terça-feira, 20 de julho de 2010

Rumos do Mangá Nacional - HQs brasileiras, lidas ao modo japonês

As novas séries, com temática gay
e produzidas no modo oriental de leitura.
Na semana passada, uma nota sobre novos mangás nacionais no site JBox.com.br chamou minha atenção. A Editora HQM lançou dois títulos que simulam totalmente mangás japoneses, os títulos Vitral e O Príncipe do Best Seller, criados, respectivamente, pelas gêmeas Shirubana e Soni, de Taubaté, que respondem pelo Futago Estúdio. Chama a atenção o trabalho de arte impecável e a apresentação gráfica. Ambos são totalmente produzidos em estilo mangá shojo (público feminino jovem), que não é a minha praia, mas vejo que foram feitos com muita competência e dedicação. 

Os títulos dialogam com o público que gosta de romances entre rapazes (ou BL - Boy´s Love), o gênero yaoi, que no Japão é popular, não entre gays ou GLS, mas entre moças heterossexuais (entender isso demanda muito estudo e não é o caso de analisar essa peculiaridade). Não irei aqui analisar estilo, arte, roteiro ou nada assim, até por quê eu não li nenhum dos dois trabalhos pois não me interesso por esse tipo de material. Mas houve um detalhe na notícia que mereceu reflexão.

A ordem de leitura de Vitral o O Príncipe do Best Seller segue o padrão japonês, da direita pra esquerda, forçando mais ainda a sensação de que se trata de um mangá original japonês. Isso me fez refletir sobre algumas questões sobre identidade cultural, que irei expor aqui, começando por uma pergunta que já ouvi inúmeras vezes:

"Mangá é gibi que se lê de trás pra frente?" 

Claro que não. A leitura no Japão é feita da direita pra esquerda (chamar isso de "ler de trás pra frente" é de uma pobreza cultural atroz, mas é assim que perguntam pra mim) e, para publicar mangás no ocidente, antigamente existiam duas opções:

1) Inverter as imagens, o que gerava o problema de prejudicar o visual, já que todos os destros viravam canhotos e vice-versa. Isso criava problemas de cicatrizes em lugar errado, entre outros detalhes que podiam ser relevantes a muitas histórias. Autores como o roteirista Kazuo Koike (Lobo Solitário e Crying Freeman) também não ficavam satisfeitos, pois isso deixava fechos de quimonos e movimentos de espada errados. Sem falar que muitos desenhos ficam estranhos quando invertidos.

2) Recortar e remontar os quadrinhos, o que nem sempre era possível por causa do arranjo da diagramação.

Os primeiros mangás traduzidos para o inglês (e depois para o português), na segunda metade da década de 1980, eram invertidos e, quando necessário, retocados, inclusive com a substituição de onomatopéias. Foi assim com a primeira publicação de Lobo Solitário, Mai, Crying Freeman, A Lenda de Kamui, Akira e alguns poucos que foram lançados antes da febre mais recente.

Foi no começo deste século que a indústria abraçou a publicação de mangás com o sentido original de leitura, preservando a arte e até as onomatopéias. O movimento aconteceu em vários países e, no Brasil, ponto pra Conrad, que conseguiu a façanha em parte graças ao sucesso dos Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball. Hoje, muitos mangás são publicados com a ordem de leitura preservada e o público já se acostumou a isso.

Já vi tentativas profissionais de se emular o estilo mangá com ordem de leitura e onomatopéias em japonês, todas frustradas. Em um caso, como o autor não conhecia o idioma e apenas copiava onomatopéias, o resultado foi desastroso, por conta de peculiaridades na forma de escrita japonesa.

Vitral e O Príncipe do Best Seller são talvez os primeiros a conseguir plenamente a façanha de emular totalmente material original japonês. Digo "talvez" pois não li o material e nem é esse o tema da discussão. Também quero ressaltar que a opção artística não se discute. Pode-se seguir tanto o caminho da pureza ou o da mistura de referências. Ambos são válidos. O papo aqui é sobre mercado nacional.

Para o leitor, só o que deve importar é se a história é boa, mas para profissionais e estudiosos, vale a pena refletir mais além.

