RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

sábado, 26 de maio de 2012

Boletim 39: Sobre a mudança editorial na JBC e o trabalho de um editor

Na última sexta-feira, dia 25, o mundo dos leitores de mangá agitou-se com o anúncio, por parte da editora JBC, da saída do editor e gerente de conteúdo Marcelo Del Greco. Após 10 anos à frente da linha de publicações de mangá da empresa, Del Greco foi substituído pelo tradutor e jornalista Cassius Medauar, ex-Conrad. Logo em seguida, constatei uma enxurrada de comemorações de fãs e blogueiros festejando sua saída, além do descontentamento de muitos com a linha editorial da JBC e a qualidade física de suas publicações.

O fã (de qualquer coisa) é passional e muito parcial. Não tem obrigação de conhecer os bastidores, reage ao que tem em mãos e tem todo o direito de reclamar e se manifestar como quiser, enquanto público consumidor. Mas percebi, em meio a muitos comentários espalhados pela web, algumas percepções equivocadas sobre o papel de um editor.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Boletim 38: Caixa comemorativa dos 25 anos de Street Fighter

A famosa franquia Street Fighter, que nasceu como game e gerou animações, quadrinhos, filmes live-action e uma infinidade de produtos, está completando 25 anos. Para comemorar, a CAPCOM, empresa desenvolvedora dos games e detentora dos direitos, anunciou o lançamento de uma caixa especial para colecionadores. 


Concebida para ser um verdadeiro sonho de consumo, irá incluir games, trilhas sonoras, o animê Street Fighter II Movie (versão EUA, com cortes e trilha sonora ocidentalizada), a série animada (a péssima série americana, não a clássica SF II-V), documentário, trilhas sonoras, artbook, estatueta de Ryu e um vasto conteúdo para justificar o preço salgado de 149,99 dólares. Para os fãs dos animês de Street Fighter, não vale a pena, mas os jogos e demais itens de colecionador podem compensar, caso alguém se interesse. 


O lançamento será em 18 de setembro de 2012, somente para o mercado estadunidense, por enquanto. Abaixo, confira o vídeo promocional da caixa:





Fonte: Anime News Network (Neste link, confira a lista completa de itens relacionados na caixa.)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Speed Racer - 45 anos

Speed Racer, talvez o mais importante
animê para o público ocidental.
Em todo o mundo, talvez o animê mais importante como ícone da cultura pop seja Speed Racer. Ele nasceu nos mangás em 1966 no roteiro e arte de Tatsuo Yoshida, um dos fundadores do estúdio Tatsunoko Pro, virou animê em 1967 (pela Tatsunoko, claro) e ganhou os EUA e o resto do mundo em 1968, quando seu título original Mach Go Go Go foi adaptado e virou Speed Racer. Dá pra comemorar o "aniversário" de Speed levando em conta três datas, mas escolhi contar o ano de produção do animê como sendo o mais importante, pois lá uma fórmula impecável de aventura televisiva foi desenvolvida. Foi muito além do mangá e mostrou que a animação japonesa podia ser um item de exportação milionário. Sou bastante crítico com relação a adaptações de nomes, mas é inegável que a força do nome Speed Racer foi decisiva pra aceitação no ocidente. Speed foi posterior ao Astro Boy (Tetsuwan Atom, de 1963) de Osamu Tezuka, mas conseguiu uma aceitação muito maior nos EUA por lidar com carros, uma verdadeira paixão americana. Dos EUA para o resto do mundo foi um pulo e o desenho formou gerações de fãs também no Brasil. 
Speed Racer foi um dos meus desenhos animados favoritos de infância e até hoje gosto muito de várias histórias. Quando assistia, não sabia que fora feito no Japão, de tantos nomes adaptados. Mas o sentimento pela série não é só nostalgia, o material tem muita qualidade e criatividade. E se a animação soa muito datada, vale observar como os ângulos de cena são arrojados até hoje. A trilha sonora, direção e variedade nas tramas davam uma dinâmica vibrante. Tudo aquilo, redesenhado e recriado ao estilo do Yamato 2199 poderia conquistar um novo público, que foge de produções antigas por causa do traço. 
O texto definitivo que escrevi sobre Speed Racer foi publicado em 2008, na revista impressa experimental que o portal Omelete lançou. Depois, a mesma matéria foi publicada no site, na seção "Lembra desse?". Lá tem o guia essencial sobre a série, seus personagens e as engenhocas do incrível Mach 5, o carro mais estiloso já criado. 
Na época da matéria, o mercado de HQ no Brasil havia visto somente uma compilação de histórias do mangá original. Isso em 2002 pela Editora Conrad. O mangá original de Speed Racer foi lançado de forma completa (dois volumes) somente em 2009, pela New Pop Editora
Como não tenho nada mais significativo a acrescentar, convido você a ler a matéria no Omelete. 
Depois, se quiser comentar, peço que o faça aqui no espaço desta postagem, ok?

