segunda-feira, 25 de março de 2013

Acacia Orchesta - Poder independente

Da esq, p/ dir.: Keisuke, Masaru, Hirofumi e Misaki 
O Acacia Orchesta é um excelente grupo de rock japonês independente formado em 2007. Com forte influência do jazz, eles não fazem parte do mainstream, mas têm conquistado um público fiel e crescente com seu som marcante e autoral. 

Suas canções têm como marcas um piano tocado de forma brilhante por Hirofumi Nishimura e a voz intensa da vocalista Misaki Fujiwara. Pra quem gosta de jazz e um bom rock, é um sopro de vitalidade e energia no mundo do J-Pop ou até do J-Rock.


Playgame (live)

O som da banda é voltado a um público mais maduro e a bela vocalista não tem a menor vocação para bonequinha idol. Ou seja: estão na contramão do J-pop mais massificado. Sem ligar pra modismos ou querer parecer antenado, o Acacia Orchesta produz um som pulsante, cheio de garra, que mostra que o pop-rock japonês não precisa ser sinônimo de música pasteurizada. Seus shows acontecem em casas noturnas e já tocaram até num festival de jazz em seu país, mas podem ir muito mais longe. 

A banda lançou recentemente seu quarto álbum e está em turnê divulgando esse trabalho. Recomendo! 

 
Superstar (live)


Acacia Orchesta
Misaki Fujiwara - Vocais
Hirofumi Nishimura - Teclados
Masaru Sano - Baixo
Keisuke Kitagawa - Bateria

Site oficial: acacia-o.com







Campanha de incentivo à doação de sangue: Certamente você reparou na bolsa de sangue que aparece ao lado da tela no primeiro clipe. É um efeito gerado para apoiar uma campanha de incentivo à doação de sangue da Cruz Vermelha. É uma bela iniciativa.
- Veja como participar aqui ou aqui.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Dicas da Blogosfera - 1

Oi, só passei aqui pra registrar umas dicas de leitura na blogosfera. 

1) O mundo dos autores de mangá - Sabe o Bakuman, aquele mangá sobre a vida de dois aspirantes a mangaká (autor de mangá)? Pois o universo dos quadrinhistas japoneses já foi abordado em muitas outras séries. 

Em seu blog XIL, o colega Fabio Sakuda comenta sobre outros títulos que abordam esse mesmo tema. Pontos de vista diferentes, com tratamentos dos mais variados, incluindo uma visão bastante dura. 

Pra quem gosta do assunto, recomendo a matéria, pois as dicas são bem interessantes. 

Confira: Mangás sobre fazer mangá 


2) A vida depois do tsunami O projeto Zapuni reúne animadores japoneses com grandes nomes da música, como o escocês David Byrne, para promover campanhas e arrecadar fundos para aqueles afetados pelo desastre de 11 de março de 2011, especialmente as crianças. 

Dois clipes belíssimos foram divulgados. Confira os vídeos, detalhes do projeto e formas de ajudar no blog Outros Papos, do Patrick Raimundo

Confira: Zapuni - Caridade pela arte 

3) Explicando e desmistificando o Japão - A cultura japonesa exerce um enorme fascínio em muitas pessoas. Só que isso muitas vezes cria imagens que não correspondem à realidade histórica ou social. Para desmistificar um pouco algumas questões o advogado Eduardo MPA, que já viveu no Japão e possui uma visão cristalina sobre a vida e a política do país, criou um blog. É o Nihon Go!, uma dica de leitura obrigatória para quem ama a cultura japonesa. Há postagens sobre o senso de responsabilidade do japonês, mitos e verdades sobre os samurais, o trabalhador japonês, sobre a complicada situação política atual e muitos outros temas.