Os autores podem conhecer perfeitamente o Japão e seus mangás pra produzir fielmente como se fosse um japonês. Podem usar nomes e onomatopéias corretamente e tecnicamente serem tão bons quanto os melhores do Japão. Mas se estão no Brasil, produzindo um gibi para brasileiros lerem em português, por quê não deixar em ordem de leitura ocidental algo originalmente escrito em português? 


Pra mim, importa, e não sou nem um pouco xenófobo. Mas também não sou xenófilo (nem nipófilo), do tipo que valoriza por princípio tudo o que vem do exterior. Sou brasileiro e ponto final. Mas esse é o problema de muitos que são nipófilos ou nipólatras.


Já há muita gente que lê somente mangá e, ao se deparar com um gibi que não seja japonês, vai direto pra última página, de tão condicionado (ou alienado?) que está a ler somente mangá. Para os mais radicais, a única chance de lerem materal de quadrinho nacional é se estiver vertido para o modo japonês e reproduzir totalmente o visual e clima de um mangá original, sem que a pessoa identifique nada de brasileiro na ambientação.

Mas, sinceramente, Vitral e O Príncipe poderiam ser igualmente competentes em suas propostas se fossem escritas respeitando o modo de leitura do nosso idioma. Não é questão de sermos xenófobos. Se nós não valorizarmos coisas tão nossas como nossa língua (e sua identidade), não devemos esperar que outros países o façam. Do modo como está, desconfio que o material pode ser um sucesso somente entre o gueto de leitores hardcore, sendo incapaz de atingir o público não-iniciado. O mercado tem caminhado cada vez mais para a segmentação, mas eu não considero isso algo positivo pois, cada vez mais, os quadrinhos vão se isolando do grande público.

ALGUMAS OPINIÕES

A seguir, convidei alguns colegas da área para darem suas opiniões, respondendo à seguinte pergunta:

- Para ser aceito como mangá, o trabalho nacional deve emular totalmente um mangá original japonês, incluindo ordem de leitura?

A questão é muito complexa. Porque se os autores nacionais não imitam um  mangá japonês, os leitores brasileiros dizem que é algo falso.  Mas, há casos que se um material for semelhante ao japonês, é falso, pura e simplesmente porque é de outro país. Vide caso de Três Espiãs Demais. A estética é de anime, mas os fãs ordotoxos não consideram anime porque elas têm características ocidentais. Ou seja, não aceitam porque é "cópia" ou porque não é "cópia". Difícil saber o que os brasileiros entendem por mangá/ anime...

Sandra Monte (jornalista)

Vendo os trabalhos mencionados via internet percebi que são de altíssima qualidade. Acho justo e válido que vários artistas assimilem estilos originários de outros lugares para produzir seu próprio material. Lógico que isso retira um pouco a originalidade dos produtos, porém, dentro da lógica de mercado, nem todas as obras precisam carregar personalidade própria. Isso poderá trazer boas vendas aos citados materiais, o que é bom para os quadrinhos nacionais. Essa é a parte boa. E quanto mais produção brasileira de qualidade em bancas, livrarias ou lojas especializadas, mais chance de aparecerem obras realmente de personalidade e estilos próprios. Lógico que temos o lado ruim.

A necessidade de ambientar histórias noutras paragens e com outras culturas, como se tivéssemos vergonha de usar nosso mundo surge como a principal delas. Usar o estilo NARRATIVO, de DESENHO e de construção de ROTEIROS dos mangás, não quer dizer obrigatoriamente que temos de copiar a cultura japonesa, apenas nos apropriar de alguns traços dessa cultura para produzir a nossa própria.

Quando os editores optam pela leitura oriental chegam num extremo que não deveria ser uma necessidade. Nossa forma de leitura é a ocidental. Publicar os mangás originais com a leitura oriental é uma atitude interessante, pra defender a integridade do material. Mas quando produzimos algo aqui no Brasil, o mínimo é optar pela nossa forma de leitura. Além disso, de fato nunca produziremos um MANGÁ, já que mangá são as histórias em quadrinhos japonesas. Faremos histórias em quadrinhos com o estilo deles. Assim como nunca produzimos COMICS só por tentar fazer quadrinhos baseados nos típicos super-heróis norte-americanos. Produzimos histórias em quadrinhos com o estilo deles. Independente de estilos adotados, tipos de história, gêneros, etc, temos que ter em mente que estamos produzindo histórias em quadrinhos brasileiras, pois é o mercado do qual fazemos parte. É com essa lógica que os grandes mercados se construíram.

