segunda-feira, 30 de agosto de 2010

INSTITUTO GABI - 10 ANOS FAZENDO O BEM

No último dia 28, a ONG Instituto Gabi, que ajuda crianças e adolescentes carentes portadores de deficiências, completou 10 anos de atividades. Tive a honra de desenhar o selo comemorativo ao lado, que foi pensado para ser usado
principalmente em adesivos de carro.

Em 2009, o Instituto apareceu na TV em uma reportagem sobre voluntariado on-line, bom para quem tem pouco tempo ou mora longe do local que quer ajudar.

Eu participei rapidamente da matéria e, na época, eu ainda morava em São Paulo e já achava longe ir da minha casa até o instituto, que ficava do lado oposto da cidade em relação à minha casa na época. Hoje em dia, morando a quase 10 horas de viagem, então...

Parabéns ao pessoal do Instituto Gabi e que consigam levar seu trabalho e sua mensagem de amor a cada vez mais pessoas.


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pokémon e a Equipe Rocket - Quando os vilões viram heróis

Sempre digo que séries japonesas normalmente têm começo, meio e fim. Mas há exceções. O gatinho-robô Doraemon e a dona-de-casa Sazae-san têm séries intermináveis há décadas e provavelmente vão durar pra sempre. Talvez Pokémon (no ar no Japão desde 1997) esteja no mesmo caminho, visto que a fonte parece inesgotável. Não faço parte do público-alvo, mas gostei muito das primeiras temporadas. Os primeiros três anos foram realmente muito inspirados, mas depois meu interesse foi decaindo, pois o enredo não vai a lugar nenhum.

Outro dia, pude relembrar como essa serie já foi uma das melhores de seu tempo. Vi na Rede TV o antigo episódio "O desejo ardente de Charizard" (ep. 136). Na trama, o orgulhoso dragão de Ash descobre que não é tão poderoso assim se comparado à elite de sua raça. E resolve ficar no Vale dos Charizards para se aperfeiçoar, mas não é aceito logo de cara. O grande destaque desse episódio são os vilões da Equipe Rocket - os ladrões mais patetas já criados.


Primeiro, eles planejam roubar um dos dragões do vale. Aí, o cerebral Meowth conclui: "Que chance temos de pegar um Charizard que bate no Charizard que sempre bate na gente?" E ao verem o sofrimento de Charizard por não ser aceito entre os de sua espécie por ser fraco e indisciplinado, os vilões choram. "Eu sei o que é ser derrotado e humilhado! Buááá!" Eles se solidarizam com Charizard e resolvem ajudá-lo em segredo. E graças à eles, que se lançam pra tomar uma surra de bom grado (depois de vararem a noite pra manter o dragão acordado e sem esmorecer) o Charizard de Ash consegue ser aceito. Ninguém - além do telespectador - fica sabendo do gesto deles. Mesquinhos e gananciosos sim, mas com capacidade pra fazer algo de bom com sinceridade.

Criar vilões que geram simpatia não é tarefa muito fácil e a Equipe Rocket é uma das grandes atrações da série, tão ou mais importante que os heróis da série. O episódio em questão é uma pequena obra-prima, eclipsada por uma imagem negativa que Pokémon acabou ganhando entre fãs hardcore de animês, por ter se tornado pouco mais que uma vitrine para exibição de produtos colecionáveis. Por isso, foi legal ter revisto aquele episódio, um dos melhores de uma série que poderia ter se encerrado com chave de ouro há muito tempo.

Eu apoio por um planeta mais limpo

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

DIVULGANDO HQ PARA NÃO-INICIADOS


Clique para ampliar.
O mercado de quadrinhos nos últimos anos tem encolhido e se segmentado cada vez mais por motivos diversos. Os gibis têm deixado de ser um meio de comunicação de massa para atingir somente grupos fechados de fãs hardcore. Isso tem feito mal ao mercado e aos profissionais, mas parece um caminho sem volta.

Sempre penso em fazer o caminho inverso e sempre imagino como dizer a uma pessoa que não lê quadrinhos que isso não tem nada de mais e é só mais uma forma de entretenimento e cultura tão válida quanto as outras.

Nos últimos anos, me afastei da produção de quadrinhos comerciais e me voltei a material institucional, encomendado por empresas ou órgãos do governo. Mas isso é opção de sobrevivência, não opção artística.

