quinta-feira, 2 de junho de 2011

Super Sentai - A batalha dos 199 heróis: Um filme-evento


Este é um ano de comemorações para o mundo do tokusatsu, os filmes e seriados de monstros e super-heróis repletos de efeitos especiais. Além dos 45 anos de Ultraman (da Tsuburaya Pro) e dos 40 anos de Kamen Rider (Toei Company e Ishimori Pro), foi anunciado pela Toei  que este ano também é festivo para sua outra grande franquia de super-heróis: a linha Super Sentai. É um pouco forçado, visto que estão comemorando a marca de 35 seriados, e não 35 anos de criação ou estreia como muita gente ligada à área ainda pensa e divulga. Não importa a exatidão, pois como neste ano a Toei Company comemora 60 anos de atividades, deram um jeito de embalar também seus heróis de colante colorido.

Sendo assim, lançaram a série Kaizoku Sentai (Esquadrão Pirata) Gokaiger, com um grupo de piratas espaciais que consegue emular visual e poderes de qualquer integrante das equipes anteriores. Um parênteses: chega a ser irônico que eles “pirateiem” outros super-heróis, visto que a pirataria industrial ameaça os investimentos em novos produtos.

Mas o grande destaque tem sido a aventura cinematográfica dos heróis, que já é enorme no título: Gokaiger – Goseiger – Super Sentai: 199 Hero Dai Kessen (A Batalha dos 199 Heróis). A película promete um grande quebra reunindo os tais 199 heróis contra um número ainda maior de inimigos. Trechos rápidos de um confronto envolvendo todos os esquadrões contra os invasores do Império Zangyak foi mostrado no primeiro episódio de Gokaiger. Na ocasião, os heróis desaparecem após reunirem suas energias para repelir uma grande frota de naves e agora será revelado o que aconteceu antes e depois daquele momento. Aliado a Zangyak, ressurge o Black Cross Gundan – Exército da Cruz Negra, que enfrentou Goranger em 1975.
A tela de cinema vai ficar
pequena para tantos heróis
Para esse filme a Toei seguiu um caminho parecido com a Tsuburaya e seus Ultras, ao escalar atores antigos – alguns já na terceira idade – para reprisarem suas atuações, não apenas dublando heróis transformados. Isso acaba sendo interessante, pois a franquia Super Sentai experimentou muitas quedas de audiência ao longo das décadas e é do tipo de programa que mais sente os efeitos da diminuição da população infantil do Japão, já que a nação está envelhecendo e os casais que optam por ter filhos costumam ter apenas um. 

Os Ultras possuem uma sólida base de fãs mais velhos e nostálgicos. Isso também ocorre com os Kamen Riders, que têm a vantagem de serem muito mais populares entre jovens e adolescentes que seus concorrentes. Já as produções Super Sentai sempre focaram em público estritamente infantil e que se renova muito rápido. Esse novo filme, bem como a série semanal de Gokaiger, apresenta um resgate do passado – personagens e atores – para atrair o público mais velho e com isso melhorar a audiência e venda de produtos relacionados. A lista de convidados especiais é extensa e visa agradar diferentes gerações de fãs.

Akaranger, Big One, Denzi Blue,
Goggle Black, Dynapink, Red One,
Red Turbo, Ryuranger e Dekapink
irão voltar à ação.
VETERANOS EM AÇÃO
O veterano ator Naoya Makoto, que viveu Akaranger, o líder do primeiro Esquadrão, o Goranger (1975), volta a interpretar o icônico personagem, que é desconhecido no Brasil fora do meio dos fãs. Rosto mais conhecido no Brasil é o de Kenji Ohba, famoso por interpretar o primeiro herói da linhagem Metal Hero, o Policial do Espaço Gyaban (de 1982). Ele irá aparecer retomando um de seus primeiros papéis de destaque na TV, o de Denzi Blue, de Denziman (1980). Lembrando que ele também foi o herói laranja Battle Kenya, de Battle Fever J (1979). Com fãs no mundo todo, participou ainda de Kill Bill Vol. 1, dirigido por Quentin Tarantino

Hiroshi Miyauchi irá reprisar seu papel como Big One, o líder branco da segunda equipe do gênero, JAKQ (de 1977). E é possível que também faça o papel de Aoranger, de Goranger. Miyauchi, que recentemente foi ouvido dublando outro de seus personagens famosos, o Kamen Rider V3 no filme Let´s Go Kamen Riders agora vai aparecer mesmo, se transformando em herói. Ator representativo do tokusatsu, Miyauchi só foi visto oficialmente no Brasil por seu trabalho como o Chefe Masaki em Winspector (1990) e Solbrain (91). No Japão, a lista de suas atuações é enorme e respeitável, incluindo outro papel fixo em Super Sentai, o do Comandante Miura, em Ohranger (1995). Miyauchi já havia voltado a interpretar Soukichi Banba, o Big One, no especial Gaoranger versus Super Sentai, de 2001.

