terça-feira, 15 de abril de 2014

Ataque dos Titãs - O triunfo da criatividade

Ataque dos Titãs: A humanidade
contra gigantes devoradores
de gente. Narrativa perturbadora.
Desde novembro de 2013 a Panini Comics - Planet Mangá está publicando, em forma bimestral, a revista Ataque dos Titãs, a versão em português de um grande sucesso recente dos mangás. Seu título original, Shingeki no Kyojin ("O Avanço dos Gigantes") foi adaptado no ocidente como Attack On Titan, que serviu de base para o título brasileiro. Não há ligação com os titãs da mitologia grega, mas sim uma alusão ao poder dos gigantes, que estão entre as criaturas mais assustadoras já concebidas numa história em quadrinhos.


Em uma época imprecisa, sobreviventes da humanidade vivem em cidades atrás de muralhas para se protegerem dos misteriosos titãs, gigantes devoradores de pessoas que surgiram não se sabe de onde e, mesmo sem precisar se alimentar, se lançam a devorar pessoas até conseguirem exterminar a maior parte da raça humana. 

Volume 12 da edição
encadernada
japonesa. Vai demorar
pra chegar aqui.

Em um grupo de jovens lutadores que têm a missão de proteger as cidades, os jovens Eren Jaeger, Mikasa Arckerman e Armin Arlert lutam com determinação para destruir os gigantes assassinos. O protagonista Eren possui um poder incrível que, ao ser descoberto, cria uma esperança real para a humanidade enfrentar os terríveis titãs. 

A série começou a ser publicada em 2009, no almanaque mensal para garotos Bessatsu Shonen Magazine (Ed. Kodansha) e já ganhou uma série de TV em animê com 25 episódios (2013), teve dois especiais em DVD/Blu-ray e está sendo preparado um grandioso filme com atores para o ano que vem. E o mangá segue fazendo sucesso e ganhando fãs em outros países, graças ao trabalho de Hajime Isayama, um autor jovem, nascido em 29 de agosto de 1986. Shingeki no Kyojin é sua primeira série e as encadernações com os episódios já venderam mais de 36 milhões de cópias no Japão. 

Tanto sucesso não é à toa. Por isso, o objetivo desta postagem é muito mais analisar conceitos criativos do que apresentar informações e uma resenha precisa sobre a série. 

A arte de Hajime Isayama tem diversos problemas de anatomia, perspectiva e acabamento. As capas têm boa qualidade, mas é perceptível que o autor tem pouca técnica de desenho comparada com os grandes mestres, apesar do talento evidente. A narrativa, principalmente em cenas de batalha, se perde em alguns momentos. No entanto, a atmosfera é tensa, envolvente e compensa todo o resto. Fora a ideia simples e perturbadora que dá início à trama: gigantes misteriosos que devoram gente. 
Um dos maiores sucessos já
publicados na Shonen Magazine.

A sensação de perigo iminente permeia a obra. Os personagens têm conflitos internos e motivações fortes - Eren viu a mãe ser devorada, por exemplo -, há reviravoltas e surpresas constantemente, tornando a leitura um ato instigante. O autor não entrega tudo de mão beijada, vai revelando coisas aos poucos e cada camada ajuda a compôr o cenário desolador de Shingeki no Kyojin

Os desenhos vistos nas páginas são, principalmente no começo da série, apressados e toscos, mas essa falta de polimento chega a ser um trunfo. As imagens cruas ajudam a passar uma sensação de sujeira e degradação, tornando os gigantes criaturas repugnantes e os humanos seres tensos e assustados. E as expressões de angústia e raiva explodem em cada cena. Ou seja, o desenho de Isayama tem alma

É o sucesso de uma obra que não é um primor nem de arte, nem de narrativa, além de ter um roteiro sem grandes sutilezas. Mas a história é poderosa, ousada e cheia de adrenalina. 

Lecionei desenho por mais de duas décadas. Defendo a importância de um bom desenho. Sempre procurei dar muito valor ao roteiro e à narrativa visual. Uma história pode ter uma ideia simples, batida mas, se bem escrita, bem narrada e bem desenhada, se constitui num bom entretenimento. 

Ataque dos Titãs não se pretende ser nada além de uma peça de entretenimento e não é nenhuma obra-prima dos quadrinhos japoneses. Mas cumpre sua missão de divertir e assustar ao lançar mão de uma única e grande virtude que faz o título se destacar acima de inúmeras obras: a criatividade. 

