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sábado, 19 de outubro de 2013

O Judoca - Um clássico animê de artes marciais

Depois que seu pai foi morto ao enfrentar um misterioso lutador caolho, Sanshiro Kurenai jura vingança e parte pelo mundo atrás do assassino. 
A única pista que o rapaz tem é um olho de vidro que o criminoso perdeu durante o confronto. Ele nem sequer sabe o que motivou o crime, se era um desafio de um lutador rival, um acerto de contas ou uma vingança. A ele, somente restou a dor e o desejo de fazer justiça com as próprias mãos. Essa é a premissa de O Judoca, um grande clássico da animação japonesa. 

O herói surgiu num mangá de 1961, com história de Ippei Kuri Yutaka Arai, com arte de Tatsuo Yoshida. Uma segunda versão veio em 1968, por Ippei Kuri Tatsuo Yoshida.

Sanshiro Kurenai
O jovem mestre combina suas habilidades acrobáticas à tradicional arte marcial do judô, criando um estilo único, que é a técnica da academia Kurenai fundada por seu pai. Ao entrar em combate, ele veste uma camisa vermelha de judô e poucas pessoas são capazes de enfrentá-lo em igualdade de condições. 

Em suas viagens pelo mundo, Sanshiro é acompanhado pelo garoto Ken e seu cãozinho Xereta. San ajuda muitas pessoas em dificuldades e acaba enfrentando caolhos suspeitos e também criminosos dos mais variados tipos. 

Seguindo a pista de um misterioso caolho assassino, acaba indo parar em uma antiga tribo africana e descobre que o tal assassino é um tigre que assustava a aldeia. Lá, San fica estarrecido ao constatar a habilidade dos lutadores locais, que dão saltos acrobáticos sem dobrar os joelhos para dar impulso. Ele fica por um tempo na aldeia para ajudar a caçada ao tigre devorador de pessoas e aprende novas técnicas, em um episódio duplo antológico. 

Em outro episódio marcante, San aprende o golpe "Queda do trono", uma perigosa e complicada técnica acrobática para ser praticada saltando sobre o oponente entre galhos de árvores altas. 

Apesar de violenta, a série é bastante inocente em vários aspectos, com San viajando pelo mundo sem que nunca se mencione sobre dinheiro, se ele tinha posses ou algo assim. O herói também usa sempre a mesma roupa e sequer uma mochila ele carrega. O mesmo vale para Ken, uma criança órfã que viaja o mundo e se vê envolvida em situações perigosas sem que nunca uma autoridade ou algum tipo de conselho tutelar investigue sobre ele. Ele segue o herói e, na estrutura das histórias, serve como um tipo de alívio cômico ao lado de Xereta. Hoje em dia, muita coisa seria adaptada, inclusive o fato de San não usar capacete e levar uma criança na garupa da moto, igualmente sem qualquer proteção. É um produto de uma época ingênua e deve ser visto nesse contexto. 
Box com a série completa
(legendada) em 4 DVDs,
pela Cult Classic
O Judoca está sendo lançado, com todos seus episódios, pelo selo independente Cult Classic (saiba mais aqui). Infelizmente, a dublagem original não foi preservada e o título será lançado em novembro de 2013 apenas com opção de áudio original ou francês e legendas em português e francês, o que indica que o produto não foi trazido direto do Japão. 

De qualquer forma, essa caixa com 4 DVD é uma boa chance de rever - ou conhecer - um animê antológico de uma época de muita experimentação, ousadia e criatividade. 

A abertura:




Curiosidades:

* Com narrativa cinematográfica e produção arrojada para a época, a série do Judoca passou sem repercussão nos anos 70, sendo a última vez na TV Gazeta. A série, com muita violência, era claramente voltada a um público mais velho e era exibida à noite na Gazeta, uma inovação na época. Isso foi coerente com a intenção original dos produtores, pois no Japão, a série era exibida semanalmente (toda quarta) às 19h, pela TV Fuji

* Além da semelhança fisionômica do herói com Speed Racer (da mesma produtora), eventualmente aparecia um inspetor de polícia que era idêntico ao que aparecia pedindo a ajuda de Speed. Podia ser, inclusive, o mesmo personagem, mas nunca foi feita uma referência ligando as séries. 