Caso de ator e personagem conhecidos no Brasil é o de Junichi Haruta, famoso aqui por ter interpretado MacGaren, o rival de Jaspion em 1985 e que voltará a se transformar em um herói de Super Sentai, pelo qual é mais famoso em seu país. Haruta foi o Goggle Black de Goggle V (1982), seriado aqui visto na TV Bandeirantes (e depois na Record) durante a invasão de seriados tokusatsu do começo dos anos 90. Como Haruta também foi Dyna Black em Dynaman (1982), não será surpresa se ele não fizer também uma ponta dublando seu outro personagem de Super Sentai. Mas representando Dynaman estará a atriz Sayoko Hagiwara como Dyna Pink, seu papel mais famoso. No Brasil, os fãs se lembram dela como a diabólica Nefer, vilã de Flashman (1986). No Japão, também é famosa por ter vivido a identidade humana de Yullian, heroina da série Ultraman 80 (1980). Ela anda revivendo seu passado no tokusatsu, pois no final do ano passado, fez uma ponta dublando Yullian no longa Ultraman Zero The Movie. Ryosuke Sakamoto (Red One em Bioman, 1984), Kenta Sato (Red Turbo em Turboranger, 1989), Keiichi Wada (Ryuranger em Dairanger, 1993) e Mika Kikuchi (Deka Pink em Dekaranger, 2004) - entre outros que ainda podem ser anunciados - também irão retornar para esse verdadeiro filme-evento.
Parece um catálogo de brinquedos, mas é a
reunião de robôs gigantes no filme dos 199 heróis.
CONCLUSÕES

Certamente há um excesso de personagens, ainda mais se lembrarmos que os astros principais do filme são os membros de Gokaiger e os da equipe antecessora, Goseiger. As participações de veteranos devem ser rápidas (talvez nem apareçam se transformando), com exceção talvez do líder de Goranger. E não somente os integrantes dos grupos irão aparecer, mas um exército de robôs gigantes (ao menos um por grupo) irá se reunir contra a ameaça combinada do Império Zangyak e a Black Cross, mais vários inimigos ressuscitados. O clímax já anunciado irá mostrar o castelo da Black Cross revelando ser o grande Black Cross King.

No fim, é tudo um grande “fan service”, que considera todas as equipes como parte de um mesmo universo e desconsidera fatos como a morte de alguns heróis que aconteceram em suas séries, especificamente Black Condor (de Jetman, 1991) e Dragon Ranger (de Zyuranger, 1992), que aparecem vivos e bem. Enfim, cronologia nunca foi o forte de seriados japoneses. O que vale, aqui, é a diversão. E é por causa dela que esse filme está sendo muito aguardado.

Gokaiger – Goseiger – Super Sentai: A Batalha dos 199 Heróis tem roteiro de Naruhisa Arakawa, direção de Noboru Takemoto e irá estrear no Japão no próximo dia 11 de junho. 

10 comentários:

João Aranha disse...

Realmente o que você falou é corretíssimo: nesse especial, eles chutaram a cronologia, mas quiseram mostrar um grande modo de divertir o passado e o presente dos fãs de SS com essa reunião.

Estou muito ansioso pra ver. Agora é só aguardar.

Alexandre Nagado disse...

Eu faço parte daquela pequena parcela de público que gosta dos personagens e acha que eles são mais valorizados quando a cronologia é respeitada ou ao menos considerada.

Enfim, também quero ver esse quebra-quebra. :-)

Bruno Seidel disse...

Ótimo resgate de informações, Nagado! Apenas uma correção: o personagem interpretado pelo Kenji Ohba em Battle Fever J era o Battle Kenya (preto), não o Cosack (laranja). No mais, compartilho desse pesar com relação a certas incoerências cronológicas, como bem citados os casos do Black Condor e Dragon Ranger (sem falar que muitos desses esquadrões abandonam seus poderes no término das séries). Certamente, não será apresentada nenhuma explicação para isso e, quando resolvem dar um "nexo" pra tantos personagens e cronologias distintas, inventam a velha desculpa dos "universos paralelos" que se juntam (vide Decade que deixou muito fã comendo mosca).

Alexandre Nagado disse...

É verdade, na hora de escrever confundi o Battle Kenya com o Cosack. Já arrumei no texto, obrigado.

