sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

ELEMENTOS DO ESTILO MANGÁ - O LIVRO

“Por que é tão difícil para nós, ocidentais, desenhar em estilo mangá? Não como aquelas imitações que vemos por aí, mas em autêntico estilo mangá. Será possível superar as barreiras culturais e desenhar como os mestres japoneses? E afinal, em que consiste o mangá? Descubra-o nesta jornada pioneira rumo à essência do mais popular – e mais toscamente copiado – estilo do mundo. Desperte o mangaka que existe em você.”

Com essa provocação, escrita na quarta capa, o artista plástico João Henrique Lopes apresenta sua obra, o livro Elementos do Estilo Mangá. A tarefa a que ele se propõe é pretensiosa, mas não desprovida de embasamento. Primeiro, ele trata de separar a narrativa da definição de mangá. Ele busca as origens do termo com uma tradução literal: "Desenhos transbordantes". Lembrando que outras traduções já se popularizaram, como “desenhos divertidos” ou até “desenhos irresponsáveis”. Considerando o termo a definição de um tipo de desenho, o autor exclui do processo a narrativa, ou seja, o encadeamento lógico de imagens e quadros que, no mangá, tem ritmos bem diferentes da maioria das HQs ocidentais. Segundo o autor, “A história de um mangá pode ser contada de qualquer jeito, mas não desenhada de qualquer jeito. As características desse jeito são o assunto de todo o livro”.

Cabe aqui registrar que o significado de mangá tem evoluído, bem como suas formas, e que muitos autores, incluindo este que vos fala, têm dito que a narrativa é o principal elemento para o moderno mangá. Pode-se discordar do pensamento do autor, mas não sem uma lida cuidadosa no livro, que é muito bom - e seria melhor se tivesse mais imagens, imprescindíveis nesse caso.

Considerar mangá somente pelo aspecto ilustrativo é deixar de lado as conquistas narrativas de Osamu Tezuka e dos grandes mestres da arte sequencial japonesa. Mas é a opção do autor, que explica seus pontos de vista e busca diversas citações para reforçar seus argumentos. No livro, a força da argumentação vem de explicações sobre os conceitos ligados à arte no ocidente e no oriente e o quanto a espontaneidade sempre foi cultivada na arte japonesa. Os exemplos são numerosos e, ao citar obras conhecidas do público brasileiro, a leitura torna-se mais saborosa.

Há questões técnicas que podem discutidas por profissionais do traço. Em certo momento, ao comentar sobre a naturalidade do desenho finalizado com pena, ele descreve as canetas como “ferramentas inflexíveis”. Não é assim que são as canetas descartáveis de tinta permanente, ou as canetas com ponta de pincel. Ele se refere às tradicionais canetas de nanquim, realmente rígidas quanto à espessura e fluidez de traço e cujo uso tem diminuído bastante.

No geral, a visão é bastante romântica e idealizada da arte, mas autores com prática profissional na produção de HQs ou ilustrações podem ter outra visão sobre retoques manuais ou digitais. Enfim, é um livro para ser debatido e é uma importante referência sobre aspectos criativos do desenho. Quando o autor discorre sobre economia de traço, soluções de contraste, clareza de informação visual e composição, a leitura informativa se converte em aula, sendo interessante tanto para o iniciante quanto para o profissional e o pesquisador. Meio sem querer, a preocupação com a clareza narrativa invade o discurso sobre o visual, mostrando que o mangá é, acima de tudo, uma forma de HQ que se destaca por contar bem uma história – e o faz com as mais variadas técnicas de desenho.

Elementos do Estilo Mangá nasceu do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) em Artes Visuais do paraense João Henrique Lopes pela Universidade Federal do Pará (UFPA). O livro é uma publicação independente do autor (que também desenhou a capa) e pode ser adquirido no site da Livraria Cultura.

PARA COMPRAR:
Clique no botão abaixo e vá direto à página do livro na Livraria Cultura
Preço: R$ 20,00




Contato do autor: jh_ufpa@yahoo.com.br 

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

LET´S GO KAMEN RIDERS: FILME TERÁ PARTICIPAÇÕES INESPERADAS

Como já comentei aqui, neste ano o icônico herói japonês Kamen Rider faz 40 anos e será lançado o filme comemorativo OOO - Den-O - All Riders - Let´s Go Kamen Riders. A aventura, que estreará no dia primeiro de abril, também irá comemorar os 60 anos da produtora Toei Company. E eis que imagens surgiram na internet revelando algumas coisas interessantes sobre o filme, conforme apurou o site Jefusion


Quatro heróis clássicos criados pelo autor de Kamen Rider, Shotaro Ishinomori, irão aparecer no filme. São eles: Kikaider, Kikaider 01, Inazuman e Zubat. De todos, Kikaider é o mais cultuado, tendo sido a inspiração óbvia para o visual do herói Metalder, já exibido no Brasil. 