Confira: Ataque dos Titãs no site da Panini Comics (3 edições já publicadas)

Título: Ataque dos Titãs ~ Shingeki no kyojin
Autor: Hajime Isayama
Formato: 13.7 x 20 cm, com 192 páginas 
Publicação bimestral 
Preço: R$ 11.90 
Distribuição Nacional
Editora: Panini Comics

Bônus - Gigantes contra um Subaru
- No início de 2014, a Subaru lançou um comercial de TV para seu carro Forester utilizando os titânicos gigantes. Para a impressionante caracterização, foram utilizados profissionais que estão trabalhando na versão live-action do mangá. É tão rápido e tão legal que você até esquece do carro. 



Curtiu? Veja então um rápido making of do comercial:

8 comentários:

Bruno Seidel disse...

Fiquei curioso pra ler o mangá. Há uma frase que diz que "não importa se a história e boa, mas sim o jeito como ela é contada."

Ale Nagado disse...

Bruno, espero que goste. Esse autor pegou uma ideia que poderia ser tola e transformou em uma saga poderosa.

Não sei se ele consegue manter o pique por muitos volumes, mas o início da série foi realmente bem interessante.

Abraço!

Rogério disse...

Bom dia Nagado. Feliz Páscoa.

Devo admitir que fiquei surpreso por você curtir tanto Ataque dos Titãs. Não sei porquê. Rsrsrs.

Eu assisti a vários episódios do anime. Não sou muito fã de "gore" e isto desde de o começo afetou minha apreciação da obra, mas realmente achei o conceito muito intrigante e o mistério em torno dos tais titãs e sua origem facilmente captura a imaginação do expectador.

Embora a animação seja boa, confesso que os "maneirismos" de linguagem usados me cansam um pouco: os intermináveis monólogos internos enquanto a ação ocorre em volta dos personagens. O protagonista sempre com aquela expressão "surtada". Etc. Eu entendo que são traços característicos deste tipo de anime (assim como as lutas intermináveis de Dragon Ball) mas para mim é algo um tanto cansativo e menos efetivo em termos de linguagem narrativa.

Ainda assim, é uma produção bem interessante pela força de seu conceito e parece que o mangá tem exatamente a mesma qualidade. Fiquei curioso.

Natália Maria disse...

Olá!!

Texto deverás interessante sobre um dos animes/mangás de sucesso recentemente. Fiquei surpresa ao saber do live-action esses dias, mas quando uma série faz sucesso, bora aproveitá-lo das mais diversas formas.

Realmente a arte do mangá não é lá essas coisas, e ainda tem gente que prefere reclamar da arte de outros mangakás (não vou citar nomes)... Mas, se ela tem alma, quem sou eu para falar mal?

Eu até comprei o volume 1, que acabei dando para um pessoa posteriormente, e não está na minha lista (já ando lendo coisas demais) xD

Até a próxima!!

Ale Nagado disse...

Fala, Rogério!

Olha, eu também não gosto de terror, muito menos do tipo gore. Mas quando uma aluna perguntou se eu queria ler e ofereceu o número um emprestado, resolvi dar uma chance, mesmo achando o desenho fraco.

Acabei gostando e querendo ler mais. Eu não achava que ia gostar, mas acabei curtindo. Depois, no Twitter, um papo com o colega Raphael Soma acabou me dando vontade de registrar no blog minhas impressões. Um bom mangá.

Abraço!

Ale Nagado disse...

Oi, Naty!

Não virei fã, mas gostei o suficiente para querer ler mais coisas de SnK. O animê eu não tenho tanta curiosidade de ver, talvez eu fique só no mangá. Agora, o live-action, que eu estou quase chamando de tokusatsu (porque terá uso intenso de efeitos especiais) eu acho que pode ser tanto uma bomba quanto um daqueles filmes de terror japonês que conquistam o mundo e ganham versão em Hollywood. O tempo dirá.

Abraço!

Abraço!

Rogério disse...

Este parece um material perfeito para alguém como o Zack Snyder adaptar no Ocidente.

Mikael Santos disse...

O Anime vai ter 2° Temp? Eu adorei o enredo,personagens e atmosfera e agora estou ficando loco esperando noticias do Anime kkk.