Confira: Nihon Go! Pensando a vida no Japão, fora do Japão

terça-feira, 19 de março de 2013

Hiroshi Watari, herói do tokusatsu - Bastidores da 1a visita ao Brasil

Nascido em 20 de março de 1963, Hiroshi Watari é um ator e dublê icônico do tokusatsu da década de 1980. Começou trabalhando como dublê do JAC - Japan Action Club e estreou como ator numa pequena participação em Space Cop Gavan (1982). Seu personagem, Den Iga, foi o protagonista da série sucessora de Gavan, o Sharivan (83), seu papel mais famoso no Japão até hoje. Depois, foi Boomerman, um coadjuvante de peso em Jaspion (85) e novamente protagonista em Spielvan (86), fora participações especiais em Sheider (84), Metalder (87), Wecker (2001), Boukenger (2006), Kamen Rider W (2009) e muitas outras produções no gênero tokusatsu. Também fez trabalhos fora desse nicho, como a versão japonesa do famoso musical da Broadway, Miss Saigon, além de dramas e filmes variados. Mas é no mundo do tokusatsu que é considerado um astro eterno. 

Em julho de 2003, esteve no Brasil ao lado dos cantores Hironobu Kageyama Akira Kushida para participar da primeira edição do festival Anime Friends, da empresa Yamato. Na ocasião, estive bastante envolvido com vários aspectos do evento. O trabalho foi extremamente desgastante para mim e me fez reconhecer que eu não nasci pra lidar com organização de eventos. Tudo o que me comprometi a fazer foi bem feito, mas o desgaste foi excessivo. 

De compensações, além da sensação de dever cumprido, pude conhecer artistas japoneses que admirava há muito tempo. Dos três convidados, pude acompanhar melhor o Hiroshi Watari e consegui ouvir dele algumas informações e histórias, que pretendo compartilhar aqui. 


- Seleção de cenas de Watari (como ator e como dublê) na década de 1980

sexta-feira, 15 de março de 2013

Boletim 43: Ukiyo-e Heroes - Exposição une cultura pop e arte tradicional

Os lutadores de Street Fighter como
nunca foram retratados antes
Ukiyo-e são as tradicionais xilogravuras japonesas surgidas no século XVII. São ilustrações de cores vivas produzidas em série com blocos de madeira, as gravuras ukiyo-e estão entre as formas de arte japonesa tradicional mais conhecidas em todo o mundo. O projeto Ukiyo-e Heroes apresenta personagens famosos da cultura pop japonesa reinterpretados segundo essa forma de arte. É uma curiosa mistura que é tema de uma exposição que está em cartaz em São Paulo, capital, até o dia 12 de abril. 

Confira abaixo material do press release enviado para mim nesta semana por ocasião da reativação do blog. 

Pokémon: E se os monstrinhos
de bolso tivessem sido criados
no século XVII?
Projeto “Ukiyo-e Heroes” chega ao Brasil

Press release

"Ukiyo-e Heroes é um projeto sem precedentes. Uma série de paródias envolvendo personagens de videogames já foi feita, é verdade. Mas o que eles (Jed, o artista ilustrador e David, o gravador) fizeram quando decidiram juntar cultura pop com gravura tradicional japonesa resgata o próprio pensamento do Ukiyo-e. Para tal, é preciso enfatizar que as estampas japonesas, que encantaram os impressionistas europeus do século XIX, sobretudo pela nostalgia e exotismo, eram, na verdade, retratos da vida cotidiana e de ícones, tais como as cortesãs e os atores famosos, contemporâneos à época em que foram feitas. Jed, ao trazer sua paixão por videogames, juntamente com seu magnífico traçado e composição, para o universo da gravura japonesa, o qual David domina e executa com exímio talento há mais de 30 anos, atualiza a tradição desta arte e nos aponta para as origens dos videogames.", afirma Fernando Saiki, autor do artigo sobre a prática da estampa japonesa no livro "Imagens do Japão II" (Ed. Annablume), organizado por Christine Greiner e Marco Souza.

