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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Zillion - 25 anos

Champ, JJ e Apple, os White Nuts
Numa época de grande entressafra de animações japonesas nas emissoras brasileiras, a TV Globo exibiu brevemente um animê de grande sucesso, que marcou muitas crianças e adolescentes no final da década de 1980. Para recordar, estou reeditando uma matéria que fiz para a antiga revista Herói, em 1995, mas com alguns extras. Divirta-se!

A abertura original, "Pure stone", de Risa Yuuki. Versão sem os créditos.

INTRODUÇÃO

O planeta Mariz é considerado uma segunda Terra, onde vive uma grande colônia de humanos. A paz dura até o ano 2.387, quando os invasores do Império Noza iniciam seu violento ataque e os humanos não têm como enfrentá-los. A situação muda quando três pistolas de origem desconhecida são encontradas. Com um poderoso raio vermelho de desintegração, as pistolas recebem o nome de Zillion e são confiadas a três agentes de elite que deverão destruir a ameaça Noza.

A história contada até aqui parece a de uma rotineira série de super-heróis. Pra piorar, Zillion foi planejada apenas para promover brinquedos e games da Sega. No caso, eram as próprias pistolas, que podiam ser usadas para jogar um tipo de paintball eletrônico. Cada jogador de Zillion usava um sensor no peito (similar ao que aparecia na série) e este indicava quando ele era atingido pela arma de um adversário. Além disso, havia o console Master System, com um cartucho Zillion e a pistola Light Phaser, igual à Zillion dos primeiros episódios.

FAZENDO A DIFERENÇA

Para que a série não fosse apenas mais uma entre tantas outras, a Tatsunoko Production trabalhou com um time de primeira e criou uma série diferenciada. Nasceu assim a série Zillion, com as aventuras do esquadrão White Nuts (chamada aqui de White Knights).


Especial da revista Animedia,
destacando um dos grandes
sucessos de 1987.
Liderados pelo chefe Gordon (Gord, no original), os White Nuts são: o vaidoso Champ (que é o melhor atirador do planeta), a sensual Apple e JJ, um combatente incansável, que acabou ficando mais famoso por suas manias do que por sua destreza. Sendo um mulherengo contumaz, JJ adora passar a mão em garotas, espiá-las no banho e por aí vai. Completando o time, tem o engenheiro e piloto de jatos Deibo (Dave), a secretária atrapalhada Amy e o robô ovóide Bongo (Opa-Opa, no original). Entre uma batalha e outra, sempre rolava muita confusão com o grupo, especialmente entre Champ e JJ, sempre brigando pela atenção de Apple que, no fundo, tinha uma queda por JJ.

Zillion estreou na TV japonesa em 12 de abril de 1987, na TV Nihon. Na entrega anual do Prêmio Atom (uma homenagem ao Tetsuwan Atom – ou Astro Boy – de Osamu Tezuka), a série abocanhou alguns prêmios, incluindo melhor obra, melhor personagem masculino (para JJ) e melhor personagem feminina (Apple). A série terminou precocemente em 13 de dezembro de 1987, com a derrota dos Nozas. Apesar do sucesso, Zillion durou pouco devido a problemas contratuais entre a Tatsunoko e a Sega.


"Utahime sayokyoku", com Yuko Mizutani, a abertura de Burning Night.

DEPOIS DA SÉRIE


Em 1988, os fãs japoneses ganharam um presente: uma aventura inédita lançada diretamente para vídeo. Era Zillion – Burning Night, com 45 minutos de duração. Tratava-se de uma história ambientada numa realidade alternativa e época imprecisa, onde o chefe Gordon é dono de uma boate animada por uma banda de rock formada por Apple (vocal), JJ (guitarra), Champ (baixo), Amy (teclados) e Deibo (bateria). Os Nozas aparecem como uma quadrilha de humanos normais que raptam Apple e são perseguidos por JJ e Champ. Sem ligação com a cronologia da série, Burning Night foi lançado em junho de 1988 e logo se tornou o oitavo título mais vendido daquele ano.

