quinta-feira, 21 de junho de 2012

Sobre pirataria, direitos autorais e a cultura pop japonesa

Uma das características da web é a facilidade de compartilhamento de informações e arquivos. Isso tem gerado muitos debates sobre propriedade intelectual e direitos autorais, tendo já acontecido até ações truculentas, como a que atingiu o site Megaupload e as recorrentes tentativas de políticos para aumentar o controle da web. Tudo isso obviamente interfere diretamente na forma como se consome e produz cultura pop.

Não irei aqui apresentar um estudo histórico ou jurídico sobre a questão. O objetivo deste ensaio é comentar como essa questão é tratada no Japão, relatar diversos fatos e levantar alguns pontos de interesse geral sobre direitos autorais, cultura livre e as ideias envolvidas. 

No Japão, até baixar um animê para
o computador pode dar cadeia.
Leis e vigilância severas
O Japão tem uma legislação autoral bastante rígida e os direitos autorais são levados muito a sério. Ao menos, é o que parece pelas informações que obtive por diversas fontes. 

No campo musical, a entidade JASRAC recolhe royalties de cada álbum e cada música comercializada para pagar os artistas afiliados. E além de compositores, arranjadores e intérpretes, cada músico que participou de determinada faixa - seja fazendo coro ou tocando um pandeiro ao fundo - tem uma cota a receber. Isso me foi explicado por um empresário que estava lançando discos com versões em português dos temas de Jaspion e Changeman, no final dos anos 1980. Perguntei na ocasião se não seria mais fácil lançar as gravações originais (duas fitas cassete oficiais em japonês até foram lançadas na época), já prontas, do que produzir novas faixas. Ele me explicou que era muito mais interessante licenciar as músicas pagando só os compositores. Os royalties eram menores e as chances de lucro, maiores. Tanto cuidado com a questão autoral é amparada por uma forte vigilância e leis bastante severas. Não apenas no campo musical, mas em todas as áreas de produção cultural, incluindo animês e seriados.

Diversas prisões já aconteceram no Japão por causa do upload de vídeos de episódios de séries para distribuição entre fãs, como Gundam e Kamen Rider. Lá, também já foi aprovada uma lei que institui pena de 2 anos de cadeia ou cerca de 25 mil dólares de multa para quem baixar conteúdo não-autorizado de qualquer site de compartilhamento (e eles podem rastrear esses downloads). Recentemente, algumas prisões também aconteceram por venda de bonecos não-autorizados em território japonês. Ironicamente, dois casos recentes envolveram brinquedos piratas de One Piece, que é uma série sobre... piratas. 


One Piece: Cadeia pra quem
pirateia esses piratas!
Essas práticas realmente à margem da lei são comuns e corriqueiras em outras partes do mundo, com fiscalização menos rigorosa. Como no Brasil, onde vários sites não-autorizados oferecem séries e longa-metragens inteiros pra download gratuito, enquanto tantos outros comercializam DVDs copiados ou legendados localmente com segurança, usando até serviços como pagamento on-line ou cartões de crédito. Combater isso é muitas vezes complicado e burocrático, o que frustra muitos empresários japoneses. Mas a reação truculenta na forma de prisões por simples uploads ou até downloads vai na contramão da evolução da internet e é algo chocante e desproporcional. 

Quando a questão é assegurar direitos autorais, o Brasil é uma pedra no sapato de vários empresários. Algumas companhias, como a Tsuburaya Pro, que faz a saga Ultraman, bloqueia acessos brasileiros (via identificação de IP) para a maioria dos vídeos do canal oficial da empresa no YouTube. Mesmo tendo a Tsuburaya vários DVDs sendo lançados oficialmente aqui. 


Direitos de imagem e divulgação
Certamente, toda essa preocupação (incômoda, porém legítima) também tem seu lado excessivo. Lá, não se acredita muito em imagem livre pra fins de divulgação e até pra uma resenha tem que se pagar direitos de imagem. Quando a animação A viagem de Chihiro foi indicada ao Oscar (que acabou vencendo em 2003), um canal japonês até divulgou a nota - um feito notável do cinema japonês - com um quadro vazio atrás do apresentador, pois o canal não teve tempo de negociar o direito de veicular uma imagem para ilustrar a importante notícia. Esse pensamento também afetou o mercado editorial brasileiro.