* O nome Sanshiro é uma homenagem a Sanshiro Sugata, personagem judoca de um romance do escritor Tsuneo Tomita. Em 1943, sua adaptação para cinema foi o filme de estreia do lendário diretor Akira Kurosawa. A produção fez sucesso e ganhou continuação em 1945. Ambos os filmes foram feitos na época da Segunda Guerra Mundial e sofreram com repressão e cortes por parte do exército. 
Estudos do personagem, no
traço de Tatsuo Yoshida

e Eiji Tanaka
* O tema de abertura foi cantado pela estreante Mitsuko Horie, então com apenas 12 anos. Ela se consagraria como a grande dama das anisongs, interpretando canções em Candy Candy, Goranger, Patrulha Estelar, Cavaleiros do Zodíaco e muitas outras séries de animê e tokusatsu. Em uma época ingênua, até mesmo o endereço da cantora apareceu na contracapa do disco. Em entrevista, muitos anos depois, ela revelou que sentiu medo quando viu estranhos indo à sua casa pedir um autógrafo. 

* A produção foi da Tatsunoko Pro, a mesma de clássicos como Speed Racer, Ás do Espaço, Guzula, O Gênio Maluco, Pinóquio, Macross, Zillion e tantos outros. A empresa foi fundada em pelos irmãos Tatsuo, Kenji e Toyoharu Yoshida (este último, sob o pseudônimo Ippei Kuri). 

* Sanshiro tinha um hábito bem característico: ele sempre dava um toque rápido de raspão no nariz com o polegar.


Ficha técnica:
Título original: Kurenai Sanshiro
Estréia no Japão: 02/ 04/ 1969 (TV Fuji)
Número de episódios: 26


Criação: Tatsuo Yoshida
Roteiro: Jinzo Toriumi (coordenador e escritor principal)

Story-boards: Ippei Kuri
Trilha sonora: Nobuyoshi Koshibe
Direção geral: Ippei Kuri
Produção: Tatsunoko Production
Emissoras no Brasil: TVs Tupi, Record e Gazeta



::: E X T R A :::

- Mitsuko Horie canta o tema de abertura "Kurenai Sanshiro" em 2011. Ela se emociona ao final da canção, pois foi seu trabalho de estreia, em 1969. 



7 comentários:

Anônimo disse...

Ah, esse era da minha época!
Mas faz tanto tempo que eu nem me lembrava que chamavam o personagem de "San". Também tinha me esquecido do nome do cachorro.
É incrível saber que esse desenho foi a estréia da Imperatriz das Anisongs, Mitsuko Horie.
Espero pelo DVD. Pena que não tem a dublagem brasileira original, que provavelmente já se perdeu.

Ale Nagado disse...

Falando no cachorro, existe há muitos anos um brinquedo muito parecido com o cachorrinho Xereta. É um cãozinho com rodas, que ao ser puxado movimenta as patinhas. Será que foi inspirado no cachorro do animê ou o nome brasileiro é que aproveitou a semelhança com o brinquedo? Talvez nunca saibamos.

E é legal ver uma carreira tão longa e produtiva como a da Mitsuko Horie. Poxa, ela já cantava aquilo tudo com 12 anos!

Abraços!

PS: Vários anônimos que não assinam já comentaram aqui. Assim fico sem saber se é o mesmo ou não. Sugiro que cada um que postar anonimamente (lembrando que este blog é moderado) se identifique com um nome ou apelido, como alguns já fizeram aqui. Assim facilita o papo.

Natália Maria disse...

Interessante essa ideia. Um anime da época que essa palavra era desconhecida a muito, senão todos os que a assistiam.

Seria uma boa poder conhecer esse lado tão desconhecido da animação japonesa.

Mitsuko Horie tem uma bela voz.

Infelizmente, não faz parte dos meus futuros planos. Contudo, anotarei a dica.

Até mais

Ale Nagado disse...

Olá, Naty!

O Judoca é uma animação que envelheceu menos em relação a outros contemporâneos. Os ângulos, planos de cena, enquadramentos, toda a ação era muito bem orquestrada. Quando puder, recomendo que assista. Vale a pena checar no YouTube, que tem algumas coisas interessantes.

Abraço!

JJ Marreiro disse...

Que matéria fantástica! E com uma notícia de lançamento de deixar os fãs com água na boca.

Quando guri eu me perguntava como o Judoka do Gibi era tão diferente do Judoka da TV :) Hehehe.

Ale Nagado disse...

Fala, JJ! Sabe que na época eu nem conhecia o Judoka dos quadrinhos brasileiros. Fui saber dele quando eu já era estudante de desenho e o animê do Judoca da Tatsunoko não passava mais.

Estou curioso pra ver esses DVDs. E fala a verdade, essa animação da abertura, com as acrobacias dele, é sensacional!

Abração!

Anônimo disse...

Gosto desse anime, mas é triste saber que ele não tem final.Nunca vi o episódio em que Sanshiro enfrenta o Caolho.
Abraços, Reinaldo.