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sexta-feira, 23 de março de 2012

Metalder - O Homem-Máquina


No início da década de 1990, as emissoras brasileiras foram invadidas por uma febre nacional por super-heróis japoneses de tokusatsu, tudo graças ao sucesso estrondoso de Jaspion e Changeman. Obras anteriores e posteriores a essas séries pipocaram em quase todos os canais e a saturação acabou cansando o público em geral, ao passo que formou uma legião de fãs saudosos. Entre tantas outras, uma série que se tornou cult mas não foi um sucesso de audiência foi Metalder, um projeto arrojado e cheio de qualidades.

Para relembrar esse bom trabalho da Toei Company, reproduzo aqui (devidamente revisado e ampliado) um texto que escrevi para o portal Omelete, no qual fui colaborador por anos. Com vocês, Metalder - O Homem Máquina:


INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A série conta a saga de um poderoso andróide construído na Segunda Guerra Mundial como uma arma destruidora. Sem ser ativado devido à derrota e rendição japonesa em 1945, o guerreiro metálico foi abandonado. Quarenta e dois anos depois, ele é ressuscitado por seu criador, o Dr. Koga, a fim de combater o maligno Império Neroz e seus planos de dominação mundial.
Imperador Neroz: Um vilão manipulador e
estrategista como poucos no mundo
dos seriados tokusatsu
Liderada pelo grande empresário Makoto Doubara, alter ego do Imperador Neroz, a organização é um exército que usa de terrorismo para prejudicar ou eliminar concorrentes no mundo dos negócios. O Império possui quatro subdivisões: as Tropas Monster, Cibernética, Mekanol e Blindada. Ao ser alertado sobre a movimentação de Koga, que conhecia há muito tempo, Neroz manda seus soldados atrás do cientista.
Tendo despertado confuso, o andróide de aparência humana Hideki Kondo (Ryusei Tsurugi, no original) vê seu criador morto entre soldados de Neroz. Então, assume sua forma robótica de combate e trava feroz batalha contra os vilões, sofrendo sua primeira derrota. Conseguindo escapar, vai tentando se adaptar ao mundo que o cerca, cheio de dúvidas e perplexidade. 
Hideki fora criado com os padrões físicos e psicológicos do falecido filho do Dr. Koga, herdando também a capacidade de tocar sax. Em certo ponto da série, Hideki questiona-se sobre sua identidade e individualidade.
Maya, capaz de arrasar
corações humanos
e cibernéticos
Pouco depois de seu árduo despertar, ele conhece a bela repórter fotográfica Maya Aoki (Mai Ougi, no original), uma jovem corajosa e meiga. Com seu jeito nobre e atencioso, o andróide desperta o amor de Maya, que logo passa a ajudá-lo nas investigações sobre as atividades ilegais do Império Neroz. A eles, junta-se o impetuoso motoqueiro profissional Satoru, que vê Hideki como um amigo fiel, mas também um rival pelo coração de Maya.
Na luta contra o Império Neroz, Metalder conta com a ajuda das sofisticadas criações do Dr. Koga, inclusive Springer, um doberman-robô falante e auxiliar do herói em sua base secreta. Nas batalhas que se seguem, alguns soldados de Neroz rebelam-se contra o mestre, com destaque para o poderoso Top Gunder

Cheia de reviravoltas, a série termina com o sacrifício do herói, que destrói o Imperador Neroz, mas também perde sua parte humana. O final é bastante emotivo e poético, sem cair no dramalhão. A sensibilidade que conduziu a maior parte da série se manteve até o final, sem perder suas características, o que é considerável ainda mais se lembrarmos que a audiência foi modesta (média de 8,2%) e o número de episódios planejado foi diminuído, para acelerar logo a estreia de Jiraiya, a série criada para substituir Metalder na programação da TV Asahi
Maya, Hideki e Satoru
NOTAS DE BASTIDORES
Com a produção econômica típica dos seriados da Toei Company, Metalder destacou-se por tentar atingir um público mais velho investindo em tramas mais elaboradas. 

- Na trilha sonora, destaque para o brilhante compositor Seiji Yokoyama, autor também das músicas de fundo de Cavaleiros do Zodíaco (1986). Parte da trilha composta para Metalder foi reaproveitada em Winspector (1990).