Revista Herói: Uso de imagens
não licenciadas incomodava os
empresários japoneses
O cancelamento das revistas Herói e Henshin (editoras Conrad e JBC, respectivamente), deveu-se em parte ao avanço da internet como meio de informação do público, mas também às pressões dos japoneses para cessar com publicações que não pagavam direitos de uso de imagem, mesmo que para resenha ou divulgação. Ambas editoras estavam começando a publicar mangás originais no início da década passada. Isso pesou para que desejassem ficar em boas relações com as empresas japonesas que eventualmente tinham direitos sobre esses personagens que apareciam nas revistas informativas. 

Hoje, ao menos na internet, as leis de direitos de imagem permitem resenhas e imagens de divulgação de capas, mas isso não é muito respeitado e nem tem fronteiras muito claras. Mas certamente, imagens não autorizadas usadas pra divulgação ou resenha (como aqui neste blog) não têm nada a ver com pirataria, que é onde o bicho realmente pega.

Pirataria e a dureza de viver de arte

Como autor, é claro que sou contra a pirataria. Mas quando é algo feito entre fãs, sem lucros financeiros e no intuito de divulgar, o problema certamente diminui. Porém, muitos argumentam – e até já li artigos sobre isso - que as pessoas que mais baixam material gratuito são também as que mais gastam com produtos oficiais, fazendo dos downloads não-autorizados um “test drive”. Não creio muito nisso, pois conheço muita gente que diz ter milhares de músicas e filmes e nunca comprou um único CD ou DVD original na vida. E se alguém baixa 200 revistas em quadrinhos, por exemplo, não vai comprar as 200, só uma ou outra que realmente tenha adorado, até porque revistas custam caro. Ainda mais no Brasil, onde custos gráficos e de papel são altos. 


Em um mundo ideal, todos teriam condições financeiras de custear o consumo de um número razoável de bens culturais, mas não é a realidade. E muita coisa não chegaria mesmo para lançamento oficial, por ter baixa expectativa de vendas. É aí que scanlators (fãs de escaneiam suas revistas e disponibilizam já traduzidas) e fansubbers (que legendam e distribuem vídeos) suprem uma demanda que não é e talvez jamais fosse atendida por todas as vias oficiais. Sem eles, inclusive, pouquíssimos blogs de mangá, animê e tokusatsu existiriam e a informação seria ainda mais restrita.
Livro digital: Gratuidade
como condição de mercado

No ano passado, lancei de forma independente um e-book em PDF vendido a 10,90, o Cultura Pop Japonesa – Histórias e Curiosidades. As vendas foram pífias, de dezenas de cópias vendidas em 3 meses. Ao desistir de obter algum lucro e liberar download grátis, centenas baixaram em poucos dias. Havia interesse óbvio no trabalho, mas o valor de 10,90 foi mesmo um empecilho. Uma colega disse certa vez achar idiotice pagar um real que seja por algo que, se esperar um pouco mais, alguém copia e joga na internet de graça. Isso me fez abandonar a ideia de futuros projetos de livros digitais visando lucro. E certamente já aconteceu com outros, pois uma pesquisa que li apontava que a leitura digital de livros crescia vertiginosamente, mas as vendas continuavam pífias.

Se todo mundo pegar tudo de graça, quem irá financiar as produções para que os artistas e criadores possam ganhar a vida e, consequentemente, produzir suas criações regularmente? Tem aqueles discursos que dizem que gravadoras e editoras roubam dos artistas. Mas será que piratear ajuda esses artistas? Só ficar conhecido de nada vale se a fama não reverter em ganho financeiro. Não se paga conta com aplauso, elogio ou com “curtidas” de Facebook ou “retuítes” de Twitter.  Nem todo mundo pode se dar ao luxo de fazer seus projetos artísticos elaborados tendo outra fonte de renda para se manter. Artista também é um profissional que, para atingir o ápice de sua produtividade, precisa de dedicar ao ofício. E empresas precisam ter retorno de seus investimentos.

