo quebra-cabeças que Masashi e suas amigas têm que decifrar. 

Com esse novo mangá editado pela Editora JBC, podemos imaginar como seria a vida sem a correria e a pressa que caracterizam nossa época. Qualquer que seja o desfecho, vale a reflexão e, claro, apreciar o bom trabalho de arte. 


- Afterschool of the Earth tem formato 13,5 x 20,5 cm, com 200 páginas. Total: 6 volumes.
Preço: R$ 13,90
- Recomendável para maiores de 16 anos.

5 comentários:

Mauricio disse...

Eu comprei e gostei.
Gosto desses mangas que tenham um ritmo mais tranquilo, apesar de alguns momentos de tensão, como Yokohama Kaidashi Kikou, com muitas perguntas e nenhuma pressa em respondê-las.

Ale Nagado disse...

Olá, Mauricio.

Também gosto de histórias com um ritmo mais tranquilo. E também gosto de narrativas de curta duração, histórias mais enxutas. Afterschool foi uma boa surpresa, e espero que a conclusão faça valer a pena a leitura.

Abraço!

- Aproveito pra um recado: Cada tópico possui espaço para comentários que devem ser pertinentes ao tema.

Um leitor enviou dois comentários sobre action figures que nada têm a ver com o mangá da resenha. Inclusive me cobrando uma pauta que dificilmente eu faria.

Apenas aviso que recebi. Encaminharei ao blog Casa do Boneco Mecânico, que é especializado em action figures.

Por favor, peço que não enviem mensagens off-topic, pois não serão postadas. Obrigado.

Natália Maria disse...

Curioso o título!!
Se não me engano, esse á mais um que a JBC lança e não coloca nenhuma sinopse na capa, o que causa um certo afastamento do público para com a obra...

Contudo, depois de ler esse texto, fiquei um tanto curiosa com o título. Vou dar uma conferida....

Até mais

Gabriel Dantas disse...

Achei bem interessante a proposta deste mangá. Vou esperar para que ele chegue aqui na fase dois.

http://gotasdexp.blogspot.com.br/

Ale Nagado disse...

Oi Natália. A premissa é bem interessante, mas pra pessoas habituadas a um mangá de ação e impacto, o Afterschool pode soar meio paradão. É outro ritmo, outro clima. Vai depender de gosto.

Olá, Gabriel. Esse negócio de distribuição setorizada é um pouco frustrante. É reflexo de um mercado que está restrito, pois poucos títulos são de tiragem grande o suficiente para uma distribuição nacional simultânea.

Espero que aprecie a indicação. Apesar de probleminhas na estrutura da história, é um mangá que gostei bastante de ter descoberto.

Abraços!