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| A maior banda pop do mundo, segundo o Guiness Book of Records |
"Kaze wa fuiteiru" (ou "O vento está soprando"),
grande sucesso do grupo em 2011. Uma boa canção.
O AKB48, análises musicais à parte, representa o ápice do pensamento marqueteiro na indústria pop japonesa. Entrou até para o Guiness Book of Records, como o conjunto musical pop com o maior número de integrantes. Se o público japonês tradicionalmente gosta de idols, por quê não juntar 48 delas em um só grupo?
Aqui, vale registrar que o conceito de idol no Japão não é exatamente a tradução para "ídolo", vai além disso. Uma idol geralmente é uma atriz-modelo-cantora-dançarina (e algumas vezes também dubladora) que tem a imagem trabalhada para parecer uma eterna virgem sonhadora e etérea a causar suspiros nos pobres mortais. Seus fãs as cultuam como musas inalcançáveis, intocadas. Não por acaso, há uma enorme base de fãs que não é adolescente, mas sim formada por adultos solitários e obsessivos que se encaixam, de forma pejorativa, no estereótipo otaku (no sentido original do termo). Uma idol não tem direito a uma vida social ou opiniões sobre qualquer tema polêmico, sendo presa a contratos rígidos que ditam cada passo e cuidam de sua imagem. É o preço da fama e fortuna em tenra idade. Controladas por seus produtores, trabalham intensamente, pois lá a superexposição é regra e o sucesso de uma idol é efêmero.
Dividir para conquistar
Separadas em vários subgrupos (Team A, Team B, DiVA, etc...) que lançam os singles separadamente e com algumas já em carreira solo paralela, as garotas do AKB48 têm uma agenda cuidadosamente calculada. Já apareceram em comerciais de TV, dramas (as novelas de lá), seriados, revistas, livros fotográficos e, é claro, shows e programas de TV. Algumas delas, como Atsuko Maeda (que já anunciou sua saída), Tomomi Itano e Sayaka Akimoto, já se tornaram celebridades individuais.
As belas integrantes do conjunto são facilmente substituíveis (e algumas já foram mesmo) e oferecem a dose de sonho que o público médio japonês busca. São modelos de beleza e glamour para as meninas e sonho de consumo para os rapazes e senhores babões. Todas têm o biótipo de ninfeta de olhos arregalados e muitas já estamparam luxuosos livros com ensaios sensuais de biquíni e lingerie, incluindo as que são menores de idade (algo comum na mídia japonesa). O erotismo é uma arma bastante explorada pelo mercado musical no mundo todo e no Japão não é diferente. Mas o grande diferencial em relação ao ocidente é a suavidade e delicadeza com que é feita a exploração da imagem das cantoras.
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| Usando erotismo light para vender doces. |
Campanha da Shonen Sunday para seduzir
garotos - e senhores - virgens e sonhadores.
garotos - e senhores - virgens e sonhadores.
A campanha mais recente, veiculada na revista Shonen Sunday, convida os fãs a experimentarem um beijo das garotas. Atrás de uma foto de uma integrante, um preparado aromático e um desenho de lábios prometem simular a sensação de beijar os lábios da garota sonhada. Imagine um coitado fechando os olhos e beijando uma folha de papel e terá a medida exata do que essas campanhas estimulam. Não é de se estranhar que essas meninas já tenham sido vítimas de perseguidores e fãs tarados.
Elas são realmente bonitas, cuidadosamente selecionadas e algumas já mostraram potencial como atrizes, além de cantoras competentes. O som delas até que não compromete, pois a máquina de dinheiro que as movimenta contrata bons produtores e compositores, sem contar o próprio criador do grupo, ele mesmo um letrista que sabe falar ao coração do público. E sua fórmula "coral de modelinhos" está longe de se esgotar. Akimoto também produz os similares SKE48, SDN48, Nogizaka 46 e outros, indistinguíveis entre si para os não-iniciados. E o público vai atrás, comprando música mais pelo visual de quem canta. As AKBs são conhecidas em vários países e até já fizeram show nos EUA, tendo entre seus fãs as filhas do presidente dos EUA, Barack Obama.
Com força total, invadiram a tradicional franquia Ultra, tomando conta do filme Ultraman Saga, lançado no Japão em março, ficando entre as 5 maiores bilheterias de seu país na estreia.
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| As heroínas de AKB0048 e suas contrapartes reais. Algumas vieram na verdade de bandas "irmãs", gerenciadas pelo mesmo empresário. |
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| Na capa da Shonen Magazine, ajudando a vender mangás. |
No caso do AKB48 e seus similares, a superexposição parece não incomodar, pois a fórmula permite rotatividade de integrantes. Enquanto houver um público ávido por idols, o estilo AKB48 continuará reinando. E com o mercado de entretenimento japonês passando por momento delicado devido à crise econômica atual, não é de se estranhar que elas estejam se tornando onipresentes na mídia. Até porque a falta de perspectivas e a insegurança geradas pela crise acabam criando mais pessoas que buscam o sonho que elas vendem, tão vazio e efêmero quanto elas próprias.
Site oficial: www.akb48.co.jp
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Nota do autor: Escrevi esta postagem mais para registrar algo atual do mundo
da música pop japonesa, que obviamente não se restringe a grupinhos
pré-fabricados (ainda bem). Esse tipo de som pop dançante
com vozes infantis não me desce muito bem (apesar de gostar de algumas canções), nem o pensamento excessivamente mercantilista e explorador que o criou. Enfim, pelo meu interesse em cultura pop, está feito o registro. Leia também:
- Idolatria e perseguição no mundo otaku




4 comentários:
Se não me engano, "Kaze Fuiteru" é também o nome do tema de abertura do anime Street Fighter II Vicotry, não é??
Sim, são títulos parecidos mesmo, mas não têm relação. O do AKB48 é "Kaze wa fuiteiru".
Este, Atsushi Akimoto, é o homem do yen no Japão!
Vc sabe Nagado onde anda o Tetsuya Komuro? Continua preso por vender letras sem ter o direito?
Parece que o Tetsuya Komuro negociou sua dívida e conseguiu sair da cadeia, já retomando as atividades musicais.
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