terça-feira, 19 de abril de 2011

HERÓI Z - JUSTICEIROS COM UM TOQUE RETRÔ (Resenha)

Heróis modernos resgatam tempos
mais ingênuos e vibrantes.
Âmbar é um tipo de resina de origem fóssil, usada na confecção de variados objetos ornamentais. Está, portanto, ligada ao passado. Nada mais coerente do que usar essa palavra para batizar uma pequena coletânea de histórias em quadrinhos que, apesar de inéditas e recentes, apresentam super-heróis de estilo clássico e retrô. O destaque da primeira edição (de um total de 5) é a Mulher Estupenda, uma heroína que parece ter sido forjada na década de 1940, em uma aventura na Arábia das 1001 Noites contra um gênio gigante. Paladino Veloz, Dragão do Mar e Fantasma Escarlate completam a edição, com aventuras bem desenhadas, cheias de criatividade e boas soluções. Mulher Estupenda e Paladino Veloz têm texto e arte de JJ Marreiro, enquanto o Fantasma Escarlate e o Dragão do Mar, levam a assinatura de Fernando Lima

Aqui, há referências visuais e textuais aos super-heróis da Hanna-Barbera, como o Space Ghost, clássico da animação estadunidense de 1966. Aliás, o Paladino Veloz é uma mistura entre o Flash dos quadrinhos da DC Comics e o Space Ghost. Sua fonte de energia é o elemento Tothium, uma esperta referência ao grande Alex Toth (1928-2006), uma das maiores referências de JJ Marreiro.


Com poucas páginas por história, não há espaço para experimentações narrativas ou ritmo cadenciado. É ação do começo ao fim, sem firulas, apelações ou grandes conflitos existenciais. O desenvolvimento de aventuras rápidas e fechadas lembra não só produções como Space Ghost e Homem-Pássaro (de 1967 e também de Toth), mas também um antigo desenho do Aquaman (1967), onde a versão brasileira chamava o protagonista de Herói Submarino e o coadjuvante Lanterna Verde era chamado de Homem de Verde. A série de Aquaman, assim como as dos citados heróis da Hanna Barbera, era divida em três blocos com aventuras rápidas e fechadas, sem continuidade ou ligações entre si. 


Naquela época, não existiam grandes sagas ou intrincadas cronologias e qualquer um podia acompanhar seus heróis a partir de qualquer aventura. Os enredos eram simples, ingênuos e otimistas. Hoje os tempos são outros, heróis sinistros e violentos ganham fãs apaixonados e os quadrinhos e desenhos animados evoluíram em todos os sentidos. Porém, a complexidade crescente das histórias tanto os fez amadurecer quanto os têm distanciado do grande público, fechando-os cada vez mais em guetos de leitores especializados e mais velhos do que os garotos de outrora. O mundo dos heróis atuais, mais cinzento, violento e cínico, além de complexo em suas autorreferências, soa interessante somente ao leitor com conhecimentos profundos sobre os universos ficcionais. Não é o caso de Herói Z, que se distancia desse modelo que tem sido seguido. A edição tem desenhos e narrativa que evocam tempos mais ingênuos, mas nem de longe é algo somente para adultos nostálgicos. É leitura para qualquer idade, coisa difícil de se encontrar hoje em dia quando se fala de quadrinhos com super-heróis.

Se vivêssemos num mundo mais justo, Herói Z não deveria ser uma edição independente bancada e vendida pelos próprios autores. Deveria ter uma grande tiragem por uma editora do porte de uma Abril ou Panini, sendo vendido em bancas de todo o país, incentivando a garotada a ler mais e servindo como passatempo para qualquer jovem ou adulto interessado em um pouco de diversão. Não precisamos esperar mais de um bom, honesto e divertido gibi. 


Herói Z – Coleção Âmbar

Nº 01 de 05
Formatinho em preto-e-branco, com capa colorida 
Total: 24 páginas 
Preço R$ 4,00 (frete incluso)
Editores/ autores: Fernando Lima & JJ Marreiro 
Site oficial: www.laboratorioespacial.com


Informações, anúncios e pedidos de exemplares para:
contato@laboratorioespacial.com

Ou escreva para:
Laboratório Espacial
Caixa Postal 52708
CEP: 60150-970
Fortaleza/ CE

7 comentários:

Zé Wellington disse...

Bela resenha, Nagado. Ilusão achar que essa HQ é ingênua ou inocente simplesmente por homenagear as eras de ouro e prata dos quadrinhos: JJ e Fernando contam boas histórias usando a ampla experiência que tem com a narrativa dos quadrinhos.


Agora, se não estou enganado, o personagem Dragão do Mar também é Fernando Lima, e não apenas o Fantasma Escarlate, como você apontou no texto.

Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Você tem razão, foi distração minha ao dar os créditos. Já corrigi no texto da postagem, obrigado.

E espero que cada vez mais pessoas leiam e apreciem esse tipo de material, que vem trazer mais diversidade à produção de HQ nacional.

Abraços!

Onçana disse...

Iniciativa bacana dos rapazes! Me lembrou um pouco meu tempo e fanzineira com os amigos, quando a gente fazia tudo sem muita preocupação... essa pegada retrô deles deu um charme especial na obra.
Mesmo não sendo fan do estilo estou tentadíssima a comprar!
O Brasil precisa de menos firulas e mais revistas assim, bem produzidas, simples e de preço barato!

Anônimo disse...

O JJ já participou de fanzines de Ficção Científica, entrevistou o Eisner pro UHQ, participa de eventos, dá aula de quadrinhos, não costuma ter preconceitos com estilos de quadrinhos, cita quadrinhos japoneses, italianos etc...

participou do MSP+50 desenhando uma história retrô do Astronauta.

assim como o Alexandre não gosta do termo tokufan, JJ não gosta que quadrinhos independentes sejam chamados de fanzine, para ele fanzine são revistas informativas feitas por fãs:
http://laboratorioespacial.com/?p=767

até concordo em termos, só que como traduzir por exemplo o dōjinshi japonês, se não por fanzine?

pergunta, só é possível comprar a revista pelo correio? não tem nas gibiterias como a Comix, Devir etc...

JJ Marreiro disse...

Nagado, obrigadão pela bela resenha. Agradeço os comentários também.
Realmente tenho preferencia pelo termo Revista ou Quadrinho Independente porque associo fanzine a revista feita por fã de algo. Mas acho um termo muito amigável. A Herói Z embora feita de maneira independente envolveu ó trabalho de um jornalista responsável, um publicitário formado, foi impressa em gráfica numa tiragem significativamente dispendiosa e constitui um empreendimento comercial...Embora possua o caráter de produção independente esses fatores são impeditivos para sua qualificação como fanzine, mais uma vez: nada conta o termo, apenas acho legal distinguir x de y...É como distinguir teatro de televisão:)

A revista pode ser adquirida por depósito bancário, vale postal digital e por meio da loja online Armazém: http://loja.armagem.com/?page_id=29 Informações: contato@laboratorioespacial.com

Obrigado a todos pela paciencia e pela atenção:) Desculpa a invasão do espaço, Nagado. ABração!

Alexandre Nagado disse...

JJ, concordo com suas definições. Alguns usam o termo "prozine", mas não faz juz ao que acho correto. Acabo usando ou revista ou gibi independente pra definir um trabalho como o seu.

Apareça quando quiser.
Abraços!

Anônimo disse...

Fiquei sabendo desse trabalho através do Sushi POP. Nao é muito minha praia esse tipo de material, mas como o Nagado elogiou bastante, vou esperar pra ler completo.

Parabens p/ os autores.