segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Sobre carisma e as armadilhas do pensamento nostálgico

Paul McCartney: De moda que varreu o planeta
nos anos 1960 a lenda do rock. Talento,
carisma e energia que desafiam o tempo.
Você já ouviu aquela frase "No meu tempo era melhor?". Ou ainda, você já emitiu tal opinião ao se referir a músicas, novelas, filmes ou qualquer tema que seja? Pois bem, essa frase, que vem carregada de nostalgia, inconformismo e certa ranhetice, descreve bem um tema que é muito pertinente ao se analisar qualquer obra artística: o senso crítico e como ele é afetado por nossas emoções, nem sempre percebidas. É o que chamo de armadilhas mentais que abalam nosso senso crítico.



Tudo aquilo que captura nossa atenção em tenra idade, ou em época de descobertas pessoais, tende a se alojar em nossa memória afetiva. Daí vem a nostalgia, uma saudade meio idealizada, com qualidades nem sempre condizentes com o que realmente aconteceu. Torna-se uma lembrança que nos acalora, desperta afeto e fica em um patamar diferenciado, perfeito. Como aquele desenho que fazia a gente sair correndo da escola pra assistir desde a abertura, aquele gibi que a gente devorava deitado na cama depois de um banho quentinho ou aquela banda que fazia a gente se sentir indestrutível ao ouvir as canções. (Isso vale pra assistir futebol também, mas vamos ficar no campo da cultura pop, ok?) 


Esse sentimento supera análises racionais sobre valores criativos, culturais, técnicos ou artísticos de qualquer obra, seja um filme, canção, gibi, seriado, etc... É como aquele filme ou desenho que você lembra como algo sensacional, mas que quando você vê depois de muito tempo, o deixa constrangido achando que "não lembrava que era tão ruim."

O grande ator Tom Hanks, quando dirigiu o ótimo filme The Wonders (1996), fez um comentário interessante sobre nostalgia. Como o filme retrata uma fictícia banda de rock dos anos 1960 e o filme é recheado de canções que recriam estilos daquele tempo, um repórter perguntou a ele se achava que as músicas pop antigas eram melhores que as atuais. Hanks, espertamente, disse que era injusta a questão, pois quem não vivenciou a época antiga não teria como poder comparar. 



Cap. Picard e Cap. Kirk: Duas gerações de
Star Trek, dois estilos e muito
carisma atravessando décadas.
E além da questão da nostalgia interferindo num julgamento, há também o tal do carisma, palavra tão evocada na hora de comparar gerações. É comum fãs de rock dizerem que astros veteranos têm carisma de sobra, muito acima de bandas de garotinhos. Mas para as meninas sonhadoras que derretem de paixão com seus ídolos da música, quem tem carisma são os rostinhos bonitos da vez, não um "bando de velhos tocando música de velho". Não é raro ver preconceitos e preferências definindo o que é carisma, bem como atribuindo qualidades a gerações inteiras, sem distinção. Aliás, falando em gerações, lembro que quando estreou a série Star Trek - The Next Generation (1987), não faltaram críticas à suposta falta de carisma do elenco, que era sempre comparado com o da série clássica de 1966. Mas o tempo provou que o elenco então estreante também tinha seu valor, e a série durou muito mais tempo do que sua antecessora. 

E quando muitos senhores olham Power Rangers e dizem que nenhum deles têm o carisma de Changeman Flashman

Com todo o respeito, lá também não tinha nenhum grande ator. E quando estrearam na TV Manchete décadas atrás, vi muitos dizerem que aqueles atores não tinham carisma como os bons e velhos Ultraman, Ultraseven e Spectreman. Já os garotos que gostam das séries atuais, podem achar as antigas muito toscas, pelos valores de produção e design da época e assim por diante. Certos padrões realmente se repetem ad infinitum.