Uma vez, pensei numa campanha institucional que usasse minha experiência em quadrinhos didáticos/institucionais para promover a mídia quadrinhos. E que jeito melhor do que fazer isso na forma de uma HQ? Uma HQ pra quem não lê HQ.

Pensei em criar uma tira ou página simples, que fosse mandada por e-mail igual a tantas correntes de piadinhas, frases inspiradoras ou fotos curiosas que circulam pela internet. Sendo algo pequeno, a pessoa acabaria lendo. E, nessa rápida leitura, eu deveria passar alguma informação básica sobre HQ.

Essa tira não é para quem já foi fisgado pelas HQs ou simpatiza com elas. Não pretendo exaltar as qualidades culturais das HQs, não pretendo exaltar a produção nacional, apontar o valor literário ou o qualquer assunto que entra em rodinhas de discussão de profissionais, pesquisadores e fãs. Fiz uma tirinha para o não-leitor, com a pretensão de fazer com que ele tenha vontade de ler quadrinhos. A dar uma olhada em alguma coisa, que lembre de dar uma espiada na banca, na seção de quadrinhos de alguma livraria ou até mesmo buscar por alguma leitura descompromissada na web.

Quem já tem os quadrinhos em sua vida não tem o distanciamento para dizer se isso tem ou não potencial para atingir seu objetivo. Eu mesmo não tenho como dizer isso também. Por isso, convoco a todos os que defendem essa mídia a repassarem isso. Podem repassar o link desta postagem no Twitter (estou lá como @ale_nagado), copiando e colando o código abaixo:


http://tinyurl.com/divulgahq

Ou então, podem salvar a tira em seu computador pra mandar a seus contatos. Ou, ainda, baixar aqui uma versão em PDF em alta resolução para imprimir e afixar onde quiser para que as pessoas leiam.

Se milhares de pessoas lerem essa HQ, talvez centenas passem a ver HQ com outros olhos. Dessas, talvez dezenas comprem alguma HQ pra ver como é e alguns outros acabem gostando e comprando mais vezes. Dentre essas, se apenas UMA disser pra mim que minha tira despertou (ou reacendeu) seu interesse por quadrinhos, ficarei contente.


Agora é com você.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

FALANDO EM PÚBLICO

Palestras sobre quadrinhos não são uma novidade, mas elas têm ganho mais espaço e vêm sendo feitas para platéias maiores do que há 15 anos atrás. Além de pesquisadores, é comum que quadrinhistas sejam convidados em eventos para falar sobre seu trabalho. O problema é que apenas chegar na frente de uma platéia, falar sobre seu trabalho e responder perguntas não é uma palestra. Bate-papo e palestra são coisas que se confundem na cabeça de muita gente que assiste, que organiza e que vai em eventos de quadrinhos. O primeiro é mais informal, despojado. O segundo é uma proposta de transmitir informações de modo eficaz, com técnicas de oratória e comunicação.


No mundo empresarial, tudo é mais profissional e existem palestrantes  que cobram bem por suas apresentações.  Eu espero sinceramente que os eventos de quadrinhos e cultura pop japonesa caminhem também nessa direção. Isso passa pela remuneração das pessoas que se preparam para encarar uma platéia. Sou de uma época em que palestras de HQ ou de mangá atraíam 10 pessoas. E já enfrentei auditórios com mais de uma centena de pessoas. 15 anos atrás, ninguém falava em pagamento, tudo era divulgação. De alguns anos pra cá, já dei muitas palestras remuneradas e deixei de atender a convites de palestras "só pra divulgar e dar uma força". Há exceções, claro, e as pessoas que estão dentro dessas exceções sabem exatamente como me procurar. Falar em público é algo que faz parte da minha vida muito antes do lado profissional existir.


