RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog ainda está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, Katokutai, Pinóquio de Osamu Tezuka, Danger 3, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Nos bastidores do tokusatsu no Brasil

Ao longo de minha carreira, trabalhei com muitos elementos da cultura pop japonesa (mas não somente isso, claro), notadamente com tokusatsu, os filmes e seriados com efeitos especiais japoneses. Minha primeira matéria publicada na imprensa foi sobre Ultraman (isso em 1992, lá na revista SET Terror e Ficção). Depois, na metade da década de 1990, veio a revista Herói com dezenas de matérias sobre o tema, além de algumas sobre mangá e animê. Ainda escrevi sobre tokusatsu para a revista Henshin, o portal Omelete e outros veículos de mídia. Antes disso, escrevi roteiros de quadrinhos para a editora Abril com personagens licenciados. Fiz Flashman, Changeman e Maskman (1990/91) para a Abril e Sharivan, Goggle V  e Machine Man para a EBAL (1991). Essa fase com HQs de tokusatsu, inclusive, ainda vai valer uma postagem sobre bastidores. Mas o que citei agora é material amplamente conhecido e divulgado na época e é por eles que meu nome ainda hoje é associado a tokusatsu entre os fãs do gênero. Mas além dos trabalhos famosos, muita coisa ficou perdida no tempo. 

Então, resolvi fazer um resgate de algumas dessas empreitadas, mesmo sem imagens adequadas para cada item citado. Como a fonte de referência é basicamente a minha memória, peço desculpas por eventuais informações vagas e imprecisas. E quem tiver imagens dessa época e quiser compartilhar, é só postar link nos comentários. Agora, direto ao nosso "túnel do tempo". 


Serviço com Winspector
ficou na mira da Justiça
Disque - Winspector: Meses depois do lançamento de Winspector no Brasil, em 1994, a Tikara Filmes lançou um serviço no qual a pessoa ligava e ouvia uma mensagem dos personagens principais. Os próprios dubladores gravaram textos curtos que escrevi para as gravações. Os primeiros roteiros apenas apresentavam os personagens. Depois, pequenas aventuras eram narradas. 

O formato não me agradava muito e, como eu estava atarefado com outras atividades, acabei fazendo só os primeiros. 

Com o tempo, esse tipo de serviço entrou na mira do Governo. Por mais que houvesse os avisos de "peça ao seus pais para ligar", na prática muito garoto ligava direto sem avisar e depois vinha aquela conta telefônica enorme para pagar. Quem entrasse na justiça, conseguia que a taxa do serviço fosse anulada. O projeto não durou muito e estive presente só no começo, mas foi uma experiência profissional interessante. 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Dicas da blogosfera - 6


1) Um panorama da arte contemporânea japonesa - “Ao discutir arte contemporânea do Japão, há uma necessidade crônica de ir além do kawaii, anime, mangá, otaku e essas coisas. De muitas maneiras, o que o Ocidente vê como o ‘Japão de hoje’ é mais precisamente um reflexo dos dias de glória da geração otaku nos anos 90, ou seja, uma visão do Japão 10 anos desatualizada.” (Adrian Favell, em 2009!) 

Com essa citação direta no queixo do leitor entusiasta de cultura pop japonesa, o jovem pesquisador Kauê Antonio Lee, em sua coluna Otakismo do blog Chuva de Nanquim, inicia um panorama sobre a arte que se faz atualmente no japão. O tema é tratado com bastante profundidade, colocado nos devidos contextos históricos e sociais. Como sempre acontece nos textos desse autor, uma aula de História. 

Mergulhe: Um panorama da arte contemporânea japonesa 


Cartaz do início da imigração
japonesa ao Brasil, incentivando
as pessoas a virem
com suas famílias

2) O Brasil na ficção científica japonesa dos anos 1930 - Eis um texto (em inglês) muito interessante sobre como a época do início da imigração japonesa alimentou a imaginação de autores de FC. O blog do escritor americano Jess Nevinsapresenta uma matéria sobre o conto The Foreign Farm, escrito no Japão em 1931 pelo jornalista Minoru Sato


Sua obra mostra o Brasil tendo sua agricultura revolucionada por uma sofisticada colônia japonesa. Eles utilizam grandes máquinas robóticas em plantações, o que desperta preocupação dos EUA, que veem seus interesses na América Latina sendo ameaçados. A crise leva Japão e EUA a uma guerra, onde os japoneses atacam usando uma nave voadora e conquistam o país inimigo. 

A imigração japonesa no Brasil começou em 1908 e a época em que o conto foi escrito retrata ainda uma visão sobre o desconhecido e promissor Brasil em meio ao clima nacionalista que se espalhava pelo Japão. O material reflete os sentimentos da época anterior à Segunda Guerra Mundial, a visão estereotipada do chamado "Perigo Branco" (representado pelos EUA) e todo um clima de ingenuidade. 


Gostaria de ter acesso a esse tipo de material, ao menos scans com as ilustrações da época, mas esse material é bastante raro. Ao menos, pude tomar conhecimento e compartilhar com os leitores do Sushi POP. 