- A música-tema, "Kimi no seishun wa kagayaiteiruka" (ou "Sua juventude brilha como o Sol") foi entoada em tom grandioso por Isao Sasaki, o mesmo intérprete da canção-tema do clássico Patrulha Estelar (Yamato). O encerramento, "Time Limit", ficou com Ichirou Mizuki, cantor de Spielvan, Capitão Harlock e fundador do grupo JAM Project. Ter os dois mais importantes nomes das anime songs clássicas em sua trilha foi um privilégio único para Metalder. 
- O design, providenciado pelo hoje famoso cineasta Keita Amemiya, era baseado em um antigo herói chamado, Kikaider, criação de Shotaro Ishinomori

- Entre os roteiristas, o veterano Shozo Uehara, nome de destaque nas franquias Ultra, Kamen Rider, Super Sentai e Metal Hero (gênero do qual é coautor).
- Na segunda metade da saga, entrou em cena o motoqueiro falastrão e boa-praça Satoru, vivido pelo ator Hiroshi Kawai (atualmente assinando Kazuoki Takahashi, seu nome verdadeiro), o Change Griphon do grande sucesso Changeman. 
- Em vez do tradicional monstro da semana, frequentemente Metalder enfrentava grupos inteiros de inimigos, tendo sérias dificuldades em vencer. Longe de contar com um herói imbatível e dominada por um clima meio depressivo, a série não fez sucesso no Japão.
- Nos anos 90, Metalder foi adaptado nos Estados Unidos e editado junto com a série Spielvan (e posteriormente, Sheider) como parte do seriado VR Troopers. Nesta medonha versão, o herói foi rebatizado de Ryan Steele e descaracterizou-se por completo. Felizmente, o público brasileiro pôde ver a série original antes que Troopers fosse exibido na Globo.
Completando 25 anos de seu lançamento, Metalder permanece até hoje como uma obra diferenciada e à frente de seu tempo.


Ficha técnica:
Título original: Chou Jinki Metalder (Super Homem Máquina Metalder)
Estreia no Japão: 16 de março de 1987
Número de episódios: 39 para TV e um para cinema
Criação: Saburo Yatsude
Roteiro: Susumu Takaku, Shozo Uehara e outros
Desenho de produção: Keita Amemiya
Trilha sonora: Seiji Yokoyama
Direção: Yoshiji Tomita, Takeshi Osasawara e outros
Realização: TV Asahi, Toei Company / Asahi Tsushinsha (ASATSU)
Distribuição: Tikara Filmes
Emissora no Brasil: Bandeirantes
Elenco: Akira Senoh (Hideki Kondo), Hiroko Aota (Maya Aoki), Hiroshi Kawai (Satoru), ShinjiTodoh (Makoto Doubara)


O mangá de Kikaider, de
Shotaro Ishinomori
EXTRA: KIKAIDER - 40 ANOS

Tendo servido como inspiração para Metalder, Kikaider é um personagem pouco conhecido no Brasil, mas é bastante cultuado no Japão, tendo tido versões em mangá, animê e tokusatsu. 


O personagem se tornou protagonista uma série tokusatsu de muito sucesso em 1972 e gerou uma sequência, Kikaider 01. Esses heróis até ganharam uma pequena (embora desnecessária) participação especial no longa Let´s Go Kamen Riders, de 2011. A versão tokusatsu é mais leve e o tom mais denso e fiel ao mangá ficou com a versão em animê, iniciada em 2000.


Confira um artigo especial sobre o mangá original de Kikaider no blog Maximum Cosmo, assinado por Felipe Onodera. O enredo é surpreendente e trágico, mesmo comparado com Metalder, sendo um trabalho bastante representativo do autor Shotaro Ishinomori, um dos mais importantes da história do mangá. Confira:


Jinzou Ningen Kikaider, de Shotaro Ishinomori 

13 comentários:

Anônimo disse...

Sem dúvida uma ótima série,que será sempre lembrada...muito bacana a matéria em comemoração aos 25 anos de série,por coincidência a pouco estava revendo os 2 primeiros eps,com audio original em japonês,nota-se muitas adaptações em português,mas enfim é uma ótima série.

IKARU!!!

Robinson Oliveira disse...

O que realmente achei estranho era assistir Winspector e imaginar que fosse Metalder por conta da trilha sonora...fundo musical...rsrsrsrs... estranho mesmo.
Bom lembrar Nagado.

Alexandre Nagado disse...

Essa reciclagem a Toei fez em outras produções. É bem chato isso, mas pelo menos os compositores autorizam (e espero que recebam também). É o orçamento curto desse tipo de produção...

Bruno Seidel disse...

Acho que a melhor definição sobre Metalder foi uma que o próprio Nagado fez uma vez (e que eu li no Almanaque da Cultura Pop Japonesa): "um herói muito à frente do seu tempo". Acho que isso explica a injusta desvalorização que a série recebeu do público ao ser exibido na TV japonesa, em 1987. Talvez, naquela época, o público (basicamente caracterizado por crianças) ainda não estava preparado para uma série com tamanha dose de drama, referências históricas à 2ª Guerra Mundial, conflitos empresariais... é difícil emplacar uma obra assim para crianças que estavam acostumadas com Spielvan, Jaspion, Shaider... uma pensa, pois uma série tão marcante como Metalder merecia muito mais do que meros 39 episódios.

hamleprimeiro disse...