Quando estudei desenho, tive oportunidades de substituir o professor Ismael dos Santos e ele me deu valiosas dicas sobre como falar em público e driblar o nervosismo. No colegial, passado a maior parte no colégio Costa Manso, no Itaim Bibi (zona sul de SP, capital), o professor Falcão (Ed. Artística) dava exercícios de teatro e sua aula era das mais interessantes. Em 1997, fui prestar uma consultoria de 3 meses (ampliada para 5) na empresa Goen3 Rainbow (atual Invel), onde trabalhei com o empresário Mario Hirata, um verdadeiro mestre em comunicação que me ensinou muito. Anos depois, meu interesse por música me levou a estudar karaokê, com o Ito-han, grande figuraça da colônia japonesa, que me ensinou muito e ajudou a soltar a voz. Depois, fui estudar uma temporada com a Daniella Alcarpe, cantora de MPB, que mistura o estudo de canto com teatro e dicas valiosas de dicção. O treino de uma respiração mais correta para o canto também deu mais fôlego para aulas e palestras. Tudo isso me ajudou enormemente a me comunicar bem verbalmente e já realizei dezenas de palestras e participei de mesas-redondas de assuntos ligados às minhas áreas de atuação.
Em 2008, ilustrei o livro Faça seu coração falar (Ed. Bushido), do empresário Cláudio Ayabe, onde técnicas de oratória eram apresentadas de modo didático. Material do Reinaldo Polito outros ajudaram com componentes teóricos, mas o contato com Ayabe foi fundamental para que eu visse palestras de outro modo, mais profissional.
Acredito que todo mundo deva aprender um pouco sobre comunicação verbal, seja para se portar bem em uma entrevista de emprego, seja para defender seu ponto de vista numa reunião ou negociar com um cliente. Professores deveriam ser obrigados a fazer curso de oratória, pois já tive muitos que nem sabiam falar direito.

Na minha área de quadrinhos e cultura pop japonesa, conheço alguns pesquisadores e autores extremamente bons para falar em público, mas também vi outros que, apesar do excelente currículo e conhecimento, não conseguem uma comunicação verbal eficaz com a platéia.


Nada substitui o carisma natural, mas depender só dele é, no mínimo, uma falta de profissionalismo quando o assunto envolve uma palestra (remunerada ou não, pois é compromisso assumido).


É certo cobrar para ir falar sobre um assunto. E também é certo oferecer algo mais que um bate-papo quando a proposta é uma palestra. Abaixo, organizei algumas dicas que considero essenciais em uma boa apresentação.


ALGUMAS DICAS PARA UMA BOA PALESTRA
1) Tenha certeza de dominar bem o assunto e faça anotações para montar um roteiro dos assuntos a abordar. Nada substitui o conhecimento. Faça perguntas a si mesmo, imagine-se respondendo perguntas difíceis ou embaraçosas. Jamais tente disfarçar seu desconhecimento. Se não souber, valorize a questão levantada e diga que vai pesquisar o assunto.


Com planejamento e preparo,
fica mais fácil encarar qualquer platéia.
- Ilustração extraída do livro Faça
Seu Coração Falar (
Ed. Bushido)
2) Apresente-se confiante, mas seja humilde Arrogância gera antipatia, mesmo que você seja um gênio. Boa educação cabe em qualquer lugar. Uma vez, num debate, um renomado autor que estava ao meu lado se levantou pra ir fumar quando foi minha vez de falar. Seus fãs podem não ter ligado, mas foi uma tremenda falta de respeito, entre outras grosserias que ele cometeu por se achar o máximo. O mundo dá voltas.


3) Controle os vícios de linguagem. Termos como "né?", "tipo assim" e outros são muletas de linguagem e, quase sempre, mostram insegurança. O mesmo vale pra vícios verbais como "vamos combinar", "saca só" e por aí vai. Entre jovens, é ótimo mostrar certo despojamento, mas melhor do que se igualar à platéia é despertar nela admiração.


4) Valorize seus ouvintes. Foi pouca gente ouvi-lo falar? Não mencione que "é uma pena ter vindo tão pouca gente". Da mesma forma, jamais comece se desculpando, exceto se for muito pertinente. Ao invés disso, valorize quem está lá e estabeleça com eles um diálogo mais próximo, impossível de acontecer num auditório lotado. Com uma palestra pequena, você pode criar não só admiradores, mas fãs. E sempre agradeça.


5) Você gosta de contar algo engraçado pra deixar o clima descontraído? Faça isso com moderação pra não virar bagunça. Ao falar algo engraçado e a platéia reagir rindo, deixe rirem um pouco e, quando o som dos risos começar a diminuir, retome o assunto com voz firme. É importante ter o controle da audiência, ter o público em suas mãoes.


6) Coloque os assuntos no contexto, não parta do pressuposto de que todo mundo na platéia conhece a fundo o assunto que vai abordar. É possível se aprofundar num assunto partindo de seu princípio. Colocar no contexto sempre ajuda a clarear o raciocínio e a conduzir melhor o assunto a seu desfecho.