Ultraman e Ultraseven: Mesmo com muitos
sucessores em uma vasta franquia,
os originais continuam em ação. 
Voltando à música: quando gente de 30, 40 anos, vê bandas modernas - e agora me permito ser ranheta - com seus vocais esganiçados e guitarras nervosas pra exprimir eternas dores de cotovelo, diz que as bandas de hoje não têm carisma. Sim, a década de 1980 criou obras-primas, como "Faroeste Caboclo" (Legião Urbana), "Fátima" (Capital Inicial), "Quinze anos" (Ira!), "Chorando pelo campo" (Lobão) e tantas outras, mas foi também a época em que tínhamos o "Melô do piripipi" (Gretchen), "Ursinho Blau Blau" (Absyntho) e outras que os mais velhos criticavam, comparando com as grandes canções de décadas atrás da Jovem Guarda, do Clube da Esquina ou da Tropicália. Na verdade, muitos achavam ruins até os clássicos oitentistas que acabei de citar. Mas se os anos 60 tinham o som de Beatles, Rolling Stones, Beach Boys, Monkees e a nossa Jovem Guarda, claro que também teve muita coisa que caiu no esquecimento (boas e ruins).

Mas entre embustes atuais da indústria musical - como várias boys e girls bands (especialmente dos EUA, Japão e Coréia do Sul) e trabalhos inspirados e sinceros, existem qualidades intrínsecas, sejam elas técnicas ou baseadas em estilo e mensagem. Mas qualidades técnicas e habilidades executadas com profissionalismo não podem ser o mais importante, pois arte não é uma ciência exata. Muitas vezes, os três acordes de um punk rock de 3 minutos dizem muito mais do que 10 minutos de virtuosismo instrumental que beiram a masturbação (mas nem sempre, claro).  
Legião Urbana: Incorporados à cultura brasileira,
continuam relevantes até hoje, tamanha a força de suas
canções, amparadas por letras geniais.
Em Desvendando os Quadrinhos, seu ensaio metalinguístico sobre a mídia HQ, Scott McCloud comenta sobre desenhos cheios de detalhes e grafismos sofisticados, mas que carecem de base estrutural. Ele usa como exemplo uma maçã linda e brilhante que, ao ser mordida, se mostrava oca. Tudo isso para explicar que desenhistas mais antigos são considerados toscos comparados com outros modernos que se inspiraram neles. 

Já vi muito garotos dizendo achar o desenho de Osamu Tezuka, o pai do moderno mangá, muito tosco. Mas é um desenho estilizado de forma comunicativa, eficiente e maravilhosamente expressivo. Entre desenhistas ocidentais, é o mesmo caso de Will Eisner, que inspirou muitos artistas que nunca conseguiram metade de sua eficiência narrativa, apesar de terem desenhos muito mais vistosos, sensuais e elegantes.

Autorretrato: Osamu Tezuka (ao centro),
com seus personagens. O traço pode parecer
datado para muitos, mas a criatividade
sem paralelos e a habilidade narrativa
criaram obras imortais, continuamente
reinterpretadas.
Na música, isso também ocorre. Uma vez, um amigo músico (dos bons) disse que às vezes doía o ouvido escutar gravações dos anos 1960, mesmo dos Beatles, porque os instrumentos desafinavam muito, devido à falta de precisão dos equipamentos da época. Hoje, com a tecnologia, qualquer garoto de 15 anos que seja um estudante dedicado pode soar um melhor guitarrista do que era o falecido ex-Beatle George Harrison. O difícil é criar melodias que grudem nos ouvidos e passem no teste do tempo. Existem sucessos passageiros, de temporada, e sucessos perenes, aqueles que viram ícones de uma época. E há exemplos assim por todo lado. 


