quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Used to be a child - Astros J-pop celebram a infância

A primeira vez em que músicos de renome se uniram para um projeto de caridade foi no Concert for Bangladesh, organizado em 1971 pelo ex-Beatle George Harrison. Em termos de gravação, os ingleses também foram os pioneiros com Do They Know It´s Christmas, canção de 1984 que reuniu grandes astros do pop-rock de seu país e inspirou a criação do icônico USA For Africa, com sua canção We Are The World, em 1984, com dezenas de popstars ainda mais famosos. Vez por outra, projetos assim acontecem em várias partes do mundo.

No Japão, a primeira grande iniciativa desse naipe foi o projeto Used to Be a Child, criado para financiar projetos para melhorar as condições de desenvolvimento das crianças. Acima de tudo, para conscientizar o povo japonês sobre o valor sagrado da infância e da vida, uma celebração do nascimento de cada criança. Sete astros do J-pop se uniram para dar forma ao projeto. Com letra e melodia escritas em parceria entre Ryo Aska (da dupla Chage and Aska) e Kazumasa Oda (ex-Off Course), foi lançada em fevereiro de 1993 a canção Bokura ga umareta ano hi no you ni (ou “Como no dia em que nascemos”), tema da campanha "Welcome Baby". Para a gravação, Aska e Oda cantaram junto com Koji Tamaki (da lendária banda Anzen Chitai), Mari Hamada, Carl Smoky Ishii (da Kome Kome Club), Hideaki TokunagaJunko Yamamoto (ex-Akai Tori e Hi-Fi Set).

Um único single foi lançado e a canção não obteve grande repercussão, apesar dos grandes talentos envolvidos, estando quase todos em um grande momento da carreira.

Fica aqui o registro desse trabalho que, se não causou grande mobilização, ao menos rendeu uma boa canção e serviu de exemplo para outros artistas de seu país se engajarem em causas humanitárias.




domingo, 28 de agosto de 2011

BOLETIM SUSHI POP - 7

REBELLIONS
A Toei Company divulgou um vídeo promocional de um novo filme de ficção científica, anunciando que está em busca de parceiros comerciais para finalizar e distribuir. É Rebellions, uma ficção futurista em um mundo pós-apocalíptico estrelado por Nao Nagasawa (à esq. na foto), Minami Tsukui (dir.) e Saaya.


Nao Nagasawa é conhecida dos fãs de tokusatsu por ter interpretado a Hurricane Blue no seriado de Super Sentai Hurricanegerde 2002, papel que reprisou recentemente numa participação em Gokaiger. Com tomadas de cena de alto impacto, o filme tem potencial de ser tanto divertido como uma bomba, com suas protagonistas que parecem mais personagens de animê em sua representação de uma dupla onde uma é séria e faz o tipo fêmea fatal e a outra parece uma colegial desmiolada. A direção é de Koichi Sakamoto, de Mega Monster Battle – Ultra Galaxy Legend The Movie, Power Rangers e outros. Ele também é um dos diretores do atual sucesso Gokaiger e irá dirigir episódios da série Kamen Rider Fourze, que estreia no próximo dia 4 de setembro.


Com 60 anos de existência, a Toei é uma gigante asiática do entretenimento e esse anúncio certamente é parte de um grande plano de marketing. Primeiro, para tornar o título primeiro mais conhecido entre fãs de tokusatsu e gerar burburinho – e está conseguindo isso com louvor. Depois, para efetivamente abrir espaço no resto do mundo com seu produto através de parcerias comerciais. Obviamente a Toei tem recursos de sobra para finalizar esse filme e lançá-lo sem a ajuda de mais ninguém, mas ao abrir essa possibilidade abertamente, pode dar um passo além em seus planos comerciais. Veremos o desenrolar desse projeto.





PRESOS POR PIRATARIA! No Japão, algumas prisões já foram efetuadas neste ano como medida de combater e inibir a pirataria através de compartilhamento de vídeos. Com uma nova detenção reportada na semana passada em vários sites, já são 7 pessoas (sendo 4 menores) que foram detidas e tiveram computadores apreendidos por publicarem episódios de animês ou tokusatsu em sites de vídeos, compartilhamento de arquivos ou ainda por arquivarem tais vídeos em seus computadores.