7) Poupe a voz antes da palestra. Bebidas geladas e sorvetes podem irritar a garganta. Leite e alimentos que engrossam a saliva (como banana) não são recomendados em dia de palestra. Seja profissional na preparação, sendo ou não pago para isso. Compromisso assumido é sagrado.


8) Tente conhecer o lugar da palestra antes, para se familiarizar com o espaço e o equipamento. Teste microfone, lousa, projetor de slides, o que for preciso. Não suba ao palco se sentindo perdido, olhando para os lados.


9) Pronuncie bem as palavras e treine variações no volume e intensidade da voz. Como numa música, sua voz não pode parecer monótona e linear, para não dar sono nos ouvintes. Aprenda a colocar entusiasmo para valorizar alguns momentos, sem parecer forçado. O mesmo vale para gesticulação, que deve ser usada com moderação, mas que pode ajudar a enfatizar certos pontos.


10) Cuidado com a postura. Evite ombros caídos e posição corcunda. Uma postura ereta e com ombros relaxados (mas não caídos) ajuda até na respiração, algo essencial para o bom uso da voz. Se estiver em uma bancada e tiver que ficar sentado (como num debate), não se esparrame na cadeira. Você deve parecer relaxado (tranquilo) e não desleixado.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Meus 10 gibis favoritos

O site Bigorna.net, referência sobre quadrinhos nacionais, tem uma seção chamada "Os Dez Melhores Gibis", onde profissionais e pesquisadores são convidados a dar um depoimento sobre seus 10 gibis favoritos, valendo série, especial, álbum, o que for.

Fiz minha lista, a convite do editor Marcio Baraldi e não foi fácil fechar em apenas dez títulos. Opiniões técnicas se misturaram à memória afetiva e o resultado está aí abaixo. Listas são divertidas e refletem aquele momento em que você pensa no assunto. Se me perguntassem agora, talvez uns 4 ou 5 títulos saíssem fora da lista para dar lugar a outros. Enfim, reproduzo aqui a lista que saiu no Bigorna para que você possa comentar e, se quiser, listar quais são os seus 10 gibis favoritos.



 
1 - Maison Ikkoku - Rumiko Takahashi
Um jovem que não é exatamente um vencedor na vida vai morar em uma pensão cheia de tipos estranhos e etílicos. Em meio a isso, ele se apaixona pela gerente do lugar, uma bela mulher, um pouco mais velha que ele e que é viúva. Ele se apaixona e passa a tentar conquistá-la, mas logo descobre que tem um rival bonito, rico e bem-sucedido. Comédia romântica com toques dramáticos emocionantes, Maison Ikkoku não é apenas o trabalho que mais gosto de Rumiko Takahashi (de Ranma 1/2 e Inu-Yasha), é também a história em quadrinhos que mais me divertiu até hoje. Situações engenhosas e hilárias, personagens humanos e uma sensibilidade que nunca descamba para o piegas ou o dramalhão, Maison Ikkoku é uma série que merecia sair no Brasil!

2 - Os Melhores do Mundo - Liga da Justiça (LJA) - Grant Morrison (roteiro)
Superman, Batman, Mulher Maravilha, Aquaman, Flash, Lanterna Verde e Caçador de Marte - Os "Sete Grandes" da DC Comics em aventuras épicas e espetaculares. O traço da fase Grant Morrison geralmente era da dupla Howard Porter (lápis) e John Dell (arte-final), que conferiam dramaticidade extra ao material, mesmo que não fossem artistas de ponta. Mas não importa quem estivesse desenhando. Se era roteiro do escocês Grant Morrison, era garantia de uma aventura insana, em uma escala megalomaníaca e divertida. Batman nunca foi tão sinistro, ardiloso e impôs tanto respeito, mesmo entre semideuses. Não poderia ser diferente vindo do mesmo roteirista do perturbador álbum Asilo Arkham.

3 - Liga da Justiça Internacional - Keith Giffen e J.M. DeMatteis
Antítese completa da liga de Morrison, a equipe concebida pela dupla Giffen e DeMatteis lançou os heróis em aventuras constrangedoras e os fez pagar micos hilariantes. Apoiada em diálogos certeiros (e muito bem traduzidos aqui) e quase sempre com a arte de Kevin Maguire, a Liga dos anos 1980 "contaminou" os quadrinhos da época com seu humor. Depois mudaram os tempos e aquilo ficou para trás, dando origem a tempos mais sombrios e violentos para os heróis da DC. Mas até hoje, é o melhor exemplo de como super-heróis podem render aventuras engraçadas e sem pretensões intelectuais ou filosóficas para justificar uma boa pancadaria.

