segunda-feira, 16 de junho de 2014

Sobre sucesso, audiência e lucratividade dos heróis japoneses

Entendendo o conceito de sucesso no mundo dos super-heróis japoneses
Gavan, Sharivan, Sheider, Jaspion e Spielvan:
Diferentes níveis de sucesso no Japão e no Brasil
Normalmente, fãs de uma série de TV ou personagem tendem a chamar seu objeto de adoração de sucesso, caso ele tenha continuações ou ramificações. No entanto, nem sempre uma série de sucesso é lucrativa a ponto de gerar derivados. Da mesma forma, uma série de audiência modesta, mas com público fiel, pode ter desdobramentos surpreendentes. 

Vamos agora comentar um pouco sobre essa ideia de sucesso comercial de uma série, tendo como ponto de partida os seriados tokusatsu.


Sucesso e expectativa
O fator que costuma medir o sucesso ou fracasso de uma produção televisiva é seu índice de audiência, geralmente indicado por uma porcentagem de televisores ligados em determinado programa, em determinado horário. Um índice muito usado em vários países é o de pesquisa por amostragem ou medição por aparelhos para saber quais programas estão sendo assistidos nas casas. No Brasil, o IBOPE cuida desse tipo de pesquisa e declara que números são sempre relativos ao universo populacional pesquisado. E consta que, no Brasil em 2011, 1% ou 1 ponto equivalia a cerca de 180 mil televisores ligados. Mas é só para ter uma base que citei isso, pois o tema aqui é a audiência de programas no Japão. 

Não tenho informação sobre os tipos de medição japoneses, mas tive acesso a algumas listas de audiência de lá e o material permite uma reflexão que pode se estender a animês, pois evoca os conceitos de audiência, sucesso e popularidade no Japão, geralmente muito mal interpretados aqui. Eu mesmo já cometi erros nesse aspecto e quero dividir aqui algumas conclusões e mudanças de paradigma. 


Ultraman - A maior audiência que um
super-herói já teve no Japão. 
Muitas vezes, uma série tem uma expectativa de audiência e investimentos modestos. Em outras, recebe maiores investimentos e uma expectativa maior. Essa conta é paga, num primeiro momento, pelo canal de TV que vai exibir a atração. A renda do canal vem da publicidade veiculada nos intervalos do programa e varia conforme a audiência e horário. Em se tratando de séries de TV, seja em animê ou tokusatsu, fabricantes de brinquedos entram como financiadores em vários casos, também chamando para si o direito de interferir no planejamento da série. Isso inclui impor para a equipe de criação acomodar na série mais uniformes, personagens, veículos e qualquer coisa que possa gerar brinquedos colecionáveis.

Com empresas patrocinando e interferindo para que a série mostre produtos, a expectativa maior passa a ser não apenas a audiência, mas a venda de produtos licenciados. Uma série pode ter uma grande audiência, mas uma venda pífia de brinquedos, seja pela faixa etária, seja por questões do momento econômico do país. Isso remete ao que foi abordado no livro Ultraman Está Chorando, resenhado no blog Casa do Boneco Mecânico - Anexo. 

Vamos agora a uma análise de audiência, com os heróis divididos em franquias:

Ultraman e a Família Ultra 
Mesmo com boas audiências, a maioria das séries Ultra deu prejuízo, por conta de má administração da empresa e gastos além da conta. A Tsuburaya gastava mais do que podia, provavelmente pagava bem seus artistas e equipe e isso acabava criando um rombo financeiro, nunca devidamente sanado até que os herdeiros perderam o controle da empresa, afogada em dívidas.
Os atores Koji Moritsugu (Dan/Ultraseven),
 Jiro Dan (Goh/ Ultraman Jack)
e Susumu Kurobe (Hayata/ Ultraman)
mostrando bonecos de seus respectivos
heróis, em 1971. Sem eles, não há futuro.
Vamos agora conferir as médias de audiência dos Ultas originais. Entre parênteses aparece o ano de estreia da série. As audiências são valores médios registrados no Japão. 