A questão é bastante polêmica e não entrarei agora no mérito dos aspectos legais ou de moralidade envolvidos. Mas parece-me que esse rigor e truculência não estão sendo aplicados com as pessoas certas. A pirataria ganha ares industriais que afetam as produtoras com DVDs asiáticos que chegam a ser lançados antes de muitos japoneses originais. 


O faturamento da indústria de animê vem caindo ano após ano no Japão e a pirataria é normalmente apontada como uma das responsáveis, além do envelhecimento populacional, concorrência de outras mídias e, certamente, uma longa crise criativa. Sobre essa tal crise de ideias, aliás, pouco se fala. Prender alguns infelizes como medida exemplar é mais fácil.


GARO - NOVO SERIADO DE UM PERSONAGEM CULT
Anunciada para lançamento em 6 de outubro a segunda série da saga GARO, um tokusatsu para o público juvenil adulto que tem uma legião de fãs. Dirigida pelo cineasta Keita Amemiya, tem uma produção acima da média e uma ambientação sombria. Em GARO – Makai Senki, o cantor Hironobu Kageyama irá atuar como dublador, reprisando seu papel como a voz do anel mágico Madowa Zaruba. E para os aficcionados em séries clássicas, chama a atenção a presença da atriz Yuriko Hishimi, a Anne de Ultraseven, uma sexagenária ainda bonita e elegante.





AKB48 QUEBRANDO RECORDES
“Flying Get”, o mais recente single do coral de modelos AKB48 quebrou um recorde de vendas no Japão: mais de UM MILHÃO de cópias vendidas somente no primeiro dia. Enquanto no Brasil e em vários países do mundo vender CD não é mais negócio por conta da pirataria e do compartilhamento desenfreado de músicas em formato MP3, no Japão os fãs ainda apoiam os artistas comprando produtos originais. "Flying Get" é o 22º single do grupo. O anterior, “Everyday Kachuusha” levou dois dias pra passar a marca do primeiro milhão. Amparadas por forte esquema de marketing, as moças estão em toda parte na mídia japonesa. E o povo segue babando e comprando o som embalado por forte exploração erótica de um monte de meninas. Os empresários sabem exatamente para quem estão vendendo seu produto e não estão pra brincadeira.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Sobre alterações feitas na adaptação de uma obra - O caso de Ultraman e Hayata

Ultraman e Hayata: Diferentes
versões entre o original e sua
adaptação nos EUA
Certa vez, li um artigo que defendia que um tradutor deveria ser creditado como coautor da obra que adaptou, pois ele deveria ter um texto tão bom quanto o original para preservar seu valor. Às vezes, até para melhorá-lo. Um outro artigo defendia que boa tradução era aquela que não era percebida, de tão naturalmente fluida e dentro da intenção do texto original. De qualquer forma, erros ou escolhas equivocadas de um tradutor podem comprometer todo o trabalho original, mesmo que muitas vezes essas escolhas sejam impostas por empresários ou editores.

Há casos dos mais variados, que incluem interesses econômicos e também adaptações culturais, fazendo com que muitas versões sejam diferentes do original em vários aspectos. No post publicado aqui sobre cortes e mutilações em animês, comentei sobre o choque entre interesses comerciais e as intenções originais de autores quando empresários tentam vender para crianças algo não feito exatamente para elas, ou que veio de um contexto cultural e social totalmente diferente. Agora, vamos ver um caso para o qual até hoje não li explicação oficial e que gerou praticamente duas versões diferentes de um mesmo personagem.

Em sua cultuada série de TV de 1966, o guerreiro espacial Ultraman, após chocar-se acidentalmente na Terra com a nave do patrulheiro Hayata e tirar sua vida, resolve reparar seu erro dando sua própria vida para ele. Eles se tornam um único ser mas, antes, Ultraman deixa com Hayata um artefato chamado Cápsula Beta e lhe diz em sua mente: “Sempre que estiver em perigo, use a Cápsula Beta e você, Hayata, se transformará em Ultraman”. Porém, essa frase não existe no original e o que acontece é que Ultraman passa a usar o corpo e memórias de Hayata para agir disfarçado na Terra enquanto a consciência de Hayata ficava congelada.

No último episódio, quando Ultraman é vencido pelo monstro Z-Ton e conduzido por Zoffy para retornar a seu planeta na nebulosa M-78, ele se separa de Hayata e parte. No diálogo entre Ultraman e Zoffy, é dito que Ultraman irá retornar. 