4 - Mortadelo e Salaminho - Francisco Ibañez
O humor alucinado de Ibanez me fazia rolar de rir quando era criança e até hoje aquelas histórias me empolgam! Mortadelo e seus disfarces estapafúrdios, os modos nada sutis do Superintendente para conseguir seus objetivos e os inventos perigosos do Prof. Bactério eram a receita de humor do começo ao fim. E sempre havia figurantes em cenas engraçadas pelas páginas, numa dinâmica visual incontrolável. Nas aulas de desenho do mestre Ismael dos Santos, do Núcleo de Arte, gibis e álbuns de Mortadelo e Salaminho eram referência obrigatória para entender sobre movimento articulado de figuras. Ibañez é gênio!

5 - Piratas do Tietê - Laerte
Não propriamente a série dos Piratas, mas a revista inteira que levava esse nome, foi uma das melhores leituras da década de 1990. Tinha Os Gatinhos, O Condomínio e aquelas maravilhosas histórias avulsas que só o Laerte sabe contar. Os editoriais e seções de cartas também eram leituras deliciosas. Nunca houve um gibi mensal de autor como esse - e desconfio que nunca mais haverá!

6 - Sanctuary - Sho Fumimura e Ryoichi Ikegami
Ainda não li a série toda, mas a premissa é fantástica. Dois jovens sobreviventes dos cruéis campos de refugiados do Camboja crescem no Japão e, vendo a futilidade da sociedade, decidem moldar os rumos do país e forjar um povo mais forte. Um segue os caminhos do crime organizado e o outro, o não menos sombrio mundo dos bastidores da política. A arte de Ikegami, apesar de repetitiva, é maravilhosa e com o roteiro forte de Fumimura, chega a seu auge. Há passagens perturbadoras e um clima instigante. Não há heróis no sentido mais puro da palavra, mas indivíduos seguindo seus próprios códigos de conduta e, cada um a seu modo, tentando fazer a vida ter sentido.

7 - Desvendando os Quadrinhos - Scott McCloud 

Uma história em quadrinhos sobre as histórias em quadrinhos! McCloud conseguiu impressionar toda a indústria ao destrinchar com precisão os segredos da linguagem visual. Me ajudou a compreender melhor o meu trabalho e a condução dos assuntos é fabulosa. Não me canso de recomendar isso a qualquer pessoa que queira um dia fazer quadrinhos.

8 - Batman - O Cavaleiro das Trevas - Frank Miller, Lynn Varley e Klaus Janson
A HQ que revitalizou os super heróis nos anos 1980 também teve um impacto importante em mim. A narrativa tensa, a diagramação arrojada, o cinismo dos políticos e da mídia, as cores, tudo se combinava de maneira única. Aguardava cada edição ansiosamente, lia compulsivamente e depois ficava folheando e observando detalhes. Watchmen é superior tecnicamente como roteiro, mas a emoção contida na aventura suprema de Batman é, para mim, quase impossível de ser superada!

9 - Níquel Náusea (revista) - Fernando Gonsalez e convidados
A barata Fliti, o picareta Vostradeis, a Ratinha e o inimitável Níquel Náusea formavam uma das melhores revistas nacionais da época em que eu mais li quadrinhos na vida, lá pelo final da minha adolescência. Isso porque, além dos trabalhos do excelente Gonsalez, ainda tinha colaboradores como Negreiros, Newton Foot e Spacca, que conferiam uma qualidade incrível à publicação!

