RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog ainda está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, Katokutai, Pinóquio de Osamu Tezuka, Danger 3, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Meus 10 gibis favoritos

O site Bigorna.net, referência sobre quadrinhos nacionais, tem uma seção chamada "Os Dez Melhores Gibis", onde profissionais e pesquisadores são convidados a dar um depoimento sobre seus 10 gibis favoritos, valendo série, especial, álbum, o que for.

Fiz minha lista, a convite do editor Marcio Baraldi e não foi fácil fechar em apenas dez títulos. Opiniões técnicas se misturaram à memória afetiva e o resultado está aí abaixo. Listas são divertidas e refletem aquele momento em que você pensa no assunto. Se me perguntassem agora, talvez uns 4 ou 5 títulos saíssem fora da lista para dar lugar a outros. Enfim, reproduzo aqui a lista que saiu no Bigorna para que você possa comentar e, se quiser, listar quais são os seus 10 gibis favoritos.



 
1 - Maison Ikkoku - Rumiko Takahashi
Um jovem que não é exatamente um vencedor na vida vai morar em uma pensão cheia de tipos estranhos e etílicos. Em meio a isso, ele se apaixona pela gerente do lugar, uma bela mulher, um pouco mais velha que ele e que é viúva. Ele se apaixona e passa a tentar conquistá-la, mas logo descobre que tem um rival bonito, rico e bem-sucedido. Comédia romântica com toques dramáticos emocionantes, Maison Ikkoku não é apenas o trabalho que mais gosto de Rumiko Takahashi (de Ranma 1/2 e Inu-Yasha), é também a história em quadrinhos que mais me divertiu até hoje. Situações engenhosas e hilárias, personagens humanos e uma sensibilidade que nunca descamba para o piegas ou o dramalhão, Maison Ikkoku é uma série que merecia sair no Brasil!

2 - Os Melhores do Mundo - Liga da Justiça (LJA) - Grant Morrison (roteiro)
Superman, Batman, Mulher Maravilha, Aquaman, Flash, Lanterna Verde e Caçador de Marte - Os "Sete Grandes" da DC Comics em aventuras épicas e espetaculares. O traço da fase Grant Morrison geralmente era da dupla Howard Porter (lápis) e John Dell (arte-final), que conferiam dramaticidade extra ao material, mesmo que não fossem artistas de ponta. Mas não importa quem estivesse desenhando. Se era roteiro do escocês Grant Morrison, era garantia de uma aventura insana, em uma escala megalomaníaca e divertida. Batman nunca foi tão sinistro, ardiloso e impôs tanto respeito, mesmo entre semideuses. Não poderia ser diferente vindo do mesmo roteirista do perturbador álbum Asilo Arkham.

3 - Liga da Justiça Internacional - Keith Giffen e J.M. DeMatteis
Antítese completa da liga de Morrison, a equipe concebida pela dupla Giffen e DeMatteis lançou os heróis em aventuras constrangedoras e os fez pagar micos hilariantes. Apoiada em diálogos certeiros (e muito bem traduzidos aqui) e quase sempre com a arte de Kevin Maguire, a Liga dos anos 1980 "contaminou" os quadrinhos da época com seu humor. Depois mudaram os tempos e aquilo ficou para trás, dando origem a tempos mais sombrios e violentos para os heróis da DC. Mas até hoje, é o melhor exemplo de como super-heróis podem render aventuras engraçadas e sem pretensões intelectuais ou filosóficas para justificar uma boa pancadaria.

4 - Mortadelo e Salaminho - Francisco Ibañez
O humor alucinado de Ibanez me fazia rolar de rir quando era criança e até hoje aquelas histórias me empolgam! Mortadelo e seus disfarces estapafúrdios, os modos nada sutis do Superintendente para conseguir seus objetivos e os inventos perigosos do Prof. Bactério eram a receita de humor do começo ao fim. E sempre havia figurantes em cenas engraçadas pelas páginas, numa dinâmica visual incontrolável. Nas aulas de desenho do mestre Ismael dos Santos, do Núcleo de Arte, gibis e álbuns de Mortadelo e Salaminho eram referência obrigatória para entender sobre movimento articulado de figuras. Ibañez é gênio!

5 - Piratas do Tietê - Laerte
Não propriamente a série dos Piratas, mas a revista inteira que levava esse nome, foi uma das melhores leituras da década de 1990. Tinha Os Gatinhos, O Condomínio e aquelas maravilhosas histórias avulsas que só o Laerte sabe contar. Os editoriais e seções de cartas também eram leituras deliciosas. Nunca houve um gibi mensal de autor como esse - e desconfio que nunca mais haverá!