Mergulhe: Japanese Science Fiction of the 1930s 

domingo, 23 de junho de 2013

Boletim 49: Ultraman Symphony Concert - O show de 50 anos da Tsuburaya

A Tsuburaya Pro, estúdio que tem como principal patrimônio a franquia Ultra, está completando 50 anos de fundação. Entre as comemorações, um concerto de música erudita vai mostrar o bom gosto e charme das trilhas sonoras dos seriados da produtora. Fundada em 1963 pelo grande mestre do tokusatsu, o lendário Eiji Tsuburaya, a saga dos Ultras é musicalmente muito rica, tendo tanto sucessos comerciais quanto obras cultuadas entre os aficionados. 


ULTRAMAN SYMPHONY CONCERT

Em 1º de setembro, acontece em Tóquio o Ultraman Symphony Concert, com a Orquestra Filarmônica de Tóquio, que irá apresentar temas das séries Ultras e de outros personagens da produtora. 

O regente será Kosuke Tsunoda, que tem no currículo a trilha do filme de Nodame Cantabile, grande sucesso vindo do mangá. Haverá ainda um segmento dedicado a Ultraseven, com o maestro Toru Fuyuki, o compositor da trilha sonora original de 1967. O veterano regente também assinou as trilhas de O Regresso de Ultraman (1971), Ultraman Ace (72) e várias outras séries. 

O apresentador será o consagrado Takeshi Tsuruno, o Asuka da série Ultraman Dyna. Entre os convidados, já estão confirmadas as participações dos atores Susumu Kurobe (Hayata/ Ultraman original), Hiroko Sakurai (Akiko Fuji, de Ultraman) , Koji Moritsugu (Dan Moroboshi/ Ultraseven), Yuriko Hishimi (Anne, de Ultraseven), além do cantor Keizo Nakanishi e do sofisticado grupo vocal jammim´Zeb. Tomara que esse concerto seja lançado em DVD e que tenhamos acesso, nem que seja via YouTube

Medley especial (assista antes que tirem do ar)
Veja agora Toru Fuyuki e Keizo Nakanishi com orquestra e coral apresentando um medley de temas clássicos de séries Ultras, em 2009. No vídeo, aos 2m14s, começa uma releitura do tema do esquadrão G.A.M., de O Regresso de Ultraman (que me empolga desde que eu era moleque). Perto do final, quando entra o tema de Ultraseven, pode-se ver o ator Koji Moritsugu cantando junto, com Yuriko Hishimi a seu lado. 

É sensacional!



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E bem antes do grandioso concerto, um show para a garotada:

ULTRAMAN ROCK DAY - IV

Em 14 de julho, acontece a quarta edição do Ultraman Rock Day, evento com canções tema dos Ultras com uma pegada mais pop-rock. Os artistas a se apresentar serão Takeshi Yoshioka (o herói Gamu/ Ultraman Gaia), que também é cantor, o guitarrista Yuji Inoue (da banda Girl Next Door), a atriz, modelo e cantora Misato Hirata (Oficial Konomi da série Ultraman Möebius) e os grupos Voyager, EBiDAN r.p.M78




O Voyager é um grupo vocal excelente montado pela Tsuburaya e que canta de músicas infantis a temas de heróis épicos com muita qualidade. O EBiDAN é uma boys band de pop adolescente que canta o tema de Ultraman Ginga. Além disso, seu integrante Takuya Kusakawa é quem interpreta Tomoya Ichijouji, o alter ego humano de Ginga. Jogada semelhante foi feita em 1996, quando a boys band V6 cantou o tema de Ultraman Tiga, série estrelada por um de seus integrantes, o Hiroshi Nagano. Pra quem gosta de grupos assim, deve ser um prato cheio, lembrando que o "rock" no nome do evento é muito mais marketing do que som. Completando o evento, que é voltado ao público infanto-juvenil, haverá uma participação do elenco da nova produção Ultraman Ginga

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Kayoukyoku - O pop japonês clássico

Akina Nakamori: Uma das cantoras mais
representativas da explosão da música pop japonesa

na década de 1980.
The Checkers: injetando rock
na música popular japonesa
Kayoukyoku é um termo definido como "canção popular" e é como a música pop em geral era chamada no Japão até o fim da década de 1980. Mais livre e ocidentalizada em termos de arranjo do que as tradicionais formas da música enka, o kayoukyoku prosperou no gosto popular entre as décadas de 1950 e 80. Antes, já existiam canções de apelo mais juvenil nas letras, melodias, interpretação e arranjos desde os anos 1920, o chamado gênero ryuukouka

A música enka exige, além de apurada técnica vocal, uma postura mais solene, dramática. No kayoukyoku, buscava-se uma interpretação mais natural, ritmos variados (em geral, influenciado pelo rock e folk americanos, além dos Beatles) e temas mais próximos da juventude. É do kayoukyoku dos anos 1960 que veio uma canção icônica, a popular "Ue wo muite arukou", de Kyu Sakamoto, famosa no mundo inteiro com o título aleatório que ganhou na Inglaterra, "Sukiyaki". 