Na versão adaptada nos EUA e que serviu de base para a primeira dublagem brasileira, Hayata diz que Ultraman voltaria e se mostra preocupado, torcendo para que volte logo. Mas no original, o último capítulo mostrou um Hayata um tanto desorientado ao ser separado de Ultraman, demonstrando não lembrar de nada depois do fatídico acidente do primeiro episódio. Faz muita diferença.
Depois, quando Hayata aparece ao lado de Dan Moroboshi (o Ultraseven) para salvar o segundo Ultraman em O Regresso de Ultraman, os fãs brasileiros eram levados a crer que o Ultraman original estava mesmo novamente unido a seu hospedeiro humano. 

Ultraman Jack e Hideki Goh, simbiose
com o lado humano mais forte
O tema da simbiose com um ser humano foi usado de modo diferente em outras séries. Em O Regresso de Ultraman, o hospedeiro Hideki Goh é claramente o intelecto dominante, que se comunica com a consciência de Ultraman Jack, o qual depende da boa forma de Goh para lutar com força total. E quando sua namorada e o irmão mais velho dela são assassinados, Ultraman fica tão desesperado que luta sem condições emocionais e é derrotado, num arco antológico da série. 

Ao longo das produções, o conceito de identidade humana foi usado de formas diferentes. Ultraseven, após presenciar um ato de bravura de um humano que se arrisca para salvar um amigo, assume uma forma idêntica. O homem chamava-se Jiro Satsuma e em um episódio ele e Dan quase se encontram. Em Ultraman Taro, o humano Kohtaro Higashi abdica de ser um herói espacial. Diversas variantes da situação foram apresentadas ao longo dos anos. 

O conceito original foi retomado bem claramente no longa Ultraman Zero The Movie (2010), onde o herói se une ao humano Ran. É Zero quem está no controle de tudo enquanto eles estão em simbiose.

Quando Hayata reapareceu em 2006 no longa Ultraman Möebius and Ultraman Brothers (já exibido no Brasil via HBO), os fãs japoneses reencontraram o herói imitando, com os poderes transmórficos, a aparência do humano que lhe serviu de hospedeiro no passado. Para os ocidentais, lá estava o homem comum que havia recebido o poder de viajar pelas estrelas dividindo uma vida com o herói espacial. Pode até não ser a intenção original, mas a versão ocidental – existente oficialmente com Ultraman Jack - é bem mais humana e cheia de possibilidades.

Atualização - Extra:

Veja a diferença entre os diálogos da versão original e da versão alterada nos EUA e exibida aqui nos anos 1970. Os dois links apontam para o blog "Casa do Boneco Mecânico" e as cenas foram feitas usando action figures japoneses, buscando o máximo de fidelidade em relação ao original, com um resultado muito interessante. 

- Versão original (Ep. 39 - "Adeus, Ultraman")

- Versão modificada (Ep. 39 - "Ultraman volta ao seu planeta")



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

APRENDA MANGÁ PELA INTERNET

Mangá On-Line: Teoria e
exemplos práticos
Para pessoas que desejam aprender a fazer quadrinhos ou mangá e moram fora de grandes cidades ou centros comerciais, sempre foi complicado encontrar bons cursos. Livros podem ser uma boa opção, mas nada como poder aprender com um professor que ainda pode corrigir seu trabalho e dar dicas, mesmo à distância. Para poder atingir aspirantes a autores de mangá de todo o país, a Universidade de Fortaleza anunciou o curso Mangá On-Line, uma iniciativa bastante interessante e promissora. 


 
Criado pelo premiado quadrinhista JJ Marreiro, o curso tem carga horária de 80 horas, divididas em vários módulos. Cuidadosamente planejado, o método vai abordar o histórico do mangá, técnicas de desenho e narrativa, acabamento, tudo através de web-aulas, exercícios e acompanhamento para tirar dúvidas. 

O autor possui grande conhecimento técnico e teórico sobre mangá e quadrinhos em geral e é bastante respeitado nos meios profissionais. 