Uma área do entretenimento que depende de grandes investimentos para uma boa produção é a animação. No Japão, o mercado já viveu dias melhores e alguns estúdios se voltaram a nichos de mercado, com a audiência do público geral diminuindo por conta do envelhecimento populacional e da concorrência com outras mídias. Entre os animês, existem as produções feitas diretamente para DVD/Blu-ray. Com a pirataria correndo solta (e ela é de alto nível técnico em alguns países asiáticos), como os investidores que bancaram a produção irão ter retorno para investir em mais obras? 

Por outro lado, voltando ao caso brasileiro, impostos injustos e a busca por lucros cada vez maiores e imediatos, somados a políticas econômicas ineficazes criam produtos inacessíveis para grande parcela da população, que não ia comprar mesmo o produto oficial. Ao invés de edições de luxo, a indústria cultural (de DVDs, livros, HQs...) poderia buscar também edições populares, mas isso é algo que causa calafrios aos fãs formadores de opinião e com verba mais generosa que a média populacional.

O comércio de DVDs piratas é gigantesco
e difícil de ser combatido.
O que é certo é que criadores precisam ser pagos. No campo da música, dizem que agora todo artista tem que viver de fazer show, não de vender álbum. Mas será que todos conseguem ganhar bem só fazendo shows? Custos operacionais também entram na conta e já li artigos dizendo que só os grandes astros conseguem ganhar bem fazendo shows e tendo boas condições de desenvolver seu trabalho. A realidade geral é bem outra. E os compositores que não são músicos de palco, como fica o reconhecimento do trabalho deles? A indústria musical não paga o que deve, mas isso não é desculpa para tirar o pouco que seria repassado a eles. E os artistas independentes que vendem seu trabalho? Quem pirateia um artista independente não está tirando dinheiro diretamente dele?

A percepção de que cultura é também um serviço prestado a um mercado consumidor está muito diluída hoje. Se antes era difícil fazer as pessoas leigas entenderem que ser artista era profissão, e não apenas uma ocupação, hoje piorou essa noção. Se por um lado filmar suas ideias, gravar suas próprias músicas e publicar seus quadrinhos ficou mais acessível, por outro diminuiu a percepção do que é algo profissional, não por sua qualidade, mas por sua rentabilidade. 

Internet, divulgação e lucro
Claro que existe a questão da divulgação, que obviamente interessa a alguém desconhecido em um mercado. Eu acredito sinceramente que o YouTube é uma ferramenta de divulgação poderosa e que limitá-lo é um erro gigantesco. Já compartilhei neste blog diversos vídeos japoneses, geralmente clipes e trailers. Vira e mexe, descubro que algum foi retirado do ar por reclamações de direitos autorais. Agora, veja a seguinte situação:

Se as legislações misturarem cada vez mais o que é divulgação cultural e o que é pirataria visando lucros indevidos, logo todos os sites e blogs de cultura pop acabarão sendo perseguidos. Como disse, para os japoneses, não existe essa de imagem para divulgação, como aqui. Se eu receber algum comunicado sobre uso não-autorizado de imagens neste blog, simplesmente irei retirá-las do ar. Um blog só de textos, convenhamos, é muito pouco atrativo.

JAM Project: Individualmente ou em grupo,
diversos shows no Brasil, mesmo sem
nenhum CD lançado oficialmente aqui
As gravadoras, distribuidoras e mesmo alguns artistas japoneses deviam rever isso e considerar o YouTube e similares como aliados. Perdendo terreno no mundo todo para o pop coreano e vendo seu consumo interno diminuir por conta do envelhecimento da população, os empresários japoneses deveriam afrouxar um pouco as amarras que permitem a divulgação de suas obras mundo afora. 