Sobre esse filme, eu só lamento não ver o Hayate ou o Ozora representando Changeman. Vamos aguardar. Espero que o Michel Matsuda assista e poste algo a respeito no Universo Otaku.

Abraços!

Ricardo Cerdeira disse...

Boa Matéria, Nagado. Realmente não vai dar para esperar um grande espaço para os veteranos, já que o filme trará ao menos 10 protagonistas (os 5 Goseigers e os 5 Gokaigers). Sem contar que além dos veteranos que você citou, o filme também trará a presença de Mitsuomi Takahashi (Bouken Red), Rina Aizawa (Go-on Yellow), Shogo Suzuki (Shinken Green) e Keisuke Sohma (Shinken Gold).

Ou seja, com tantas participações em um filme que não deve ter mais que 1 hora e meia de duração, o jeito é aproveitar as pontas... de qualquer forma, melhor trazer atores antigos do que inventarem novas versões, como fizeram em Decade.

Nagado, só um detalhe: o nome correto do roteirista do filme é Naruhisa Arakawa.

Ele foi o escritor principal em Kuuga, Abaranger, Dekaranger e agora em Gokaiger. Escreveu episódios para quase todos os Sentais desde 1991, razão pela qual sempre achei que ele era a escolha certa para uma série comemorativa como Gokaiger.

Michel disse...

Apenad fazendo uma observacao, Nagado, nenhum dos atores veteranos vai se transformar no filme, mesmo porque eles perderam os poderes na Guerra Lendaria. Os unicos que vao interagir na historia, tendo dialogos, sao o Kenji Ohba, o Keiichi Wada e a Mika Kikuchi. Inclusive, o Wada ate reclamou de nao poder usar os poderes, em entrevista a Hyper Hobby. Haruta, Hagiwara e os demais, talvez aparecam apenas em forma de homenagem, como aconteceu com o Tetsuo Kurata, no filme All Riders vs Dai Shocker, sem interagir com o elenco principal. E nem tampouco vao dublar seus respectivos personagens, talvez com excecao do Naoya e do Miyauchi.

Ah, e o nome do roteirista e Naruhisa Arakawa.

P.S.: Desculpe a falta de acentos , pois estou digitando pelo celular.

Alexandre Nagado disse...

Mas que grande balde de água fria, Michel. Talvez então os 199 heróis estejam em ação todos eles somente no começo do fllme. A entrevista do ator realmente deu ideia de que o monte de participações será uma grande oportunidade perdida. Parece que Akaranger e Big One terão papel efetivo no filme, mas eu esperava que os outros também tivessem algo para fazer em termos de ação. Na verdade, as fotos promocionais passam a ideia de que eles entrariam em ação. E os robôs, serão operados pelas equipes com poderes restaurados ou usuarão outro recurso para que eles lutem?

Ainda assim, estou curioso pra ver o resultado.

Abraços!

Rafael Kaen disse...

Super sentai é meu genero favorito, apesar de ter ficado muito bobo!
Tô doido pra ver esse filme, quem sabe eu não importe o DVD desse filme! hehe

Bruno Seidel disse...

Estou cada vez mais convicto de que se há um lugar pra dar "continuidade" a um determinado herói, bem como extender o enredo da série, este definitivamente não é o meio audio-visual (seja na TV, nocinema ou no vídeo). Quando vibramos com a reaparição do Black em Decade, ou doShadow Moon, ou então dos Sentais em Go-Kaiger, sempre nos deparamos com versões alternativas ou participações inexpressivas. Oposto a isso tem alguns bons exemplos como continuações em mangá. É o caso de Jetman, que ganhou uma continuação em mangá (aliás, você tem informações sobre esta publicação, Nagado??)... Neste caso sim os autores têm a oportunidade de ir mais a fundo no universo dos heróis e bolar histórias interessantes, ao invés de apenas aderirem a interesses comerciais.

Alexandre Nagado disse...

Sobre continuidade, acho que a Tsuburaya e seus Ultras se saem um pouco melhor. Afinal, com 70 anos o Susumu Kurobe ainda encarna o Hayata. No longa Ultra Galaxy, a participação de Dyna é perfeitamente coerente com o final da série de TV. Furos existem sim, mas a intenção é boa e o resultado geral mostra mais respeito com os fãs que se importam com história do que com os fãs que apenas querem ver quantidade de personagens.

Sobre o mangá de Jetman, vi dois ou três números. É bem legal e começa depois do final da série, respeitando inclusive a morte do Black Condor. Rendeu um volume de tankobon e é material obrigatório para fãs de Jetman. Espero um dia ver essa edição inteira.

Abraços!