Bom dia Nagado,

Quando Metalder passou por aqui infelizmente não acompanhei. Agora não lembro o porquê. Pena que, depois dos infames Powers Rangers, tenhamos perdido a chance de assistir as versões originais.
Curioso que houvesse a adaptação dos nomes japoneses dos personagens para outros nomes japoneses. É isso, entendi certo?
Será que era por questão de pronuncia?

Alexandre Nagado disse...

Bruno: Para manter o nível, talvez tenha sido bom que Metalder tenha tido apenas 39 episódios. Ficou mais ágil a trama. O legal é que não ficou com jeito de final feito às pressas, teve uma progressão interessante e uma conclusão coerente, mesmo meio aberta a diversas interpretações.

Hamlet: Acho que foi por causa de sonoridade mesmo. Várias mudanças foram desnecessárias, em minha opinião.

Abraços!

hamleprimeiro disse...

Valeu pela resposta, Nagado.

Robinson Oliveira disse...

Também espero que tenham recebido...rsrsrsrsrs!

Eduardo disse...

Metalder é uma série incrível. Eu assisti e fiquei maravilhado com a trilha sonora (cortesia do mestre Seiji Yokoyama, que compôs as BGMs de Cavaleiros do Zodíaco). A história tinha um tom sério e dramático que poucas vezes eu vi em um tokusatsu. praticamente não tinha espaço para a comédia. Em certos momentos você fica até enjoado com o tom cinza dos episódios. Você pode ver que até os cenários são escurecidos, mesmo quando está de dia. A série teve um final muito triste, mas condizente com uma série desse porte.

Só é triste que a série tenha sido usada para fazer aquela porcaria do VR Troopers (como o César do Blog Daileon falou, por mais que haja polêmica com relação a esse assunto, também é tokusatsu).

Enfim, é uma série que deixou saudades e que merece figurar na lista dos melhores tokusatsus de todos os tempos.

Ale Nagado disse...

Fala Eduardo!

O bacana é que a Toei bancou a série, tentou salvar e no final manteve o mesmo clima do início.

Mérito da equipe de produção e dos produtores envolvidos.

Abraço!

Ale Nagado disse...

Fala Eduardo!

O bacana é que a Toei bancou a série, tentou salvar e no final manteve o mesmo clima do início.

Mérito da equipe de produção e dos produtores envolvidos.

Abraço!

Franco Ikari disse...

Metalder é meu terceiro Metal Hero favorito perdendo apenas pra Winspector e Solbrain.Além de tantas inovações ele tinha um clima diferente. Já fiquei encantado com a luta contra um membro do Neroz onde Metalder resolve poupar o guerreiro dizendo que ele era um ser vivo e que ele devia dar valor a vida. O sujeito era tão acostumado a morte e sangue que ao ouvir aquilo de um inimigo,o tocou profundamente,ele olha pro céu, pra uma flor e derrama lágrimas. Neroz era um vilão mais realista,de olho na bolsa de valores e literalmente querendo escravizar a humanidade monopolizando o petróleo e o mercado de ações.
O único defeito da série foi por conta de audiência. Lá pelo ep 16 eles começaram a reinserir maneirismos das outras séries,Neroz passa a usar planos(como o da gangue do Hoquei) tipicos das obras anteriores e Hideki Kondo passa a ser mais sorridente e alegre assumindo um carater mais detetivesco nas suas ações deixando a disputa com soldados de lado. Felizmente talvez por verem que nada aumentaria a audiencia e por já terem decretado o fim precoce retornaram aquele clima marcante do inicio e deram sem dúvida o melhor e mais emocionante final que já vi num Tokusatsu junto com o de Timeranger.
Pena não ter sido popular,queria muito DVDs oficiais por aqui mas ao menos marcou quem assistiu

Alexandre Nagado disse...

Olá, Franco!

Obrigado por esse excelente depoimento. Metalder é meu Metal Hero favorito e acho que se fosse feito hoje, haveria público.

Foi bom que conseguiram dar um fim digno (e emocionante). O final de Spielvan já havia sido muito mal resolvido e forçado. Mas em Metalder, fizeram algo digno do começo ao fim. Mesmo os episódios feitos para atrair mais os pequenos tinham seu clima, sua importância. A Toei estava com seus profissionais bem inspirados em 1987, ano em que fizeram também Maskman e Kamen Rider Black.

Abraço!