Durante a passagem pelo Brasil, Jed realizou um bate papo com o público e também proferiu uma palestra fechada aos alunos da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

Ukiyo-e Heroes
O projeto iniciado em abril de 2012, em parceria com o gravador anglo-canadense residente em Tóquio, David Bull, já arrecadou U$ 313,000 na plataforma digital Kickstarter, ganhando destaque na mídia internacional, noticiado no jornal The Japan Times, na revista GQ, no site CCN Money e na versão digital da revista Wired (edição japonesa e inglesa).

“Nosso principal objetivo é bombear a vitalidade de volta para esta forma de arte (Ukiyo-e), dando-lhe um apelo moderno, mas mantendo suas tradições”, afirma Jed. 

quarta-feira, 13 de março de 2013

Quadrinhista ou quadrinista?

Outro dia, através de uma conversa no Twitter, fiquei sabendo que, assim como quadrinhos, a palavra quadrinista já constava no dicionário Aurélio. E após conferir no meu exemplar impresso, fiquei com uma dúvida. Já vi muito mais gente usar o termo quadrinhista (com "nh") do que quadrinista. Eu mesmo sempre me apresentei como quadrinhista. 
Aurélio: Sem preconceitos
contra cultura pop

Pra tirar a dúvida (irrelevante pra maioria, mas que pra mim importa), fui no site da Editora Positivo para esclarecer. Questionei o fato de, sendo quadrinista uma derivação de quadrinhos, por qual motivo não se considerava o termo derivado como quadrinhista. Até mencionei que existe a AQC - Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de SP, fundada em 1984. Para ilustrar minha dúvida, citei as palavras "trabalho" e "trabalhista", que por analogia me faziam crer que quadrinhista seria mais correto. Como sou ignorante em morfologia, mas prezo o bom uso do idioma, fui em frente com a pergunta.

Menos de 48hs depois que enviei a dúvida, a editora mandou uma elaborada resposta, que reproduzo abaixo:

"As duas formas são possíveis e corretas (embora morfologicamente uma seja melhor que a outra).

Em termos de formação de palavras, existe, nas melhores formas, a reconstituição erudita de parte do termo primevo. É o que se pode ver, por exemplo, nos casos de parabenizar (em que o verbo advém de parabém, mas ocorre o processo de reconstituição de parte da terminação do termo original), acionista (de ação), percussionista (de percussão), aarônico (de Aarão), abalonado (de balão), absorbilidade (de absorvível), aceitabilidade (de aceitável), etc.

No caso de palavras formadas a partir de outras com o sufixo -inho, tanto de diminutivo quanto de adjetivos (agentivos), o processo é o mesmo. Pois a origem do sufixo português remonta ao sufixo latino -inus, a, um (daí, também, as formas em -ino: antonino, afonsino [também afonsinho], etc.). Ou seja, a forma -inho tem como forma erudita a forma -ino, daí ter-se formado naturalmente a forma quadrinista, segundo o mesmo padrão morfológico.

O caso de trabalhista é diferente, portanto, do caso de quadrinista, pois trabalho (termo original de trabalhista) é um derivado regressivo do verbo trabalhar. Mantendo-se, portanto, o radical original trabalh-.

Vale lembrar, caro consulente, que o dicionarista nada inventa. Ele apenas registra aquilo que é possível e usual dentro da língua. Sobre a variante quadrinhista, também possível (por via popular) e, segundo seu testemunho, mais usual entre os profissionais da área, podemos dizer que, graças a sua mensagem, ela passará a compor a próxima edição do dicionário."

Então, as duas formas são corretas, mas  uma ainda não foi incluída oficialmente.

Fica aqui meu agradecimento à Equipe de Coordenação do Dicionário Aurélio. Achei sensacional terem me respondido. Adorei a explicação, que enriqueceu meus conhecimentos. E, claro, o mais importante é que a atividade de quadrinista (ou quadrinhista) esteja registrada no principal dicionário do país. 

