RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog ainda está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, Katokutai, Pinóquio de Osamu Tezuka, Danger 3, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Garimpando raridades - Animage Sing Songs

Animage Sing Songs: Uma raridade
numa época de pouco
acesso a publicações japonesas
O advento da internet trouxe muitas facilidades para todo tipo de interesses. No campo da cultura pop japonesa, a oferta de material na web é gigantesca, mas antigamente tudo era mais complicado de se obter. Para quem nasceu conectado, baixa vídeos, músicas e encontra tudo o que gosta com alguns cliques, é difícil imaginar a vida de fã de alguma coisa então obscura mais de 20 anos atrás. 

Por volta de 1990, eu estava revirando algum sebo de quadrinhos no centro de SP (capital) em busca de algo novo ou interessante. E encontrei o pequeno livreto cuja capa, cuidadosamente remendada ao longo dos anos, estampa esta postagem.

Com formato de 18 x 21 cm e 66 páginas, tinha as primeiras coloridas em papel couché e o restante em p/b em papel jornal). Era a edição de agosto de 1987 de Sing Songs, um encarte da revista Animage (Ed. Tokuma Shoten), tradicional publicação sobre o universo dos animês e afins. A capa, de cores berrantes, entrega a década em que foi produzida, mesmo que não aparecesse a data. 



Eu pouco sabia ainda sobre anime songs (apesar de curtir várias), conhecia pouca coisa além do que havia passado no Brasil e muito menos sonhava em escrever sobre o assunto. No entanto, eu já frequentava exibições de animês, garimpava fitas VHS mofadas em locadoras da colônia japonesa e até comprava fitas cassete com trilhas sonoras de um conhecido que vendia, nas exibições do grupo ORCADE, no Centro Cultural da Rua Vergueiro.

Encontrar por acaso uma publicação sobre anisongs (palavra que eu desconhecia) foi muito legal, deu uma sensação de ter descoberto um pequeno tesouro perdido em um sebo que não era de revistas japonesas. Algumas músicas destacadas lá eu tinha ou viria a conseguir depois, mas não sabia sequer ler as letras para acompanhar as canções ou mesmo entender os créditos das músicas. O destaque eram os temas de séries da temporada, como Zillion, Metalder, Maskman, Orange Road, City Hunter, Sukeban Deka, Esper Mami, Hokuto no Ken e outras, cada uma ocupando uma página cada com as letras das músicas e cifras para violão. E havia fotos dos cantores pra acompanhar, o que foi o grande chamariz para a compra. A maioria eram cantoras jovens, ou melhor, idols deslumbrantes (ainda mais para um garoto de 19 anos) e tinha até um ranking com as 100 anisongs favoritas da época (também com todas as letras cifradas), mais um guia de acordes para violão e guitarra.

Ah, sim, como eu mencionei, o livrinho era encarte de uma outra revista e não poderia estar sendo vendido separadamente naquele sebo. Porém, eu não liguei pra isso, até porque estava barato. Sem referencial de preço (pois o livro era brinde), o dono do sebo chutou um valor baixo, já que provavelmente ia ser difícil vender um livrinho com letras de músicas quase desconhecidas no Brasil. Mas pra mim, naquela época, eu estava comprando uma pequena raridade. 



ABERTURA DE SPT LAYZNER - A FAVORITA DO PÚBLICO EM 1987
Aoki Ryuusei (Cometa Azul) SPT Layzner foi um animê de robôs produzido pela Sunrise entre 1985 e 86. Sua abertura original, "Meros no you ni", do grupo Airmail from Nagasaki, aparecia em 87 como sendo ainda a favorita dos leitores da Animage. 

Hoje esquecida pelo grande público, foi um grande sucesso de seu tempo e é um precioso registro da década de 80. Divirta-se. 

10 comentários:

Felipe disse...

Nossa, a revista é do exato mês em que eu nasci! O.O

Eu lembro que quando comecei a me interessar por animes (que foi entre 2001 e 2002, então não faz tanto tempo assim), a forma que eu tinha para assistir era através de fitas VHS compradas no Sogo Plaza, na Liberdade. Inclusive as músicas, porque naquela época eu só tinha internet discada com uso bem controlado, então só assistir aos clipes que vinham gravados como "extra" nessas fitas XD. Quando me passaram um Mp3 de YuYu Hakusho que, milagrosamente, cabia num disquete, foi uma festa, hahaha.

Às vezes eu queria dar uma viajada no tempo pra ver em pessoa como essas coisas aconteciam quando eu nem sonhava em curtir cultura pop japonesa, rs.

Ah, Nagado, você soube do rumor maluco sobre um crossover entre Gokaiger e Gavan? Até agora eu não sei se dá ou não para colocar algum crédito nisso, porque parece algo improvável demais...

Obrigado! ^^

Alexandre Nagado disse...

Realmente, antigamente era tudo mais difícil. Não sinto saudades da época, mas é divertido lembrar como tão pouco deixava a gente tão contente.

Sobre o tal boato, eu li com desconfiança em alguns lugares. Porém, lembre que a Toei colocou Kikaider, Kikaider 01, Zubat e Inazuman "do nada" no longa dos Kamen Riders. E como Kenji Ohba está por perto por causa de Gokaiger, vai saber...

