RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Boletim 9: Cláudio Seto, Otome, Crunchyroll e eventos

O site YouPix publicou um artigo muito interessante sobre como a informação se propaga e se perde rapidamente na internet. A velocidade das notícias é enorme. No Twitter, os links chovem sem parar e as pessoas vão clicando freneticamente. Repassam, comentam e esquecem logo. 

O Sushi POP não é um blog de notícias. Tem notícias também, mas eu não posso e nem me preocupo em suprir os leitores de notícias constantemente. Há muitos sites e blogs ótimos para isso. Porém, como a informação é muito volumosa e se perde na diversidade da internet, não vejo mal em divulgar e comentar assuntos mais antigos, dar dicas de coisas que passaram batido, sem descuidar de informações atuais. E falando em informação fresca, tem uma no final do boletim que está dando o que falar na área. Enfim, vamos às notas comentadas e até a próxima. 


DOCUMENTÁRIO SOBRE CLÁUDIO SETO  
O grande quadrinhista Cláudio Setofalecido em 2008 aos 64 anos, foi um dos pioneiros do mangá brasileiro. Em sua homenagem, será lançado um documentário, realizado quando ele ainda estava entre nós.

Com direção de Rober Machado e José Padilha, “O Samurai de Curitiba” mostra a extensa produção de Seto entre as décadas de 1960 e 80, período no qual ele mais lidou com quadrinhos. O documentário vai estrear no dia 20 de outubro, em Curitiba (PR). Leia mais no Zine Brasil.




Site oficial - O Samurai de Curitiba

A ENCICLOPÉDIA DAS GAROTAS OTAKU

Femininas, delicadas e seguidoras
do modo de vida otaku

Otaku é o termo japonês que designa indivíduos sem vida social, obcessivamente dedicados a um hobby específico. No mundo ocidental, o termo acabou reduzido a uma definição quase tribal para fãs de mangá e cultura pop japonesa, sem a conotação pejorativa que carrega em seu país. O similar feminino para otaku é wotome (ou otome), e é sobre isso que trata o livro Wotome Zukan, ou The Wotome Book ~ Otaku Girls Encyclopedia, que aborda os temas que essas garotas e mulheres japonesas curtem como hobby supremo em suas vidas. Animês, bonecas, cosplay, games e uma infinidade de itens, muitos deles especificamente voltados ao universo feminino. Ao pé da letra, otome é "donzela", uma forma graciosa que acharam para se rotular. 

Com muitas garotas que não se encaixam no antigo estereótipo nerd de feia e desajeitada, o livro mostra quartos de otomes, dando dicas para organizar suas coleções. Sem dúvida, um importante registro desse fenômeno social tão tipicamente japonês e que é tão mal compreendido no resto do mundo. A obra celebra o modo de vida otome, sem qualquer pretensão filosófica ou análise de comportamento. Wotome Zukan foi lançado pela editora Kotobukiya, tem 160 páginas e custa 1800 ienes (cerca de 24 dólares). O lançamento é antigo, de setembro de 2010, mas como ainda não é muito conhecido por aqui, fica o registro. 

EXIBIÇÃO DE ANIMÊS PELA INTERNET


A Editora JBC, uma das maiores em publicação de mangás no Brasil está preparando o lançamento oficial de seu serviço de exibição de animês via streaming. Através de uma parceria com o serviço Crunchyroll, o internauta poderá assistir diversos títulos mediante pagamento de uma taxa. A modalidade é sucesso em vários países, é licença oficial e a expectativa é que o preço seja acessível para incentivar o público a pagar para assistir material original e traduzido pela equipe JBC.

A informação começou a circular como boato semanas atrás graças ao trabalho de detetive do site Subete Animes
e é possivelmente a maior novidade do ano em termos de mercado de animês no Brasil.



Foto: Fábio Jr Lazzari/ CMSP
ANIME FRIENDS AGORA É EVENTO OFICIAL DE SÃO PAULO

Ontem li no blog Mais de Oito Mil sobre o festival Anime Friends ter sido incorporado ao calendário oficial de eventos da Prefeitura Municipal de São Paulo, através de projeto do vereador Ushitaro Kamia (DEM). O Anime Friends é o maior festival do gênero no Brasil e alega ser o maior das Américas. Reúne milhares de jovens e ajuda a fazer da cultura pop japonesa uma febre. Mas se por um lado é interessante ver o assunto ser pauta oficial e ser notado por autoridades, por outro há mais o que se pensar.

Certa vez, comentei aqui sobre o que deveria importar num evento de mangá e animê, criticando a falta de interesse na promoção de atividades culturais e a exaltação exagerada do lado puramente festivo e catártico desse tipo de evento, quase uma micareta otaku. Me envolvi na organização de atividades culturais no primeiro Anime Friends, em 2003 e depois disso me afastei do meio. Só vou a eventos quando sou convidado para alguma palestra ou debate, não como público. Sei que têm vindo atrações do Japão, que cada vez mais cosplayers, bandas e candidatos a desenhistas aparecem e que os ingressos não são baratos e acessíveis como deveriam ser.