Como exemplo nos quadrinhos nacionais dá pra citar a Turma da Mônica. Embora tenha influências de outros quadrinhos internacionais em sua constituição, é indiscutível que historicamente a Turma da Mônica possui grande identidade própria. Quando o Maurício resolveu colocar seu estúdio pra produzir algo em estilo “mangá”, mesmo que tenha sofrido influências de outras histórias, o fez tentando encontrar um modo próprio de produção. E isso tem a ver com os temas das histórias, as tramas, os desenhos, o estilo narrativo, a forma editorial. Mesmo nos quesitos onde vemos influências também observamos identidade. E essa identidade própria não fez os consumidores acostumados com os mangás se afastarem do material, já que a revista tem ótimas vendas.


Daniel Esteves (roteirista)



Bom, sinceramente, mangá é um conjunto estético que se define em muitos aspectos mais por sua narrativa do que qualquer outra coisa. Os mangás coreanos, por mais que os chamem de manhwas, são, sim, mangás; nada perdem em relação aos japoneses em termos técnicos. E são feitos em seu próprio sentido de leitura, que é o mesmo que o nosso. Antes que o pessoal diga que "todo mundo lê mangá em sentido oriental", temos que dizer que não é "todo mundo" – o número de leitores de mangá no Brasil é ridículo perto do número potencial de leitores que poderíamos ter. E é bom lembrar que o mangá mais vendido, que é apenas "meio mangá" se pensarmos bem – o Turma da Mônica Jovem de Maurício de Sousa – opera no nosso sentido tradicional de leitura – e vende de seis a oito vezes mais do que um hit como Naruto. 

Eu acho que fazer mangá imitando o que o japonês faz, no Brasil, é falta de senso de realidade: quadrinho de banca tem que ser quadrinho de massa, seja mangá ou não, e para isso os autores tem que perceber o recurso narrativo que têm em mãos e olhar para fora dos fetiches do gueto – oferecer aquilo que o japonês não pode oferecer.


Alex Lancaster (jornalista)


COM A PALAVRA, O FUTAGO ESTÚDIO


E para ser bem democrático, convidei as autoras dos mangás citados no começo do texto para comentarem sua opção de produzir com a ordem de leitura japonesa. A resposta foi enviada pela Soni em nome do estúdio.



- Por quê a opção de produzir no sentido de leitura oriental?

Essa opção veio depois que fizemos uma enquete em nossa comunidade no orkut sobre qual lado deveríamos fazer nossos mangás nacionais. A maioria votou no lado oriental por estarem acostumados com os mangás de banca. Queríamos desenhar do lado oriental e a votação (apesar de pequena) foi a nosso favor. Mas, sabemos que na época éramos independentes e na comu só tem amigos. Nunca uma enquete desse porte foi feita em revista nenhuma, em nível nacional, que eu saiba. 


Sabemos que muitos desenhistas sonham em desenhar no sentido oriental, inclusive nos enviaram e-mails e scraps apoiando a idéia. Nem todo mundo é contra. Na nossa opinião, o lado que se faz uma história não garante seu sucesso ou seu fracasso. O primeiro que tentou fracassou, assim como muitas que estavam do lado ocidental. Os editores entenderam que estávamos querendo competir diretamente com material que vem do Japão, sem distinção. Ficar na mesma prateleira e competir de igual. Como não tem nada nacional nas bancas, temos que competir com os colegas japoneses que estão há muito mais tempo que nós no mercado e já foram sucesso em seu próprio país e no resto do mundo. É Davi contra Golias. Como disse nosso editor, também não temos como competir com Mônica Jovem, visto que estamos mais parecidas com mangá e nosso público é bem diferente. Por este motivo também não podemos competir com os comics. Artisticamente falando, desenhar nesse sentido é mais fácil, mais rápido e psicologicamente funciona como algo motivador, vc se sente igual ao seus colegas do Japão. Parece estúpido, mas é verdade (rsrs). E como sempre competimos em concursos do Japão, acabamos gostando mais de desenhar desse lado. Acredito que tenha sido natural a escolha. No mais, não existe lei que proíba o artista de experimentar. A arte é livre e somos livres para escolher.  

