quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Livro registra a História da pesquisa sobre quadrinhos no Brasil

Uma obra fundamental para
a preservação da memória
da pesquisa acadêmica sobre HQ
Não existe um meio de comunicação que precise tanto ser justificado como arte quanto as histórias em quadrinhos, ou HQs. É comum que se debatam obras, gêneros e estilos dentro de alguma forma de arte ou meio de comunicação. As pessoas podem discutir se determinado gênero musical é arte ou manifestação cultural, se determinado tipo de filme segue mais linhas de mercado ou visões autorais ou se tal tipo de instalação é arte ou não. No entanto, ninguém discute se música, cinema ou escultura são formas de arte. 


Com HQ é diferente. É histórica a dúvida sobre a validade artística e cultural dos quadrinhos como um todo, independente de existirem incontáveis gêneros e linhas narrativas para diferentes públicos e com infinitas propostas. Pra muitos, gibi é coisa de criança e pronto. 


Atualmente essa visão já se diluiu bastante e até nas universidades há um certo reconhecimento dos quadrinhos como forma de arte e veículo de comunicação. Com isso, muitos estudantes atualmente escrevem seus trabalhos de pesquisa acadêmica tendo esse tema como foco. Mas o caminho até uma aceitação razoável foi árduo, construído ao longo de décadas de esforço de alguns pesquisadores pioneiros movidos por idealismo. 

É essa trajetória que é narrada por quem a vivenciou no livro Os Pioneiros no Estudo de Quadrinhos no Brasil, lançado em agosto deste ano pela Editora Criativo. A obra, organizada por Waldomiro Vergueiro (ele próprio um dos protagonistas da narrativa), Paulo Ramos e Nobu Chinen, nasceu do primeiro evento Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, que aconteceu em agosto de 2011 na USP, em São Paulo. 

O encontro reuniu grandes pioneiros no estudo acadêmico sobre a "Nona Arte", a saber: Álvaro de Moya, José Marques de Melo, Antonio Cagnin (falecido em 9 de outubro deste ano, aos 83 anos), Moacy Cirne e Sonia Luyten. Ao lado deles, Waldomiro Vergueiro, que segue seus passos à frente do Observatório de Histórias em Quadrinhos da USP

Os seis pesquisadores escreveram ricos depoimentos pessoais, onde contam seus primeiros contatos com os gibis até suas experiências (boas e outras nem tanto) com a missão de fazer dos quadrinhos uma mídia respeitada nas universidades de comunicação. 

Os pesquisadores (da esq. p/ dir.): Álvaro de Moya,
Antonio Luiz Cagnin, José Marques de Melo, Moacy Cirne,
Sonia Bibe Luyten e Waldomiro Vergueiro.
Arte: Alexandre Jubran
Imagine dentro dos formais meios acadêmicos qual a dificuldade que os pesquisadores entusiastas de HQ tinham em convencer seus colegas de que histórias em quadrinhos poderiam ser analisadas academicamente tanto quanto qualquer outra manifestação artística ou cultural. 

Em cada relato, a preocupação com a documentação, conservação de acervos, a pesquisa embasada. Tudo para cumprir a missão de levar os quadrinhos para dentro das universidades, dando-lhes o devido reconhecimento e criando material de pesquisa e referência para gerações inteiras de artistas, estudiosos, jornalistas e fãs. A leitura é ágil e saborosa, onde o leitor é levado a conhecer o lado mais humano de renomados pesquisadores, com uma linguagem simples e em tom bastante pessoal.

Pelo capricho com que foi produzido, percebe-se o interesse e cuidado em preservar relatos sobre essa importante memória da pesquisa acadêmica. O livro segue os passos dos primeiros pesquisadores, que motivados por seu amor aos quadrinhos, dedicaram muito de suas vidas a um trabalho difícil, sem esperar recompensas em troca. 

Agora, esses estudiosos pioneiros são eles próprios os personagens de um livro de 80 páginas feito pela editora Criativo com o mesmo carinho e sentimento de valorização cultural que eles sempre tiveram pelas HQs. Não poderia haver uma homenagem mais adequada e merecida. 

- O livro pode ser adquirido aqui, pelo site da Comix Book Shop. 

2 comentários:

Natália Maria disse...

Olá!!

Está ai um livro que eu fiquei com vontade de ter, ainda mais por ele não ser tão caro quanto eu imaginava.

E pensar que se vermos o papel do mangá no Japão, uma hq, a coisa é séria.

Ótima dica Alexandre.

Até mais

Ale Nagado disse...

Oi, Naty. O livro é bem acessível e a leitura é até rápida. As 80 páginas incluem várias páginas de ilustrações. O resultado final ficou muito bonito mesmo. Recomendo a todos os que se interessam pela parte teórica e histórica dos quadrinhos.

Abraço!