segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Financiamento coletivo de quadrinhos - Uma alternativa de mercado

A volta dos Combo Rangers, via
crowdfunding: personagens conhecidos,
autor consagrado e
editora veterana (a JBC).
Com tudo isso, chamaram os fãs
para financiar o projeto e

conseguiram sucesso.
O mercado de quadrinhos no Brasil, como já disse muitas vezes, é bastante restrito do ponto de vista profissional. Existe sim um campo interessante para publicações alternativas, independentes, auto-publicação e séries on-line. Mas como atividade em que o artista vive das HQs que produz, é um mercado extremamente reduzido. O que não impede que os criativos busquem sempre alternativas para viabilizar seus projetos. Um movimento que tem crescido em tempos recentes é o do crowdfunding, ou financiamento coletivo. 

Através de cotas de valores diferenciados, qualquer um pode doar dinheiro para algum projeto (geralmente da área cultural), sendo recompensado proporcionalmente com brindes e presente variados. Com o apoio de sites como o Catarse.me ou o Kickstarter.com, vários escritores, jornalistas, músicos, atores e quadrinhistas já viabilizaram seus projetos autorais sem ter que recorrer a empresas. 

Projeto com temática
LGBT que conseguiu
seu financiamento

ao abordar um
assunto difícil com
muita sensibilidade

No início, confesso que não recebi muito bem a ideia. Parecia que o movimento de crowdfunding iria não só encarecer projetos e torná-los mais onerosos para os fãs, como também iria restringir cada vez mais o mercado a guetos. Mas a segmentação total parece um caminho sem volta e até nomes consagrados, que teoricamente seriam capazes de conseguir financiamento por conta de seu nome, já apelaram para o recurso. 

O caminho do crowdfunding como alternativa viável para a publicação de obras de pouca expectativa de sucesso comercial parece um caminho sem volta. O que não é ruim, afinal de contas. Criam-se produtos de alta qualidade para um público disposto a pagar e que se envolve profundamente com a concretização da obra. 

Vendo tantas produções conseguindo seus objetivos e tantos autores alcançado êxito, sei que isso se mostra uma alternativa para o mercado de HQ. E é muito mais sustentável e segura do que ficar pensando em obras para que secretarias de governo façam grandes encomendas para suprir bibliotecas escolares e públicas. 

O financiamento coletivo veio mesmo para ficar ou é uma alternativa fadada a ruir caso haja projetos demais e pouca gente com verba suficiente para bancá-los? Não tenho as respostas e estarei acompanhando essa movimentação, mas no momento, as perspectivas são bastante interessantes. 

Projetos batalhando por financiamento - Você pode ajudar a torná-los realidade.



A Liga - Aventura e drama sobre o extermínio de super-heróis na Chicago dos anos 60. É escrita pelos americanos Kyle Higgins e Alec Siegel, com arte do renomado colorista e ilustrador brasileiro Rod Reis.



Maki - Projeto do pessoal do site de HQs Lobo Limão, com uma proposta dinâmica de aventura e humor com pegada de mangá.

Catarse.me/pt/maki



Terapia - Um intenso drama psicológico com o belo traço de Mario Cau.

Catarse.me/pt/terapia



Visualizando Citações - Criação da roteirista Milena Azevedo, que adapta para os quadrinhos trechos marcantes de obras literárias. Vários desenhistas participam desse interessante projeto.

Catarse.me/pt/provc

- Conhece ou gostaria de divulgar algum projeto de financiamento coletivo envolvendo quadrinhos? Entre na área de comentários deste post e pode fazer seu "merchan".

3 comentários:

Rogério disse...

Boa noite Nagado,

Demorei a comentar porque sinceramente não tenho uma opinião formada sobre esta questão.

Eu gostaria de ver mais HQs nacionais. Mas de que forma? Em que formato?


Será que os caríssimos e elitistas álbuns de livraria são uma solução?
Talvez, ainda mais com o tão propalado encolhimento das publicações em papel. Sempre há um mercado de colecionadores, do qual algumas vezes faço parte, que está disposto a pagar por uma edição de primeira.

Mas seria bom ver a produção local alcançar mais gente. Em banca? Não sei. Parece inviável.

E o mercado digital? Seria uma opção? Ou uma necessidade?

A principio o financiamento coletivo parece uma ideia boa para tirar projetos do papel, mas como sempre para um grupo restrito.

Ale Nagado disse...

Fala, Rogério.

Eu me preocupo com questões de mercado, já que do ponto de vista autoral e criativo, a HQ nacional vai bem. O meu receio é que a segmentação seja tão grande e restrinja tanto o mercado que venham a existir "best sellers" com menos de 50 exemplares impressos e sob demanda.

Acredito que, além de arte, HQ é um meio de comunicação. E quanto menos pessoas atingir, menor será o alcance da mensagem do autor.

Mas, apesar dessas ressalvas e temores, é fantástico que exista o crowdfunding. Muita coisa excelente, mas de público restrito, merece ser viabilizada e o financiamento coletivo proporciona isso.

Abraços!

Hugh disse...

Great!