Criado sem a obrigação de ser uma obra-prima e com recursos de animação bem limitados, Zillion surpreendeu com suas histórias cheias de humor e um ritmo alucinante. JJ e seus amigos mostraram que salvar a humanidade pode ser algo bem divertido.

FICHA TÉCNICA

Título original: Akai Koudan Jirion (Raio de Luz Vermelha Zillion)
Estréia no Japão: 12/ 04/ 1987 (TV Nihon)

Número de episódios: 31 p/ TV e um para vídeo
Criação: Tsunehisa Itoh
Roteiro: Tsunehisa Itoh e Seiya Yamazaki
Trilha sonora: Jun Irie
Direção: Takayuki Gotoh, H. Hamazaki e Akira Watanabe
Direção geral: Mizuho Nishikubo
Chefe de produção: Ippei Kuri
Realização: Tatsunoko Production
Emissoras no Brasil: TV Globo e TV Gazeta

Texto publicado originalmente na revista Herói n. 19 (Ed. ACME/ Nova Sampa, 1995)

CURIOSIDADES: 
Por Michel Matsuda (*)


Borgman: Heróis metálicos
armados com... Zillion?

ZILLION: A PISTOLA RECICLÁVEL
Quatro meses após o término de Zillion, a pistola que dava o título a série viria a ser reaproveitada num outro animê, o Chôon Senshi Borgman (Guerreiro Supersônico Borgman), em abril de 1988, também pela Nippon TV, mas com produção do estúdio Youmex. Chamada apenas de pistola Borgman, era apenas uma das armas do herói, e não tinha a mesma importância do que na série original. Isso foi possível por se tratar do mesmo patrocinador, a SEGA. E alguém se lembra da antiga Zillion, aquela com a caixa preta? Na série, foi usada do capítulo 1 ao 11, quando deu lugar a outros modelos.

Apesar dela jamais ter sido comercializada em brinquedo, serviu de modelo para a criação da pistola do Master System, a Light Phaser. Entretanto, esta Light Phaser não foi lançada no mercado japonês, já que nenhum dos jogos compatíveis com a pistola saiu por lá. Nos jogos Phantasy Star Online Episode 1 e 2, para o Game Cube, era possível escolher uma arma muito parecida com a Zillion, chamada de Ruby Bullet.



A cobiçada Zillion, ou melhor, Light Phaser
ZILLION: IDEIAS E MAIS IDEIAS... – Como toda e qualquer obra, Zillion passou por diversas etapas até chegar a sua versão definitiva. No início, só existia a pistola da SEGA, e a Tatsunoko teria que criar uma história que realçasse ao máximo as características da arma. Pra isso, três vertentes da história foram elaboradas. A primeira seria uma história de guerra real, protagonizada por soldados, e a Zillion, uma arma militar. 

A segunda seria uma história de fantasia estilo Rei Arthur, sobre um viajante que receberia uma pistola dos deuses. A terceira ideia seria de uma equipe estilo Super Sentai, em que adolescentes se transformariam ao colocar o Zillion Badge no peito (um alvo que vinha no brinquedo). Pode-se dizer que o resultado final foi um misto de todas as ideias. 

A princípio, os heróis utilizariam armaduras, mas desistiram da idéia, tanto pela mobilidade, como pela proteção ineficaz. Essa ideia acabou sendo utilizada em Borgman. Com capacete, a distinção dos personagens seria mais difícil. Então mudaram para óculos, mas aí continuaria ocultando a expressão facial. A solução então foi o Red Guard, um visor colocado no olho direito. 

Na primeira sinopse do último episódio, Apple formaria um casal com o JJ, assim como o Champ se daria bem com a Emi. E na última cena, Apple daria um beijinho no JJ, o que acabou sendo substituído por uma cena cômica com os rapazes caindo de suas motos.

