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quarta-feira, 12 de março de 2014

Dicas da blogosfera - 12

Esta é uma seção sem periodicidade onde o Sushi POP indica blogs ou postagens específicas sobre algum assunto interessante. As duas dicas a seguir são imperdíveis para que estuda desenho. Um artigo sobre como o mangá tem mudado através dos tempos e uma entrevista com a talentosa Erica Awano.


Mio, de K-ON,
retratada em
estilos de épocas
diferentes
1) A evolução gráfica do mangá
Eis aqui um artigo extremamente interessante em inglês. Fala sobre como o mangá, de uma forma geral, tem evoluído graficamente. Lembrando que mangá não é um estilo tão uniforme quanto os leigos pensam, há muitas variações dentro dos diferentes segmentos de mercado. 

Ainda assim, é possível perceber mudanças de traço e estilizações que vão se tornando mais populares entre os artistas de cada época. É sobre isso que fala esse artigo do autor Master Blaster, do blog Rocket News 24

O artigo mostra, de modo ilustrado, como certos detalhes vão sendo trabalhados de forma diferente em cada época. 

No exemplo ao lado, a personagem Mio, da série K-ON, aparece retratada, primeiro como foi concebida e nos quadros abaixo, ela vai sendo visualizada como se tivesse sido feita em décadas anteriores. Muito divertido e didático. Porém, faço a ressalva de que a arte usada como exemplo dos anos 90 eu não considero de linhagem mais representativa. Destaco que Sailor Moon, Evangelion, Pokémon, Digimon e Samurai X foram produzidos na década de 1990 e não têm nada em comum com a arte usada como exemplo. 

Pessoalmente, gosto muito dos estilos dos anos 70 e 80. Veja o artigo e comente por aqui.

Analise: Manga and anime, my how you´ve changed 



Erica Awano, uma das mais respeitadas
quadrinhistas brasileiras
2) Entrevista com Erica Awano (áudio)
O blog Bacanudo, em uma recente edição de seu podcast, realizou uma entrevista com a desenhista de mangá Erica Awano. Consagrada com seu trabalho em Holy Avenger e com uma elogiada passagem em Street Fighter, Erica é uma artista habilidosa e uma personalidade que vale a pena conhecer. 

Em um papo descontraído com Pedro Bahia, Erica fala sobre diversos assuntos, sempre com muita franqueza e objetividade. Concorda com as opiniões da Erica? Discorda? Registre seu ponto de vista nos comentários do blog.

Analise: 20 perguntas: Erica Awano 

7 comentários:

Diogo Almeida disse...

Eu tinha visto essa imagem na net há muito tempo e não sabia onde encontrar.
De resto, concordo com sua crítica à imagem usada pra representar os anos 90: Saber Marionette não serve muito como referência de estilo mangá daquela década. Por outro lado, se K-ON! fosse produzido nos anos 70, provavelmente teria uma pegada bem mais dramática...

Ale Nagado disse...

Saber Marionette! Eu estava tentando lembrar o nome da série com esse traço "anos 90", obrigado. O design de Saber Marionette é de um desenhista chamado Tsukasa Kotobuki. Para o meu gosto, nunca agradou o estilo dele.

Se K-On tivesse nascido nos anos 70, eu imaginaria também algo mais dramático, mas com pegada cômica também. K-On é tão "moé", tem aquela fofura tão forçada, que eu não consigo imaginar um autor daquela época (não que eu conheça muitos) fazendo aquilo.

Abraço!

Rogério disse...

Boa noite Nagado,

Este assunto da mudança no estilo visual(e narrativo também?) do mangá ao longo do tempo é fascinante.

Pergunto-me quais os fatores que determinam estas mudanças: um título de sucesso que impõe seu estilo? Um artista cultuado que espalha sua influência (como Jack Kirby nos EUA)? Questões editoriais como prazos? Mudanças tecnológicas? Ou tudo isto?

Evolução não me parece um termo preciso. Afinal o estilo dos anos 70 pode ser tão eficiente e belo quanto o de qualquer época. Pelo menos do ponto de vista gráfico. Ou será que estou falando besteira?

Claro, as técnicas narrativas tem que mudar para conseguir a "suspensão da descrença" de um público cada vez mais saturado(e cínico?) de Cultura POP. E a narrativa impõe soluções gráficas. Assunto fascinante mesmo.

Ótimas dicas de links. Como sempre.

Ale Nagado disse...

Oi, Rogério! Desculpe a demora em responder seu comentário. A vida aqui está muito corrida, ufa!

Hum, pode ser impreciso, mas usei o termo evolução por fazer mais sentido pra mim, no sentido de mostrar mudanças e adaptações conforme o gosto médio de cada época. Não falo de melhorias, visto que a análise do artigo indicado mostra características de época, algo mais ligado à média do mercado.

E acho que muitos fatores realmente influenciam. As mudanças maiores são de roteiro, pois a ingenuidade que existia em grande parte até a década de 1980 ficou pra trás. Isso tem a ver com períodos de prosperidade econômica e o otimismo decorrente. Resumindo: aparecem heróis mais cordiais em uma época próspera, heróis mais sombrios e angustiados em outras de grandes incertezas.

A forma como garotas são retratadas é retrato de cada época, ou do gosto médio que se espalha. K-On, por exemplo, é puro moé, fan service, aquela fofura exagerada com pitadas de situações erotizadas que fazem sucesso em meio a grande parte do público otaku mais segmentado. Público esse que tem crescido na medida em que a situação econômica do Japão fica delicada, gerando medo do futuro e cada vez mais gente que foge da realidade e se refugia num hobby, o estereótipo do otaku japonês.

Enfim, estou jogando um monte de dados só pra mostrar que a questão é muito mais complexa do que muitos artistas seguindo o traço de alguma série de sucesso. O tema é fascinante e fico contente que tenha trazido mais dados para refletir.

Abraço!

Rogério disse...

Boa noite Nagado,

Imagina. Não precisa se desculpar. Só de você se dar ao trabalho de responder já é muito legal. Eu agradeço.

Citei um monte de fatores e esqueci o mais decisivo: o ambiente sócio-econômico. Um erro primário da minha parte.

The Fool disse...

Ah Nagado desculpa, mas assim...

"Meu primeiro trabalho profissional foi com o Street Fighter Zero". - Érica Awano.

Megaman da Editora Magnum mandou lembranças! -_-
Sério, queria entender os motivos que levam gente como a Érica, Roberta Pares, e outros a simplesmente "esquecerem" do pessoal da Animax (leia-se: o Peixoto).
Será que queima o filme citar uma revista que foi cancelada a anos?
Pelamor!

Michel disse...

Já tinha visto essa tirinha no facebook e achei interessante, embora também não concorde com a escolha do traço Saber Marionette J ou VS Knight Lamune&40 Fire. Acho que na década de 90 não houve um único estilo, mas o design de Tsukasa Kotobuki teve um certo destaque, além do Keiji Goto (Nadesico), que tinha um estilo parecido.