E não deixe de curtir o tema original em japonês, em um belo clipe que achei no YouTube.




Você viu? Um Mach 5 em escala real, trazido ao Brasil pela Warner para promover o lançamento do filme, em 2008. Veja nota e foto no blog do Jornal do Carro do Estadão.



Você sabia? Na Argentina, Speed Racer foi batizado como Meteoro


Speed Racer no Video Show da Globo! 
Uma dica do antenadíssimo leitor DIOberto Souza: Em janeiro, o Video Show da TV Globo homenageou a série e convidou atores de seu elenco estelar para darem depoimentos. Vale uma conferida.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Boletim 37: Maison Ikkoku - Clássico de Rumiko Takahashi em jogo de azar

Kyoko e Godai, os protagonistas
de Maison Ikkoku
Uma antiga série de mangá e animê de Rumiko Takahashi (Inu-Yasha, Ranma 1/2), a comédia romântica Maison Ikkoku, irá ganhar uma nova produção. Mas não será mangá, animê, live-action, peça de teatro, livro ou video game. Será uma slot machine, aquele jogo caça-níqueis em que se pressiona um comando e a máquina começa a girar 3 fileiras de imagens e o jogador vence o prêmio se aparecerem 3 figuras iguais. Proibidas no Brasil por serem classificadas como jogos de azar, máquinas desse tipo são um passatempo popular entre o público adulto no Japão. A de Maison é chamada de Pachi-Slot, da empresa Heiwa e o lançamento foi anunciado para julho próximo.


Personagens de mangá e animê
em jogo para adultos. Outra
realidade de mercado.
Em Maison Ikkoku: Natsu-iro no kaze to (ou "Maison Ikkoku - Com o vento do verão", título do sexto volume do mangá) a cada combinação vencedora, ao invés de moedas ou um vale-prêmio, o jogador irá assistir mais cenas de animê, produzidas especialmente para o jogo. Altamente viciante, pelo que se pode imaginar, é mais uma prova de que, no Japão, quadrinhos e desenhos animados podem ser perfeitamente incorporados ao mundo do entretenimento adulto. Maison Ikkoku, inclusive, já foi tema de outras máquinas de jogo anteriormente. 

Esse jogo poderá atingir em cheio um público de senhores que acompanhou, nos anos 1980, as desventuras do romance atrapalhado de
Yusuke Godai e a gerente da pensão onde vive, a jovem (embora mais velha que ele) viúva Kyoko Otonashi. Vivendo com eles e entre eles, um impagável elenco de apoio fez com que a pensão Maison Ikkoku fosse um lugar divertido e rendesse grandes histórias. 


- Confira o vídeo promocional:





- Sobre Maison Ikkoku: Uma vez, escrevi uma lista dos meus 10 gibis favoritos e Maison Ikkoku encabeçou a relação. Listas são flutuantes, dependem do momento mas, se eu fosse atualizar minhas preferências, certamente Maison ainda estaria entre os 10 favoritos, talvez entre os 5 até. Foi uma das melhores comédias românticas que já li, talvez a melhor. Do animê, somente assisti uma compilação de episódios, bem fiel ao mangá. A trilha musical era  fabulosa, desde que se goste do J-pop dos anos 1980. 


Quando ia para o lado dramático e altamente emocional, nada era forçado, numa lição de narrativa e construção de história que, para mim, foi o melhor trabalho de Rumiko Takahashi. Ou pelo menos, aquele com o qual eu mais senti envolvimento ao ler. Merecia uma edição em português, mesmo que a arte daquela época seja bem inferior ao nível que ela chegaria depois. 


- Veja meu post sobre Maison Ikkoku aqui.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Yamato 2199 - Os temas musicais

Eis aqui dois clipes com os temas de abertura e encerramento de Yamato 2199, o remake da Patrulha Estelar lançado recentemente no Japão para o mercado de DVD/Blu-ray, com rápidas exibições em circuito limitado de cinemas. O story-board da abertura foi idealizado por Hideaki Anno (de Evangelion), que estava envolvido no projeto, mas se desligou ainda na fase de planejamento. 