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Anime ou animê? Como mangá já consta no Aurélio, achei por bem me adiantar e comentar com a editoria sobre a palavra que define a animação japonesa. Embora animê seja a forma que mais se aproxima da pronúncia e intenção original (que é uma abreviação japonesa para animation), a forma anime (como paroxítona) é a que se consagrou pelo uso no Brasil. Sugeri que as duas formas sejam registradas, caso um dia venham a constar no dicionário. Se vai acontecer ou não, o tempo dirá. 

terça-feira, 12 de março de 2013

Nada sousou - Lágrimas escorrendo

A História de uma canção vitoriosa e os artistas por trás dela


"Nada sousou", com legendas em inglês. O vídeo adaptou o título para "Tearful", mas não é tradução oficial. 
Hitoshi, Eishô e Masaru, o BEGIN

No dialeto de Okinawa, a ensolarada região na parte sul do Japão, "Nada sousou" significa "Lágrimas escorrendo". É o título de uma canção sentimental bastante conhecida não apenas na Terra do Sol Nascente, mas em outros países também. Os bastidores de sua trajetória revelam uma história inspiradora que entrelaçou as carreiras de duas cantoras de diferentes gerações com uma banda pop bastante diferenciada no cenário musical do país.  


O BEGIN é um trio formado em Okinawa pelos amigos Eishô Higa (voz solo e sanshin), Masaru Shimabukuro (guitarra, violão e vocais) e Hitoshi Uechi (piano e vocais) em 1989. Fazem um pop recheado de influências de música tradicional de Okinawa, bem como homenagens ao arquipélago. Uma de suas marcas é o uso do sanshin, instrumento tradicional okinawano com três cordas que é ancestral do shamisen. 

Com o BEGIN, o sanshin se harmoniza com piano e guitarra de modo único. Bons músicos e compositores, se tornaram famosos em Okinawa, mas não muito conhecidos no resto do Japão. Parecia que isso nunca iria mudar. 

Ryoko Moriyama
Em 1998, o trio assinou uma parceria com uma cantora e compositora veterana chamada Ryoko Moriyama, que fez grande sucesso nas décadas de 1960 e 70 cantando jazz e música folk

Nascida em Tokyo em 1948, ela sempre teve muita ligação com Okinawa e não imaginava o resultado da parceria com aqueles três jovens fãs de seu trabalho. Ela recebeu deles uma fita demo instrumental com o título "Nada sousou" e ficou de criar uma letra. O resultado, que adornou perfeitamente com a melodia, foi um poema sobre saudade e a tristeza de não poder se encontrar com alguém que se ama. A música teria sido feita em homenagem a seu irmão que havia falecido, uma pessoa que sempre lhe encorajava na vida e na carreira. 


Coragem era algo que sobrava em uma pequena garota okinawana chamada Rimi Kaneku, que estava decidida a ser cantora. Após vencer vários concursos desde criança, saiu de Okinawa, sua terra natal, e estreou em Tokyo como cantora enka (canção tradicional japonesa) em 1989 aos 16 anos, com o nome artístico de Misato Hoshi. Foram 3 anos de atividade com a gravadora Pony Canyon, mas sua carreira não decolou. Suas canções sequer apareciam no ranking Top 100 da Oricon. Frustrada, voltou para Okinawa e foi trabalhar como ajudante no restaurante da irmã mais velha. 


Rimi Natsukawa
Em 1998, apareceu como assistente em um programa de rádio local. No ano seguinte, a gravadora Victor Entertainment resolveu apostar no talento da moça e ela novamente foi para Tokyo tentar a sorte. 

Assinando como Rimi Natsukawa e caminhando mais para a música pop, a nova empreitada também não estava dando certo, pois seu trabalho não estava vendendo bem. 