O JAM Project, Miyavi, X Japan e outros nomes da música japonesa são conhecidos no Brasil graças aos fãs que acessam o YouTube e os sites e programas de compartilhamento de arquivos. Sem nenhum lançamento oficial em nosso país, já vieram fazer shows no Brasil perante plateias alucinadas, o que deve causar estranheza em quem não vive no mundo digital.

Até o momento, a saída mais interessante para a indústria fonográfica tem sido a venda de músicas avulsas em sites oficiais. Aliás, o Megaupload ameaçava entrar no mercado de venda oficial de músicas oferecendo custos menores e maiores royalties aos artistas, revolucionando o mercado. Curiosamente, isso coincidiu com sua retirada do ar sob acusação de facilitar a pirataria.

J-Comi: Mangás on-line, gratuitos e oficiais.
Em japonês, por enquanto.
No campo dos quadrinhos, uma iniciativa interessante foi criada no ano passado pelo mangaká Ken Akamatsu (Love Hina, Negima), o site J-Comi. Trata-se de um grande portal que permite a leitura gratuita e on-line de um vasto acervo de títulos de mangá. São obras fora de catálogo, cujas editoras demonstraram não ter interesse em reimprimir novas tiragens. 

A ideia é que a renda do site venha dos anúncios publicitários, como se fosse um canal de TV aberta. Essa renda é dividida entre o J-Comi e os autores dos mangás. E para provar que aposta na ideia, Akamatsu disponibilizou no site seu sucesso Love Hina, uma obra que ainda estava em catálogo e é um grande sucesso de sua carreira. Há a promessa de que essas séries também sejam traduzidas para outras línguas, fazendo do J-Comi a mais promissora ideia já surgida para aproveitar o potencial do mangá (e dos quadrinhos em geral) na web.

Leiji Matsumoto: Na juventude, inspirou-se
vendo animações ocidentais que chegavam
ao Japão por vias não-oficiais
Efeitos benéficos do acesso à cultura
Em uma entrevista à revista estadunidense Animerica em 1996, o autor Leiji Matsumoto (Yamato, Cap. Harlock, Galaxy Express 999...) contou a seguinte história: no início da década de 1950, um vendedor pirata negociava animações ocidentais americanas e russas em rolos de filme que era a mídia disponvíel na época. Um dia, a polícia investigou esse homem e acabou chegando até três jovens clientes que compravam basicamente desenhos animados com ele. Eram o próprio Matsumoto e os mangakás Osamu Tezuka (Astro Boy, Kimba) e Shotaro Ishinomori (Cyborg 009, Kamen Rider). Depois de prestarem depoimento dizendo que as aquisições eram para pesquisa por serem desenhistas (apesar de somente Tezuka ser profissional na época), foram liberados. Juntos, esses três autores formaram os pilares da cultura pop japonesa, que nem existiria como a conhecemos hoje se produções ocidentais não tivessem inspirado aquelas mentes criativas e ávidas por inspiração e informação.

O próprio mercado mais especializado em produções japonesas começou com as revistas informativas. E, para escrever matérias na revista Herói, nos anos 1990, eu recorria frequentemente a uma locadora clandestina que trazia fitas VHS japonesas. Sem esse acesso à informação numa época anterior à web, muitas pautas jamais teriam sido escritas e muita informação não teria sido compartilhada. A questão, como se vê, tem muitos lados.


Conclusões
Não tenho as respostas para essas questões sobre direitos autorais e as novas realidades, mas tenho algumas convicções, como a de que criadores e profissionais devem ser pagos e ter seus direitos respeitados. Convicção de que governos e empresários devem aceitar o avanço da web e seu impacto nos costumes e valores éticos, procurando formas de tornar o produto cultural mais acessível e integrado a esse novo mundo.

Estamos ainda no olho do furacão e a questão pode demorar um pouco a se acomodar. Pessoas e empresas sairão da indústria, outras entrarão entendendo melhor o jogo - e isso já está acontecendo. O importante é não perder de vista o que realmente importa nessa questão. Os artistas e criadores são seres humanos como quaisquer outros. Precisam pagar contas, se alimentar. E também precisam alimentar sua cultura e se divertir, sem que isso prejudique outros como ele. 