No elenco, foi anunciado também o nome do cantor Isao Sasaki, conhecido no Brasil tanto por atuar em Jaspion como o Prof. Nambara, quanto como por ter cantado os temas de Patrulha Estelar, Metalder e Machine Man. Infelizmente, não aparece na lista de elenco o nome de Tetsuo Kurata, famoso como Kamen Rider Black e Black RX. Eles irão aparecer, mas ao que parece, somente transformados e com outra voz. 


Kikaider (esq.), Kikaider 01 (centro, acima),
Inazuman (centro, abaixo) e Zubat (dir.):
Heróis clássicos de Ishinomori invadindo o
universo dos Kamen Riders
A história do filme irá mostrar o passado sendo alterado e os dois Riders originais sendo transformados em guerreiros do mal, como foram originalmente idealizados pela organização Shocker. A batalha pela salvação da Terra irá envolver os Kamen Riders de diferentes épocas, no que se espera ser um filme cheio de ação.Todos os Riders que encabeçaram séries ou filmes próprios irão participar e alguns atores originais vão reprisar seus papéis, seja atuando ou apenas dublando os heróis transformados. 

Veja aqui a notícia no Jefusion, com imagens. (site em inglês)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

AÇÃO MAGAZINE: A NOVA INVESTIDA DOS MANGÁS NACIONAIS

Ação Magazine, a aposta nacional
em antologias no estilo japonês
Em 2008, durante as comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, fui entrevistado no Festival do Japão pela jornalista Mishio Suzuki, bastante conhecida por atuar no meio otaku, que havia vindo ao Brasil para cobrir alguns eventos. Em certo momento, ela perguntou o que eu achava que faltava para os personagens japoneses serem mais populares ainda no Brasil. 


Sem pensar duas vezes, disse a ela que a questão que realmente importava para mim é como os autores, editores e empresários brasileiros iriam aprender com os japoneses. Eu disse que queria ver o Brasil seguindo o exemplo do Japão, investindo e apoiando mais seu material nacional e que este fosse comercialmente viável. Não apenas consumindo o que vem de lá ou imitando formas e trejeitos, mas aprendendo com eles a fazer histórias que atinjam os leitores e amparados por iniciativas empresariais que tivessem visão e cacife para investir na área. 


Por isso, fiquei bastante contente quando soube do projeto Ação Magazine, anunciado na semana passada pelo Alexandre Lancaster, do blog Maximum Cosmo. Jornalista que assinou ótimas matérias na revista Neo Tokyo e autor de um dos melhores blogs sobre mangá e animê, o Lancaster também faz HQ e se lançou agora numa empreitada como editor. Do material mostrado como aperitivo, parece ter qualidade e chances de conquistar leitores de mangá de ação e aventura. Se o preço for acessível e fatores como distribuição e regularidade forem bem planejados, tem tudo pra conseguir muitos fãs. 


A Ação Magazine, que ainda não tem data de lançamento estabelecida, irá seguir os moldes dos grandes almanaques japoneses, estilo Shonen Jump. Várias séries de autores variados, cuja permanência ou rotatividade serão decididas pelo voto dos leitores. O projeto é bem interessante e espero que esteja sendo feito um cuidadoso planejamento financeiro para que tenha fôlego. 


Muito ainda será anunciado, mas desde já estou na torcida pelo sucesso dessa iniciativa. Que venham mais. 


Confira aqui o preview da Ação Magazine


Site oficial (em construção)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

SCANDAL: Garotas do rock


Capa do single Pride, lançado
no Japão em 9 de fevereiro
Considerado o segundo mais lucrativo mercado musical do planeta segundo um levantamento de 2006 da Federação Internacional da Indústria Fonográfica, o Japão é um país onde artistas ainda vendem muitos CDs e os fãs fazem questão de adquirir os produtos originais. Com uma indústria musical forte e bem amparada em gravadoras, é também um país onde modismos e astros são cuidadosamente fabricados e empurrados ao público goela abaixo.

