RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog ainda está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, Katokutai, Pinóquio de Osamu Tezuka, Danger 3, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

domingo, 28 de novembro de 2010

DOUTORES DA FLORESTA - UM PROJETO AMBIENTAL EM QUADRINHOS

Publicação educativa distribuída aos
participantes de um projeto de
reflorestamento em Ilha Solteira (SP
)

Eis aqui minha primeira publicação de HQ institucional feita para um cliente da cidade onde vivo atualmente, Ilha Solteira (SP). Tenho feito trabalhos e mantido contato com clientes via internet, mas apareceu um trabalho para uma empresa da região. É a ServTec, respeitada empresa especializada em manutenção de usinas, que me chamou para um projeto feito em parceria com a CESP. Trata-se de uma iniciativa muito bacana de distribuir sementes de árvores para um grupo de crianças (filhos de funcionários das duas instituições) para que elas plantem em uma área próxima à represa da cidade. Mais do que isso, o projeto “Doutores da Floresta” vai incentivar as crianças a acompanharem o desenvolvimento das árvores e tudo isso é explicado em uma revistinha distribuída aos participantes. Nela, fiz a capa, duas páginas de HQ e uma outra com palavras cruzadas e curiosidades.

Usei um traço infantil e o desafio maior esteve mesmo no roteiro. Recebi apenas algumas indicações de diálogos que deveriam constar no começo, quando as crianças falam onde seus pais trabalham. A partir daí, precisei amarrar a conversa para que falassem do projeto de reflorestamento e como isso ia acontecer. O primeiro rascunho do projeto tinha como nome sugerido para o gibi a frase “Meu tesouro, minha árvore”. Apontei o problema de comunicação que isso gerava, pois o gibi tinha um nome e o projeto, outro, sem falar na similaridade com “Minha casa, minha vida”, o projeto habitacional do governo federal. Em um projeto assim, a força do nome é importante e sugeri deixar o “Doutores da Floresta” no título para facilitar a fixação da mensagem.
Segmento de quadrinhos da revistinha educativa
Doutores da Floresta, da ServTec/ CESP
Como em muitas HQs institucionais curtas, não havia espaço para desenvolver uma ação decorrente de um problema a ser resolvido, uma regra comum ensinada a estudantes de roteiro. Ao invés disso, inseri as informações de modo bem natural em uma conversa de duas crianças durante uma brincadeira. Senti a necessidade de justificar de modo mais forte o nome do projeto, relacionando a atividade que seria feita com os "doutores" do título. Como haveria esse monitoramento do crescimento das árvores e crianças normalmente são medidas em peso e altura quando vão ao médico, foi só fazer a ligação durante a conversa.

Para driblar a falta de ação, o diálogo tem que carregar a história nas costas. A diagramação e ângulos de cena precisam deixar tudo agradável e dinâmico, tornando a leitura natural e proveitosa. Acho que consegui passar o recado.

DICA PROFISSIONAL

Nem sempre o cliente tem razão. Sem dúvida, ele é quem melhor conhece seu público e que sabe o que deve ou precisa ser transmitido em uma campanha educativa. Porém, quando o excesso de informação ou exigências de formatos e outras especificações podem comprometer a fluidez e qualidade do resultado final, cabe ao profissional da área explicar os motivos pelos quais o cliente deveria mudar de ideia. 

O cliente inteligente vai ouvir e ponderar as colocações de um especialista, mas uma série de fatores pode conspirar para que não haja muito o que fazer. Nesses casos, mais do que nunca, o profissional deve fazer valer sua técnica para deixar o resultado final o melhor possível, dentro das limitações apresentadas. E é por isso que ele contratou um profissional especialista.

2 comentários:

Michel disse...

E conseguiu mesmo, passar o recado! Muito legal o quadrinho. Deve ser complicado, criar uma narrativa, partindo de um espaço limitado. Isso me lembra os tempos de escola, nas aulas de redação, quando você tinha que falar muito, em poucas linhas... E é verdade, nem sempre o cliente tem razão. Isso acontece no mercado de animes, quando há a transposição do manga/bunko para o anime. Nem sempre, todas as idéias do autor são acatadas, pois a obra precisa se adaptar a um mercado mais abrangente, o televisivo.

Alexandre Nagado disse...

Opa, valeu, Michel. Em qualquer trabalho comercial, os criadores acabam tendo que lidar com limitações, seja de prazo, formato, etc... Mas em material institucional, mais ainda. Faz parte do processo criativo se adequar a exigências, seja de mercado ou do cliente.

Abraços!