Apesar de ser considerada um grande talento vocal, ela não era compositora e a escolha de repertório não estava ajudando. Parecia que novamente - e desta vez definitivamente - o sonho de viver de arte estava fracassando. Enquanto isso, em Okinawa, a canção Nada sousou era lançada sem alarde. 


A música entrou no álbum Time is lonely, de Ryoko Moriyama, não tendo sido sequer lançada como single. O álbum não fez muito sucesso. Já com certa idade, a cantora estava longe de seus momentos de glória, apesar de manter um público fiel. Na mesma época, o BEGIN incluiu a música também em seu repertório, lançando um single que não repercutiu muito em 2000. Naquela época, o futuro parecia incerto para Rimi Natsukawa. 


A nova tentativa de Rimi não estava vingando e ela estava quase se resignando a deixar o sonho de viver de música para trás. Ela ouviu Nada sousou em uma apresentação do BEGIN em 2000 e ficou encantada com a música. Decidida, ela convenceu sua gravadora a conseguir os direitos para que ela regravasse a canção. 

O single foi lançado em 2001, começou a vender bem e foi subindo na parada de sucessos. Sem ser um sucesso imediato e passageiro (como acontece tanto no Japão), mas consistente e duradouro, chegou a mais de 600 mil cópias vendidas em 2002 e atingiu a 18a posição na parada de sucessos. Isso não parece muito, mas a canção ficou 80 semanas entre as mais tocadas, um feito impressionante. Lançada ao estrelato, ao invés de caminhar mais ainda rumo ao pop, fez questão de levar suas raízes okinawanas, fazendo releituras de músicas tradicionais. O ponto alto de seus shows, obviamente, era Nada sousou, em uma versão tocada com sanshin. 


- A arrepiante versão ao vivo, com Rimi tocando sanshin. (c/ tradução)


A obra-prima ganhou numerosas regravações, tornou-se uma canção cult e engordou substancialmente a conta bancária de seus compositores e de sua maior intérprete. Depois, a letra inspirou um drama para cinema homônimo em 2006 que fez carreira internacional. A música, é claro, entrou na trilha, bem como a sentimental Sanshin no hana, do BEGIN, que depois do fenômeno com Nada sousou se tornou muito mais conhecido e respeitado em todo o Japão como eles nunca haviam sonhado. Em 2008, assinaram músicas para a série de animação Stitch!, baseada no grande sucesso Lilo e Stitch, da Disney. Em 2011, vieram ao Brasil se apresentar em São Paulo (SP) e depois foram conhecer Campo Grande (MS). 



Rimi Natsukawa finalmente se tornara uma estrela aclamada pelo público. Depois do sucesso, gravou com Kiroro, Kazufumi Miyazawa (The Boom) e regravou uma canção de ASKA, todos nomes respeitados no cenário musical japonês. Com seu prestígio indo além do país,  gravou até um dueto com o grande Andrea Boccelli, a canção "Somos novios". Nada sousou foi regravada diversas vezes (não só no Japão), tendo até uma célebre versão em inglês pela renomada cantora neozelandesa Hayley Westenra



- A versão em inglês, com Hayley Westenra, no evento World Games 2009, em Taiwan.


Para Ryoko Moriyama, uma estrela que já podia ser considerada em final de carreira, representou um novo grande momento perante a mídia. Ela até relançou sua versão original da música como um single separado e sentiu sua carreira ser renovada. Para o Begin, significou uma ampliação de seu reconhecimento para além de Okinawa. E para Rimi Natsukawa e aqueles que nela acreditaram, foi a recompensa por tanto esforço e paciência rumo a um sonho. 



Nada sousou foi uma canção que tocou o coração de muitas pessoas e fez justiça a cinco grandes artistas. É uma das mais bonitas canções pop já criadas no Japão, e sua história envolvendo sucesso e determinação é igualmente interessante.