Ultraman (1966) - 36.8% 
Uma das maiores audiências televisivas de todos os tempos no Japão. Teve um pico de audiência de 42,8%, um feito impressionante e imbatível até hoje. A série parou com apenas 39 episódios porque o estúdio, pequeno e familiar, tinha dificuldades para cumprir os prazos de entrega com qualidade. Optaram por encerrar a série, se reestruturar melhor e partir para um novo e ainda mais arrojado projeto, que foi o Ultraseven.

Ultraseven (1967) - 26.5% 
Ultraseven teve menos audiência que Ultraman mas, através das décadas, é indiscutivelmente o mais importante e querido herói da franquia Ultra. É o que mais teve participações nas séries seguintes, o único a ter continuações da série clássica e aquele cujo ator se tornou o mais atuante no Universo Ultra, Koji Moritsugu, o eterno Dan Moroboshi

O Regresso de Ultraman (1971) - 22.7% 

Teve ótima audiência, se considerar que mais de 1/5 das casas do Japão acompanhava a série. Enfrentou a concorrência do primeiro Kamen Rider e se deu melhor no geral, mas era uma série muito mais cara e trabalhosa, repleta de efeitos especiais melhores que os da concorrência e com direito a 5 episódios dirigidos por Ishiro Honda, diretor do Godzilla original, assistente do lendário Akira Kurosawa e um cineasta respeitado. Por isso, não foi uma série tão lucrativa quanto poderia ter sido, mas foi um clássico de seu tempo.
Ultraman e Ultraman Tiga:
Dois símbolos da mais
famosa franquia do tokusatsu
E o Ultraman Tiga, frequentemente apontado o mais importante Ultra da "era moderna" da Tsuburaya, teve média de 7,3% (com picos de 10%). Nada mau, mas muito aquém dos clássicos. Nos anos 1990, já era um bom negócio em termos de audiência a média que o Tiga obteve. Mais regulares foram os Metal Heroes, a franquia mais vista no Brasil. 

Os heróis de metal
Dentre as séries exibidas no Brasil, a mim sempre foi dito, até por licenciantes, que Jaspion e Jiraiya fizeram mais sucesso aqui do que no Japão. E que Metalder teria sido um fiasco, tendo sido encurtado para menos de 40 episódios (teve 39). Mas vamos conferir as médias de audiência dessas citadas séries, todas vistas no Brasil:


Gavan / Space Cop (1982) - 14,9%
Sharivan (1983) - 13.0% 
Sheider (1984) - 12.5% 
Jaspion (1985) - 11.8% 
Spielvan (1986) - 11.2% 
Metalder (1987)- 8.2% 
Jiraiya (1988) - 9.6% 
Jiban (1989) - 9.1% 
Winspector (1990) - 12.8% 

Solbrain (1991) - 12.2% 
Fazendo justiça a Jaspion:
A série foi sim um sucesso de audiência,
apesar de, talvez, não ter ido tão bem em
termos de merchandising
Então, Jaspion não foi mal de audiência como se imaginava, pelo contrário. Então, por quê diziam que Jaspion não tinha sido um sucesso? Soube por licenciantes da época que os produtos lá no Japão não tinham vendido tão bem como se esperava (esses dados são sempre confidenciais) e, na comparação com o Brasil, claro que Jaspion fez mais sucesso e ficou mais famoso aqui. 

Existe um outro fator também para medir popularidade, que é o de lembrança. Algumas séries até ganham audiência, mas é de um público que apenas queria assistir algo do gênero. Depois que a série termina, as pessoas vão se esquecendo. É como acontece com muitas novelas no Brasil. Algumas são até sucesso, mas são esquecidas rapidamente. Outras, incorporam bordões ao vocabulário popular e seus personagens são lembrados por anos a fio em conversas. Além disso tudo, há também o fator tempo no ar. 

No Japão, as séries inéditas são exibidas à razão de um episódio por semana. Aqui, Jaspion não só passava diariamente como também chegou a ser exibido até três vezes por dia, no auge da fama. Aqui, Jaspion virou sinônimo de super-herói japonês e, por isso, certamente ficou mais famoso aqui do que em seu país de origem. No auge, Jaspion chegou a 15% de audiência na TV Manchete. Mesmo depois da febre, ainda segurava 4 ou 5% em reprises duas vezes por dia. 