10 - Mestre do Kung Fu - Doug Moench e Paul Gulacy
Uma arte realista belíssima e histórias cativantes, cheias de suspense e intrigas conspiratórias, com clima de filme de espionagem. O personagem era uma caricatura ambulante: um chinês mestre de kung fu usando um quimono de karatê (que é uma luta japonesa), mas que ao invés de branco era vermelho e amarelo, mais berrante e cafona impossível. E ainda usava uma faixa na cabeça e andava descalço pelas ruas de Londres. Nada disso importava, até porque, com 12 anos de idade, eu não tinha a menor noção do quanto aquilo era descabido. Mas se não conheciam muito de cultura oriental além de filosofia de biscoitos da sorte, os caras sabiam contar uma aventura poderosa como poucos. Me lembro das sagas contra os diabólicos Mordillo e Velcro, com arcos de história em que cada capítulo terminava com uma imagem bombástica, antevendo um combate sangrento a seguir. Eu vibrava com as histórias de Shang Chi tanto ou mais até do que com as batalhas dos Vingadores ou dos Novos Titãs!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A LENDA DA GALÁXIA ULTRA - O FILME (RESENHA)


Cartaz original do filme
Dai Kaiju Battle - Ultra Ginga Densetsu - The Movie, ou "Batalha dos monstros gigantes - A Lenda da Galáxia Ultra - O Filme" foi a mais recente aventura cinematográfica da franquia Ultraman. Um título enorme para um filme grandioso, que no geral cumpre sua missão ambiciosa de dar um salto evolutivo no gênero. A produção, com cenários gerados em CG, se não é perfeita, está muito acima de produções similares japonesas e pode agradar muito mais gente do que se fosse apenas uma homenagem tradicional aos cânones do passado. Com muita ação do começo ao fim, foi uma das melhores aventuras dos Ultras feita para tela grande, talvez a melhor até agora, com um grande senso cinematográfico. Não parece, de forma alguma, um episódio de tv esticado, coisa comum de acontecer em longas feitos a partir de um seriado televisivo.

O filme abre com uma impressionante luta entre Ultraman Möebius e Bemlar, monstro do primeiro episódio do primeiro Ultraman. A movimentação e tomadas de cena da rápida batalha são excelentes, fazendo esquecer qualquer coisa já feita num filme de monstros japoneses. O pique das lutas é uma mistura do estilo de ação dos filmes de luta de Hong Kong com animê e o resultado é primoroso.

A Cidade da Luz no Planeta Ultra é retratada com esplendor, como uma grandiosa metrópole de cristal cujos guerreiros mais poderosos se revezam na proteção de setores espaciais contra monstros e alienígenas perigosos.

A cronologia se encaixa no futuro visto nas duas séries de TV (inéditas no Brasil) Ultra Galaxy, onde a humanidade vive a era das explorações espaciais. Ultra Galaxy apresentou a equipe ZAP Spacy a bordo de sua nave Space Pendragon, em missões de exploração e transporte de cargas pelo Universo sob o comando do intrépido Hyuga. O membro principal da equipe é Rei (vivido pelo ator Shota Minami), que possui genes Reyonix do maligno Alien Reiblood, antigo governante do universo, e tem o poder de controlar monstros através de seu artefato Battlenizer. Capaz de invocar e controlar o monstro Gomora (um dos mais fortes enfrentados pelo primeiro Ultraman), Rei também pode assumir a forma de combate Reimon, mas vive atormentado com o perigo de perder o controle e se tornar uma ameaça a seus amigos.
Ultraman Belial

Em M-78, ao ser libertado da prisão orbital por um iludido Alien Zarab, o poderoso Ultraman Belial se volta contra o Planeta Ultra e logo enfrenta um pelotão de soldados liderado por Taro, que é vencido impiedosamente. Fruto da junção de um Ultra renegado com a essência malévola de Reiblood, Belial é praticamente onipotente graças ao Giga Battlenizer, um bastão de combate de poder ilimitado e capaz de controlar 100 monstros.

Com a retirada do núcleo de energia do planeta por Belial, o mundo dos Ultras se transforma em gelo e somente um enfraquecido Taro mantém uma fagulha ainda acesa por um tempo, a última esperança dos gigantes de luz.
Os remanescentes Ultraman, Ultraseven e Möebius precisam encontrar Rei, cujo poder pode ser decisivo para anular o efeito do Giga-Battlenizer. 


Longe dali, em um planetóide, Ultraman Zero, nada menos que o filho de Ultraseven, treina duro com seu tutor, Ultraman Leo. O mais poderoso de sua raça, somente Zero pode enfrentar Belial com igualdade de condições, mas seu temperamento impulsivo quase o levou para o mal no passado e por isso, Leo é extremamente severo no treino.