ATUALIZAÇÃO: (24/06/2012)

O grande dublador Nelson Machado (de inúmeros filmes e animações, mas lembrado até hoje por ser a voz brasileira do Quico do seriado Chaves), em sua página no Facebook, comentou meu artigo, dando um contraponto muito interessante à questão. 

"Na verdade, acho que só precisamos nos acomodar com a ideia de volume. O fato em si sempre existiu. A Internet só avolumou. Quando eu era criança, comprava um gibi e TODOS OS MEUS AMIGOS liam aquele gibi. Ou seja, UM comprava e TODOS liam. E ninguém vinha com essa conversa absurda (e falsa) de que ia comprar mesmo depois de ter lido! Assim era com gibis, com livros, com discos, depois com os filmes em VHS... Um compra, todos os amigos têm. Com o surgimento da xerox, do gravador mini-cassete e do VHS, os amigos passaram a copiar pra si. Isso sempre foi assim. A diferença, agora, é que um compra e TRÊS MIL AMIGOS lêem, ouvem ou assistem. Mas o fato é exatamente o mesmo. E a recompensa do artista também é mais ou menos a mesma. 

Hoje você lança um livro em formato e-book e sabe que vai vender 50 exemplares e cada um desses 50 vai ser repassado (de graça) pra umas duzentas pessoas. Ou seja, você vendeu 50 e DEZ MIL vão ler. Mas se fosse no jeito antigo, em papel, VOCÊ NÃO IA VENDER DEZ MIL!!! Ia vender os mesmo 50, talvez menos, porque seria mais caro. Em formato e-book custa 10 reais, em papel seria, no mínimo, 30 reais! Só que dos 10 reais, mesmo tirando as despesas todas, sobram muito mais do que os 10 por cento dos 30 reais que a editora passaria pra você. E você sabe, dia-a-dia, quantos foram vendidas, coisa que a Editora (ou gravadora, ou distribuidora de filmes) sempre maquia. Não dá pra não levar em consideração o “não repasse” habitual para artistas. Isso sempre esteve na conta e deve continuar. Eu prefiro ser pirateado pelo público. 

Ao menos meu trabalho está se difundindo e, do pouco que vou vender, vou ter controle absoluto e vou ver os resultados. O artista, seja de qual setor for, sempre foi pirateado! Antes era por quem não estava nem aí pra ele e só se interessava pelo lucro que ele podia gerar. Agora é por quem gosta do que ele faz. Prefiro o segundo grupo. 

Por enquanto, quem pirateia está só tomando um trocado dos grandes produtores. Os artistas envolvidos não iam ver nada dessa grana mesmo. Piratas na Internet, no fundo, roubam dos ricos e distribuem aos pobres. É maluquice idolatrar Robin Hood ou Zorro e ser contra os novos, só porque, em vez de uma espada, usam um teclado." - Nelson Machado

A discussão pode ser acompanhada neste link:
http://www.facebook.com/nelson.machado.dub/posts/404342172949951?notif_t=like 

Sobre "Roubo Digital"
E também gostaria de indicar um texto brilhante sobre downloads ilegais neste link:
http://mundofantasmo.blogspot.com.br/2012/06/2904-o-roubo-digital-2362012.html 
(Dica do leitor Diego Guzi Félix da Silva)

12 comentários:

Diego Hatake disse...