Vamos aguardar.

Abraços!

fmass disse...

bons tempos aqueles em que a gente tinha dificuldade p/ conseguir algo que gostava, mas qdo conseguia era guardado como um troféu.
eu mesmo colecionava muita coisa
hj em dia basta fazer uma busca no Google e pronto. Perdeu a graça, rsrs.

Michel disse...

Realmente, o priemeiro publicação japonesa a gente nunca esquece! Comigo, foi um "e-hon" (livro de ilustrações) do Ultraman 80, comprado no bairro da Liberdade, em 1984, quando eu tinha uns 6 anos. Nem imagina como eu fiquei maravilhado, olhando milhões de vezes o livreto fininho. Logo no início do ano seguinte, um primo meu que veio do Japão, trouxe várias revistas e encartes, que ele não queria mais, sendo a maioria delas da Shogakukan. Peguei várias, mas nem sabia que aquilo era brinde de revista. E é claro, ainda guardo todas essas relíqueas, remendadas com muito tape, mas infelizmente não aqui comigo, no Japão, mas aos cuidados do meu irmão, no Brasil. Era uma outra época, que a gente ficava maravilhado com qualquer coisa. Hoje, quando vou äs livrarias, parece tudo tão supérfluo, mas continuo comprando... e me empolgando como antigamente. Mas agora, a diferença é que eu aprendi a ler o que estava escrito nelas!
Acho bacana essa música do SPT Layzner, e o interessante, é que tiveram que fazer várias versões do OP, pois mesca com as flas dos personagens. Se eu não me engano, a primeira e única vez que eu vi Layzner, acho que deve ter sido numa fita BETAMAX gravado na época...

Me perdoe o comentário enorme, Nagado! Dá uma espiada no meu blog, quando tiver tempo, pois até que estou conseguindo mantê-lo atualizado.

Alexandre Nagado disse...

Na verdade, a primeira revista japonesa que comprei foi um livreto de ilustrações dos Ultras. Depois, um pacote de edições da Shonen Sunday (que relatei aqui uma vez). Mas aquele encarte da Animage tinha o gostinho de raridade, de descoberta mesmo.

E você lembrou do BETAMAX! Eu nunca tive um Betamax, mas lembro que na Casa Ono (locadora) havia uma seção só de fitas desse tipo. Se hoje em dia, muitos já nem lembram do VHS, imagine o Beta. Somos velhos mesmo, ah ah.

Abraço!

hamletprimeiro disse...

Nossa!Alguém que se lembra do ORCADE. Lembro de matérias sobre esse grupo na coluna do Franco de Rosa e na TV Gazeta. Nunca mais ouvi falar nele. Estava começando a achar que eu tinha inventado esta lembrança.

Michel disse...

Só uma observação (relendo o texto novamente), a respeito da ORCADE, as exibições eram realizadas na Gibiteca Henfil, quando esta ainda ficava na Biblioteca Viriato Corrêa, na Vila Mariana. Acho que foi em 1999, que a Gibiteca se mudou para o Centro Cultural, mas não sei se a ORCADE ainda fazia exibições (eu já não frequentava mais). Em tempo, eu também ouvi o nome pela primeira vez num jornal, O Estado de São Paulo (Caderno 2), em 1992, e foi quando fiquei sabendo da existência das exibições de video. Só passei a frequentar e a ajudar nas exibições, a partir de março de 1994. Foi da ORCADE que se originou o grupo Neo Animation.

Complementando, Nagado, suspeitei que esse encarte não era a sua primeira publicação japonesa. Falei mais no sentido generalizado.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Michel. Em tempos mais remotos, a ORCADE se reunia informalmente no Centro Cultural Vergueiro mesmo, perto da lanchonete. As exibições de vídeo aconteciam na escola Graphis, no Jabaquara. Isso acho que era no final da década de 1980. Depois, quando a Gibiteca Henfil foi inaugurada, aí sim havia as exibições regulares e reuniões num espaço mais adequado. Foi nessa fase que você conheceu, mas eu tive contato inicial ainda nos anos 80, quando comprei minhas primeiras fitas de anisongs. Cara, isso é pré-histórico.

Ah, e a Animage Sing Songs foi uma das primeiras, e certamente a primeira que me fez descobrir que anisongs formavam um mercado próprio. Ver que as músicas eram valorizadas numa revista própria (ainda que um encarte) me empolgou bastante na época.

Abraços!

Michel disse...

Caramba, não sabia dessa fase da ORCADE. Aliás, como eu havia comentado, foi nessa reportagem do O Estado de São Paulo, de 3 de outubro de 1992, que eu fiquei sabendo da existência do grupo: http://img69.imageshack.us/img69/5732/estadodesopaulo19921003.jpg.

Uma das exibições na Gibiteca, que você deve se lembrar, foi quando o Sergio Peixoto colocou a fita do Kamen Rider ZO, levada por você, só pra dar um tira gosto...rsrsrs! Acho que foi em 1994, quando a gente ainda não se conhecia, mas fiquei maravilhado com o ZO (numa época que eu só conhecia o Black).

Michel disse...

Desculpe postar novamente, mas aqui está o link correto da imagem: http://imageshack.us/photo/my-images/69/estadodesopaulo19921003.jpg/