6 - Sanctuary - Sho Fumimura e Ryoichi Ikegami
Ainda não li a série toda, mas a premissa é fantástica. Dois jovens sobreviventes dos cruéis campos de refugiados do Camboja crescem no Japão e, vendo a futilidade da sociedade, decidem moldar os rumos do país e forjar um povo mais forte. Um segue os caminhos do crime organizado e o outro, o não menos sombrio mundo dos bastidores da política. A arte de Ikegami, apesar de repetitiva, é maravilhosa e com o roteiro forte de Fumimura, chega a seu auge. Há passagens perturbadoras e um clima instigante. Não há heróis no sentido mais puro da palavra, mas indivíduos seguindo seus próprios códigos de conduta e, cada um a seu modo, tentando fazer a vida ter sentido.

7 - Desvendando os Quadrinhos - Scott McCloud 

Uma história em quadrinhos sobre as histórias em quadrinhos! McCloud conseguiu impressionar toda a indústria ao destrinchar com precisão os segredos da linguagem visual. Me ajudou a compreender melhor o meu trabalho e a condução dos assuntos é fabulosa. Não me canso de recomendar isso a qualquer pessoa que queira um dia fazer quadrinhos.

8 - Batman - O Cavaleiro das Trevas - Frank Miller, Lynn Varley e Klaus Janson
A HQ que revitalizou os super heróis nos anos 1980 também teve um impacto importante em mim. A narrativa tensa, a diagramação arrojada, o cinismo dos políticos e da mídia, as cores, tudo se combinava de maneira única. Aguardava cada edição ansiosamente, lia compulsivamente e depois ficava folheando e observando detalhes. Watchmen é superior tecnicamente como roteiro, mas a emoção contida na aventura suprema de Batman é, para mim, quase impossível de ser superada!

9 - Níquel Náusea (revista) - Fernando Gonsalez e convidados
A barata Fliti, o picareta Vostradeis, a Ratinha e o inimitável Níquel Náusea formavam uma das melhores revistas nacionais da época em que eu mais li quadrinhos na vida, lá pelo final da minha adolescência. Isso porque, além dos trabalhos do excelente Gonsalez, ainda tinha colaboradores como Negreiros, Newton Foot e Spacca, que conferiam uma qualidade incrível à publicação!

10 - Mestre do Kung Fu - Doug Moench e Paul Gulacy
Uma arte realista belíssima e histórias cativantes, cheias de suspense e intrigas conspiratórias, com clima de filme de espionagem. O personagem era uma caricatura ambulante: um chinês mestre de kung fu usando um quimono de karatê (que é uma luta japonesa), mas que ao invés de branco era vermelho e amarelo, mais berrante e cafona impossível. E ainda usava uma faixa na cabeça e andava descalço pelas ruas de Londres. Nada disso importava, até porque, com 12 anos de idade, eu não tinha a menor noção do quanto aquilo era descabido. Mas se não conheciam muito de cultura oriental além de filosofia de biscoitos da sorte, os caras sabiam contar uma aventura poderosa como poucos. Me lembro das sagas contra os diabólicos Mordillo e Velcro, com arcos de história em que cada capítulo terminava com uma imagem bombástica, antevendo um combate sangrento a seguir. Eu vibrava com as histórias de Shang Chi tanto ou mais até do que com as batalhas dos Vingadores ou dos Novos Titãs!

6 comentários:

Saulo de Brito (Griffin) disse...

Bem procurei ser breve para não ficar grande demais o post:

1 - Heróis da TV: Gibi de heróis japoneses feito por brasileiros, muiiiito legal. Ali conheci o trabalho de grandes artistas como Aluir Amâncio, Marcelo Cassaro, Watson Portela e claro o Alexandre Nagado. Foi uma das revistas com a qual fui aprendendo a desenhar.

2 - Crise nas Infinitas Terras: Na época eu não entendi muita coisa até por que não li todos os volumes da saga, mas na história eu percebia uma tensão por parte dos seres humanos e dos próprios heróis que até aquele momento eu não havia presenciado em outra história do gênero. Sem dizer que a arte do George Perez inspirava pra caramba!

3 - Street Fighter By Massaya: Lá pra 92-93 me apareceu esse gibizinho numa banca da minha cidade. Apesar do nome do suposto desenhista ser Massaya não sei dizer se era japonês ou brasileiro seu autor, mas a história carregava um tom bastante cômico com os personagens fazendo caretas pra lá de mirabolantes nas diversas lutas sem pé nem cabeça que ocorriam. Foi o primeiro contato que tive com um quadrinho no estilo mangá. Hooo nostalgia.

4 - Street Fighter II – Nacional – Além da edição cômica citada acima, também saiu essa versão pela editora Escala, ilustrada pelo Arthur Garcia e roteirizada por um rapaz chamado Alexandre Nagado, muito competente por sinal. As edições mostravam os personagens que bem conhecemos na velha luta contra as malvadezas de Bison. O traço bem inclinado ao mangá do Arthur era sensacional e eu não perdia nenhuma edição justamente pela qualidade de seu trabalho.