Se foi uma boa opção ou não, saberemos em breve! Mas não é só isso que vai determinar o futuro dos nossos trabalhos, são vários outros fatores.


Site do Futago Estúdio

31 comentários:

Anônimo disse...

Então é esperar para ver o resultado... Houve divulgação na Anime friends deste ano?

Alexandre Nagado disse...

Bom, Anônimo-san, os dois mangás que motivaram a postagem foram oficialmente lançados no AF, no último dia 18. E segundo as autoras, foram muito bem recebidos.

Carlos Costa disse...

Nagado, tudo bem?

A Silvana e a Sonia me mostraram sobre a discussão em torno da publicação da leitura invertida de Vitral e O Príncipe do Best Seller.

Li tudo e pediram para que eu desse uma palavra sobre a questão.

- Para ser aceito como mangá, o trabalho nacional deve emular totalmente um mangá original japonês, incluindo ordem de leitura?

Na verdade, não. No entanto, no caso destes trabalhos que lançamos agora, além de terem sido concebidos pelas autoras desta forma por motivos próprios, conforme discorreram aqui, optamos pela leitura oriental por dois motivos: o primeiro deles, para que os trabalhos ficassem o mais próximo possível dos mangás originais, não serem discriminados por serem materiais nacionais e por terem leitura ocidental, pois nossa intenção é realmente buscar a fatia de leitores que consomem os mangás japoneses traduzidos no Brasil.

Em segundo lugar, pensamos, futuramente, em exportar os trabalhos, apresentando-os desta forma, como nos mangás japoneses. Sobre como os editores compradores publicarão os materiais em determinados países, ficará a critério deles, seguindo cada um a sua linha editorial de costume, como já fazem com os mangás japoneses. Em relação a exemplos citados, como foram colocados, nosso público não é o mesmo da Turma da Mônica Jovem, até devido aos gêneros dos dois trabalhos, e, a criação do Mauricio de Sousa tem um grande diferencial: os personagens jovens são baseados em personagens que já estão há 50 anos no mercado - sinceramente, não há o que comparar, a não ser pelo fato de a publicação também ser intitulada "em estilo mangá".

Outra obra citada foi Holy Avenger, que, se formos parar um pouco para lembrar, em suas publicações e tentativas de republicações, ambas foram em formato americano e leitura ocidental - ou seja, trazendo não só características dos mangás japoneses como também dos quadrinhos norte-americanos. E, convenhamos, foi um caso único no Brasil que não sabemos quando se repetirá. Em relação aos mangás publicados na década de 1990 antes da dita "febre oriental", muitos deles não tiveram o sucesso merecido, pois o Brasil ainda não estava preparado. Akira foi publicado na versão americanizada, com as cores e formato da Marvel Comics. Lobo Solitário, não passou de 9 edições publicadas pela Cedibra, e nem de 9 edições publicadas em formato menor pela Nova Sampa. Só recentemente, agora na "febre" a Panini Comics publicou todos os 28 volumes da série, em seu formato original. Mai, Kamui (pela Abril) e Crying Freeman (pela Nova Sampa), também foram publicados na década de 1990, enquanto eram obras únicas em bancas - nestes mais de 20 anos, o mercado mudou muito. Basta vermos a quantidade de mangás publicados hoje nas bancas se comparados aos dois ou três publicados na época.

Resumindo, a intenção foi mesmo a de inovar na publicação e, com certeza, se agradarmos o público e tivermos sucesso, aparecerão muitas outras obras no estilo de carona no que foi feito agora pelo Futago Studio e HQM Editora. Interessante até deixarmos isso registrado, pois, como a Conrad inovou lançando Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco com leitura invertida, a oriental, nós estamos trazendo agora obras nacionais de qualidade, que não deixam nada a dever aos quadrinhos originais japoneses, incluindo a sua leitura invertida. Esperamos que tenha sido uma acerto tanto de produção quanto editorial de nossa parte. E se tudo correr muito bem, podemos esperar outras obras de qualidade e no mesmo estilo.

Agradecemos o espaço.

Atenciosamente,
Carlos Costa
HQM Editora

Petra Leão disse...