Ótimo texto, boas considerações. Realmente há muito o que se discutir na relação da utilização de conteúdo na internet.
Como quase tudo que se preze, acho que é questão de educação.
Existe gente que utiliza o download como "preview" das coisas, eu sou um deles. E eu sou do tipo que faz questão de comprar o que gostei, mas acho que isso é devido a eu ser de outra "época", já que os que mais vejo reclamarem algo do tipo "Pra quê comprar se eu já baixei?" são os de gerações mais novas.
Mas numa coisa imagino que esteja certo: realmente não dá para se comprar tudo o que se baixa na internet, e talvez nem todos que dizem isso o fazem mesmo, mas que existem, existem. Porém há de se considerar: a culpa é da sociedade "mal acostumada" que gosta de tudo na mão d emodo fácil ou dos preços de tais materiais que algumas vezes chega a ser abusivo? Pra importar CDs japoneses do Chemistry, que sou MUITO fã - e que só conheci por meio da internet, óbvio - desembolsei 300 reais! Compensou pra mim? Muito, mesmo que eu já tivesse as músicas em mp3, mas quantas pessoas fariam o mesmo? Aliás, corrigindo, quantas PODERIAM fazer o mesmo? Eu mesmo tenho de guardar dinheiro para comprar coisas importadas aos poucos, quem dera pudesse comprar todos os CDs e mangás na mesma velocidade que posso baixá-los.
Enfim, sou do tipo que "compra o que baixou". Além da consideração por ter algo oficial, faço isso por saber que houve um grande trabalho pra que tudo ficasse pronto, valorizo o trabalho artístico. Penso o mesmo em questão de filmes, que também tenho de me arrebentar pra conseguir cópias oficiais, que são poucas no Brasil, e livros. Aliás, isso é o que pega bastante pra mim no sentido que odeio livro digital. Não consigo mesmo ler algo assim.
Sempre que entro nesse assunto questiono que tentam resolver tudo pelo pior modo... Ao verem que já se há uma abertura mundial para a cultura japonesa em si, acho que eles bobeiam em não facilitar o acesso, especialmente pra coisas como resenhas, mas depende da mentalidade de quem se responsabiliza por elas. Por exemplo, eu pedi um mangaká - já que eu consegui contato com ele pelo Facebook, e graças a Deus ele entende inglês - de usar suas imagens em um post, e ele compreendeu que meu blog é só pra divulgação, ganho PN com isso. Adoraria fazer isso todas as vezes, sem demagogia, mas é impossível... Mas até que vou tentar me policiar melhor com meu conteúdo, mesmo que nem Adsense eu use pra justificar que ganho algo com isso, mas enfim, é estranho pensar que coisas que fazíamos normalmente na "vida real" - colagens com fotos de artistas, gravar uma compilação de músicas em um CD para ouvi-las - seja visto como crime... Mas pra amenizar isso, acho que é preciso fazer alguns entenderem o que é ajudar um artista a se manter, e de outro lado que empresas observem o quanto a pressão absurda põe a perder não só possíveis consumidores, mas a disseminação de cultura. Sei, completamente utópico, mas penso assim. E perdão por escrever um jornal, espero ter sido o mais coerente possível - aquele que geralmente se perde no que escreve.

Alexandre Nagado disse...

Diego, também penso como você. Gosto de CDs originais. E geralmente baixo apenas o que está inacessível, material raro, etc... A facilidade da internet é uma tentação e devia ser explorada positivamente.

Aqui no blog, uma vez postei sobre a cantora Kahoru Kohiruimaki, do tema de City Hunter. O vídeo com ela cantando foi removido por reclamação de direitos autorais, enquanto o clipe do animê, não. Poxa, ela é uma cantora já em fim de carreira, que depende de sucessos dos anos 80 pra se manter. Ao invés de usar a web pra se promover, conquistar novos fãs, o que ela ou seu empresário fizeram? Exigiram junto ao YouTube que o vídeo postado fosse retirado. Esse tipo de mentalidade tem que mudar, até por sobrevivência.

É isso, muito obrigado por seu depoimento. Apareça mais vezes.

Abraços!

Anônimo disse...

Otimo post no seu site e concordo com o que diz ali, mesmo com as contradiçoes que esse assunto expoe. E eu sou do tipo que abaixa e se tiver o produto oficial eu compro e muitas series que comprei eu primeiro abaixei na internet para ver se era bom, se nao era nao comprava se era eu compro. Uma coisa e certa o mundo mudou e nao adianta pensar como era antigamente e a web tem as suas vantagens e tem que ser usado muito sabiamente e nao gosto de ler livros e contos pela internet, prefiro no papel mesmo. Uma vez tentei ler 1984 no computador e mal passei na primeira pagina e agora que tenho o livro li ele em tres dias e se os japoneses nao mudaram a sua mentalidade, os coreanos e os chineses ultrapassarao eles e serao dificieis de alcançar, ja que agora a China e o segundo pais mais industrializado do mundo e a Coreia tendo mais importancia internacional e se continuarem bloqueando esses acessos no youtube, perderao cada vez mais consumidores e se continuarem com essa mentalidade suicida.