Astros, duplas e bandas são formatadas, seja de cantores/modelos/ dançarinos (estilo boys ou girls band) seja de instrumentistas, com suas atitudes e declarações cuidadosamente ensaiadas. Mas há também um cenário alternativo, independente, que vez por outra gera boas surpresas. 


Olhando as meninas da banda Scandal, pode parecer óbvio ser mais uma daquelas montadas em escritórios onde os integrantes se conhecem no dia de assinar contrato. Porém, a banda é um projeto de quatro estudantes que se juntaram para criar músicas próprias e é oriunda do cenário alternativo. A Scandal foi formada em 2007 em Osaka (a terceira maior cidade do Japão) e conta com Haruna Ono (vocais e guitarra), Tomomi Ogawa (baixo e vocais), Mami Sasazaki (guitarra e vocais) e Rina Suzuki (bateria e vocais). Todas cantam, tocam, compõem e, eventualmente, dançam. 

A banda, em versão animê
Suas apresentações em praças e ruas começaram a juntar cada vez mais gente e acabaram conseguindo tocar em um show durante um evento no bairro de Shibuya, grande centro de cultura pop de Tokyo, onde começaram a chamar a atenção de gravadoras. Em 2008, lançaram três singles no mercado independente através do selo Kitty Records, mas logo foram para a Epic Records, da poderosa Sony Music. No mesmo ano, já foram aos EUA participar de dois eventos, a Japan Nite US Tour 2008 e a Sakura Con, voltadas à cultura japonesa, especialmente a pop. 

Fãs de mangá e animê, as garotas promoveram o lançamento de suas próprias versões animadas, para estrelarem clips e curtas disponíveis na web (veja link no final da postagem). No campo das animesongs, podemos citar as canções “Shojo S”, a décima abertura de Bleach, “Shunkan Sentimental”, quarto encerramento de Full Metal Alchemist e "Pride", segundo encerramento de Star Driver: Kagayaki no Takuto, entre outras. Em maio, irão participar do badalado evento Full Metal Alchemist Festival 2011.

Da cena indie para o mainstream, as garotas do Scandal seguem com seu som vigoroso e jeito de meninas perigosas. Elas ainda têm muito a provar e evoluir, mas sem dúvida essas musas do cenário independente já cumpriram a missão de injetar novo ânimo no cenário do J-pop, J-Rock e anisong.

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VÍDEOS

Aqui, vamos conferir duas performances da banda:





"Scandal Theme" - As garotas chegaram mostrando que não estão pra brincadeira.





"Touch" (versão cover) - Abertura do animê sobre esportes e relacionamentos baseado no mangá homônimo de Mitsuru Adachi, grande sucesso da década de 1980 na revista Shonen Sunday. O tema original foi cantado por Yoshimi Iwasaki e ganhou em 2010 uma versão da Scandal no evento Animax Music Spring. O som é meio cru, de garagem, com muita energia e as meninas tomam conta do palco.


SAIBA MAIS:


Scandal na Wikipedia (em português)

Site oficial (em ingês, japonês e chinês)

Scandal no MySpace


Scandal em versão animê 



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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

QUADRINHOS INSTITUCIONAIS - COMUNICAÇÃO EFICIENTE

HQs produzidas sob encomenda
Comunicação institucional se refere aos meios e formas utilizados por uma instituição – seja pública ou privada – ou até uma pessoa física, para formar uma imagem positiva, divulgar suas mensagens, posturas, campanhas e prestação de contas. É uma área em expansão e, muitas vezes (especialmente na área em que me especializei), é voltada não para o grande público, mas para o cliente interno ou seja, o funcionário da empresa. 


Falando dessa comunicação interna, grandes instituições utilizam-se, por exemplo, de cartazes e boletins – normalmente com ilustrações, gráficos e fotografias para atingir melhor seus objetivos. Mas em muitos casos, uma imagem não basta, pois é preciso desenvolver conceitos e passar muitas informações de maneira eficiente, sem recorrer a manuais técnicos que acabam esquecidos num canto pelo funcionário.

Nesse contexto, as histórias em quadrinhos, por sua combinação harmoniosa de textos e imagens sequenciadas, ganham grande importância.

