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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Sucessores ilegítimos do mundo dos super-heróis japoneses

No Brasil, Spielvan foi lançado
como "Jaspion 2 - Spielvan".
Logo no início da década de 1990, na esteira do estrondoso sucesso de Jaspion e Changeman na TV Manchete, houve uma invasão de seriados tokusatsu nos canais de TV e nas locadoras de vídeo. A febre comercial originou alguns exageros e decisões controversas, como os casos que relato a seguir:

JASPION 2 – A MISSÃO (DE FATURAR MAIS

No Brasil, a série do Guerreiro Dimensional Spielvan (Jikuu Senshi Supiruban, 1986) recebeu o título de Jaspion 2 - Spielvan. Fora o visual semelhante, não havia relação alguma entre as séries e o recurso foi puramente uma estratégia de marketing, já que Jaspion havia sido o herói mais popular jamais visto até então na TV brasileira. 

O título somente era usado nos materiais de merchandising, já que na série era usado o nome verdadeiro do herói. Mas nem de longe o sucesso se repetiu, pois o público logo percebeu que era outro herói, sem relação alguma com o Jaspion. Spielvan teve o nome inspirado no diretor Steven Spielberg. É que a grafia mais correta do nome seria Spielban, e não Spielvan. Já sua companheira de luta era uma homenagem mais óbvia: Lady Diana, a famosa princesa britânica que, na época da série, estava bem viva e casada com o Príncipe Charles.

Bioman: Referência de Super Sentai
na França, ganhou "herdeiros" por lá. 
CONTINUAÇÕES QUE NÃO ERAM 

O recurso de vender uma produção como continuação de outra faz muito fã torcer o nariz, mas isso já foi feito muitas vezes. O seriado Policial do Espaço Gavan, de 1982, foi sucesso na França com o nome de X-Or (leia “Ekzor”). Seu sucessor, Sharivan, acabou sendo lançado na terra de Napoleão com o título de X-Or II. Pelo menos neste caso, os heróis eram realmente relacionados, havendo inclusive crossover entre as séries. 

Ainda na França, o sucesso da equipe Bioman (de 1984) acabou influenciando o lançamento de Bioman II, na verdade um nome usado apenas lá para a série Maskman (1987) e Bioman III, a denominação na França para outro Super Sentai, o Liveman (1988).

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Estes dois tópicos foram extraídos do livro digital “Cultura Pop Japonesa – Histórias e Curiosidades”, de Alexandre Nagado, Michel Matsuda e Rodrigo de Goes. 



8 comentários:

Lagarto disse...

Essas estratégias publicitárias realmente foram cabulosas. Na França o pessoal foi além de intitular as produções como se fossem continuações. No caso de Bioman II (Maskman) os heróis eram efetivamente chamados de Bioman. Coisa fina!

Bruno Seidel disse...

Não muito diferente dessa estratégia é o que a própria Toei faz batizando séries como Ryuuki e Hibiki de "Kamen Rider". A única diferença é q estas produções pertencem à própria Toei e, sendo assim, o título tem caráter oficial. E quanto ao Spielvan, vale lembrar que na versão brasileira chegaram a utilizar como música de encerramento um dos temas do Jaspion, Yokoku Hen Ongakai (cantada pelo Akira Kushida). Muito estranho assistir a cenas de Spielvan com uma música que tinha em seu refrão "Jaspion, já vai vencer, Jaspion, vem nos defender, Jaspion, é só poder, O herói, de todos nós!!".

Patrick Raymundo disse...

Nossa, eu lembro que a Manchete nos massacrou com infinitas reprises antes de mostrar os últimos capítulos. Eu estava de férias em Guarapari, quando soube que iriam exibir os últimos capítulos de Jaspion. Era uma corrida para assistir, porque a pousada só tinha uma tv e eu tinha medo que alguém chegasse antes hehee. Essa estratégia de marketing é muito usada aqui no ocidente, basta ver a franquia Power Rangers. :)

Roberto Filho disse...

Muito interessante o tópico, como dito na matéria bioman na França era gigantesco (provavelmente a serie mais popular de tokusatsu na França) por isso a nomeação das series seguintes como bioman 2 e 3. Em minha opinião essas estratégias são uma furada, você esta enganando o seu publico, ainda mais na época que não tínhamos grande acesso a informações como hoje com todas essas mídias sociais. Parabéns pelo blog, matéria sempre interessantes .

Alexandre Nagado disse...

Na época do lançamento de Spíelvan no Brasil, eu colaborava com o estúdio Velpa, que prestava serviço à Alien Int., a empresa que negociava o merchandising das séries. Me lembro de ter participado de uma reunião onde foi conversado sobre o nome que o herói teria no Brasil. Fui contra a mudança do título, mas no final valeu a opinião do licenciante. Ele acertou ao trazer muita coisa para o Brasil, mas essa questão realmente não funcionou bem.

E o recurso das "falsas continuações" foi usado inúmeras vezes. O animê Robotech também sofreu com isso. Fruto da combinação de Macross com os animês Southern Cross e Mospeada, diálogos forçados tentavam costurar uma ligação entre as produções.

Hoje em dia, como já foi bem lembrado, a informação circula mais entre os fãs e esse tipo de estratégia já não funciona mais.

Abraços!

Michel disse...

Quando vi pela primeira vez as imagens de Spielvan, no verso das capas dos VHS de Jaspion (Everest Video), pensava realmente que se tratava de uma continuação, já que nessa época, a obtenção de informação era quase nula. A mesma coisa eu pensei de Flashman, no verso das capas de Changeman.
A respeito do Robotech, eu fui mais um dos “enganados” que acreditou que Southern Cross fosse realmente a continuação de Macross...rsrsrs! Mas achava que eles tinham pulado a série Orguss, sem mesmo saber que esta não tinha virado Robotech. A dublagem da fase Macross Saga até que não diferenciava muito da versão japonesa, mas a fase Robotech Masters (Southern Cross) ficou totalmente confusa, e o termo “Protocultura”, tema de Macross, ficou totalmente distorcido. Não cheguei a ver a fase New Generation (Mospeada) pra ver a salada que fizeram.
Outras continuações que não eram, temos também Voltron (junção de Golion e Dairugger XV) e Macron-1 (junção de Srungle e Goshogun). Felizmente tivemos a oportunidade de assistir Aku Dai Sakusen Srungle na versão original, com o título Esquadrão do Espaço, pela Record, em 1991. Macron-1 foi uma das brincadeiras do Hain Saban, antes dele se meter com os Power Rangers!

Alexandre Nagado disse...

Bem lembrado! Quando eu via aquelas fotos nas embalagens, imaginava que o Spielvan era o Jaspion com nova armadura. E eu me lembro de ver Robotech e ficar intrigado com aquele papo de "Mestres Robotech". Tudo parecia meio estranho, forçado. E era.

superd7br disse...

Graças a Deus que eu vi pelo youtube a versão japonesa de Golion/Voltron. Misturar esse anime com Dairugger XV, que tinha uma proposta totalmente diferente...brabo.
Falando em Srungle/Gorilla Force (tenho boas lembranças desse anime), só nos EUA é que a série foi misturada com Go Shogun para virar Macron-1. A desculpa? Universos paralelos...