sexta-feira, 24 de maio de 2013

Grafipar e Fikom: Fragmentos da História dos quadrinhos brasileiros

Hoje vou abrir espaço para falar um pouco sobre a História dos quadrinhos no Brasil. Isso porque li e resenhei recentemente dois livros que representam um período das HQs nacionais onde se falava abertamente em mercado de trabalho. Atualmente, pra quem acompanha, o mercado é para pouquíssimos em termos de ganhos financeiros. A maioria esmagadora faz como hobby, como complemento, por idealismo ou teimosia mesmo. Mas já houve um tempo, nem tanto assim no passado, em que era mais viável um autor criar um personagem e tentar publicar nas bancas pra ganhar seu sustento. 

Para um importante registro histórico de uma era, que se não foi dourada, teve brilho e energia, a Editorial Kalaco, do velho amigo Franco de Rosa, lançou dois volumes importantíssimos. Um é uma coletânea de quadrinhos de um mestre pouco conhecido pelas atuais gerações e o outro, um dos mais importantes registros históricos sobre um rico período da HQ nacional. 


Fikom é um galante e poderoso super-herói que surge durante os sonhos do desajeitado e feioso Mukifa. Viajando por mundos incríveis e até eventualmente surgindo no mundo real, Fikom foi um trabalho marcante de Fernando Ikoma, durante sua rápida passagem pelo mundo das HQs,no final dos anos 1960 e começo dos 70. 

A edição reúne cinco aventuras do herói, que vale à pena conhecer.



Fikom – O Herói do Universo dos Sonhos

Autor: Fernando Ikoma
Direção e edição: Franco de Rosa
Editor associado: Marcio Baraldi

Formato: 16 x 23 cm, com 160 páginas
Lançamento: Editorial Kalaco e GRRR!..



Em Grafipar - A Editora que Saiu do Eixo, o roteirista Gian Danton traça a trajetória da editora curitibana que produziu enorme quantidade de HQs sobre ficção científica, fantasia, drama e humor sob a fachada de publicações eróticas. Isso na época em que o Brasil era governado pelo regime militar e havia muitas restrições quanto à liberdade de expressão.

Inclui 3 HQs completas, muitas fotos e reproduções de capas da época. Uma aula de História. 


Grafipar – A Editora que Saiu do Eixo

Autor: Gian Danton
Direção: Franco de Rosa
(Nota: Livro para adultos, desaconselhável para menores de 18 anos)

Formato: 16 x 23cm, com 168 páginas
Lançamento: Editorial Kalaco 

10 comentários:

Bira disse...

Muito boa sua resenha, Nagado. Além da importância da gente conhecer a história recente do Quadrinho Nacional (como no livro da Grafipar do excelente Gian Danton), ler as HQs na íntegra (como no ótimo Fikom, editado pelos grandes Franco e Baraldi) faz parte desse nosso aprendizado diário! Dou meus parabéns a você -um intrépido combatente por nossa HQ- e a Gonçalo Jr, Valdomiro Vergueiro, Paulo Ramos, Elydio dos Santos, Kendi Sakamoto, Primaggio, Zalla, e a todos programas de webTv que falam de nossa história e mercado. Fico contente em ver tanta gente se dedicando a isso: a preservação da nossa história. Dizem que o brasileiro não tem memória. Balela. O que temos é uma imprensa chinfrim que prefere dar espaço a factóides e BBBs da vida do que fazer esse resgate da informação. Porque o povão só lembra de Mauricio de Souza e Ziraldo quando se fala de Quadrinhos e Cartum? Porque eles estão na mídia. Quem não está, praticamente não existe. Outra comemoração que faço é pelos 2 números da revista Memo! Muito bem editada e fruto de pesquisa profunda sobre Nico Rosso e Monteiro Filho. Vale uma resenha aqui também... http://memomagazine.com.br/revistas/MeMo2.pdf

Ale Nagado disse...

Bira, obrigado por ter me incluído entre os que lutam para preservar nossa memória.

Iniciativas como essas do Franco e Baraldi precisam ser cada vez mais divulgadas, não apenas dentro do nicho de quem produz e consome HQ nacional. Vamos fazendo a nossa parte.

E obrigado pelo registro. Depois vou ver com calma esse material que indicou.

Abração!!

Marcio disse...

Valeu, Nagado! Nós e o Tio Ikoma agradecemos.
Abracos.

Ale Nagado disse...

Legal, Baraldi! Diga ao Fernando Ikoma que admiro muito o trabalho dele. Quando eu era adolescente, lembro de ter lido o livro sobre técnicas de quadrinhos, isso já nos anos 1980. Só agora, com a edição do Fikom, que eu pude realmente ler algumas histórias do mestre.

Abraço!

Rogério disse...

Boa noite Nagado,

Postagem muito interessante.

A ideia de um super-herói brasileiro sempre me pareceu intrigante. Já houve várias tentativas de grandes quadrinhistas e coisas bem interessantes foram produzidas embora o gênero pareça algo tão americano em sua essência.

É bom ver o Franco de Rosa em plena atividade.
A editora dele, a Kalaco, lançou um LINDO álbum com o Flash Gordon de Alex Raymond. Eu recomendo muito Nagado.

Aprendi com a saudosa coluna dele na Folha da Tarde boa parte do que sei sobre HQ. Toda sexta-feira eu corria à banca de jornal para comprar a FT e ler a página do Franco. Até tive a honra de ele responder a uma carta minha e pulicar meu nome na coluna. Ganhei o dia.

Ale Nagado disse...

Fala, Rogério!

Eu também lia a coluna do Franco na Folha da Tarde. Das colunas sobre HQ que saíam nos grandes jornais, era a minha favorita. Na época, conheci o Franco em um evento, peguei autógrafo e tudo. Depois de um tempo, já profissional, tomamos cerveja no meio de um monte de feras. Quando meu nome saiu pela primeira vez na coluna dele, abri um sorriso de orelha a orelha.

Temos contato eventualmente, e o Franco é daqueles artistas pelos quais a gente aprende não só a admirar, mas também a torcer. A participação dele na história da Grafipar é marcante, recomendo a leitura.

Abraços!!

Alexandre Silva disse...

Parabéns pelas resenhas, meu amigo! seu trabalho deve ser sempre reconhecido pela importância, competência e seriedade com que vc trata a história das nossas hqs! Forte abraço!

Rogério disse...

Boa noite Nagado.

Guardo cuidadosamente um livro de recortes que montei com as colunas do Franco.

Até hoje uma fonte de informações preciosas sobre aquele "boom" das HQs da época.

Ale Nagado disse...

Valeu, Alexandre, espero poder contribuir muito ainda.

Rogério, eu aguardava ansiosamente pela seção do Franco, disparada a minha favorita naquela época de boom dos quadrinhos na grande imprensa. Não sei nem se o próprio Franco tem esses recortes.

abraço!

Rogério disse...

Oi Nagado,

Não direi que tenho todas que saíram na época. Creio que perdi algumas, não se muitas no final da caluna na FT.

Quanto tempo durou a coluna? Você sabe?

O próprio "boom" talvez não tenha sido tão longo assim. Logo a economia voltou ao estado inflacionário que caracterizava a época.

Editoras como a Bestnews(alguém lembra?) anunciavam planos ambiciosos para logo depois sumir do mercado.