Tendo trabalhado com esse tipo de prestação de serviço há mais de duas décadas, irei a seguir descrever o processo de elaboração e produção.


ETAPAS DO TRABALHO
- Seja por indicação de alguém ou uma visita ao meu portfólio, o potencial cliente faz um contato e amostras do trabalho são enviadas ou é marcada uma reunião presencial para que se apresente o portfólio. Depois, um orçamento básico é enviado, para início de conversações. O objetivo é saber o que o cliente quer ou se ele já tem algo em mente. Pode haver uma reunião presencial ou conversas por telefone ou Skype. 


- Uma vez aprovado o orçamento, tem início o trabalho, cujo primeiro passo é conhecer a empresa, suas instalações, história, o tamanho de seu quadro de funcionários, a que tipo de pessoa se dirige sua comunicação e quais seus valores institucionais. 


- Estabelece-se um cronograma de trabalho, de acordo com o volume a ser produzido. Leva-se em conta se será feito um único gibi, se serão folhetos ou pequenas revistas com periodicidade fixa, se serão tiras ou webcomics para uma intranet... Os formatos são muitos e essa formatação demora a ser definida em alguns casos.


- Se a empresa não tiver personagens, é feita uma criação daqueles que irão estrelar os gibis, cartilhas, folhetos ou cartazes. Um custo por essa criação é estabelecido, independente de outros valores, como o custo por página, tira ou ilustração.


- Tendo em vista o formato e o tema, o cliente pode enviar um texto básico ou fornecer referências que irão orientar a pesquisa, essencial para a elaboração do roteiro. 


- Primeiro, é enviado um esboço do roteiro (bem detalhado) para que o cliente analise. É dado um prazo para aprovação, incluindo os dias entre a primeira análise e envio de correções que forem necessárias, para que o prazo não estoure.

- É normal que o cliente, na etapa de roteiro, dê muitos palpites e acabe reescrevendo balões inteiros ou pedindo a inserção de muitas informações sem que seja possível aumentar o número de quadros ou páginas. Nesse momento e sempre que necessário, o autor deve dar sua visão profissional ao cliente sobre o quanto o excesso de informações pode impactar negativamente na eficiência da comunicação. O cliente nem sempre tem razão, apesar de, obviamente, poder dar a palavra final sobre o resultado.



- Com o roteiro aprovado, é feita a produção de toda a arte e posterior envio dos arquivos finais para impressão, de acordo com o formato que o cliente pedir (geralmente, as gráficas aceitam bem em PDF com 300 dpi de resolução). Como os arquivos finais são grandes, trabalho com sites de transferência de arquivos. Tudo é feito on-line atualmente.  


Exemplo de roteiro em forma
de lay-out enviado para
aprovação do cliente
- É importante ser rigoroso com prazos e cumprir cada etapa conforme planejado, informando sempre ao cliente sobre os progressos e eventuais ajustes de percurso. 


Trabalhando nesse segmento de HQ institucional há 17 anos (de uma carreira de 23 anos), já atendi diversos clientes produzindo campanhas internas e algumas externas. Os objetivos sempre foram atingidos e alguns até surpreenderam, provando que o uso dos quadrinhos como ferramenta de comunicação vai muito além do entretenimento. 

Clientes atendidos: Pão de Açúcar, Santander Banespa, DAEE – Depto. De Águas e Energia Elétrica do Estado de SP, Defensoria Pública do Estado do RJ, NUDECON – Núcleo de Defesa do Consumidor, ABB, Resinor – Resinas Sintéticas do Nordeste, FIS – Fidelity Information Services, ServTec – Serviços Técnicos, CESP, ACEIS – Assoc. Comercial e Empresarial de Ilha Solteira, Fibria – Papel e Celulose, entre outros.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

SUPER SENTAI - A CELEBRAÇÃO DOS HERÓIS COLORIDOS

Goranger, a primeira equipe, no traço
de seu autor, Shotaro Ishinomori
Em 1975, o renomado autor de mangás Shotaro Ishinomori criou uma nova série de super-heróis, uma de suas especialidades. Era o Himitsu Sentai (Esquadrão Secreto) Goranger, que foi publicado nas páginas da revista Shonen Sunday e também ganhou série de TV produzida pela Toei Company. Com vilões de visual estapafúrdio (com cabeça de TV, piano, etc...), muito humor e pancadaria, o seriado marcou marcou época e os cinco heróis coloridos viraram mania nacional. Após seus 84 episódios (uma excelente marca, poucas vezes igualada ou superada por uma série tokusatsu), deu lugar a outra equipe, o quarteto (depois promovido a quinteto) JAKQ (leia “Jakkar”), que seguia uma linha mais séria e não emplacou tanto, durando 35 episódios. Estavam lançadas as bases para um gênero muito popular entre as crianças no Japão, mas ele não nasceu com a intenção de ser uma franquia interminável.