Ao político, vale divulgação em um público de eleitores em potencial. Ao empresário, dá a chancela oficial a um empreendimento comercial, ampliando gratuitamente sua divulgação e aumentando sua credibilidade, independente de maiores investimentos em infraestrutura e programação. Só não sei, sinceramente, o que o público irá ganhar e nem que benefício isso trará ao mercado ou qual a contribuição cultural que essa oficialização irá trazer. Sendo um evento oficial, agora o público poderá, talvez, fiscalizar e exigir mais. 

8 comentários:

Patrick Raymundo disse...

Esse ano está fervilhando com informações sobre várias empresas de streaming chegando ao Brasil. O Netflix chegou em português, antes do Crunchyroll, e com alguns títulos em animês, como a versão dublada (e bem dublada) de Death Note, mas a maior concentração de animês, por metro quadrado, ainda é do Crunchyroll. Eu estou assinando o Crunchyroll e estou gostando. É um arquivo público gratuito e oficial. Por uma taxa de 6 dólares eu tenho acesso aos títulos uma hora depois do lançamento no Japão. Tenho assistido muita coisa por lá! :) E eu me pergunto sobre o Animax. Simplesmente sumiu. Disseram que iam trabalhar com a marca, através de streamings, e sumiram. Nunca mais ouvi falar. Se bem que, se forem usar a mesma qualidade técnica e de transmissão, é bom mesmo que fiquei sumido.

E me impressionou ver que o Anime Friends, largamente criticado por quem realmente se interessa pela cultura nipônia e sua divulgação, tenha conseguido essa conquista política. Como diria o futebolista "aí, fomos surpreendidos novamente". :)

Bruno Seidel disse...

Ressalto principalmente a última linha do post: "Sendo um evento oficial, agora o público poderá, talvez, fiscalizar e exigir mais". Quanto à presença em eventos, também larguei de mão. Já fazem três anos que não frequento mais esse tipo de ambiente e os motivos são basicamente os mesmos levantados pelo Nagado no post mencionado. Acredito que me enquadro mais no perfil de fã "estudioso", que busca comparar certas produções, ler sobre o assunto, conhecer os autores, o lado "cultural" do gênero... e os eventos parecem ser mais voltados para fãs do tipo "festeiros", que gostam mesmo de um agito, dar boas risadas entre amigos e cutir um final de semana atípico. Será que to ficando velho?? HUEhUEhUEhUHE :P

Mestre Ryu Kanzuki disse...

Interessante essa oficialização. Espero que agora eles possam reforçar a organização e a segurança do público. Por outro lado, esses problemas graves que ocorrem em eventos, que como você mesmo disse "Micareta Otaku", podem ficar mais expostos pra sociedade de fora - pra eles, ainda vistos como eventos inocentes e não algo como um Show de Rock pevertido.

João Aranha disse...

É muito bom ver pessoas ainda com interesse na obre do seto, que é bem interessante. E quanto ao Anime Friends, desconfio muito dessa oficialização no calendário como um artifício de uso do dinheiro público para algo que não expressa cultura nenhuma do Japão, mas apenas o comércio desvairado de falsificações. Podiam ter feito essa mesma oficialização para o festival do Japão, mas isso é outra história.

The Fool disse...

Boa noite Nagado!

Mas então quer dizer que o termo otome existe realmente dentro do Japão? Achei que era invenção de alguma brasileira não muito amiga do termo otaku.
Quanto ao AF "oficializado" tenho medo de pensar no que isso pode querer dizer.
Abraços!

Alexandre Nagado disse...

Ah, sim, existe. Acontece que o termo "otome" ainda não pegou no ocidente. Eu mesmo não costumo usar, é mais uma curiosidade. O que é certo é que a definição de otome é bem mais recente do que otaku e há poucos registros sobre elas em relação à contraparte masculina.

Sobre o AF, só podemos especular, mas não acredito pessoalmente em melhora de relevância cultural, só em aumento de festividades e lucros aos organizadores.

The Fool disse...

@ Nagado: Tem um povo otaku aqui no Brasil que já usa essa classificação.
Mas só pra variar, eles não citam de onde tiraram isso. Agora eu sei, graças a tu, Nagado!
Valeu, quando precisar vou repassar esse post pro povo ler!

Alexandre Nagado disse...

Opa, na verdade já li pessoas aqui usando o termo. Mas talvez eu tenha ajudado a divulgar pra pessoas que ainda não sabiam. Eu sou meio resistente a palavras novas, e acabo usando otaku de modo genérico. Mas vai ser interessante se otome pegar também, pois o público feminino para cultura pop japonesa é enorme.

Abraço!