E abraços cara.

Diego Guzi Felix da Silva

Anônimo disse...

FERNANDO

NOSSA
ATÉ A IMAGEM É VIOLAÇÃO DE DIREITOS ALTORAIS (O QUE É UM ABSURDO)
QUE MARAVILHA...
SE Ñ MUDAR A MANTALIDADE, O JAPÃO VAI FICAR Ñ SÓ ULTRAPASSADO PELO COREANOS COMO IRÁ PARAR NO TEMPO DE MIL 900 E NADA AONDE REALMENTE NADA SE PODIA FAZER
ACHO QUE O JAPÃO PRECISA FAZER UM ESTÁGIO NOS EUA (OS REIS DE MARKETING0 PRA Ñ SÓ APRENDER A FAZER MARKETING MAS APRENDEREM A DIFERENCIA O QUE É MARKETING DO QUE É PIRATARIA POIS NA CABEÇA DOS JAPONESES TUDO É PIRATARIA
E DAQUI A POUCIO ATÉ O QUE QUE É LICENCIADO NOS CONTRATOS 9MANGÁS, ANIMES E POR AI VAI NO BRASIL E NO MUNDO) VAI SER PIRATARIA
É HORA DE MUDAR A MENTALIDADE JAPÃO!!!
VAMOS ACORDAR PQ JÁ ESTÁ PASSANDO DA HORA

Bruno Seidel disse...

Nossa! O assunto é tão amplo e discutível que fica difícil saber por onde começar. Li os artigos complementares do Nelson Machado e do Bráulio Tavares, que apresentam um ponto de vista bem parecido com o meu. Acho que a internet veio por sacudir completamente essa realidade editorial e financeira do meio artístico, tanto em "volume" (como citou o Nelson), como na forma de mudar a mentalidade das pessoas. A facilidade e o comodismo de baixar o que bem entender na internet (e de graça) está mudando o próprio comportamento das pessoas. Um caso evidente disso foi o recente episódio da SOPA/PIPA, quando em menos de 24 horas as pessoas que defendiam a indústira (Hollywood, Nintendo, artistas) deixaram de ser maioria e passaram pro lado contrário (Google, Yahoo, Facebook...). Também acho que o artista é um profissional que precisa (e deve) ter seu sustento através do trabalho, mas o mundo está nitidamente mudando e é preciso que os artistas mudem sua maneira de pensar e agir também. Proibir o acesso ao Youtube e as imagens meramente ilustrativas me parece uma atitude burra e aristrocrata. A publicidade e a venda de produtos licenciados são uma boa forma de compensar o lucro dizimado pela pirataria e até uma forma de tirar proveito da popularidade que essa "vilã" proporciona. Sabemos hoje que o sucesso de uma determinada produção costuma depender muito mais da venda de produtos licenciados do que da audiência em si. Lógico que isso reflete num efeito dominó e em outras estratégias (vide as séries Tokusatsu que se transformaram num catálogo de brinquedos). Mas são sintomas dos novos tempos. Aqueles que têm dificuldade de se adaptar a essa nova realidade, que fazem questão de manter uma política idêntica à de 20 anos atrás (quando nem existia internet) naturalmente serão devorados pelo avanço do tempo.

Gregório Moreira disse...

Acho que nesse turbilhão todo algo interessante que surgiu foi o modelo de negócio da App Store, da Apple, onde o usuário pode adquirir suas músicas preferidas, publicações ou aplicativos a preço acessível e sem ter que se aventurar por ambientes, digamos, pouco saudáveis na web. Parece estar dando certo, tanto que Google e Microsoft estão copiando o modelo. Ótimo artigo. Abs.

Monica Silva disse...