Tenho a impressão de que há muito mais jovens que conhecem letras da Legião Urbana do que jovens que, daqui a vinte anos, poderão lembrar a construção poética das letras de alguma dupla de sertanejo universitário que versa sempre sobre festas, bebida e pegação. Eu posso achar isso uma bobagem. Não é bobagem pra quem vive assim ou se alegra com essa perspectiva. A julgar pelo sucesso desse tipo de música, é o que a maioria dos jovens acha bacana. Por outro lado, sons como os do jovem talento Silva ou da já veterana Fernanda Takai (Pato Fu) possuem público fiel, ainda que mais discreto. 

Cada época produz cultura de acordo com o momento histórico, social, político que vive. Se você não está envolvido com o momento na mesma sintonia, jamais entenderá ou terá sintonia com o que faz sucesso. E isso não é problema algum. Eu não diferencio um monte de artistas de sucesso da atualidade, e vivo muito bem assim. E olhe que não se está relativizando a questão. Eu acredito sim que hoje se vende muito mais lixo musical do que antigamente. 
Silva e Fernanda Takai: Sons refinados
conquistando um público fiel, ainda que
discreto em relação aos furacões midiáticos.
Certamente há música boa sendo feita atualmente (como os já citados Silva e Pato Fu), mas não espero ver hoje letras como as de "Juvenília" (do RPM) ou "Comida" (dos Titãs) alcançando o topo de paradas de sucesso ou sendo cantaroladas por milhões como acontecia nos anos 1980. O momento é outro. As inquietações sócio-políticas e existenciais de outros tempos não têm o mesmo sentido agora e, para o bem e para o mal, o momento histórico marca muito narcisismo, fuga de responsabilidades, incapacidade para encarar negativas e busca por felicidade e sucesso imediatos para compartilhar em redes sociais. Parece ruim falando assim, mas só o tempo vai colocar isso em uma melhor e mais precisa perspectiva. 

O segredo para uma boa análise crítica - se é que existe um ponto ideal - é sempre contextualizar o trabalho a ser analisado e tentar perceber até onde faz sentido sua opinião, dentro de uma proposta e um segmento de mercado. E tudo isso embasado por algum conhecimento histórico, que é o que vai permitir entender melhor o produto cultural sobre o qual se pretende discorrer uma opinião. No fim, reconhecer esses elementos pode ajudar a curtir e entender melhor o que gostamos, ou abrir nossas mentes para outras possibilidades culturais e de entretenimento. 

Ainda que, acima de tudo, o que vá contar mesmo seja uma identificação pessoal e, como sempre, subjetiva. 

9 comentários:

Usys 222 disse...

Excelente texto e considerações totalmente válidas.

"No meu tempo era melhor". Duro é quando esse tipo de pensamento estreita a visão e até nos impede de experimentar novas sensações. Digo isso porque há algum tempo eu era daqueles que diziam que "Heisei Rider não era Kamen Rider"... até eu ver um capítulo de Kamen Rider W e depois a série inteira de Kamen Rider OOO. Eu descobri que não sabia o que estava perdendo. Agora acompanho os Riders da Nova Geração e tenho curtido todos e cada um deles.

O mesmo eu dizia de Precure. Achava que era só plágio de Sailor Moon, mesmo sem ver nada. Esse pensamento mudou depois de Smile Precure e depois Fresh e Heart Catch. De fato, agora eu gosto muito mais de Precure do que de Sailor Moon.

Retomei as séries Super Sentai em Gokaiger por nostalgia, mas acabei gostando dos piratas espaciais que tinham brilho próprio. E isso me possibilitou ver Kyouryuger, que acabou se tornando o meu seriado Super Sentai favorito.

Atualmente vejo que muita gente ainda tem esse pensamento estreito e fechado, ficando presa ao passado e reclamando de tudo. E pior: até vê os novos seriados, mas apenas para procurar defeitos. Isso eu já acho ruim. Acredito que o melhor é não tentar impor opiniões como verdades incontestáveis (mas não deixar de dá-las) e encarregar o tempo de decidir se tal filme/série/desenho/música vai ser um clássico ou não... e simplesmente curtir o momento.