MAIORES INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES:
Tel.: (085) 3477-3479
E-mail: nead@unifor.br
Site: www.unifor.br/nead
Link direto: http://migre.me/5wrnU 

Matrículas até 31 de agosto - Vagas limitadas

Duração do curso: 2 meses

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

BOLETIM SUSHI POP - 6

Olá. Como deve ter percebido, a coluna "Notas da semana" mudou de nome. Agora é "Boletim Sushi POP". Assim eu tiro aquela obrigação semanal, coisa que às vezes fica complicada por conta de trabalhos profissionais e compromissos familiares. Claro que tentarei reunir sempre que possível algumas notas e dicas interessantes para os leitores, mas talvez não semanalmente. Este boletim, inclusive, não tem mais dia certo pra sair. Eu venho publicando as notas sempre entre quinta e sexta, mas prevejo que nem sempre será possível. Então, quando tiver ao menos três notícias ou dicas rápidas, solto outro boletim. De resto, continuam as postagens aleatórias com resenhas, informações, ensaios sobre algum tema pertinente ou mesmo alguns clipes musicais comentados. Bom, é isso. Tenha uma boa leitura, sinta-se à vontade para comentar e até a próxima.




Filme com GACKT tem
ares de cult movie
BUNRAKU: CANTOR JAPONÊS EM FILME COM ELENCO ESTELAR
Bunraku é o nome de um teatro japonês de fantoches e também o título de um filme que promete ser bem interessante. Escrito e dirigido por Guy Moshe e com orçamento de “apenas” 25 milhões de dólares (padrões hollywoodianos, claro), o filme está chamando a atenção por sua ambientação estilizada e de cores fortes (como um teatro de fantoches). Para um filme considerado de baixo orçamento, esse tem um surpreendente elenco de astros que inclui Josh HartnettDemi MooreWoody Harrelson, Kevin McKidd Ron Perlman.

Certamente muitos fãs de J-rock e cultura pop japonesa poderão vibrar com a presença do cantor conhecido como GACKT, em um papel de destaque na trama, como o samurai Yoshi. O astro marcou presença no filme de 2009, Kamen Rider Decade: All Rider vs Dai Shocker, cantando a música-tema (“The Next Decade”) e também interpretando uma versão alternativa de Riderman, um dos heróis clássicos da saga dos Kamen Riders. Bunraku estreia nos EUA em 30 de setembro e não há previsão para lançamento no Brasil, seja em cinema (bastante improvável) ou DVD.

Ultraman Begins: Edição para
ajudar as vítimas do tsunami
ULTRAMAN BEGINS (Nota atualizada em 20/08)
Em 25 de outubro, será lançado no Japão uma nova série de mangá dedicada ao Universo Ultra, batizada simplesmente como ULTRAMAN. Produzido por Eiichi Shimizu Tomohiro Shimoguchi, do mangá Linebarrels of Irono título fará parte da publicação mensal Gekkan Heroes, da nova editora Kabushiki Gaisha Heroes, fruto de parceria entre a Shogakkukan Creative e a Fields, empresa fabricante de jogos de pachinko.  


Uma prévia foi lançada em 14 de agosto no Comiket, ou Comic Market, a maior feira de fanzines e revistas independentes do mundo, que acontece no pavilhão do Tokyo Big Sight Convention. Apesar do foco do evento ser o mundo dos autores independentes, o lançamento de Ultraman Begins - Aratana Tatakai no Hajimari ("Começa uma nova luta")  não teve nada de amador. 

A edição foi entregue para quem doasse ao menos 500 ienes para a Ultraman Foundation, entidade criada para apoiar as crianças das regiões afetadas pelos desastres de 11 de março. Além do trabalho dos autores do vindouro mangá, vários colaboradores vieram a abrilhantar a edição, como os desenhistas Takashi Okazaki (de Afro Samurai) e Kazuo Umezu (Drifting Classroom), o diretor Takeshi Yagi e vários outros. A edição ainda apresentou entrevista exclusiva com o lendário roteirista Shozo Uehara


No site oficial da Ultraman Foundation, há várias mensagens para as crianças, postadas por personalidades ligadas ao Universo Ultra, especialmente atores de várias gerações. Confira a versão em inglês do site aqui. E, para breve, mais informações sobre o mangá regular.

(Agradecimentos ao Michel Matsuda, do blog Universo Otaku, por esclarecer pontos divulgados erroneamente por muitos sites em inglês e português.)