Ilustração do diretor Takayuki Goto
para a capa do segundo DVD Box
da série, lançado no Japão.
ZILLION: 31 OU 35 EPISÓDIOS? -
Originalmente, a série Zillion havia sido planejada apenas até o episódio duplo ― "Vivo ou Morto? Confronto do Destino" (episódios 15 e 16), exibido nos dias 19 e 26 de julho de 1987, e para preencher o horário enquanto um novo lote de episódios não ficava pronto, a Nippon TV colocou no ar uma seleção de episódios intitulada Zillion Kessaku Sen (Zillion Seleção Obra-Prima), respectivamente os episódios 1, 6, 7 e 16. Após o intervalo de um mês, a série voltaria com episódios inéditos no dia 6 de setembro, e com o subtítulo Gekitô Hen (Fase Dramática) adicionado na abertura. 

A partir dessa fase, houve a mudança de horário e a série passou a ser exibida às 10h30 de domingo, e não mais às 10h00. Comenta-se que foi uma estratégia da Nippon TV para não bater de frente com a série Kamen Rider Black, que estrearia às 10h00 pela TBS.

Curiosamente, por causa dessa breve reprise, a renomada revista especializada Animage catalogou a série contando 35 episódios, confundindo fãs e colecionadores que conheceram Zillion em reprises ou exibições fora do Japão.


(*) Material extraído do e-book Cultura Pop Japonesa - Histórias e Curiosidades, disponível gratuitamente para download aqui

E você? Curtia Zillion? Descobriu a série depois? Conte sua opinião sobre a série na parte de comentários, depois do box de anúncios.

15 comentários:

Erick Faria disse...

Okaerinasai, Nagado-san!

Nada como voltar falando de um clássico do pop japonês, além é claro de me lembrar que ATÉ HOJE não assisti Zillion, algo que espero remediar logo. Mesmo que seja esporadicamente, espero ver novos posts aqui no blog; eu não costumo comentar muito nos blogs que leio, mas espero sempre que puder dar um feedback.

Alexandre Nagado disse...

Opa, valeu!

Zillion é um exemplo fantástico de uma produção que tinha tudo para ser repetitiva e burocrática, um mero catálogo de brinquedos. Mas foi muito além, graças a uma equipe talentosa e inteligente. Faltam mais produções assim hoje em dia. Quando puder, assista, que vale muito à pena.

As postagens aqui serão, mais do que antes, irregulares e não devo fazer muitos artigos elaborados, mas farei o possível para manter o interesse aqui. Espero que curta.

Abraços!

hamleprimeiro disse...

Oi Nagado,
Bem-vindo de volta. Sinto falta de coisas como Zillion na televisão. É um comercial de brinquedos "disfarçado"? É. Mas se você vai fazer um "comercial" pelo menos coloque alguma arte nisso. Hoje o que temos são coisas sem alma nenhuma como Bayblade.

Rafael Kaen disse...

Zillion parece legal, tô baixando a série conforme vai saindo em inglês e tal, assistirei tudo de uma vez!

Michel disse...

Mês passado, quando passei na loja Mandarake, em Akihabara, acabei encontrando a moto de brinquedo Ridingceptor, usada, por míseros ¥4000. Só não levei, por que por esse preço, a embalagem estava bem detonada, e o brinquedo bem gasto. É raríssimo encontrar brinquedos usados de Zillion. Bem que alguma empresa poderia lançar alguns bonecos, em comemoração dos 25 anos.

Falando em homenagens, normalmente é raro encontrar outras obras que façam paródias ao Zillion, mas eu encontrei algo inusitado no jogo CLANNAD, um evento em que os personagens brincam com uma pistola de mira chamada "Aoi Inazuma Zorion" (ou Zollion), se não me falhe a memória. Muita coincidência, não?

Alexandre Nagado disse...

hamletprimeiro:
Isso que mencionou é importante. Muitos animês e séries de tokusatsu têm tanta interferência de patrocinadores que acabam burocráticos, repetitivos, feitos demasiado em linha de produção. Isso já era forte nos anos 80 e Zillion mostrou que era possível fazer um trabalho criativo e divertido.

Rafael: Você vai se surpreender em como Zillion dá um banho em muita coisa atual. Depois você me conta.