Excelente matéria. Gostei das considerações. Concordo que artistas devem ser pagos pelo seu trabalho, mas também sei que boa parte dos lucros ficam com as produtoras/editoras. Na minha opinião a internet é uma forma excelente de divulgação, quanto à pirataria, quantas centenas de títulos nós sequer conheceríamos se não fosse por fansubbers? Eu morava em São paulo e conseguia algumas coisas em VHS pirata, mas não falo japonês... então corria atras de transcripts de anime na internet (anos 90, 56Kbp/s quando a conexão tava boa)hoje é só baixar e assistir... com o dinheiro que sobra, dá pra comprar outras coisas relacionadas ao Anime, como bonecos, este tipo de coisa. Imagino que a Internet deva se tornar uma TV Aberta geral, onde os Fanssubers seriam os canais, e as propagandas reverteriam em lucro para as produtoras, do contrário, muitos títulos não serão exibidos jamais no Brasil. Prefiro fazer download de pirataria do que ter que aguardar a "Grobo" decidir passar algo decente na sua programação... até a TV paga esta terrível em relação a Animes... só enlatado americano...

A "distribuição" via internet é uma forma de atingir um nicho que nem seria considerado como alvo. No que se refere à música, um cd original japonês, hoje, sai por volta dos R$ 80,00, mais o frete, desembolsamos cerca de R$ 100,00 para termos 12 música? Ora, que as gravadoras coloquem sites oficiais com downloads com custos reduzidos (tirando custos materiais e de distribuição, o valor final é bem acessível). Ou só porque estou no Brasil tenho que esperar a promoção da Lojas Americanas do Cd do Michel Teló? (Se for assim que se escreve)

Prefiro ser pirata, fora da lei, mas com cultura diversificada!

Ale Nagado disse...

Olá, Monica, obrigado pela participação.

Estou na mesma situação. Tenho muitos CDs originais e logo meu acervo de MP3 irá superar o de mídias físicas.

Quando não há interesse em facilitar o acesso à informação e cultura e os preços são muito altos, abusivos até, recorro mesmo às vias não-oficiais.

Abraço!

Eduardo disse...

Olá, eu sou novo no blog e queria dar a minha opinião também. Esse assunto de pirataria é muito interessante e é um problema sério a se discutir. Eu não sou hipócrita, como fã de tokusatsu eu baixei vários downloads ilegais na internet, mas isso também acontece pelo fato de muitos atrações não chegarem ao Brasil por vias oficiais. Felizmente há algumas alternativas legais como o Crunchyroll e Netflix. Quando não tem outra alternativa, vejo de forma ilegal. Eu também tenho comprado os DVDs da Focus Filmes, apesar de estar ciente de todos os problemas que alguns deles tiveram, sendo o mais famoso o caso Jiraiya.

Com relação ao mercado de animes (seja na televisão ou em DVD e Blu-ray), que no Brasil praticamente inexiste, a culpa é dos dois lados: do fã acomodado com o download pirata, mas principalmente com as empresas, como Play Arte e Focus Filmes que não fazem o serviço direito. Como esquecer do caso Jiraiya com a imagem do Toei Channel? Pelo menos consertaram depois...

Enfim, eu concordo com as pessoas que dizem que sempre que houver a opção de comprar ou ver por vias oficiais, deve se escolher ela, mas estou ciente também que nem todos podem se dar a esse luxo. Se pelo menos os impostos não fossem tão abusivos...
Com relação ao CDs de música e os artistas, concordo que eles, como qualquer pessoas, precisam ganhar dinheiro com a venda de seus CDs senão eles não sobrevivem.

Ale Nagado disse...

Olá, Eduardo. Obrigado por sua contribuição ao tema. E espero que encontre mais assuntos do seu interesse aqui no Sushi POP. Apareça mais vezes.

Abraço!

Nathália disse...

Excelente texto, uma visão bem ampla sobre o assunto!

Alexandre Nagado disse...

Obrigado, Natália.

Esse assunto é bastante espinhoso e muitos evitam abordá-lo. Fico contente por ter publicado.

Abraço!