Godzilla como tema de uma
peça de teatro romântica?
GODZILLA NO TEATRO
Eis uma notícia um tanto bizarra, mas vamos lá: O monstro Godzilla irá ser o tema de uma peça de teatro em Tóquio. O evento é uma comemoração pelos 30 anos da empresa Box Corporation e vai trazer o galã Keisuke Kato (de Kamen Rider Kiva, de 2008), no papel do monstro (!?), com Erika Tonooka (da banda pop Idolling!) fazendo seu par romântico (!!!). 



Pegar o tema de dois jovens em meio a um cenário desolador de destruição causada por Godzilla poderia render um bom drama. Afinal, o dinossauro mutante, em seus bons filmes, é retratado como uma força da natureza incontrolável, como um tsunami ou um vulcão. Porém, o que os sites da área têm divulgado é que Kato irá interpretar o monstro sem vestir fantasia alguma, o que está sendo tratado com seriedade, mas que pode render humor involuntário. Só vendo pra saber.


Enfim, como pouca informação foi divulgada, vale a curiosidade. A direção será de Toshiyuki Morioka, sobre texto do premiado Yasuhiko Ohashi. Godzilla – a peça de teatro, terá uma curta temporada, com apenas 6 apresentações, entre 30 de setembro e 2 de outubro. 


YAMATO COM LEGENDAS EM INGLÊS
Saiu a versão em DVD e Blu-ray para o público chinês do longa em live-action do Yamato (Patrulha Estelar). Como não há previsão para lançamento oficial no Brasil, vale saber que o lançamento chinês tem legendas em inglês, o que é uma boa pra muita gente. O filme tem 139 minutos e ainda vem com mais 39 min. de extras. Os pedidos podem ser feitos através do site da Play-Asia clicando nas miniaturas abaixo.



(Nota: Este blog é parceiro da Play-Asia através de sistema de afiliação por comissões e cliques nos anúncios, mas não tem qualquer interferência ou responsabilidade no processo de vendas. A Play-Asia é uma das mais atuantes em seu segmento de vendas de produtos asiáticos pela internet.)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

BOLETIM SUSHI POP - 5

Gamera, um clássico
do cinema japonês
GAMERA EM BLU-RAY NOS EUA
Esta dica é pra quem compra importados. Em setembro, a Mill Creek Entertainment irá lançar em formato Blu-ray o terceiro e último volume da trilogia moderna da tartaruga gigante Gamera, um dos mais clássicos monstros japoneses. Vários filmes de Gamera da década de 1960 foram exibidos no Brasil pela TV Record nos anos 1970 e fizeram a alegria de muitos garotos na época, inclusive este que vos escreve. 


A trilogia (já não muito) moderna foi composta por filmes lançados em 1995, 96 e 99. Todos tiveram roteiro de Kazunori Ito (Ghost in the Shell, Patlabor, .hack) e direção de Shusuke Kaneko (Death Note – live action, Ultraman Max, Godzilla - Mothra - King Ghidra), sendo que o diretor ainda coescreveu o último filme da tartaruga gigante. Além disso, os dois volumes anteriores de Gamera serão novamente disponibilizados ao público estadunidense, compondo uma caixa para colecionadores com toda a trilogia. O filme que fez ressurgir o famoso personagem foi lançado no Brasil como Gamera - A guardiã do Universo e faz parte da programação de filmes da TV Aparecida, ligada à Igreja Católica. Quem disse que "filme para toda a família" tem que ser chato?


Em outra nota relacionada, a distribuidora Mill Creek já anunciou também, via site SciFi Japan, que irá lançar outro clássico do tokusatsu: Daimajin, composto de 3 filmes lançados em 1966 como uma cinessérie. Daimajin, assim como Gamera, foi produzido pela Daiei, atualmente Kadokawa Pictures


Coleção em 6 volumes
ensina técnicas
de desenho
APRENDA A DESENHAR MANGÁ
A Criativo Mercado Editorial lançou uma coleção de seis volumes sobre o desenho de mangá. É o Curso Prático de Mangá Passo a Passo, de Arthur Garcia. São livros repletos não só de explicações técnicas, mas também muitos conselhos profissionais de um autor premiado e veterano. As lições tratam sobre fundamentos do desenho, aplicáveis em qualquer tipo de trabalho, não só mangá. 


Trabalhei com Arthur Garcia em várias ocasiões na década de 1990, quando ele ilustrou roteiros meus para Maskman, Changeman, Blue Fighter e Street Fighter, sendo esta última nossa parceria mais duradoura e famosa. Ele conhece como poucos o mercado de trabalho e possui vasto conhecimento técnico.