Rogério disse...

Boa noite,

Texto muito bom, Nagado.

A relação entre POP e nostalgia é sempre um assunto fascinante, mesmo porque o equilíbrio entre o conhecido e o novo é um "dilema" básico da Cultura POP.

Eu não acho a nostalgia necessariamente ruim. Alguns criadores conseguem aproveitar muito bem esta memória afetiva para encantar o público. E ainda assim trazer novas emoções. Os ótimos filmes Super 8 e Guardiões da Galáxia são belos exemplos disso.

Dizem que o grande teste é o teste do tempo. Talvez julguemos a produção cultural do passado melhor apenas porque ela passou neste teste e o melhor foi justamente o que permaneceu. Mas mesmo isto é questionável: tratam-se muitas vezes de criações que são produtos, propriedades de corporações. Será que uma boa máquina de marketing consegui fazer uma HQ, filme ou música ruim "durar" na memória do público?

É verdade que hoje continua a se produzir muita música POP boa, por exemplo, mas não posso deixar a impressão de que o "mainstream" nesta área está cada vez mais pobre. Muitas vezes o bom está nos nichos de mercado. Será que os Beatles seriam um mega fenômeno de massa hoje ou mais uma grande banda "brit indie"? Bom para se pensar.

É o que você disse: é preciso contextualizar a produção POP do passado para melhor apreciá-la. Um filme noir só melhora se você entende o que é o noir. Correndo o risco de soar como um nostálgico temo que nesta era de informação apressada e superficial isto seja pedir um pouco demais para toda uma geração de consumidores de Cultura POP.

Por mais contraditório que seja: é preciso certa erudição pára melhor apreciar a boa Cultura POP.



Diego Guzzi Felix da Silva disse...

Um ótimo texto e eu nunca gostei realmente da frase no meu tempo era melhor, pois parece que voçê não so é chato como também insuportavel quando fala do passado e as produções atuais tem coisas boas se não se concentrar nos defeitos já que muitas produções antigas tem seus defeitos e para mim o primeiro Tron tem um roteiro péssimo e otimos efeitos especiais apesar deque tinha boas ideias enquanto que tron legacy para mim é um filme melhor que o primeiro não so nos efeitos como também em roteiro emuitas vezes a nostalgia serve como valvula de escape para fugir da realidade.

Antônio disse...

Pra mim, chega a ser irritante esse eterna nostalgia desses tempos de rede social, qualquer porcaria feita no passado é cultuada, idolatrada, etc. E muitas vezes as pessoas acabam não percebendo coisas boas que são produzidas atualmente. O pior é que essa estagnação atinge gente jovem, com menos de 30 anos.

Bruno Seidel disse...

Apenas uma ressalva: o termo "nostalgia" é, etmologicamente*, associado a "profunda tristeza causado pela falta de algo" e muitas pessoas têm o costume de confundir essa palavra com "saudosismo", esse sim, um termo usado pra descrever algo do qual sentimos saudade.
(*) nostós (regresso a casa) e álgos (dor).

Acho que esse tipo de discussão envolvendo produções culturais de uma época que já passou "versus" algo recente é inevitável entre fãs que já passaram dos 30 anos. Me identifiquei muito com os comentários do Usys e do Diego: é realmente muito chato ver pessoas mais velhas reclamando de algo mais recente (principalmente quando assistem às novas produções só pra desdenhar). É muito chato também ver aquele parente mais velho dizendo que "no tempo deles tudo era melhor". Por saber o quanto isso é chato, eu evito falar mal das produções infantis que estão aí hoje (Galinha Pintadinha, Patati Patatá, Peppa Pig...). Se essas produções fazem sucesso, é porque há algum mérito que deve ser respeitado. Quem tem filho ou sobrinho com menos de 5 anos vai me entender.