A canção-tema "Uchuu Senkan Yamato" ("Encouraçado Espacial Yamato") foi regravada pelo cantor original, Isao Sasaki. Ao invés de remasterizarem a gravação original (na verdade, uma segunda versão da música de abertura, bastante conhecida pelos fãs), preferiram regravar tudo, com um arranjo bastante fiel conduzido por Akira Miyagawa, filho do compositor original, Hiroshi Miyagawa. O resultado é primoroso.




O tema de encerramento é uma música inédita, intitulada "Hoshi ga eien o terashite iru" (ou "As estrelas são a luz da eternidade") e cantada com muita sensibilidade pela excelente Aira Yuuki. Uma canção que combina perfeitamente com o espírito da obra.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Documentário em DVD sobre o quadrinhista Rodolfo Zalla

Um dos maiores nomes da história dos quadrinhos no Brasil ganhou um documentário em DVD onde ele próprio conta sobre sua trajetória na nona arte. É Rodolfo Zalla, argentino que fez a vida e a carreira em nosso país, foi um dos maiores nomes do mercado nas décadas de 1960 e 70 e continua na ativa até hoje, aos 81 anos. As novas gerações pouco conhecem sobre seu trabalho, especializado em terror, mas bastante versátil. 


Sei que este blog é lido por quadrinhistas profissionais e amadores e também aspirantes a desenhista, fora pesquisadores e pessoas ligadas à área das HQs. A todos, recomendo fortemente esse trabalho, que permite conhecer a obra e o artista. E assistir o relato sobre como já foi o mercado de quadrinhos no Brasil. Um registro histórico. A direção é do cartunista Marcio Baraldi, grande batalhador das HQs em nosso país. 


Escrevi uma resenha mais detalhada no site GHQ - Garagem Hermética Quadrinhos
Confira aqui

Ao Mestre Com Carinho – Rodolfo Zalla
Roteiro, direção e produção: Marcio Baraldi
Duração: 72 min.

- Saiba mais sobre a carreira de Rodolfo Zalla em sua página na Wikipedia.

- Compre o DVD na loja virtual da Comix.


ATUALIZAÇÃO (11/05): Confira entrevista de Marcio Baraldi aqui.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O Menino Biônico - Um clássico de Osamu Tezuka

Jet Marte, o Menino Biônico
Uma versão alternativa criada pelo
próprio Osamu Tezuka sobre seu
clássico Astro Boy.
Mélki
No início da década de 1980, poucos animês eram exibidos no Brasil. Depois de uma onda na década de 1970, pouca coisa restava. Dividindo espaço na programação com Candy Candy e Sawamu - O Demolidor, a TV Record  era o palco das aventuras de um pequeno garoto cibernético chamado Jet Marte. O nome da série era O Menino Biônico, uma relativamente pouco conhecida criação de Osamu Tezuka, o pai do moderno  mangá e pioneiro dos seriados de animê para a televisão.

Com todo um senso de encantamento, drama e aventura infanto-juvenil típico dos anos 70 (época em que foi produzida), Jetter Mars foi uma aventura extremamente interessante exibida numa época em que os animês não gozavam da popularidade de hoje.



 O pequeno herói


Construído em 2015 (um futuro distante na época em que o desenho foi produzido) ele foi criado por um severo cientista chamado Prof. Yama (Yamanoue, no original). Defensor de seu país, o Japão, Jet Marte é um garoto-robô capaz de voar, dotado de grande força, resistência, coragem e um espírito curioso e emotivo. Sua melhor amiga é Milly, uma andróide com um profundo senso de justiça que lhe ensina muito sobre os valores sociais e humanos. Agindo também como um conselheiro, temos o criador de Milly, o professor Kawashita, que auxilia na educação do poderoso e ingênuo herói. Kawashita é um feroz antagonista do militarismo de Yama e os dois vivem às farpas, principalmente no tocante à educação de Marte.

Atendendo aos pedidos de seu pai, Marte enfrenta de criminosos comuns a supervilões que ameaçam a segurança do país. Mesmo com sua força descomunal, ele é incentivado a frequentar a escola normalmente, o que gera muitas situações divertidas, graças à sua extrema ingenuidade e impulsividade combinadas com seu poder.