Para quem sabe se disciplinar para estudar por conta própria, uma das melhores opções disponíveis no mercado. Fui um dos autores convidados a assinar um posfácio com um texto apresentando um depoimento sobre o profissional Arthur Garcia. Meu texto é o que complementa o primeiro número.

Cada volume tem 96 páginas e custa R$ 29,90.

Você pode comprar on-line no site da Comix clicando aqui. 


Black finalmente poderá
ter seu final dublado
BLACK KAMEN RIDER EM DVD
A Focus Filmes deve lançar, para o final do ano, a série Kamen Rider Black, lançada no Brasil como Blackman no início dos anos 1990.

A expectativa gira em torno do final da série, nunca exibido no Brasil e que sequer foi dublado. Como a Focus vai lançar Jiban com o final inédito e finalmente dublado, deverá fazer o mesmo com Black.

A voz original do herói foi feita por Élcio Sodré, um dos mais admirados dubladores brasileiros pelo público da "geração Manchete", por ter feito também a voz de Shiryu, dos Cavaleiros do Zodíaco, entre outros personagens famosos.




quinta-feira, 11 de agosto de 2011

SUSHI POP (QUASE) NO YOUPIX FESTIVAL

YouPIX Festival é o nome de um evento que vai rolar de 15 a 17 de agosto, organizado pelo site youPIX para celebrar os melhores da internet no Brasil. O youPIX é focado em humor, , comportamento, tecnologia e nas últimas novidades do Twitter, YouTube e da blogosfera. Durante o evento, um concurso vai premiar o criador do blog considerado o melhor ou o projeto de blog mais promissor para um coaching (treinamento) com o empresário e blogueiro Edney Souza, o criador do Interney, grande sucesso da internet. Bom, eu inscrevi este blog na pré-seleção do evento, na categoria entretenimento. Sei que é uma das mais concorridas, mas resolvi testar como meu blog seria avaliado. 


Para minha surpresa, uma representante do youPIX ligou para mim e informou que meu blog havia sido selecionado, entre tantos outros, para concorrer à fase final. No entanto, para me habilitar à fase seguinte, eu deveria participar dos três dias de evento, para fazer uma explanação à plateia sobre meu blog. A apresentação seria decisiva para a eleição do vencedor. Morando em Ilha Solteira (SP), a 10 horas de viagem da capital e com problemas de tempo pra conciliar, ficou impossível confirmar presença, o que automaticamente desclassificou o Sushi POP, que por isso nem ia aparecer listado entre os finalistas. Mas fiquei muito feliz por saber que fui pré-selecionado, pois é sinal de que viram qualidade no trabalho feito aqui.


O youPIX Festival acontece em SP, capital, de 17 a 19 de agosto. Confira a programação, atividades, convidados e demais informações no site oficial do evento aqui. 



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

BOLETIM SUSHI POP - 4

Olá, tudo bem? Esta tem sido uma semana corrida por conta de trabalhos e compromissos. Por isso, só dicas rápidas desta vez. Vamos à elas: 
5º PRÊMIO INTERNACIONAL DE MANGÁ

Até o dia 31 de agosto, autores novos e veteranos podem enviar seus trabalhos para a quinta edição do International Manga Award, que tem apoio do Governo Japonês.

Os interessados podem participar com histórias inéditas ou mesmo já publicadas de no mínimo 24 páginas, desde que produzidas nos últimos 3 anos. O prêmio é uma viagem ao Japão no ano que vem. A promoção no Brasil está sendo feita pelo Consulado Geral do Japão de Curitiba.

Aos interessados:
Diretrizes do concurso - Ficha de inscrição
(Arquivos PDF em inglês.)