O NASCIMENTO DE UM GÊNERO
Os guerreiros dançarinos
de Battle Fever J
Em 1979, a Toei estava envolvida com parcerias com a Marvel Comics e, embalada pelo sucesso de sua versão tokusatsu do Homem Aranha (de 1978), planejava criar novos projetos. O Homem Aranha da Toei tinha nada a ver com o herói original dos quadrinhos de Stan Lee e Steve Ditko e também não era relacionado com a versão mangá de Ryoich Ikegami (já publicada no Brasil). Sucesso entre as crianças graças a seu robô gigante Leopardon (não me pergunte o motivo, também não imagino como um herói aracnídeo teria um robô com esse nome). 


Entre idas e vindas de estudos e projetos, a parceria com a Marvel foi desfeita e resolveram criar um novo grupo de heróis, um quinteto onde cada um simbolizaria um país e sua dança. O líder, obviamente representando o Japão, era inspirado no abandonado projeto de um certo Captain Japan, a versão Toei para o Capitão América da Marvel. Em 1979, estreou Battle Fever J (sendo Battle Japan o nome do líder), que no início não era associado às outras equipes, apesar das semelhanças óbvias. Do contato com a Marvel, havia ficado o visual dos capacetes, que, apesar de parecerem metálicos, lembravam também máscaras como a do Capitão América. E havia também a Miss America, heroína inspirada na personagem Miss Marvel. E a origem do nome é no mínimo curiosa: como os heróis são dançarinos, pegaram o termo "fever" emprestado do sucesso cinematográfico Saturday Night Fever (Os Embalos de Sábado à Noite), estrelado por John Travolta em 1977.

A inovação em relação a Goranger e JAKQ veio com o uso de um robô gigante pilotado pelos heróis. Depois de Battle Fever J, a Toei lançou, sem o menor constrangimento, um seriado com visual mais calcado em Goranger, também com um robô gigante. E tinha “sentai” (literalmente, "esquadrão") no nome. Era o Denshi Sentai DenjimanEsquadrão Eletrônico Denziman. A partir daí esse tipo de seriado começou a ser tratado como franquia, mas a Toei não incluiu o nome de Shotaro Ishinomori nos créditos, considerando o primeiro Super Sentai como sendo Battle Fever. Livros mais antigos também consideravam Super Sentai apenas de Battle Fever J em diante, tendo o uso de um robô gigante como marco para o gênero. Goranger e JAKQ eram chamados somente de “sentai” e eram deixados de lado como referência. Na época em que tudo isso aconteceu, Ishinomori estava fortemente ligado à Toei com suas séries Kamen Rider e outros projetos que também foram filmados, como os cultuados Kikaider, Zubatto e o Henshin Ninja Arashi. Talvez isso tenha pesado para que não houvesse brigas judiciais com disputas de royalties, mas isso é apenas especulação.

Turbo Ranger, de 1989, foi apresentado como uma série comemorativa dos 10 anos de Super Sentai e foi a primeira a apresentar um especial onde todos os grupos se encontravam, ainda que rapidamente. Antes, disso, somente Goranger e JAQK haviam se encontrado.

Posteriormente, já na década de 1990, livros oficiais começaram a corrigir a injustiça, incluindo Goranger e JAKQ na lista e considerando 1975 como o ano em que o gênero realmente começou. Manobras de bastidores e acordos podem ter sido fundamentais no processo, além da movimentação dos fãs.

CONQUISTANDO O MUNDO
Changeman, marco do gênero
Super Sentai no Brasil
No Brasil, Changeman (de 1985) foi um grande sucesso ao lado de Jaspion (também de 85), durante a explosão de séries tokusatsu que aconteceu entre o final da década de 1980 e início da de 90, na extinta TV Manchete. Depois, Flashman (1986) e Maskman (87) deram as caras, também pela Manchete. Até um seriado mais antigo, o Goggle V (1982), passou por aqui, via Band.

