sábado, 9 de março de 2013

Diretor japonês fala sobre efeitos especiais e o impacto da tecnologia



O portal SciFi Japan, especializado em filmes, séries e animações japonesas (e asiáticas em geral) tem um canal de vídeo muito interessante com entrevistas exclusivas. A que indico aqui foi feita com o diretor diretor de efeitos especiais Toshio Miike, que trabalhou em Ultraman Saga (Tsuburaya Pro, 2012). 

Um ponto interessante da entrevista dele (que está legendada em inglês) acontece quando ele compara maquetes físicas com cenários gerados por computador. Segundo ele, ou se tem uma estrutura técnica e financeira grande para criar cidades digitais precisas como em filmes de ação de Hollywood, ou é melhor trabalhar com maquetes, que passam uma sensação de realismo mais eficiente quando bem produzidas. Nesse aspecto, o filme Ultraman Saga foi bem sucedido em suas maquetes de cidades, feitas com grande detalhamento. 

Ele até compara a Toei Co. (Kamen Rider, Super Sentai, Metal Hero...), mais preocupada com produções divertidas e sem preocupação em parecer verossímil, com a Toho Co. (Godzilla) e sua grande infraestrutura desenvolvida para criar filmes com apelo realista. Já a Tsuburaya Pro (dos Ultras) seria mais maleável, montando sua estrutura de acordo com a visão do diretor. A entrevista saiu em 2012 mas, como passou meio batido até entre os fãs do gênero por aqui, faço o registro. Espero que goste. 

2 comentários:

Bruno Seidel disse...

Quando essa "invasão de CG" começou a aparecer nas produções de tokusatsu mais recentes, cheguei a acreditar que, num futuro não muito distante, esse tipo de recurso tomaria conta das cenas de ação. Em séries como Ultraman Nexus, Kamen Rider Fourze, Go-Kaiger e até mesmo em filmes como Uchuu Keiji Gavan (2012), Ultraman Zero e Super Hero Taisen, algumas cenas abusam tanto do CG que um telespectador desavisado corre o risco de achar que está assistindo a uma cena de GAME. Isso mesmo: as cenas de Tokusatsu feitas em CG hoje em dia lembram muito as cenas de games como Kamen Rider Climax Heroes (da Bandai). Se isso é bom ou ruim, acredito que seja algo que mereça uma discussão mais ampla.
A direção de efeitos especiais do Toshio Miike em Ultraman Saga acabou indo na contramão dessa onda de CG. E sinceramente não vejo outra produtora tomando uma atitude como essa que não fosse a Tsuburaya Pro. A empresa que leva o nome do maior nome dos efeitos especiais do Tokusatsu continua firme em seu posicionamento. Eiji Tsuburaya certamente ficaria feliz em ver que seu estilo de produção (com maquetes) continua sendo usado de forma impecável mesmo 40 anos depois da sua morte. Méritos do Miike que teve CORAGEM de engatar uma ré e retomar o estilo clássico sem perder a qualidade.
Quando Miike fala sobre a diferença dos estilos de produção entre Tsuburaya, Toei e Toho, fica bem clara a influência que as "técnicas de produção" têm sobre as obras das mesmas. A Toei, por exemplo, não possui tanta tradição em efeitos especiais. Tanto é que o sucesso das principais franquias da produtora (Kamen Riders e Super Sentais) devem-se basicamente ao talento do versátil Shotaro Ishinomori e seus personagens bem construidos. Já Tsuburaya e Toho devem muito à aplicação dos efeitos especiais em suas produções, principalmente por terem contado com o dom de Eiji Tsuburaya.

Ale Nagado disse...

Na parte de efeitos especiais da Toei, gosto de lembrar do Nobuo Yajima, que começou com Robô Gigante em 1967 e dominou até o começo dos anos 1990. Ele seguia basicamente o que Tsuburaya fazia, mas tinha seu toque pessoal e soluções próprias.

Concordo que foi coragem da Tsuburaya em retomar valores clássicos de produção, apostando na qualidade. O filme Ultra Galaxy, de 2009, mostrou um salto enorme de qualidade nos cenários CG da Tsuburaya, anos-luz à frente da concorrência. E ainda assim eles pensaram mais no resultado final ao escolher maquetes. Isso foi bem bacana, mas não por nostalgia. Ficou bom mesmo.

Abraços!!