A história é simples, sem surpresas e tem uma condução bastante óbvia. Em certo momento, Shin Asuka (Ultraman Dyna) aparece do nada, ajuda a equipe ZAP Spacy, se transforma e logo se junta aos outros heróis.
Aqui, vale lembrar que em sua série original, Dyna pertence a uma cronologia diferente em uma outra dimensão. Ao final de sua série, ele se perde em um buraco negro e se reencontra com seu pai, dado como morto anos antes ao ser tragado com sua nave por um buraco negro. Muitos viram isso como uma metáfora para sua morte, mas ele estava apenas "perdido no espaço". A aventura de Ultra Galaxy se passa muitos anos no futuro, mas como os Ultras podem viajar dimensões no tempo-espaço, não viram problema em jogar Dyna nessa aventura. Ele chega a mencionar que está "em uma jornada", numa alusão de que está ainda tentando voltar à sua dimensão e sua época.

Os membros da ZAP Spacy e um grupo de Ultras confrontam Belial e seus monstros e a batalha que se segue é grandiosa, apesar de perder em intensidade em relação ao massacre de heróis visto no começo do filme. No calor da batalha, Rei assume sua forma alienígena e perde o controle, tornando tudo ainda mais perigoso para os Ultras, que dependem de Zero para equilibrar a luta desigual.
Da esq. p/ dir.: Rei, Hayata, Dan, Asuka e Mirai,
os heróis principais do filme.
Ultra Galaxy Legends (título internacional da aventura) deve ser lançado em DVD no Brasil no final do ano pela Focus Filmes, que também adquiriu os direitos de The Ultraman (2004), Ultraman Möebius and Ultraman Brothers (2006) e Superior 8 Ultra Brothers (2008). Os dois últimos já foram exibidos no canal pago HBO e o anterior já foi lançado antes em DVD pela Impact Records.

A saga de Zero e os Ultras contra Belial continua em Ultraman Zero The Movie, a ser lançado no Japão em dezembro. Assim como o filme anterior, este será precedido por dois especiais em DVD/Blu-ray a serem lançados pouco antes. Em um deles, Zero enfrentará uma cópia maligna, denominada Darklops Zero. E muito ainda está para ser anunciado, até o lançamento dessas produções. Com um novo estilo, a franquia Ultra se renova e volta a ser referência para produções japonesas de aventura com monstros e super-heróis.
CURIOSIDADES

* A direção é de Koichi Sakamoto, que dirigiu vários episódios de Power Rangers. Dublê veterano, começou a dirigir Power Rangers nos EUA e o longa  marcou sua estréia dirigindo uma produção japonesa.

* A trilha sonora foi assinada por Mike Verta, que não só compôs como também bancou a "orquestra de um homem só", munido de sintetizadores. É difícil acreditar que foi tudo feito em 5 semanas, mas segundo ele declarou ao site Scifijapan.com, esse tipo de prazo é comum no Japão. A ele foi pedido que criasse um som bem hollywoodiano, sem se prender a modelos japoneses e o resultado dá até mais peso e consistência ao filme. Verta é casado com Danica McKellar, atriz que ficou famosa ao interpretar Winnie na série Anos Incríveis (The Wonder Years)

* Além da volta dos atores originais Susumu Kurobe (Hayata/ Ultraman), Koji Moritsugu (Dan Moroboshi/ Ultraseven), Takeshi Tsuruno (Shin Asuka/ Ultraman Dyna) e Shunji Igarashi (Mirai/ Ultraman Möebius), alguns Ultras que aparecem somente transformados tiveram as vozes dos atores veteranos. Ultraman Jack (de O Regresso de Ultraman) teve a voz de Jiro Dan (Hideki Goh), Ultraman Ace foi dublado por Keiji Takamine (Seiji Hokuto), Leo por Ryu Manatsu (Gen Ootori) e Taro teve a voz de Hiroya Ishimaru, seu dublador oficial desde o filme Ultraman Story, de 1984. São participações pequenas, mas importantes e respeitosas para com os fãs de longa data.

* Ultraman King teve a voz de Junichiro Koizumi, ex-Primeiro Ministro do Japão. O político conhecido internacionalmente aceitou o papel a pedido de um de seus filhos, grande fã de Ultraman.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

ULTRAMAN MOEBIUS - GHOST REVERSE (RESENHA)


Em dezembro de 2009, estreou nos cinemas japoneses o filme Dai Kaiju Battle - Ultra Ginga Densetsu - The Movie ou "Batalha dos Monstros Gigantes - A Lenda da Galáxia Ultra - O Filme", aventura épica da franquia Ultra. 