Em 1993, a franquia já era popular em alguns países além de Japão e Brasil, como a França, Itália, Filipinas e alguns outros, mas deu grande salto quando entrou em cena a distribuidora estadunidense Saban Entertainment. Adaptando a série de 1992 Zyuranger e trocando as cenas com o elenco japonês para um elenco americano e multirracial, a Saban criou o fenômeno Power Rangers. De lá pra cá, toda série Super Sentai é adaptada para Power Rangers. A produção norte-americana foi evoluindo e incorporando mais cenas de ação originais com os heróis transformados, rivalizando e eventualmente superando as filmagens japonesas. Os projetos de Super Sentai passaram a ser feitos em sintonia com a Saban, já visando sua comercialização no ocidente como Power Rangers. Isso enfureceu fãs das produções originais, que ficaram sem poder assistir na TV os Super Sentais, já que o contrato de exibição para o ocidente estabelece que aqui só existe Power Rangers.
Os heróis vermelhos das diferentes
equipes de Power Rangers
GOKAIGER – A CELEBRAÇÃO DA FRANQUIA
No último dia 13 de fevereiro, estreou no Japão a série comemorativa da franquia, Gokaiger, que tem como tema piratas, algo que pode tanto ter sido influenciado pelo mangá/ animê One Piece quanto na cinessérie estadunidense Piratas do Caribe. Na verdade, Gokaiger é a 35ª série da franquia, que está completando 36 anos. 

Gokaiger traz como atrativo o recurso de viagens no tempo e a habilidade dos heróis em usar poderes e robôs dos grupos do passado. Os Gokaiger podem, através de bonequinhos (da patrocinadora Bandai, claro), mimetizar forma e poderes de qualquer um dos integrantes das equipes anteriores. Se uma integrante feminina acessa o poder de um herói masculino, ela inaugura uma versão feminina dele. Ao que parece, o contrário não ocorre. Nenhum dos marmanjos Gokaiger, aparentemente, vai aparecer de rosa, mas há integrantes femininas que já usaram branco, azul e amarelo. Na verdade, todo o papo e boataria que envolve Gokaiger é sobre quem e como vai aparecer, não sobre a trama da série em si, que parece que será tão somente um grande veículo para merchandising, mais descarado do que qualquer outra coisa já feita.
Gokaiger e Super Sentai: Ação, aventura
e muitos brinquedos na celebração do gênero

Logo no primeiro episódio, todos os esquadrões aparecem envolvidos numa grande batalha, liderados por Akaranger, o herói vermelho de Goranger – este, dublado pelo mesmo ator que o interpretou na série clássica, Naoya Makoto. Tanto os temas de abertura quanto de encerramento mostram a participação dos heróis antigos, mostrando que Gokaiger unifica o universo Super Sentai. E, pela primeira vez numa produção moderna do gênero, aparece nos créditos o nome de Shotaro Ishinomori, ao lado de Saburo Yatsude, este apenas o nome de fantasia usado pelas equipes de criação da Toei.

Em maio, um filme promete reunir 199 heróis (a maioria como figuração, obviamente) em uma grandiosa batalha. Nos filmes que reúnem equipes Super Sentai, fica sempre a ideia de que eles vivem no mesmo universo. Claro que não faz o menor sentido que grupos de origens tão distintas tenham quase sempre padrões visuais semelhantes. Os Ultras são uma raça (agora, interdimensional) e os primeiros Kamen Riders tinham origem interligada, mas no mundo das franquias de tokusatsu, esse tipo de lógica passa longe. O que vale atualmente é o chamado fan service e a venda de produtos. Apenas eventualmente, isso vem acompanhado de bons personagens e produções interessantes e, quando isso acontece, os fãs comemoram. Se Gokaiger - a serie e o filme - cumprirão a expectativa, somente o tempo irá dizer. 


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Confira agora o divertido encerramento de Gokaiger. Outros virão, com certeza.