Com Jiraiya foi a mesma coisa, ficou mais famoso aqui na comparação porque foi muito mais popular, exibido duas vezes por dia e reprisado inúmeras vezes. Não era só conhecido entre fãs desse tipo de seriado, mas por todo mundo. Foi até citado num programa Casseta e Planeta, na TV Globo, pra se ter uma ideia de como ele era famoso. Mas, novamente, falando de brinquedos, talvez os produtos da série não tenham vendido tão bem e isso decepcionou os empresários. Por que, mesmo tendo cogitado criar outra série ninja, a Toei optou por desenvolver Jiban, um "Robocop japonês". Ele teve menos audiência que Jiraiya, mas deve ter vendido muitos brinquedos, tanto que a série seguinte, Winspector, seguia o mesmo padrão visual do Policial de Aço. Mas consta que, em termos de merchandising, quem teve destaque nos anos 1980 foram os grupos coloridos. 

Super Sentai - A força dos esquadrões
Changeman: Sucesso no Japão e no Brasil
Goranger (1975) - 16.1% 
Foi a série pioneira do gênero, projeto de Toru Hirayama que ganhou vida com a criatividade de Shotaro Ishinomori. Lançou as bases dos quintetos coloridos e chegou a 84 episódios.

JAQK (1977) - 9.8%
A segunda série, mais dramática e de menor audiência. Mas foi muito bem, apesar de ter sido curta, com 35 episódios.

Battle Fever J (1979) - 12.0% 

A primeira com um robô gigante, estabeleceu a mudança de definição "Sentai" ("Esquadrão") para "Super Sentai". Já sem a participação de Ishinomori, foi uma criação coletiva da Toei, sob o tradicional pseudônimo Saburo Yatsude

As séries vistas no Brasil:


Goggle V (1983) - 12.3% 


Changeman (1985) - 11.1% 

Sucesso absoluto, foi melhor que Jaspion em audiência no Japão (com picos de 16%) e, segundo os licenciantes, seus produtos no Japão e aqui no Brasil vendiam mais. Teve até uma versão infantil em quadrinhos, Change Kids, bolada pelo extinto Studio Velpa, formado em boa parte por dissidentes do estúdio Mauricio de Sousa Produções


Flashman (1986) - 12.3% 

Maskman (1987) - 11.4% 

Agora, vamos ver como foi a mais cultuada série Super Sentai, ao menos entre os fãs mais velhos. 
Jetman (1991) teve, em média, 7,1% de audiência. A audiência foi bem menor que a dos clássicos dos anos 1980, mas a repercussão, especialmente entre os fãs hardcore de tokusatsu, foi grande. Jetman foi a única série a ter mangá contando eventos após a série, a única a ter histórias inéditas escritas em livros e teve um excelente episódio homenagem na série comemorativa Gokaiger (2011). Provavelmente (e isso eu só posso supor) a Toei percebeu que havia um público mais velho acompanhando a série e que poderia consumir produtos diferenciados. Jetman, de fato, se tornou uma série cult e vem sendo comentada mais de 20 anos após seu final. Isso não aconteceu, nem de longe, com nenhuma série da época.

Na década de 1990, o ponto mais baixo de audiência foi Ohranger (1995), com 4,5% em média. No entanto, o grupo teve especial de cinema e coestrelou dois especiais de vídeo contracenando com outros grupos. E, em Gokaiger, foi a única equipe a ter dois representantes no episódio que homenageou a série clássica. Talvez, apesar da baixa audiência, os produtos tenham vendido bem, revelando um público que, apesar de proporcionalmente menor, tinha grande carinho pela série. E a atriz Tamao Sato (Ohpink) se tornou uma grande musa do público otaku.

Kamen Rider: O carro-chefe das séries tokusatsu da Toei


Vejamos os pioneiros:
Kamen Rider (1971) - 21.2% 
Kamen Rider V3 (1973) - 20.2%
Black: Retomada da franquia Kamen Rider com
audiência inferior aos clássicos, mas de forma
consistente e com grande repercussão.
As séries vistas no Brasil:
Kamen Rider Black (1987) - 9.2% 
Kamen Rider Black RX (1988) - 9.3% 

Séries após a retomada da franquia:
Kamen Rider Kuuga (2000) - 9.7% 
Kamen Rider Agito (2001) - 11.7%
Kamen Rider Den-O (2007) - 6.9%
Kamen Rider Decade (2009) - 8.0% 

A primeira série Kamen Rider (na verdade, foram dois heróis protagonistas) teve 98 episódios, mas isso foi opção da produtora. A audiência foi quase igual a de O Regresso de Ultraman, mas a série da Toei era muito mais barata e de produção rápida, o que lhe deu uma sobrevida muito maior. Também teve peso a decisão do produtor Toru Hirayama em esticar a série, antes de decretar que houvesse outros Kamen Riders, dando origem a uma linhagem de sucesso. 

Outros heróis
Única representante do gênero Fughigi Comedy (Comédias Maravilhosas), Patrine (1990) superou a concorrência no Japão, com média de 15% e pico de audiência em 18,9%. Nesse ponto, Patrine foi uma decepção no Brasil, não dando margem para que outras heroínas fossem lançadas por aqui. 

No Brasil, o grande pico de audiência em números absolutos regularmente foi a obscura criação de Shotaro Ishinomori, Bicrossers (1985), que chegou a 15%, contra apenas 4,89% de média que teve em seu país. Obviamente, tamanha audiência foi pelo fato de ter sido o primeiro a ser exibido na Globo. Adaptado no Brasil com as vozes dos dubladores da Herbert Richers, era comum ouvir pessoas comentando que Bicrosssers era mais bem feito do que os outros. Só porque passava na Globo e tinha aquelas vozes conhecidas de grandes filmes. 

Entre as séries que não fazem parte das grandes franquias, vale mencionar Cybercop (1988), que teve média de 4,8%. Série extremamente divertida e bem sacada, começou bem no Japão, com 6%, mas terminou mal, com 3,6%. E no Brasil o sucesso foi bem maior, sendo uma das séries mais lembradas atualmente entre os fãs. 

Cybercop: Recepção morna para
uma série muito injustiçada
por conta da produção capenga
Entre os fãs hardcore de tokusatsu, a sombria série GARO (2005), do diretor Keita Amemiya, é bastante lembrada. A série teve continuações, especiais de cinema e DVD. Com isso, espera-se que a série original tenha tido grande sucesso, não é? Pois GARO teve, em média, apenas 2,3% de audiência. Passando quase desapercebido na TV, e sem muitos brinquedos para explorar por se tratar de série noturna para adultos, pode-se especular duas possibilidades: Ou as vendas dos DVDs da série foram realmente muito boas, ou o diretor Amemiya está gastando tudo que ganhou a vida toda em seu projeto dos sonhos, correndo o risco de seguir o perigoso caminho já trilhado pela Tsuburaya

GARO: Série cult, com público fiel
que tem 
garantido a
contínua expansão de seu universo.
Animês e suas audiências
Estabelecendo um paralelo com a indústria dos animês, o Yamato (Patrulha Estelar) detonou a onda Anime Boom (a explosão de popularidade dos animês juvenis) com sua série 2, que deu incríveis 25% de audiência na estreia. A primeira temporada, considerada fraca, havia dado 7% de média, o que era ruim nos anos 70 e apenas razoável nos anos 80. Hoje, 7% já coloca qualquer série no top de audiência de animês. Sobre isso, vamos conferir as audiências registradas no início de junho, junto com horários e os canais onde as séries são exibidas:

01 - Sazae-san (Fuji TV, 01/06, 18h30) - 15,1%
02 - Crayon Shin-chan (TV Asahi, 30/05, 19h30) - 9,7%
03 - Chibi Maruko-chan (Fuji TV, 01/06, 18h00) - 9,7%
04 - Doraemon (TV Asahi, 30/05, 19h00) - 8,8%
05 - Detective Conan (NTV, 31/05, 8h00) - 8,3%
06 - One Piece (Fuji TV, 01/06, 09h30) - 7,7%
07 - Dragon Ball Kai (Fuji TV, 01/06, 09h00) - 6,4%
08 - Youkai Watch (TV Tokyo, 30/05, 18h30) - 5,9%
09 - The File of Young Kindaichi Returns (NTV, 31/05, 18h30) - 5,8%
10 - Happiness Charge PreCure! (TV Asahi, 01/06, 08h30) - 5,3%
(Fonte: InfoAnimation - Publica semanalmente o ranking de animações na TV japonesa)
Sazae-san: Sem alarde, animê familiar
é líder em audiência há décadas.
Série já passou dos 2.250 episódios.
Conclusões
Vale lembrar que ao longo do tempo, tanto foram aparecendo mais séries, quanto foi aumentando a concorrência de outras mídias, como games e a internet. Isso acaba pulverizando mais a audiência e fazendo cada pontinho ser conquistado com mais dificuldade. 

E agora, mais do que antes, fidelizar a audiência e fazê-la consumir mais e mais produtos se tornou fundamental. Com isso, uma série de baixo orçamento com apenas alguns milhares de fãs pode ser proporcionalmente mais lucrativa do que uma produção mais endinheirada que não consiga se pagar com vendas de produtos aquém da necessidade. Isso acaba levando ao caminho da segmentação cada vez maior. O que pode ser um mau negócio em termos, pois a população japonesa está envelhecendo, diminuindo e a queda de natalidade tem alcançado índices alarmantes, pois já há cada vez menos jovens e crianças. Sem renovação de público, os lucros e audiências tendem a diminuir cada vez mais. 

Talvez o caminho das produções japonesas, seja em tokusatsu ou animê, seja tentar voltar às origens, quando cada autor e estúdio buscava dialogar com um grande número de pessoas, trabalhando para uma forma de cultura verdadeiramente popular e não apenas de nichos de público e mercado.

Fonte:
- Para quem entende japonês ou pelo menos se vira bem, eis a lista completa:
Tokusatsu Ratings Wiki

Agradecimento: Matheus Mossman

15 comentários:

César Filho disse...

Muito abrangente essa postagem, Nagado. Há também um outro fator na questão de audiência que são os horários que uma determinada série era exibida no Japão. Até meados dos anos 80 as séries eram exibidas em horário nobre -- a maioria na faixa das 19:00. Como os pioneiros de cada gênero são mais antigos, pode-se considerar a quantidade de emissoras abertas que eram bem menores que atualmente. Por isso tinham mais audiência. É um fator que também varia muito nessa história.

Mais uma vez parabéns pelo excelente blog. Abraços!

Bruno Seidel disse...

Interessantíssima essa leitura e interpretação de dados referentes aos índices de audiência das principais séries de Tokusatsu. Não é a primeira vez que acompanho uma discussão sobre o que realmente classifica o sucesso de uma série. Audiência, na teoria, é o fator determinante mas, na prática, ela não enche o bolso de ninguém (até porque você não paga a emissora quando está assistindo o respectivo canal). Acho que a venda de produtos licenciados é, nesse caso, o grande fator determinante no sucesso da série. Prova disso é o número cada vez maior de veículos, armas, variações na forma do(s) herói(s) e personagens coadjuvantes. Era uma exceção nas décadas de 1980 e 90 que acabou virando regra nos dias de hoje. Já ouvi até dizer que no Brasil, Changeman teve audiência inferior ao Jaspion mas que, por ter mais heróis e ser comercialmente mais atrativo, acabou vendendo mais e, consequentemente, dando mais lucro. Se "dar lucro" é o que significa ter mais sucesso, é errado afirmar que audiência é o que importa, pois uma série com maior número de expectadores não significa necessariamente uma série que vende mais. E essa talvez seja a principal diferença das séries clássicas para as atuais: antigamente se priorizava enredos capazes de prender o telespectador e mantê-los fiéis à trama. Hoje, o objetivo é enfiar cada vez mais formas e coadjuvantes pra vender mais bonecos e pagar a folha salarial da Bandai.

Unknown disse...

Show de bola parabens , belo texto

Natália Maria disse...

Sou relativamente nova, mas conheço algumas das séries citadas no texto, como Kamen Raider Black RX, Ultraman Tiga (meu preferido) e alguns outros que tive oportunidade de assistir como Winspector (eu e meu irmão tínhamos bonecos deles *__*).

Realmente, ter uma audiência alta não significa necessariamente que um anime/tokusatsu é sucesso... E vice e versa... rsrsrrs

O mais curioso é ver que mesmo que uma série tenha ido ruim em seu país de origem, aqui ela fez um sucesso relativo. E convenhamos, a era digital trouxe mais desafios para os produtores: fazerem as pessoas sentarem na frente de uma TV, e assisti-la.

Texto bastante informativo este.

Até mais

Robinson Oliveira disse...

Parabéns Nagado por mais uma matéria bem produzida e com conteúdo, quer dizer, como sempre você faz.
Essas comparações com os índices de audiência caíram como uma luva nos espaços em branco(informações)que temos em nosso mercado brasileiro a respeito dos Heróis nipônicos. Porque nunca deixa de ser curioso saber como reagiram estes heróis no arquipélago japonês.
Eu mesmo achava que Gavan teria sido o Uchuu Keiji com maior índice de audiência por conta de toda popularidade mas ao observar os números Sharivan teve mais pessoas antenadas, engraçado!!! Mas como vc mesmo mencionou acima deve ter sido por conta do começo, ser o primeiro.
Outro fato curioso a repercussão do Jaspion/Juspion, não foi ruim como sempre comentando por aqui.
Valeu Nagado pelas informações e que venham mais... rsrsrsrsrsrs, abraço.

Ale Nagado disse...

Pessoal, obrigado pelas participações. O tema é bastante abrangente e sempre vai faltar alguma abordagem.

Imagino que deve ser complicado para uma equipe de criação lidar com o lado comercial da coisa, mas isso faz parte do processo.

Abraços a todos!

dejair junior disse...

Ultraman, mesmo tendo passado por momentos dificeis em sua trajetoria, foi e ainda e o estilo Tokusatsu preferido dos Japas. Moro aqui, e percebo claramente isso.

Gentil disse...

Bom texto. Há realmente um certo equívoco quando se trata deste assunto. Em entrevista a Herói na época o próprio Kurosaki afirmou que a popularidade (não falta de, é aí que entra o grande o erro) da série foi comum. Ainda segundo ele, "nada de extraordinário". Este extraordinário, que é o que vai além da popularidade comum (o fenômeno, a febre) foi o que aconteceu aqui no Brasil pela novidade, o que faz com que as pessoas façam essa comparação. Mesmo os números de audiência da época publicados no texto mostram que Jaspion só ficou atrás dos Uchuu Keijis durante toda a década de 1980.

RicardoCerdeira disse...

Bom texto, Nagado. Realmente a fórmula para confirmar a popularidade de uma série é bastante complexa, e não pode se basear apenas na audiência.

Só há um porém, os números do Gavan que você postou. Várias fontes, inclusive o livro Uchuu Keiji Daizen, indicam que a audiência média da série foi 14.9%, e não 11.8%.

No link a seguir é possível ver a audiência da série, episódio a episódio: http://www10.atwiki.jp/shichouseiko/pages/92.html

Os números batem com os do livro, o que indica que são oficiais.

Ale Nagado disse...

Olá, Ricardo!

Você tem toda a razão! Fui conferir na página de referência que foi a base da matéria e o número é esse mesmo que você postou. Foi um erro meu na hora de digitar, uma desatenção. Considere corrigido.

E muito obrigado por ter observado e avisado.

Abraço!!

ALTAIR SUPER FA disse...

NAGADO CADE VC???? NUNCA MAIS VC APARECEU EN EVENTOS VC É UM GRANDE SÁBIO NA ARTE TOKUSATSU PRA MIN NESSE UNIVERSO TOKU VC É O Nº 01 ! VALEU NAGADO!

HENSHIN!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ale Nagado disse...

Olá, Altair.

Obrigado pela consideração. Moro no interior de SP atualmente e por isso fiquei bem fora do circuito, pois estou bem distante mesmo da capital. Mas estive no evento Comic Con Experience (CCXP) em dezembro passado. Fora participações no AnimePan de Recife (2009) e no SANA de Fortaleza (2010).

Abraço!

Gentil disse...

Há muito o que extrair destes números.

Percebam que existe uma espécie de "lugar-comum" em resenhas nacionais de baixa qualidade, citarem Jaspion como tendo sido uma espécie de "fracasso" no Japão (usando esta palavra mesmo, de forma completamente nonsense) sem levar em consideração, por exemplo, que durante toda uma década (1980) ela só ficou abaixo da trilogia dos Policiais do Espaço nos números oficiais de audiência. Ou seja, tendo sido superior a todas as demais, inclusive algumas que também fizeram sucesso no Brasil. De maneira incoerente, e motivados pela errônea comparação entre a popularidade comum no país de origem e a super popularidade ocorrida aqui, estas matérias lançam pérolas e mais pérolas direcionadas a um público alvo desavisado, a fim de dar mais apelo ao texto e atrair os leitores.

Não são capazes de alcançar o fato de que Jaspion única e exclusivamente não tenha sido um Gyaban por lá (um fenômeno, a primeira grande febre do gênero) mas que tirando Sharivan que ainda aproveitou a deixa, nenhuma das outras foi. Entre Jaspion e Shaider por exemplo há uma variável de apenas 0.7%, uma margem ínfima. Jaspion foi o nosso Gyaban (o fator novidade, o fenômeno, a febre) mas o fato de isso não ter ocorrido no Japão por razões óbvias, nem de longe o torna algum tipo de fracasso. Jaspion foi exposto durante um ano inteiro com índices razoáveis de audiência, vendeu seus produtos, fez apresentações em parques temáticos e foi reconhecido pelas crianças da época. A simples definição de popularidade comum (não falta de) citada pelo próprio Kurosaki em entrevista.

Novamente, basta olhar para os números. Se Jaspion com seus quase 12% pode ser considerado um desastre para estas resenhas de baixo nível, que adjetivos poderiam ser escolhidos para definir o "sucesso" de outras séries igualmente famosas no Brasil (repletas de fãs) mas que dificilmente são citadas por quem as escreve?

Jiraiya (1988) - 9.6%
Jiban (1989) - 9.1%
Kamen Rider Black (1987) - 9.2%
Kamen Rider Black RX (1988) - 9.3%


Mesmo Changeman, que aqui foi um enorme sucesso, ficou abaixo de Jaspion nos números da época:

Changeman (1985) - 11.1%


Isto me causa um certo desconforto, pois o público alvo destes sites é extremamente leigo e casual. Existem mentiras que vão virando verdade absoluta com o tempo a medida que vão se disseminando, e infelizmente esta de que Jaspion tenha sido um "fracasso" no Japão é uma que aqui no Brasil dificilmente deixará de figurar como grande exemplo, pelo menos enquanto estes sites e resenhas de péssimo nível não se reciclarem ou buscarem novos conceitos para definição de sucesso das séries.

Mezu disse...

Parabéns, foi um dos melhores texto que vi falando sobre assunto.
Muitos pegaram esses números e simplesmente fizeram ranking entre as séries considerando isso como verdades absolutas e pouco interpretando e tentando ir mais além e pesquisar que existia muito mais coisa além desses números.

Por exemplo, eu já tive a oportunidade de ler algumas resenhas sobre Flashman e encontrei que foi uma grande audiência, mas que fracassou no público alvo, exatamente o da venda de brinquedos...

Já Changeman foi sucesso exatamente pq teria faturado muito, batendo recordes de venda de brinquedos, além de agregar por conseguir conquistar o público feminino, até então um público distante dos sentais.

Já Jaspion pelo que li realmente não foi um fracasso, também não foi sucesso. Eu pessoalmente tenho a teoria que era ousado demais na época, a fórmula fugiu muito do padrão dos anteriores, sofreu um pouco de resistência. No Brasil felizmente não tivemos isso, pois não tínhamos referência anterior para comparar. Mas acredito que os japoneses estranharam bastante um metal hero que lutava gigante,entre outras inovações...

Flavio de Assumpção Pereira disse...

Onde assino?

Eu mesmo era um que "me influenciava" pelos antigos conceitos de sucesso até ler essa postagem tão brilhante e elucidativa.