Michel: Aquela moto-robô era fantástica! Se tiver imagens dessa "Zollion", poste lá no seu blog.

Abraços a todos!

Gustavo Badran disse...

Não assisti Zillion quando passou na TV, pois nasci em 1988. Fui ver a série anos depois, quando conheci um cara que havia gravado os episódios e comprei cópias das fitas dele.
É um dos melhores animes que já vi. E, mesmo não tendo assistido a série na televisão, quando vejo os episódios, curiosamente, me bate uma nostalgia. A mesma coisa acontece com Yamato. Também não assisti na TV, vi apenas em vídeo e depois em DVDs que peguei com colecionadores. Mas também sinto a mesma nostalgia quando assisto. E considero este o maior anime de todos os tempos.

Michel disse...

Infelizmente, Nagado, não há imagens dessa tal "Zollion", pois um dos grandes problemas da maioria dos jogos adventures é a pouca quantidade de imagens, apenas o áudio. Você acaba tendo que utilizar a imaginação!

A respeito dos brinquedos, eu tenho a moto-robô Tri-Charger, que eu comprei num evento (não me lembro quando e onde), por ¥15000! Estava intacta, sem uso das peças e adesivos, mas só um pouco suja. Nunca mais achei outro igual!
Imagem: http://img831.imageshack.us/img831/7302/hobbyspace11.jpg
Também tenho a figura da Apple, que comprei em 2007, em Akihabara, mas não lembro quanto paguei. Só me falta a figura do Champ!
Imagem: http://img685.imageshack.us/img685/8131/akaikoudanzillionapple1.jpg

hamleprimeiro disse...

Michel, que inveja :)

Anderson disse...

Nagado;

Bem bacana essa matéria de Zillion,é um classico que sem dúvidas deve ser sempre lembrado.

Abçs

Anderson Alexandre

Anônimo disse...

FERNANDO

aaaaaaaaaaaaaaaa
pior que todo mundo que tem a minha idade para mais assistiu o zillion... menos eu...
huashuashuashuasu
quer dizer... ñ que eu ñ tenha visto mas naquela época eram desenhos animados demais em diversos canais então acho que passou batido da minha parte e to pensando seriamente em dar um role belo bairro da liberdade e mandar encomendar os mesu dvds do zillion para mim assistir e pel oque eu vi aqui do video que vc (alexandre nagado psotou0 do video Akai Koudan Zillion - Utahime Sayokyoku - Burning Night eu confesso que gostei bastante e achei bem parecido 9falo do jeito do anime) com o nime do akira (feito no japão em 1988) e que foi exibido aqui nas telas do cinemas do nosso pais no já saudoso ano da graça de 1991
e do video game tbm tenho vagas lembranças sobre isso infelizmente

Anônimo disse...

FERANDO
AAAAAAAAAAAAA
JÁ IA MES ESQUECENDO...
O NOME DA CANTORA DO VIDEO (Akai Koudan Zillion Utahime Sayokyoku Burning Night) DO ZILIO É Yuko Mizutani????
VIXIIIIIIIIII
EU TO FICANDO DOIDO DEMAIS OU A VOZ DELA É IDENTICA A VOZ DA GRANDE CANTORA 9E ATRIZ TBM) MIKA CHIBA???
ATÉ PENSEI QUE FOSSE ELA (MIKA CHIBA PRINCIPALMENTE DO ANIME SER DE 1987 E ELA ESTAR EM INICI ODE CARREIRA) MAS PELO VISTO Ñ É Ñ E SÃO BEM PARECIDAS TANTO A Yuko Mizutani QUANTO A MIKA CHIBA

Alexandre Nagado disse...

Oi. Se reparar, muitas cantoras japonesas têm o padrão vocal bem parecido. Um timbre agudo, quase infantil, faz muito sucesso por lá.

Abraços!

Stefano disse...

incrivel que a febre de animes nao explodiu no Brasilk nos anos 80

Anônimo disse...

uma obra de Arte