Site oficial: 
www.manga-award.jp


NOVA PATRULHA ESTELAR
Agora é oficial: Yamato (Patrulha Estelar) terá nova série de TV no ano que vem. Será, provavelmente, uma reformulação da série original, reapresentando a saga a um novo público. E nada de sair por aqui a versão live-action lançada em cinemas japoneses no final de 2010.
CONTINUA A SAGA DE LEDD
Ledd, o divertido mangá nacional on-line de J.M. Trevisan e Lobo Borges, já está com metade da segunda edição disponível para leitura. Acesse: www.leddhq.com.br

Hironobu Kageyama
e o JAM Project
JAM PROJECT NA ESTRADA
A veterana banda japonesa que nasceu para renovar o poder das anime songs está preparando nova turnê. Ainda sem título divulgado, a maratona de shows pelo Japão e alguns países da Ásia começa no dia 22 de outubro, em Tóquio. Antes da turnê, o grupo ainda lança um novo single, “Believe in my existence”. Com lançamento anunciado para 5 de outubro, é o novo tema de abertura do animê Cardfight!! Vanguard (que estreou em janeiro de 2011), baseado em um card game bastante famoso atualmente no Japão.



HIRONOBU KAGEYAMA
Além de líder do JAM Project, o astro das anime songs Hironobu Kageyama ainda mantém sua carreira solo em plena atividade. Em 12 de outubro, sai seu novo álbum de canções originais, onde ele mostra novamente seu talento como compositor e cantor. Kageyama, que já esteve várias vezes no Brasil, é famoso por cantar músicas de Changeman, Cavaleiros do Zodíaco, Maskman e Dragon Ball Z, entre outras séries. Sua carreira começou com a banda Lazy, há 34 anos e ele é um dos principais nomes do cenário das anime songs.
AS KAMEN RIDER GIRLS FAZEM NOVA VÍTIMA
Saiu no Japão o novo single da infame banda feminina pré-fabricada Kamen Rider Girls. Criadas pela gravadora Avex junto com a Toei Company, elas já destruíram com suas vozes fraquinhas e editadas com auto-tune (ou algum similar), o icônico tema do primeiro Kamen Rider para o filme Let´s Go Kamen Riders (2011). Em seu novo single, lançado nesta semana, elas destroem com suas batidas dançantes outro clássico, o tema do Kamen Rider V3

DICA DE BLOG: 
UNIVERSO OTAKU   
O brasileiro Michel Matsuda vive no Japão há mais de 10 anos, onde tem contato tanto com a programação quanto com todo o universo de consumo ao alcance do público otaku legítimo. Leitor de mangás, espectador de animês, tokusatsu, colecionador de bonecos e uma infinidade de itens relacionados a seus personagens favoritos, Michel mantém um blog perfeito para se acompanhar lançamentos e eventos para o público otaku. Além disso, ele participou do e-book Cultura Pop Japonesa – Histórias e curiosidades.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sobre cortes e mutilações em animês

Tradicionalmente, mangás e animês sempre foram produções mais violentas e com mais concessão a cenas picantes que produções ocidentais, por causa das muitas diferenças culturais com o Japão. Produções infanto-juvenis nipônicas, com frequência, trazem cenas consideradas muito fortes para o público ocidental, onde quadrinhos e animação são associados com o público mais infantil. Isso motivou (e motiva até hoje) cortes e edições em vários momentos de diversas séries, a fim de não "chocar" as crianças ocidentais e seus pais, o que poderia reduzir o alcance de vendas dos brinquedos e produtos relacionados. Na história da animação no Japão, excessos de violência gráfica já aconteceram, com cenas realmente desnecessárias que passaram a ser evitadas, mas não é caso aqui de citar os extremos.


O trágico Pinóquio japonês
foi suavizado nos EUA.
Um caso marcante ocorreu com a versão japonesa de Pinóquio, o conto de Carlo Collodi que ganhou adaptações no mundo inteiro, sendo a mais famosa o longa animado da Disney, de 1940. Batizado originalmente de Kashi no Ki Mokku (ou Mokku do Carvalho, de 1974), o "Pinóquio japonês" era uma história dramática e violenta, com mortes trágicas acontecendo em meio a histórias cheias de monstros horripilantes e pesadelos surreais – cortesia de Yoshitaka Amano, que se tornaria famoso com os designs do game Final Fantasy e do animê Vampire Hunter D. 