5 - A Lenda de Kamuy – Na verdade eu li apenas uma edição deste mangá, mas ali eu pude perceber um pouco de sua natureza e como ela realmente pode funcionar. Violento e com cenas de nudez, era um história forte. A ilustração não priorizava o lado estético dos personagens e sim o detalhe dos acontecimentos, existe uma sequencia que mostra um personagem criando uma espécie de anzol para pescar que me encantou na época. Claro que a história é bem mais que isso, envolvendo toda situação política do período no Japão Feudal.

6 - A Morte do Super-Homem – Tudo bem que a história foi lançada como uma jogada de marketing numa época em que o super perdia popularidade e não estava a fazer a DC lucrar como antigamente, mas que a história é bacana e empolgante é sim senhor. Destaque para as repostas do herói numa entrevista a Katy Grant, para jovens adolescentes.

7 - O Retorno do Super-Homem – Sequela da Morte, este retorno é tão atraente como foi a edição que o originou. A narrativa inicial mostrando o ponto de vista de um repórter que tomará o lugar de Kent no Planeta Diário é bastante interessante. A arte de Dan Jurgens parece aqui tão ambiciosa quanto qualquer outra edição do desenhista.

8 - Morte O Preço da Vida – A personagem criada por Neil Gaiman poderia ser uma adolescente comum, que gosta de se vestir de preto e ouvir rock, mas acaba sendo mais que uma profusão das características adolescentes, ela é a morte. Uma história muito bacana com uma protagonista obscura que beira o cativante não só pela personalidade concebida por Gaiman, mas também pelo envolvente traço do Chris Bachalo.

9 - Desvendando os Quadrinhos – Um colega universitário me recomendou o livro. Tenho que confessar que o trabalho elaborado por Scott McCloud a principio soou desinteressante, mas a medida que me permiti compreender suas idéias na como visão pessoal, mas como profissional pude compreender a real importância da HQ e o respeito que eu já tinha pelo mesmo só aumentou.


10 - Super Homem e Batman – Não sou um leitor assíduo das infinidades de saga no qual estes dois metem a cara, mas essa nova série como certeza é uma das melhores destes heróis de personalidades tão diferentes. E é ai que reside o ponto chave destas aventuras, o confronto de idéias entre os dois, expressada de uma maneira muitas vezes tão humana que esquecemos que um deles é um alienígena.

Alexandre Nagado disse...

Opa, quer dizer que trabalhei em alguns dos seus gibis favoritos? Caaaaara, tinha tanta coisa mais legal pra ler! ^_^; (Arigatou!)

Bom, eu era um garoto escrevendo pra garotos um pouco mais novos. Talvez isso tenha ajudado a criar empatia com alguns leitores.

O Street Fighter que mencionou era um fanzinte japonês que foi pirateado. Depois, a Ed. Escala conseguiu fechar acordo com o licenciante e isso permitiu tanto a publicação do SF americano quanto a criação das edições nacionais.

Valeu!
Abraços!

Patrick (Matu) disse...

Os meus gibis favoritos foram:
1- Turma da Mônica. Foi o primeiro que eu li, quando crança. Merece destaque.
2- Crise nas Infinitas Terras. Arrumou com todo o universo DC. Para mim, até hoje, foi a melhor saga da DC.
3- Crepúsculo Esmeralda. Melhor que a Morte do Super-Homem.
4- Amanhecer Esmeralda. Aliás, segundo o que li, o Amanhecer será a base do roteiro do filme do Lanterna. Verdade?
5- A Morte do Super-Homem. Nem precisa comentar. Ver um peso pesado da Dc morrer é algo inesquecível.
6- Samurai X. Era a primeira vez que eu lia uma história de um personagem que eu havia conhecido antes pela tv.
7- Love Junkies- a primeira ero comedy publicada pela JBC. Abriu espaço para o gênero.
8- Dc X Marvel (Cross Over). Não consigo lembrar o nome dessa obra, mas foi a primeira a decidir a vitória dos personagens mediante votação dos leitores. O Super-Homem lutando contra o Hulk e vencendo foi muito bom de se ver.
9- CDZ Episódio G. Infelizmente não é mais publicada aqui. Mostrava um ponto, usado também em Lost Canvas, que é a ação dos Cavaleiros de Ouro.
10- Nausicaa. Era a primeira vez que eu comprava uma obra do mestre. Valeu.

É isso. Desculpem se errei dados ou fatos. :)

Gara, Ninja Master disse...

Podia ter feito countdown. Começar do 10. É mais interessante. Se vc começa com o primeiro vc dificilmente chega no 10, lendo tudo.

Alexandre Nagado disse...

Tem razão, ninja. Acho que poderia ter sido melhor, mas como essa lista foi feita para o site Bigorna, foi seguido o mesmo padrão que vem sendo adotado lá.

Mas cá pra nós, quero crer que meus leitores não são preguiçosos e gostam de ler um texto até o fim.

Abraços!

Emanuelle disse...

Eu adorava Turma da Mônica, X-Men e o bom e velho Super Street Fighter, que ainda tenho alguns guardados!! Saudade da época que eu podia ler tanto gibi...