A vida do pequeno guerreiro, porém, sofre uma reviravolta com a morte de Yama em um acidente, quando o veículo em que viajava é soterrado em um terremoto. Para ocupar seu lugar, surge um ainda mais severo e por vezes insensível diretor no instituto de ciências onde Marte vive. Antes de morrer, porém, o Professor Yama deixara pronto um irmãozinho para Marte: o travesso bebê-robô Mélki (Melch), que só sabe dizer "bakaruti" (sem tradução). Forte e obviamente desastrado, Mélki é uma atração à parte, engatinhando e causando estragos por onde passa.
Marte, Milly, Prof. Kawashita e Prof. Yama.
Máquinas com sentimentos
 
O seriado misturava ternura e humor com um tipo de drama e violência impensáveis para uma produção ocidental.

Em um antológico episódio, uma garota-robô espiã chamada Agnes aproxima-se de Marte a pedido de seu diabólico mestre. Ela, no entanto, apaixona-se pelo herói e trai seu criador, sendo destruída por ele. A cena da morte é de causar pesadelos: para libertar Marte, que estava cativo, ela caminha em chamas rumo ao controle que o libertaria. Morre puxando a alavanca que salva o herói. Tudo em câmera lenta e com um canto gregoriano ao fundo. No final do episódio, Marte olha para o céu, vê o rosto da menina e grita seu nome. Quando lidava com o tema da mortalidade, o desenho se apresentava muito poético, solene e sentimental, bem ao modo japonês.

Em outra aventura, Marte conhece o agente ciborgue Jam Bond, que o hostiliza quando ambos agem em conjunto. Tudo porque Bond, um humano com partes mecânicas, considerava-se superior a um robô como Marte. Quando foi duramente ferido em ação e sua parte humana foi destruída, o antigo ciborgue tornou-se 100% máquina e aprendeu uma dura lição de humildade.

Mesmo com pouca participação criativa de Osamu Tezuka, a obra seguia linhas de roteiro bastante fiéis ao conjunto de obra do autor, com um profundo respeito pela vida e muita valorização da solidariedade e humanismo.

Curiosidades
* Jet Marte é baseado na mais famosa criação de Tezuka, o Astro Boy (Tetsuwan Atom), seriado em animê de aventura pioneiro no Japão, que foi (e é) sucesso em vários países. Quando o Menino Biônico passou no Brasil, o Astro Boy ainda não havia sido exibido oficialmente aqui, o que fez muita gente que conhecia o personagem original confundir os dois.

* O título brasileiro foi provavelmente uma tentativa de capitalizar o sucesso das séries O Homem de Seis Milhões de Dólares e A Mulher Biônica, com seus heróis dotados de membros artificiais ou biônicos. Mas Marte era um robô, um conceito diferente.

* Co-produção do estúdio de Tezuka, o Mushi Pro, com a Toei Animation, a série do Menino Biônico não alcançou grande sucesso em seu país de origem. Mesmo assim, foi exibida também na Espanha, Itália e Chile, além do Brasil.

* O diretor-geral, Lin Taro (ou Rintaro, como é também conhecido) tornou-se um dos mais respeitados do Japão, com destaque para seu trabalho em Galaxy Express, de Leiji Matsumoto. Em 2000, Lin Taro uniu-se a Katsuhiro Otomo (de Akira) para levar às telas um antigo mangá de Tezuka, o drama futurista Metrópolis.

*
Mesmo sem merchandising oficial lançado no Brasil, Marte apareceu em embalagens de uma pipoquinha doce bastante popular anos depois da série ter sido exibida por aqui.

* O próprio Osamu Tezuka é retratado como coadjuvante em dois episódios.

Ficha técnica


Título original: Jetter Mars
Estréia no Japão: 03/02/1977 (TV Fuji)
Número de episódios: 27
Criação: Osamu Tezuka
Roteiro: Masaki Tsuji, Yoshitaki Suzuki e outros
Trilha sonora: Nobuyoshi Koshibe
Direção: Masami Hata, Susumu Kurokawa e outros
Direção geral: Lin Taro
Realização: Toei Animation e Mushi Productions
Emissora no Brasil: TV Record 


(Esta postagem eu escrevi originalmente para o portal Omelete em 2004, mas foi devidamente revisada e ampliada para publicação aqui no Sushi POP.)