Uma cena específica marca bem a diferença entre a visão ocidental e a oriental. Logo no primeiro episódio, assim que ganha vida, Pinóquio anda desajeitadamente pela oficina de Gepeto e, sem querer, derruba um martelo em cima do Grilo Falante. O bichinho sai cambaleante e cai morto, de olhos abertos e com a boca se enchendo de espuma. Depois, ele reaparece como fantasminha a acompanha Pinóquio durante toda a série. A cena da morte, realmente violenta, só foi vista no Brasil quando Pinóquio foi exibido na extinta TV Tupi, durante toda a década de 1970. Muitos anos depois, no canal pago Fox Kids, Pinóquio foi exibido com cópias novas, adaptadas pela Saban Entertainment e com nova dublagem e nova trilha sonora. Entre as muitas alterações, a cena da morte do grilo teve seu desfecho cortado, o que deixou meio sem sentido ele aparecer como fantasminha depois. 

Patrulha Estelar: Doutor Sam
afogando as mágoas com
um copo de... leite?
Em Patrulha Estelar (Uchuu Senkan Yamato, 1974), o médico Doutor Sam está sempre com uma grande garrafa de leite pra matar a sede. Isso porque a versão vista aqui era a tradução de Star Blazers, a versão estadunidense. No original, o malandro doutor enche a cara é de sakê. Aliás, onde já se viu alguém dançar alegre e ficar vermelho depois de tomar uma garrafa de leite? Devia ser de uma vaca alienígena de propriedades etílicas...

Ainda na Patrulha Estelar, muitas cenas de morte foram cortadas, dando a impressão ao público de que os roteiristas se esqueciam de alguns personagens. Por isso, no penúltimo episódio da segunda fase da Patrulha Estelar (contra o Cometa Império), os personagens Sargento Knox, Orion, Conroy (Kato) e Hardy somem de cena misteriosamente. Muitos espectadores (como este que vos escreve) estranharam tantos personagens simplesmente não aparecerem mais no capítulo final. Só quando vi o original em vídeo é que entendi o ocorrido. No Japão, a série se tornou cultuada entre colegiais e jovens adultos, o que não foi levado em conta quando foi adaptado nos conservadores EUA. 

Em Dragon Ball (1986), onde o garotinho Goku aparece nu em algumas cenas, até seu inocente órgão genital foi coberto por sungas acrescentadas nos EUA. Já na sequência Dragon Ball Z (1989), certos guerreiros não morrem nunca, mas são "transportados para outra dimensão" quando derrotados com muita força. (Só faltava dizer que iam morar numa fazenda bem longe...)
O maior desafio pra galera de One Piece
é agradar os censores americanos.
Em One Piece (1999), além de muitos cortes e edições para atenuar cenas violentas, certos hábitos dos personagens foram alterados para que soassem politicamente corretos (sim, isso é tudo que se espera de um pirata...).

Cigarros e charutos sumiram num passe de mágica (ou melhor, de edição) e, no caso do personagem Sanji, viraram pirulitos inocentes. No livro digital Cultura Pop Japonesa – Histórias e curiosidades, o coautor Rodrigo de Goes conta ainda que “Todas as bebidas alcoólicas tiveram as suas cores alteradas para que pudesse ser dito que elas eram... suco de laranja. Armas de fogo foram transformadas em engenhocas ridículas ou em armas de brinquedo, daquelas com rolhas nas pontas dos canos. Nem as famosas bocarras dos personagens, uma das marcas do estilo do autor, escaparam da edição, sendo inexplicavelmente substituídas por expressões faciais normais.  

Certamente, cada fã de animê tem histórias a contar sobre os cortes, alterações e edições que sua série favorita sofreu. Isso sem contar os cortes no tempo do episódio, prática bastante desrespeitosa com o público, mas que é comum na Rede Globo para poder atender patrocinadores e ajustar sua grade horária. Isso já rende outra longa discussão, mas não é o foco agora. É preciso ter em mente que existem casos em que os próprios japoneses entendem que, para tornar seu produto mais lucrativo, algumas mudanças devem ser feitas. E eles fazem isso sem se preocupar com nada além do lucro, que fique bem claro. Animê é um negócio como qualquer outro. O que está em pauta agora é a visão das distribuidoras estadunidenses. 

Em um grande número de casos, tudo é decorrente de uma percepção equivocada das distribuidoras sobre seu público-alvo. Ainda falta reconhecer a animação como uma mídia que pode atingir outros públicos que não apenas o infantil (aí incluídos os "filmes para toda a família"). Talvez essa seja uma das grandes diferenças culturais ainda a persistir entre o ocidente e o Japão no campo da cultura pop. E, também, a causa de quase todos as diferenças de conteúdo entre uma obra como foi concebida originalmente e sua adaptação para outro país.