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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

QUADRINHOS INSTITUCIONAIS - COMUNICAÇÃO EFICIENTE

HQs produzidas sob encomenda
Comunicação institucional se refere aos meios e formas utilizados por uma instituição – seja pública ou privada – ou até uma pessoa física, para formar uma imagem positiva, divulgar suas mensagens, posturas, campanhas e prestação de contas. É uma área em expansão e, muitas vezes (especialmente na área em que me especializei), é voltada não para o grande público, mas para o cliente interno ou seja, o funcionário da empresa. 


Falando dessa comunicação interna, grandes instituições utilizam-se, por exemplo, de cartazes e boletins – normalmente com ilustrações, gráficos e fotografias para atingir melhor seus objetivos. Mas em muitos casos, uma imagem não basta, pois é preciso desenvolver conceitos e passar muitas informações de maneira eficiente, sem recorrer a manuais técnicos que acabam esquecidos num canto pelo funcionário.

Nesse contexto, as histórias em quadrinhos, por sua combinação harmoniosa de textos e imagens sequenciadas, ganham grande importância.

Tendo trabalhado com esse tipo de prestação de serviço há mais de duas décadas, irei a seguir descrever o processo de elaboração e produção.


ETAPAS DO TRABALHO
- Seja por indicação de alguém ou uma visita ao meu portfólio, o potencial cliente faz um contato e amostras do trabalho são enviadas ou é marcada uma reunião presencial para que se apresente o portfólio. Depois, um orçamento básico é enviado, para início de conversações. O objetivo é saber o que o cliente quer ou se ele já tem algo em mente. Pode haver uma reunião presencial ou conversas por telefone ou Skype. 


- Uma vez aprovado o orçamento, tem início o trabalho, cujo primeiro passo é conhecer a empresa, suas instalações, história, o tamanho de seu quadro de funcionários, a que tipo de pessoa se dirige sua comunicação e quais seus valores institucionais. 


- Estabelece-se um cronograma de trabalho, de acordo com o volume a ser produzido. Leva-se em conta se será feito um único gibi, se serão folhetos ou pequenas revistas com periodicidade fixa, se serão tiras ou webcomics para uma intranet... Os formatos são muitos e essa formatação demora a ser definida em alguns casos.


- Se a empresa não tiver personagens, é feita uma criação daqueles que irão estrelar os gibis, cartilhas, folhetos ou cartazes. Um custo por essa criação é estabelecido, independente de outros valores, como o custo por página, tira ou ilustração.


- Tendo em vista o formato e o tema, o cliente pode enviar um texto básico ou fornecer referências que irão orientar a pesquisa, essencial para a elaboração do roteiro. 


- Primeiro, é enviado um esboço do roteiro (bem detalhado) para que o cliente analise. É dado um prazo para aprovação, incluindo os dias entre a primeira análise e envio de correções que forem necessárias, para que o prazo não estoure.

- É normal que o cliente, na etapa de roteiro, dê muitos palpites e acabe reescrevendo balões inteiros ou pedindo a inserção de muitas informações sem que seja possível aumentar o número de quadros ou páginas. Nesse momento e sempre que necessário, o autor deve dar sua visão profissional ao cliente sobre o quanto o excesso de informações pode impactar negativamente na eficiência da comunicação. O cliente nem sempre tem razão, apesar de, obviamente, poder dar a palavra final sobre o resultado.



- Com o roteiro aprovado, é feita a produção de toda a arte e posterior envio dos arquivos finais para impressão, de acordo com o formato que o cliente pedir (geralmente, as gráficas aceitam bem em PDF com 300 dpi de resolução). Como os arquivos finais são grandes, trabalho com sites de transferência de arquivos. Tudo é feito on-line atualmente.  


Exemplo de roteiro em forma
de lay-out enviado para
aprovação do cliente
- É importante ser rigoroso com prazos e cumprir cada etapa conforme planejado, informando sempre ao cliente sobre os progressos e eventuais ajustes de percurso. 


Trabalhando nesse segmento de HQ institucional há 17 anos (de uma carreira de 23 anos), já atendi diversos clientes produzindo campanhas internas e algumas externas. Os objetivos sempre foram atingidos e alguns até surpreenderam, provando que o uso dos quadrinhos como ferramenta de comunicação vai muito além do entretenimento. 

Clientes atendidos: Pão de Açúcar, Santander Banespa, DAEE – Depto. De Águas e Energia Elétrica do Estado de SP, Defensoria Pública do Estado do RJ, NUDECON – Núcleo de Defesa do Consumidor, ABB, Resinor – Resinas Sintéticas do Nordeste, FIS – Fidelity Information Services, ServTec – Serviços Técnicos, CESP, ACEIS – Assoc. Comercial e Empresarial de Ilha Solteira, Fibria – Papel e Celulose, entre outros.

2 comentários:

Tiburcio Illustrator disse...

Quando um informativo institucional passa a utilizar em seu conteúdo histórias em quadrinhos ou tirinhas, esta costuma ser a parte mais lida do impresso. Muitas vezes o funcionário-colaborador lê somente a tira e deixa o resto do jornal para um depois que nunca acontece.
Daí que o quadrinho vale ouro na hora de se tentar passar uma informação estratégica aos funcionários de uma empresa e seu custo é irrisório em face do seu poder de alcance, já que até os filhos do funcionario terminam lendo a mensagem do quadrinho.
Fazer um jornal sem ilustração ou quadrinhos é desperdiçar uma oportunidade de alcançar muito mais leitores na mesma folha de papel impressa.

Alexandre Nagado disse...

Isso é verdade, Tiburcio. Mas a cultura geral do nosso país ainda tende a achar isso coisa de criança. Felizmente, cada vez mais instituições quebram a barreira do preconceito.

Um cliente uma vez me chamou para um trabalho em caráter experimental com HQs. Iria durar 4 edições de um informativo. Hoje já completamos umas 30 edições, tamanho o sucesso das campanhas feitas com os personagens da empresa. E com funcionários opinando sobre os personagens, como se fossem pessoas do convívio deles, o que é sinal de que eles "entraram" de cabeça nas histórias.

Abraços!