De uns tempos pra cá, tenho ficado mais tolerante com relação às séries de Tokusatsu mais recentes (ao invés de me tornar um velho ranzinza). Assisti todos Kamen Riders desde Decade e adorei, mesmo não tendo mais coisas que eu julgava bacanas como heróis fazendo poses e vilões canastrões. O mesmo vale para os novos filmes dos Ultras, que são de encher os olhos de qualquer fã (seja moleque ou de cabelo grisalho). É preciso ter mente aberta para o novo, pra não se tornar um rabugento.

E, pra finalizar (esse assunto rende horas de conversa), indico outro filme com o tema "Saudosismo": Meia Noite em Paris, do Woody Allen.

Ah! E parabéns pelo texto, Nagado!

Ale Nagado disse...

Fala, Usys!

Eu admito: sou um daqueles velhos chatos sem muita paciência para a maioria dos seriados japoneses atuais. Mas tem muita coisa bacana, claro. Aí entra o gosto pessoal, que mudou em vários aspectos. Mesmo dos antigos, é pouca coisa que tenho vontade de rever, me contento com clipes e um ou outro episódio.

Eu tenho um interesse maior na música, e procuro novidades com mais frequência do procurava animê e tokusatsu antes.

E é ótimo quando a gente abre a mente para outros estilos, outras propostas narrativas.

Abraço!

Ale Nagado disse...

E aí, Rogério!

Falando nos Beatles, eles sempre souberam ser antenados com o que fazia sucesso (ainda mais no começo de carreira) e sabiam equilibrar músicas bem comerciais, pra molecada da época pular, com experimentações, temas polêmicos nas letras e muita maluquice. Por isso foram eternizados.

***********************

Fala, Diego!

Sabe, já notei que muito garoto fala de certos ícones do passado pra posar de erudito, de entendido. Mas tem também o outro lado: gente que detesta coisa que não esteja na moda. Gente que diz que "quem gosta de velharia é museu", ou mesmo gente que acha o Mick Jagger ridículo porque está com 70 anos e continua pulando no palco cantando rock.

Abraço!

Ale Nagado disse...

Olá, Antonio!

A intolerância ao gosto alheio existe dos dois lados, mas talvez as pessoas estejam mesmo exagerando no culto ao passado. E sabe onde vejo muito isso? No futebol.

Em toda Copa do Mundo, por exemplo, se endeusa a seleção de 1982 (que perdeu) e se xinga a seleção de 1994 (que venceu). Será que a de 82 não poderia ter sido um pouco mais pragmática em alguns momentos, será que não poderia ter tido menos ego, mais flexibilidade? Deram show, mas perderam no meio do caminho. Aí, o grupo de 94 ralou até o fim e trouxe um título para o país, mesmo "jogando feio". São xingados até hoje. Daí me pergunto: muita gente de hoje, que era garoto em 1982, será que não se encantou e criou um passado mais reluzente do que foi a realidade?

Bom, estou aqui divagando, mas esse tema é abrangente mesmo.

Abraços!!

Ale Nagado disse...

E aí, Bruno!

Então, nostalgia pode ser traduzida popularmente como uma saudade extrema, uma melancolia. Mas veja só como faz sentido a forma usada no texto: Saudade tem cura. Você pode matar saudades de alguém, de alguma coisa. Já a nostalgia tem outro caráter, mais profundo. Essa "falta de algo" não poderá jamais ser suprida, pois está associada muito mais às sensações causadas (e a forma como nossa mente registrou) do que com a realidade 100% como era.

Você pode rever um seriado que amava quando criança e matar as saudades. Aí é o seguinte: Ou você vai se emocionar, perceber nuances na história, se encantar com elementos que não percebia quando criança e rever muitas vezes ou vai se decepcionar, se surpreendendo ao notar que era tosco o que você tanto gostava. De qualquer forma, jamais será a mesma coisa e a nostalgia define essa saudade idealizada. Ao menos, foi assim que pensei ao escrever o post.

Abração!!