Bônus especial:




- Uma reunião histórica, com Ryoko, Rimi e BEGIN

Sites oficiais: 



Rimi Natsukawa --- http://www.rimirimi.jp/free/

Ryoko Moriyama --- http://www.ryoko-moriyama.jp/

- Para saber mais sobre Okinawa e sua comunidade no Brasil, acesse: 
www.uchina.com.br

sábado, 9 de março de 2013

Diretor japonês fala sobre efeitos especiais e o impacto da tecnologia



O portal SciFi Japan, especializado em filmes, séries e animações japonesas (e asiáticas em geral) tem um canal de vídeo muito interessante com entrevistas exclusivas. A que indico aqui foi feita com o diretor diretor de efeitos especiais Toshio Miike, que trabalhou em Ultraman Saga (Tsuburaya Pro, 2012). 

Um ponto interessante da entrevista dele (que está legendada em inglês) acontece quando ele compara maquetes físicas com cenários gerados por computador. Segundo ele, ou se tem uma estrutura técnica e financeira grande para criar cidades digitais precisas como em filmes de ação de Hollywood, ou é melhor trabalhar com maquetes, que passam uma sensação de realismo mais eficiente quando bem produzidas. Nesse aspecto, o filme Ultraman Saga foi bem sucedido em suas maquetes de cidades, feitas com grande detalhamento. 

Ele até compara a Toei Co. (Kamen Rider, Super Sentai, Metal Hero...), mais preocupada com produções divertidas e sem preocupação em parecer verossímil, com a Toho Co. (Godzilla) e sua grande infraestrutura desenvolvida para criar filmes com apelo realista. Já a Tsuburaya Pro (dos Ultras) seria mais maleável, montando sua estrutura de acordo com a visão do diretor. A entrevista saiu em 2012 mas, como passou meio batido até entre os fãs do gênero por aqui, faço o registro. Espero que goste. 

quinta-feira, 7 de março de 2013

A revista Herói em trabalho acadêmico

Em 1994, na esteira do sucesso do animê Cavaleiros do Zodíaco, a revista Herói (Ed. ACME, depois Conrad) se firmou como um grande canal de informação sobre desenhos, sériados e quadrinhos. 

Fui colaborador da revista e lá, mesmo sem ter diploma de jornalismo, comecei uma carreira de redator, paralela à de desenhista. 

A Herói, entre erros e acertos nossos, marcou a vida de muita gente, fornecendo informação muito antes da explosão da internet. No auge, chegou a sair duas vezes por semana, com tiragens de centenas de milhares de exemplares. Um fenômeno editorial impressionante que jamais se repetiu até hoje. 

E por todas as sua peculiaridades, foi objeto de pesquisa do então estudante de Comunicação Social da Universidade de Feevale (Novo Hamburgo/ RS), Matheus Mossman. Com muita pesquisa e informação que coloca a revista no contexto da época e do mercado editorial, o autor apresenta um panorama bastante abrangente da publicação. O trabalho tem 83 páginas e pode ser conferido na íntegra no link abaixo: 


Atualmente, Matheus colabora com o site da revista Herói. Tornou-se participante da história de seu objeto de estudo.

www.heroi.com.br

quarta-feira, 6 de março de 2013

Osamu Tezuka e a animação experimental

Osamu Tezuka, o "Deus do Mangá"
Osamu Tezuka é reverenciado em seu país (e em todo o mundo) como o "Deus do Mangá" (ou "Manga no Kamisama"). Na verdade, a tradução é imprecisa para nós ocidentais, pois o conceito de um Deus único não faz parte do contexto em que a definição de Tezuka foi concebida. Que é mais no sentido de atribuir-lhe qualidades divinas ou se referir a ele como uma divindade. Mas ele é realmente aclamado em seu país como o mais importante e influente autor de mangá que já existiu, codificador de grafismos e formas narrativas, além de pioneiro em diversos segmentos de mercado.

