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terça-feira, 14 de maio de 2013

B-Club: A revista da Bandai que marcou época no Japão

B-Club, muito mais do que um catálogo de brinquedos
Bandai é o nome de uma das maiores fabricantes de brinquedos do mundo, criada no Japão em 1950. Gerenciada atualmente pela Namco Bandai Holdings Inc., a Bandai não somente licencia produtos das maiores franquias da cultura pop japonesa, como Gundam, Ultraman, Kamen Rider e Super Sentai, como também financia produções e interfere diretamente nos rumos das obras, com o intuito de gerar mais produtos (personagens). 


Entre os anos 1980 e 90, a Bandai publicou uma revista especializada que marcou época. Chamada B-Club, a revista era mensal, tinha 116 páginas (PB e cor), formato 21 x 29,5 cm e apresentava matérias, entrevistas e reportagens para divulgar seus brinquedos e kits para montar. Mas a revista era muito mais do que um catálogo de produtos colecionáveis. 
Hiroshi Miyauchi relembra
os tempos de
Kamen Rider V3. Ao seu lado
,
 o entrevistador e astro
Masaki Kyomoto,
trajando a mesma roupa que
usou em Kamen Rider Black.
(Ed. 72) 

A cada edição, a B-Club trazia guias de estreias da TV, vídeo e cinema, lançamentos de CDs, DVDs e games, mesmo de produções que ela não licenciava. E tinha matérias de capa interessantíssimas, com temas como "The Cockpit" (detalhando cabines de comando de naves e robôs famosos), "Pet and mascot" (sobre criaturas de estimação, no rastro da febre Pokémon), "Super bases" (com a localização e características de bases especiais vistas em seriados) e muito mais. Um ponto forte era que, nos temas de capa, a revista procurava sempre listar junto produções de animê e tokusatsu, além de games. Tudo junto, sem preconceitos.

E muitas seções interessantes abrilhantavam as páginas, com ideias editoriais criativas e bem realizadas.

Mr. Hero foi uma seção assinada pelo ator, músico e empresário Masaki Kyomoto, onde ele entrevistava atores marcantes de seriados tokusatsu. Ryuukou Tsuushin ("Comunicação da moda") mostrava a cada edição desenhos e comentários sobre figurinos utilizados em seriados tokusatsu. O título fazia alusão a uma revista de moda bastante conceituada que existia naquela época. A seção Ultraman in The Real, mostrava montagens reunindo maquetes, fotos e computação gráfica para recriar momentos icônicos das produções Ultra. Multi Media Madonna EXpress era a seção voltada às dubladoras, tratadas lá como verdadeiras princesas. A revista era uma fonte inesgotável de informação e diversão, mantida por uma equipe de profissionais-fãs a serviço da Bandai. A B-Club também publicou alguns mangás, inclusive a continuação da série de TV Jetman, compilada posteriormente em um volume único. 
Comentários sobre as roupas das
vilãs de tokusatsu dos anos 1980.
Conhece todas? (Ed. 86)


Depois da edição 148 (março de 1998), a revista foi reformulada e passou a se chamar B-Magazine. A mudança deu uma guinada para o público otaku mais velho e hardcore, incluindo doses de "moe", gênero com garotinhas angelicais de apelo erotizado, um fetiche dentro do nicho. Passou a existir também uma seção de comentários sobre animês eróticos (hentai), coexistindo com entrevistas leves com atores e dubladoras. A mistura fez a revista perder essência e público, sendo cancelada pouco tempo depois.


A B-Club deixou saudades e, numa era anterior à internet, foi uma das grandes fontes de pesquisa deste que vos escreve, especialmente durante o trabalho na revista Herói


A 4a capa da B-Club era quase sempre
dedicada à gigantesca linha de kits
dos robôs Gundam. (Ed. 138)

4 comentários:

Bruno Seidel disse...

Caramba!!! Mas que belo resgate, hein! Realmente, eu já tinha lido a respeito da B-Club numa matéria sobre Jetman, publicada na revista Herói Gold Nº 26. Ao final da matéria, havia uma pequena informação sobre o tal mangá de 1992 que apresentava uma continuação de Jetman. Desde lá, fiquei muito curioso pra ver esse mangá, mas até hoje nunca o encontrei na internet.

Quem viveu a "Era pré-internet" sabe o quanto era valioso esse tipo de material. Eu, que fui apresentado a esse universo graças à Revista Herói, costumava devorar esse tipo de publicação. Chegava até a fazer recortes de algumas fotos raras e bacanas que eu via. Imagina então como seria ter em mãos uma publicação como a B-Club ou a B-Magazine???

Quando estive no Japão, em 2010, acabei comprando uma edição da Terebi Magazine, que na época destacava os heróis Kamen Rider OOO e Goseiger. Particularmente, considero as publicações japonesas muito "poluidas", com excesso de informações, imagens e texto por todos os lados. Não é algo com o qual nós, ocidentais, estamos acostumados a apreciar em publicações impressas (mais minimalistas e menos poluídas).

Mas, ainda assim, é um material precioso pra qualquer colecionador, fã ou estudioso do assunto.

Rogério disse...

Oi Nagado,

Em meio a cacofonia de informação que temos hoje, talvez o significado perca-se.

Naquela época cada pequena imagem ou notícia de nosso filme, seriado, HQ ou animação preferidas era uma preciosidade. Quase uma revelação.

Colocar as mãos em um revista importada cheia de informações raras era um privilégio.

Acho que foi o J.J. Abrams que disse que hoje revê-la demais dos filmes. Muito é exposto em clipes a toda hora. E que isto diminui a magia do primeiro encontro com o espetáculo no cinema. Tendo a concordar.

Ale Nagado disse...

Bruno, olha que bacana: Descobri um site que disponibilizou scans do mangá do Jetman. Anote:

http://www.grownupsinspandex.com/forums/1991-jetman-%5Bcompleted%5D-31/chojin-sentai-jetman-%5Bdownload-page%5D-699/

E eu fazia assinatura da B-Club. Depois de umas edições avulsas compradas no bairro da Liberdade, fiz uma assinatura do 112 até o final. E comprei os primeiros números da B-Magazine, mas não era nem metade do que foi a B-Club.

Abraços!

Ale Nagado disse...

Rogério, realmente hoje se dá pouco valor ao que se tem. Tudo é em excesso e se esquece facilmente. E cada informação garimpada era uma vitória. Hoje, o imediatismo reina, mas ao mesmo tempo em que a informação é fácil, o erro se espalha igualmente rápido. Poucos cruzam informações, pesquisam de verdade. Acho ótimo que haja muita informação hoje em dia, mas percebo que falta critério, valorização e análise. Apenas consome-me tudo em doses cavalares.

Abraço!