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sobre o fenômeno AKB48 e sua presença na cultura pop japonesa

Conhecer a cultura pop japonesa atual passa por conhecer um pouco um fenômeno que invadiu a mídia de seu país. Confira:


A maior banda pop do mundo, segundo
o Guiness Book of Records
O AKB48 nasceu em Tóquio, no bairro de Akihabara (a "Meca" dos otaku), e é um grupo de música pop (J-pop, para o ocidente) criado em 2005 pelo produtor e letrista Yasushi Akimoto. Bastante respeitado nos meios musicais, ele já compôs até para a lendária Misora Hibari, musa da canção tradicional enka. Em seu ambicioso projeto pop, reuniu 48 cantoras-dançarinas (na verdade são mais, pois há sempre as "iniciantes" em treinamento), que têm se tornado presença constante na mídia japonesa. Aos poucos, suas músicas dançantes foram aparecendo nas paradas, quebrando recordes de vendagem e as meninas foram se tornando estrelas, fazendo da marca AKB48 sinônimo de sucesso e vasto merchandising. Basicamente um coral feminino sem grande potência ou técnica vocal, elas se fazem notar pelo visual e coreografias. 


"Kaze wa fuiteiru" (ou "O vento está soprando"),
grande sucesso do grupo em 2011. Uma boa canção.


O AKB48, análises musicais à parte, representa o ápice do pensamento marqueteiro na indústria pop japonesa. Entrou até para o Guiness Book of Records, como o conjunto musical pop com o maior número de integrantes. Se o público japonês tradicionalmente gosta de idols, por quê não juntar 48 delas em um só grupo? 

Aqui, vale registrar que o conceito de idol no Japão não é exatamente a tradução para "ídolo", vai além disso. Uma idol geralmente é uma atriz-modelo-cantora-dançarina (e algumas vezes também dubladora) que tem a imagem trabalhada para parecer uma eterna virgem sonhadora e etérea a causar suspiros nos pobres mortais. Seus fãs as cultuam como musas inalcançáveis, intocadas. Não por acaso, há uma enorme base de fãs que não é adolescente, mas sim formada por adultos solitários e obsessivos que se encaixam, de forma pejorativa, no estereótipo otaku (no sentido original do termo). Uma idol não tem direito a uma vida social ou opiniões sobre qualquer tema polêmico, sendo presa a contratos rígidos que ditam cada passo e cuidam de sua imagem. É o preço da fama e fortuna em tenra idade. 

Controladas por seus produtores, trabalham intensamente, pois lá a superexposição é regra e o sucesso de uma idol é passageiro. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Boletim 36: AKB0048 - Idols no espaço


No último dia 29, estreou no Japão o animê AKB0048, série do maior fenômeno pop deste século, a banda AKB48. A história se passa no futuro, em uma colônia da Terra para onde parte da humanidade migrou após o colapso do meio ambiente. Lá, em meio a uma guerra que se desenrola, a música é proibida por ser mera distração na visão de um governo autoritário. Então, um grupo de estudantes que sonha em brilhar no palco se inspira no espírito vibrante das lendárias AKB48 do passado, a fim de proteger as pessoas e reviver a música e o direito de sonhar. Bobinho, mas executado com maestria, pelo que se vê no vídeo promocional abaixo.



Vídeo promocional da série AKB0048.

Nos bastidores, está Shoji Kawamori, famoso pela série Macross, que tinha como premissa a ideia descabida - mas executada com um real senso de encantamento - de que uma canção de amor poderia parar uma guerra. O sucesso da personagem central  Lynn Minmei (dublada pela cantora Mari Iijima) consolidou o casamento do florescente J-pop nos anos 1980 com o animê. Três décadas depois de ajudar a criar a primeira pop idol dos animês, Kawamori tem a missão de dar requinte e credibilidade a mais um produto a ostentar a marca AKB48. É dele a direção, criação do enredo original e também o design mecânico. Sua presença, além de conferir qualidade artística, ainda atrai uma base de fãs que vai se somar aos fãs das meninas. Mais ou menos como os empresários já fizeram antes ao colocar algumas integrantes para coestrelar o recente filme Ultraman Saga



Os temas de abertura e encerramento são do grupo No Name, uma das várias subdivisões do AKB48. A produção é do estúdio Satelight e a série está prevista para durar 27 episódios. Com essa empreitada, o megagrupo pré-fabricado finca pé no mundo dos animês, e o faz trazendo como escudeiro um diretor renomado. Mesmo para quem não tem paciência para garotinhas assim (reais ou desenhadas), o título acaba despertando alguma curiosidade. 


Aguarde, para amanhã, um post contando um pouco sobre a invasão AKB48 na cultura pop japonesa. Mas já aviso que será um olhar crítico e de mercado, não de exaltação dessas cantoras.


Site oficial: akb0048.jp