Indo além, ingressou no emergente mercado de animação e sua série Tetsuwan Atom (o famoso Astro Boy), foi a primeira série em animê com personagem fixo, isso em 1963. Com uma produção absurdamente diversificada e intensa, faleceu em 1989, aos 60 anos. 

Preocupado em conciliar interesses artísticos com possibilidades narrativas dentro de orçamentos apertados, Tezuka expandiu a indústria de animação em seu país, ajudando a formar um mercado popular para o animê. O que torna ainda mais interessante o vídeo mostrado aqui. Trata-se de uma entrevista registrada em 1986 onde ele fala sobre seu trabalho e seu interesse em animações experimentais, em coisas criativas sem interesses comerciais, apenas artísticos. Está com som original em japonês, legendado em inglês. Mesmo que seu inglês não seja bom, não é difícil de acompanhar se você consultar um dicionário quando preciso. E se entender japonês, melhor ainda. Divirta-se.

 

Jumping - Curta experimental criado e dirigido por Tezuka em 1984 e cujo processo criativo é explanado na entrevista desta postagem. Mostra o mundo do ponto de vista de uma criança (nunca fica muito claro) que vai dando saltos cada vez maiores e fantásticos. 

Com recursos limitados, Tezuka consegue um resultado incrível com seu domínio de narrativa (ele fez os story-boards) e os desenhos do animador Junji Kobayashi. Jumping, que mostra um instigante olhar sobre a condição humana, ganhou prêmios pelo mundo e representou o desejo de Tezuka em criar trabalhos fora das exigências das produções comerciais. Veja, que é bem interessante. E há muito mais a descobrir. 



Tezuka Day: Em 2011, a blogosfera especializada em mangá e animê organizou uma intensa maratona de postagens relacionadas a Osamu Tezuka e sua obra. Você pode acessar o conteúdo na página oficial do Facebook aqui


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"Se o trabalho tem paixão, será bem valorizado mesmo se não estiver bem feito." - Osamu Tezuka

terça-feira, 5 de março de 2013

Princess Princess - As eternas princesas do J-pop

Quarentinhas e graciosas 
A banda, hoje: Maturidade e vigor da juventude

As garotas do Princess Princess
no auge da popularidade
A banda feminina Princess Princess foi criada em 1983 da mesma forma que inúmeras outras no Japão, através de uma gravadora. 

Selecionadas e reunidas pela TDK Records para serem uma nova aposta de grupo pop composto por garotas bonitinhas, o diferencial é que tinham pretensões autorais e desenvolveram-se como compositoras, com todas elas criando sucessivos hits

Acabaram se tornando uma banda bastante autoral, cheia de personalidade e carisma. A formação, que nunca mudou, é a seguinte:

Kaori Kishitani (*) - vocal solo e guitarra
Kanako Nakayama - guitarra e vocais
Atsuko Watanabe - baixo e vocais
Tomoko Konno - teclados e vocais
Kyoko Tomita - bateria e percussão

(* Antes, Kaori Okui, seu nome de solteira. Ela é casada com o ator Goro Kishitani)

Depois de algumas mudanças de nome e tentativas de se lançar profissionalmente, estrearam oficialmente em 1986. Emplacaram vários sucessos e realizaram turnês milionárias em seu país. Do pop mais açucarado, passaram a investir em um som mais pesado em alguns trabalhos. Mesmo em seus momentos glam rock, nunca perderam o jeito de garotinhas. Seus shows lotavam ginásios e mostravam sempre uma banda cheia de energia e empolgação, com muita pegada roqueira. 

Com divergências sobre os rumos da banda, as integrantes acharam por bem se separar em 1996 para preservar a amizade. Elas também souberam se manter afastadas da indústria das celebridades juvenis nipônicas, sendo que todas se casaram e duas delas se tornaram mães. Gente normal, nunca foram bonequinhas de fetiche de fãs doentes, como grande parte das bandas formadas por garotinhas no Japão. Nesses casos, até suas vidas pessoais são controladas por rígidos contratos e normas. A Princess Princess, felizmente, ficou acima disso tudo.