Antes do filme, um prelúdio foi lançado em DVD, com dois episódios estrelados por Ultraman Möebius, o Ultra lançado para comemorar os 40 anos da franquia, em 2006. Ultraman Moebius Gaiden (conto, fábula, história) - Ghost Reverse Stage I e II foram lançados, respectivamente, em novembro e dezembro de 2009, tendo 25 minutos de duração cada. 


Em uma região chamada Cemitério dos Monstros repousam os fantasmas dos monstros detruídos pelos Ultras ao longo dos anos. Uma agitação incomum no local chama a atenção dos heróis, que enviam Ultraman Ace e Ultraman Taro ao local para investigar. Eles são atacados por um grupo de monstros que reviveu misteriosamente e logo caem prisioneiros. O local também encerra o Giga Battlenizer, artefato capaz de controlar 100 monstros e que torna seu usuário praticamente invencível ao ser usado como bastão de combate. Em um momento de perigo para Moebius, ele é salvo por Mecha Zamu, guerreiro honrado que terá participação fundamental na aventura, mas suas reais intenções são desconhecidas no começo. Pra complicar ainda mais, surge Ultraman Hikari, que surpreende a todos ao se colocar ao lado dos monstros. Os heróis precisam impedir que o Giga Battlenizer caia em mãos erradas e também evitar a ressurreição do terrível Alien Imperizer.  


As lutas são muito bem dirigidas e o pique de ação já antevê o que seria visto depois dos cinemas. Chama a atenção o fato de que, pela primeira vez numa produção do gênero, todos os cenários foram gerados em CG, com resultados interessantes. O tema de encerramento dos especiais é uma nova versão da música de Ultraman Möebius, interpretada pelo grupo Voyager, que chega com um belo trabalho. A cena final da aventura fornece o gancho para o longa, mas não é essencial assistir a esses especiais para entender o filme. Porém, eles tornam tudo mais empolgante e interessante.


Ghost Reverse merecia ser lançado no Brasil em volume único, já que a Focus Filmes já anunciou que lançará Ultra Galaxy Legends em DVD em data a ser definida ainda.
Pra finalizar, confira aqui um clipe com cenas de Ghost Reverse ao som da versão do Voyager para o tema de Moebius. Divirta-se.


Em breve, a resenha do longa Ultra Galaxy Legends.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

DICA MUSICAL: KAN E AYA MATSUURA


No meu Twitter e aqui no blog, é comum que eu poste sobre músicas japonesas, a maioria J-pop das antigas e animesongs. Obviamente, meu cardápio musical é mais abrangente do que isso. Gosto muito de Beatles (a ponto de ter escrito vários textos sobre eles no Omelete), Monkees, rock nacional dos anos 1980 (especialmente Capital Inicial, Titãs, RPM, Biquíni Cavadão, Ritchie...), um pouco de jazz, blues, música clássica, instrumentais em geral e algumas músicas específicas de bandas variadas (famosas ou não), como Tears For Fears, U2, White Stripes, Vanderveen, Manic Street Prechers, etc... Mas ouço sempre canções japonesas, especialmente material dos anos 1980 e 90.

Como nas músicas ocidentais que aprecio, gosto de melodias variadas e sons que valorizem voz, violão, piano, baixo, guitarra e bateria. Não sou fã de sons eletrônicos e batidas dançantes, gosto de um pop-rock mais simples e elegante. E tem muita coisa assim, de influência inglesa ou estadunidense no cenário do J-Pop, especialmente entre o pessoal mais antigo.

Para os não iniciados, como é mais difícil garimpar material referente a música japonesa pop, resolvi focar minhas dicas nesse tipo de assunto. Então, sem mais delongas, vamos a mais uma dica bacana. (Pelo menos pra mim.)

A canção "Ai wa katsu" (ou "O amor é uma vitória") foi lançada pelo cantor, compositor e pianista Kan em 1990 e fez bastante sucesso. Bobinha, alto astral e contagiante, pode ser conferida abaixo na voz e interpretação de seu criador.




Mais recentemente, ganhou uma versão cantada pela atriz e modelo Aya Matsuura, aqui acompanhada pelos músicos Makoto (bateria) e Taisei (teclados) da banda Sharan Q. Confira: