segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

AÇÃO MAGAZINE: A NOVA INVESTIDA DOS MANGÁS NACIONAIS

Ação Magazine, a aposta nacional
em antologias no estilo japonês
Em 2008, durante as comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, fui entrevistado no Festival do Japão pela jornalista Mishio Suzuki, bastante conhecida por atuar no meio otaku, que havia vindo ao Brasil para cobrir alguns eventos. Em certo momento, ela perguntou o que eu achava que faltava para os personagens japoneses serem mais populares ainda no Brasil. 


Sem pensar duas vezes, disse a ela que a questão que realmente importava para mim é como os autores, editores e empresários brasileiros iriam aprender com os japoneses. Eu disse que queria ver o Brasil seguindo o exemplo do Japão, investindo e apoiando mais seu material nacional e que este fosse comercialmente viável. Não apenas consumindo o que vem de lá ou imitando formas e trejeitos, mas aprendendo com eles a fazer histórias que atinjam os leitores e amparados por iniciativas empresariais que tivessem visão e cacife para investir na área. 


Por isso, fiquei bastante contente quando soube do projeto Ação Magazine, anunciado na semana passada pelo Alexandre Lancaster, do blog Maximum Cosmo. Jornalista que assinou ótimas matérias na revista Neo Tokyo e autor de um dos melhores blogs sobre mangá e animê, o Lancaster também faz HQ e se lançou agora numa empreitada como editor. Do material mostrado como aperitivo, parece ter qualidade e chances de conquistar leitores de mangá de ação e aventura. Se o preço for acessível e fatores como distribuição e regularidade forem bem planejados, tem tudo pra conseguir muitos fãs. 


A Ação Magazine, que ainda não tem data de lançamento estabelecida, irá seguir os moldes dos grandes almanaques japoneses, estilo Shonen Jump. Várias séries de autores variados, cuja permanência ou rotatividade serão decididas pelo voto dos leitores. O projeto é bem interessante e espero que esteja sendo feito um cuidadoso planejamento financeiro para que tenha fôlego. 


Muito ainda será anunciado, mas desde já estou na torcida pelo sucesso dessa iniciativa. Que venham mais. 


Confira aqui o preview da Ação Magazine


Site oficial (em construção)

10 comentários:

jjmarreiro disse...

Os mangás tem mudado a maneira de fazer quadrinhos ao redor do mundo. Até o mercado norte-americano tem copiado as fórmulas narrativas dos mangás e os europeus tem abraçado a influencia da narrativa e da arte nipônicas. Mercadologicamente o mangá é uma força no mundo todo, então faz sentido que isso tenha sedimentado o lançamento de um produto com as características da Ação MAgazine.

Mônica, Luluzinha e Didi MAngá são reflexo da força da linguagem da arte sequencial japonesa nas bancas brasileiras. Com essa nova iniciativa esperamos ver novos talentos desabrocharem e antigos artistas voltando à tona no mercado nacional. É preciso produzir, mas é preciso ter estabilidade e continuidade no processo.

A maioria das editoras se contenta em arrecadar com o exemplar nº01 e cancelar a publicação no número 3 ou 4. Uma iniciativa de mercado e formação de público deve levar em conta distribuição e continuidade porque só assim a revista terá condições de atingir o leitor que está ansioso por esse tipo de produto a tempos.

E é importante não ficar só na torcida, tem que ir lá e comprar a revista :) Confesso que ainda prefiro o quadrinho impresso, ainda mais nesse caso, que tem tudo pra marcar época no mercado editorial brasileiro.

The Fool disse...

Nagado querido, tu sabe que eu sou meio calejado nesse assunto de mangá nacional e blablabla, né?
Olha, nada contra o Lancaster, baixei o número zero da Ação Magazine, por sinal, obrigado Lancaster, por disponibilizar uma prévia, mas assim...
Pra mim, tá muito mais do mesmo.
Eu não vou procurar uma revista desse tipo pra meu entretenimento, tenho 35 anos, já li dezenas de gibis, vai ser díficil alguma coisa tocar meu coração, me emocionar.
Eu não senti curiosidade de continuar lendo nenhuma das histórias apresentadas. De novo, isso é pessoal e MEU, não quer dizer que todo mundo vai achar a mesma coisa.
Nesse ponto, resta eu esperar o Lancaster obter sucesso na empreitada e talvez, com um pouco de sorte, ele começar a fazer histórias do meu gosto ou quem sabe até uma revista só pro pessoal mais velho, o que seria meu caso.
É isso, valeu Nagado!
Boa tarde

Alexandre Nagado disse...

Amigo JJ, disse tudo. A chave para o sucesso dessa empreitada é a distribuição, aliada à continuidade. Os autores vão ter que se mostrar muito profissionais para produzir regularmente seus materiais. Tendo todo o tempo do mundo é mais fácil fazer uma obra de arte. Vai ser uma prova de fogo e tomara que tenham sucesso.

Abraço!

Alexandre Nagado disse...

Caro "The Fool", entendo um pouco do que diz. Já me perguntaram muitas vezes sobre Naruto. Eu respondo que já li umas histórias e reconheço que é um bom material, mas que não faz parte do meu cardápio, eu não sou o público alvo e não despertou meu interesse. Claro que uma pessoa de 40 anos ou mais pode adorar Naruto, mas não é para ele que é feito. Assim como muitos adultos leem Turma da Mônica. Não há problema algum nisso, mas as histórias agradam por dialogarem com um público que aprecia o tipo de abordagem que oferecem.

Certamente, leitores de mais de 30 anos não são o público alvo da Ação Magazine (apesar de muitos gostarem) e eles estão certos em focar na garotada. HQ está virando leitura de adultos trintões e quarentões e sem renovação, um dia o mercado acaba.

Finalmente, sempre vejo pessoas cobrando atitudes inovadoras e criações originais e ousadas de autores nacionais. Mas pra um mercado sadio, é essencial que se faça muito "arroz com feijão", ou seja, histórias competentes que sirvam pra entreter, que formem leitores fiéis e que permitam que seus autores vivam do seu trabalho. Sem pretensões de fazer obras de arte que fiquem para a posteridade e façam fortuna.

O "mais do mesmo" é essencial para que exista um mercado. No Japão e nos EUA, muita coisa ruim é publicada e só assim que muita coisa boa se destaca e chega até nós.

Mesmo que não soe original, que revolucione as estruturas e não faça fama e fortuna, se a Ação Magazine conseguir se manter comercialmente viável e se seus autores puderem ganhar dignamente, mês após mês, pelo seu trabalho, já será fantástico. Por que aí será um indício de mercado saudável.

Por isso eu torço pelo sucesso da empreitada.

Abraços!

The Fool disse...

Mas então Nagado, a gente fez diversas investidas nesse sentido e nenhuma vingou. Única excessão foi Holy Avenger, mas não aconteceu um processo de continuidade e mesmo esse sucesso morreu.
Não comento sobre Mônica Jovem, e nesse segmento a surpresa foi Lulu Teen, que tá durando, um ano de publicação sem interrupção.
A revista se fez praticamente, a base de propaganda e uma inserção nervosa na internet. É um exemplo a se seguir.
Mas ainda não temos uma linha de quadrinhos comerciais que funcione na prática. E mesmo esses exemplos podem morrer da mesma forma que Holy Avenger morreu.
Quando eu falei mais do mesmo,quis dizer que comparando o trampo do Lancaster com antigas publicações, como Ethora, Tsunami da Talismã, Oiran e 7 Dias em Alesh ( Hant Editora ), Mangá Booken, o trio de gibis de 1 real da Camargo & Moraes ( Fighter Dolls, Valiant Hook e Sad Heaven ) está tudo muito igual, eu não sentia prazer de ler esses títulos, comprava porque queria ajudar, mas me dei mal.
De certo modo, todos nós perdemos nessa.
Eu li o número zero da AM e senti a mesma coisa.
Enfim, não sei como a revista vai se sair nas bancas infestadas de gibi estrangeiro, vamos ver!
Abração!

~MangáMan~ disse...

Particularmente estou ansioso pela chegada da revista às bancas... Não só como aspirante a quadrinhista que sou, mas também como leitor! Ela tem uma proposta de não querer ser ufanista e agradar o público alvo dela. Vencer pela qualidade e ser competitiva cojm os outros materias em banca! Estava lendo a AM zero e, na minha opinião, não deve em nada a nenhum mangá japonês [ou de onde quer que seja].

Marcus Beckenkamp disse...

Eu estou muito a favor desta revista! Sempre acreditei que este tipo de material usando os moldes japoneses pode se dar bem aqui no Brasil. Claro que isso só poderemos saber depois que a revista for pras bancas.

É claro que com um bom planejamento a coisa pode andar e, como você disse em outro comentário, começar um mercado sádio pra esse tipo de almanaque. =)

Boa sorte ao Lancaster!

João Aranha disse...

Estou ansioso para ver como essa empreitada vai se sair, porque o maior problema aqui no país com relação a esse mercado é que a força de vontade vem apenas do lado dos desenhistas e não dos editores. Tem que ter confluência de pensamentos dos dois lados para gerar um continuismo.

A tendência é crescer.

Alexandre Nagado disse...

Na Ação Magazine, o editor é um dos autores, no caso o Alexandre Lancaster. Isso tem vantagens e desvantagens. Sei disso porque já tentei "dirigir e atuar" ao mesmo tempo. Que ele tenha mais capacidade para administrar tudo isso.

Abração!

caio lucas disse...

Eu recebi com bastante alegria essa notícia. Será ótimo que essa iniciativa dê certo e dê frutos. Não falo isso nem como estudante de mercado ou como leitor, mas como aspirante a autor de quadrinhos, que é o meu sonho.