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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

ENTREVISTA SOBRE CULTURA POP JAPONESA



Recentemente, respondi dez perguntas enviadas por e-mail pelo jornalista Pedro Duarte, colaborador do site Portallos, totalmente voltado ao mundo dos quadrinhos, desenhos animados, games e afins. A entrevista já está no site e pode ser conferida no link abaixo:


>>> Entrevista sobre cultura pop japonesa para o site Portallos

- Meus agradecimentos ao Pedro Duarte e a todo o pessoal do Portallos. 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O QUE LEVAR EM CONTA AO ORÇAR UMA ILUSTRAÇÃO

Eu queria recomendar aqui um texto que achei excepcional. O ilustrador Hiro Kawahara é o responsável, faz um bom tempo, pelas divertidas folhas das bandejas do McDonald´s. Não o conheço pessoalmente, mas tenho um respeito enorme não apenas pelo trabalho, mas também pela pessoa, graças à postura que vejo ele demonstrar.


O blog Portal do Ilustrador publicou um texto genial do Hiro onde ele comenta sobre o valor de um desenho. O assunto interessa tanto a iniciantes quanto a profissionais mais experientes, pois diz respeito à propriedade autoral de uma ilustração e coisas que devem ser consideradas ao se cobrar por um trabalho, como impostos, finalidade da ilustração e tempo gasto. Não é fácil batalhar por isso quando o cliente acha que você "faz uns desenhos rapidinho". Se o artista não souber se valorizar, não é o cliente que o fará. 


Eventualmente escrevo assuntos relacionados neste blog e estava pensando em abordar a questão dos valores e direitos. Eu não teria escrito de modo mais claro e é por isso que recomendo o texto para quem quer entender melhor essa mal compreendida (e muitas vezes subvalorizada) profissão. Confira:
O valor de um desenho 

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E aproveito para chamar a atenção para um post antigo deste blog, com uma abordagem bastante pertinente:

Artistas e clientes
 - Uma relação delicada:
http://nagado.blogspot.com/2009/11/artistas-e-clientes.html




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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

GOKAIGER - UNIFICANDO O UNIVERSO SUPER SENTAI

Gokaiger e os heróis vermelhos dos
outros esquadrões. Festa para os fãs.
Super Sentai - ou Super Esquadrão - é aquele gênero de seriado japonês de tokusatsu (efeitos especiais) do qual fazem parte Changeman, Flashman e afins. Tendo várias de suas séries adaptadas para Power Rangers desde 1993, os Super Sentai se tornaram famosos mundialmente. A cada ano, uma nova equipe (geralmente de 5 integrantes) aparece para surrar monstros e invasores que ameaçam a paz na Terra - vendendo muitos brinquedos no processo. A mais nova produção, a estrear no Japão dia 13 de fevereiro, às 7h30 da manhã na TV Asahi, é Gokaiger, um grupo baseado em piratas. 


A produção está sendo anunciada como um marco comemorativo por ser a 35ª série da franquia, criada na verdade há 36 anos, baseada no mangá Goranger, do renomado autor Shotaro Ishinomori (o mesmo do Kamen Rider). Como atrativo, os membros do esquadrão poderão acessar poderes e formas dos heróis anteriores. As duas garotas da equipe também podem emular os heróis masculinos, se transformando em versões femininas dos mesmos. 
No meio dos fãs, rumores e boatos estão criando especulações, pois já se sabe que um dos episódios vai mostrar toda a equipe Changeman, mas não se sabe quais (se é que algum) dos atores originais vai participar. Até existe a possibilidade de um sexto Changeman aparecer, conforme outro boato que começou a circular no Japão. Flashman, Maskman, Goggle V, os grupos que originaram Power Rangers e todos os outros vão aparecer também, numa salada de cores, gritos e golpes. 



Claro que, com tudo isso, a série dificilmente será algo além de um "fan service" (produção voltada só para fãs de carteirinha) e veículo de merchandising como nunca houve, mas não importa. Esse tipo de seriado tem experimentado sucessivas quedas de audiência, em parte por causa da redução da população infantil no Japão e os produtores estão dispostos a atrair os fãs crescidos, a exemplo do que acontece com Ultras e Kamen Riders. Um filme para cinema também deverá agitar o público japonês, com o maior elenco de super-heróis já reunido. Apesar de muitos encontros entre equipes já terem sido filmados, sempre mostrando todos no mesmo mundo, desta vez será estabelecido que existem mundos paralelos e é por eles que os Gokaiger irão viajar para se encontrar com seus antecessores, um recurso já usado tanto em Ultras como em Kamen Riders. 


Para breve, deverei postar uma matéria mais abrangente sobre Super Sentai, pra situar melhor os não-iniciados. Por enquanto, curta o pequeno trailer que apresentou os Gokaiger ao público japonês.