"Ue wo muite arukou" - Kyu Sakamoto em 1984, cantando seu maior hit. 
Ele faleceria em 1985, no fatídico acidente do Voo 123 da Japan Airlines, um dos maiores da História.

A década de 60 também viu nomes como The Peanuts, a dupla feminina que pode se considerada como as ancestrais das idols japonesas estilo AKB48. E ainda eram produzidas por ninguém menos que Hiroshi Miyagawa, autor dos temas do clássico animê Patrulha Estelar. Formada pelas gêmeas Emi (falecida em 2012) e Yumi Itô, a dupla também atuou no filme de tokusatsu Mothra (de 1961) e até se apresentou nos EUA nos anos 60, ficando na ativa até a metade da década seguinte. 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Tokyo City Symphony - Uma incrível experiência interativa

A capital japonesa, vista de um modo inédito
O projeto Tokyo City Symphony é uma iniciativa criada para as comemorações dos 10 anos do famoso centro empresarial, comercial e de eventos Roppongi Hills, em Tokyo. Mais do que homenagear a cidade que abriga o empreendimento, o site da campanha "Love Tokyo" (lançado em 23 de abril passado) oferece uma experiência incrível de interatividade. Sobre uma maquete da cidade feita em escala 1:1000, luzes são projetadas conforme o visitante do site pressiona seu teclado, criando infinitas combinações sonoras e visuais. 

Falando assim pode parecer complicado, mas não é. No final da postagem tem o link pra navegar pelo site e logo depois de entrar, já aparece o "Play" para que a pessoa escolha o estilo da sua "sinfonia" e comece a brincar. Depois, dá pra salvar o resultado e espalhar nas redes sociais. 

Eu já testei, funciona  lindamente e o resultado é empolgante. Só vendo mesmo. Mas primeiro, confira o vídeo promocional, pra ficar com água na boca:



Visite: tokyocitysymphony.com 

- Agradecimentos ao leitor Rogério pela valiosa dica. 

terça-feira, 4 de junho de 2013

Novos talentos da J-Music: Taffy e Nuchi

Vamos a mais uma dica musical, com duas bandas muito legais que descobri recentemente. Não são exatamente músicos estreantes, já estão batalhando espaço há algum tempo, mas ainda não conquistaram um grande público. São duas bandas com estilos bem definidos e que seguem tendências totalmente opostas: Taffy e Nuchi. Em comum, o bom gosto e o enorme talento. Confiram:
Taffy: Rock internacional direto do Japão
Diretamente do cenário alternativo japonês, surge Taffy, uma banda de rock muito simpática e promissora. Eles não são posers e nem pretensiosos, que são características de grande parte dos roqueiros japoneses. Nada de cara de mau, nem pinta de revoltado-mimado ou afetações andróginas, o foco é somente fazer boa música.

O Taffy, que tirou seu nome de um tipo de bala, se não produz um som original (é totalmente calcado em bandas americanas e inglesas), tem o mérito de fazer um som honesto, vibrante e muito bem tocado. Formado por Iris (voz e guitarra), Koichin (baixo), Asano (guitarra) e Ken (bateria), o Taffy lançou seu primeiro single em abril de 2012. Recentemente, lançaram seu terceiro single e preparam o lançamento do segundo álbum, intitulado Lixiviate, em 17 de junho próximo. Em julho, fazem turnê pela Inglaterra, país onde já tocaram antes. Aliás, vale ressaltar que o Taffy faz canções em inglês, o que indica que seu alvo nem seja tanto o público japonês, mas sim o mercado ocidental. Qualidade não falta. 

"Tumbling" - Taffy


Site oficial: www.taffy8.com

Bônus: Olha que bacana: se você assinar para receber o mailing deles, ganha download oficial e gratuito da faixa "Snowberry". 

Eu ouvi e recomendo: http://bit.ly/taffydownload

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Nuchi: Pop com tempero de Okinawa
No dialeto de Okinawa, Nuchi significa "vida". É também o nome de uma banda jovem vinda daquela região, a parte tropical do Japão. Assim como a dupla Yanawaraba, a cantora Rimi Natsukawa e o grupo BEGIN, o Nuchi também faz muitas referências à sua terra natal em seu trabalho. Eles trazem a suavidade da música okinawana, mas também fazem pop dançante e rock, numa combinação inteligente e cheia de personalidade.

Eles gravaram o primeiro single em 2007, outro em 2011 e só agora conseguem lançar seu primeiro álbum, intitulado Ryuusei parade ("Desfile de meteoros"). 
Abaixo, destaco a música "Shima zouri" (ou "Sandálias da ilha"), uma delicada canção que conquista pela simplicidade e melodia. Takayuki (vocal), Kenta (guitarra e coro), Ucchee (baixo e coro) e Takamichi (bateria) formam o Nuchi, uma banda que está batalhando seu espaço com muito talento e merece ser conhecida. 

"Shima zouri" - Nuchi



Site oficial: www.nuchiweb.com