Com o fim da banda, elas seguiram atividades paralelas, com Kaori tendo uma carreira solo razoavelmente bem-sucedida. 

Em 2012, decididas a contribuir com os esforços de reconstrução das áreas afetadas pelo terremoto, tsunami e acidente nuclear de 2011, elas se reencontraram e fizeram diversos shows beneficentes. E no final de março, sai no Japão um livro contando a trajetória da banda, enquanto elas organizam a agenda para este ano. A música japonesa, definitivamente, ainda precisa delas. 

Clipe musical ~ medley



O clipe mostrado acima foi extraído de um programa de TV de 2012 e apresenta a banda tocando duas canções, o mega-sucesso "Diamonds" e  "Sekai de ichiban atsui natsu" (ou "O verão mais quente no mundo"). 

Kaori estava com 45 anos e as demais com 47, o que torna ainda mais incrível o vigor que elas apresentam. Mais do que isso, uma enorme satisfação é demonstrada por elas, até pela aparentemente mais fria Kanako (a guitarrista). 

Vale a pena acompanhar o vídeo até o final. Veja a expressão de sincera satisfação da baterista Kyoko e o sorriso contagiante da vocalista Kaori. São artistas maduras, reencontrando a alegria de estarem juntas e criarem sua arte. Isso é Vida!

Bônus: Uma performance de "Diamonds" no final dos anos 1980 (conforme o figurino e os penteados deixam claro). 




Site oficial: http://www.princess2.net/


sábado, 2 de março de 2013

O Regresso do Sushi POP (mais ou menos)

Já faz tempo que eu anunciei que estava dando um tempo indeterminado - e talvez definitivo - com o Sushi POP. Esse tempo acabou. Pois é, o blog está voltando, mas preciso explicar algumas coisas.

Adoro escrever. Mais do que desenhar, expressar-me com palavras é algo que senti muita falta e que o Twitter não pode suprir com suas limitações.

Gostaria de dizer que agora conseguirei separar um tempo para blogar regularmente. Infelizmente, não posso. Mas sei que devo fazer isso pra mim e fazer coisas que me divertem e distraem. Uma delas é escrever sobre assuntos que gosto. Não vou ficar correndo atrás de notícias, exceto se eu souber de alguma e, naquele momento, eu estiver com tempo. Também não vou me sentir na obrigação de comentar algum lançamento relevante ou assunto polêmico. 


Tem gente que tem em seu blog um empreendimento pessoal, profissional, um ideal. Não é mais o meu caso. É um hobby, acima de tudo. As postagens irão aparecer sem periodicidade ou comprometimento.

Notas, opiniões, matérias, biografias, vídeos comentados, informações, histórias de bastidores (tenho muitas pra contar) e curiosidades serão postadas quando possível. Muitas vezes, apenas irei postar indicações de artigos recentes ou antigos vistos em sites e blogs que visito, com os devidos comentários sobre os motivos da indicação. No Twitter, costumo indicar textos interessantes sobre aspectos da cultura pop japonesa, ou mesmo da cultura japonesa de forma mais abrangente. Mas no Twitter tudo passa muito rápido. Aqui no blog, terei um registro duradouro de links interessantes, para mim e para os leitores.

Poderei postar alguns textos em sequência, com pouco intervalo, ou ter grande espaçamento. Não sei como vai ser. Apenas saiba que, se ficar vários dias, semanas (ou até meses ou anos) sem atualização alguma, acredite, o autor está - pra variar - com dificuldades em conciliar família, trabalho, vida social e estudos com o hobby.

Então é isso. O blog Sushi POP está voltando discretamente. No dia 5 de março pela manhã, esteja aqui para conferir a primeira postagem depois do longo hiato. Obrigado pela atenção e até lá.