Outra coisa que me chamou atenção nessas HQs do Futago Studio, fora a escolha do sentido de leitura, é o fato de ter um personagem em Príncipe do Best Seller" que é um escritor chamado "Paulo Lebre"...

Esse tipo de brincadeira rola na Turma da Mônica há anos, mas com foco sempre na paródia e no humor. Não sei se esse é o caso da história do Futago Studio, mas confesso que achei um tanto descabido já que o gênero da história parece ser outro.

soni disse...

O Príncipe do Best Seller é uma comédia, Petra. Mas não é uma paródia. Também não é yaoi, nem BL.
Acredito até que esteja mais para o shoujo...
Também não fiz isso pra esculachar o Paulo Coelho, foi só uma referência de escritor brasileiro de sucesso no mundo, que alguns não curtem por acharem que ele não escreve tão bem assim... Bom, eu sempre fui fã dele.^^

Saulo de Brito (Griffin) disse...

Eu acho que se o propósito é lidar com aquele publico que é realmente fã do estilo, a publicação é então um prato cheio pra eles, mas se a idéia é ir além angariando um grupo de leitores menos acostumados, vai ser meio estranho. Existem aqueles que têm o propósito de seguir fielmente o estilo quando o adota e aqueles que empreendem a idéia de forma amalgamada com sua própria cultura e a originaria do traço em questão. Acho que há um pouco dos dois principalmente em o Príncipe do Best-Seller, mas o fato de propor a leitura no mesmo sentido do padrão japonês é um pouco inadequado ainda mais pelo fato de ser um material autenticamente brazuca.

Enivaldo disse...

Oi Nagado, tudo bem?

Bom, meu comentário pouco acrescenta à discussão mas entendo que seja válida a tentativa dessa publicação.
O que eu acho curioso, no entanto, é nós ocidentais querermos fazer uma publicação 100% no estilo Mangá, quando se sabe que no Japão a cultura ocidental é absorvida mas moldada para o padrão local.

Pode não ser uma visão ampla da questão porque falo baseado no que vi em alguns clássicos da Marvel como "Homem Aranha" que foram publicados em forma de Mangá. Se não me engano, Riyochi Ikegami foi quem desenhou o "Homem aranha". Teve também os "X-Men"...

Um forte abraço!

Enivaldo

SPACCA É... disse...

tudo bem, Nagado?
não sou especialista, mas gostaria de meter minha colher torta neste assunto.
Sim, um autor de qualquer lugar do planeta tem o direito, se quiser, de tentar fazer um Mangá - desde que seja um aficcionado, um profundo conhecedor do gênero e o respeite e queira preservar.

Assisti na França ao show de um excelente grupo de chorinho: eram um violonista francês, um alemão que tocava cavaquinho e um percussionista de Moçambique.
Não deviam nada ao chorinho brasileiro, tinham sutilieza e ginga, e eram MELHORES que muita coisa que vi por aqui.

Brasileiros já fizeram ótimos tangos e rocks.
O russo Dimitri Tiomkin compôs clássicas trilhas para WESTERNS como Álamo e Rawhide (ver "Os Irmãos Cara de Pau").
O argentino Carybé se tornou um mestre em ARTE POPULAR BAIANA! Não há exemplo maior.

Acho bem possível que um não-japonês chegue a fazer um Mangá genuíno, porque o Mangá é um gênero bem codificado e pode ser aprendido - como um estrangeiro pode se tornar um mestre em Aikidô ou Sumiê.
Neste caso, precisará sim submeter-se aos códigos vigentes, as convenções todas. Mas não necessariamente os que o LEITOR COMUM aceita - seu conhecimento dos MESTRES é que deve orientá-lo. O criterio não pde ser quantitativo (a maioria dos leitores...), mas qualitativo.
E pode ser que a ordem de leitura faça diferença; para uns pode ser só um detalhe de adequar ao leitor de um certo país, para outro pode ser uma questão estrutural.
Repito, esta e uma questão que merece ser estudada individualmente, por cada artista, na medida em que ele estudar a tradição de sua arte - e não ser decidido numa enquete.

Se eu fosse estudioso de caligrafia árabe, provavelmente eu teria que pintar da direita para a esquerda.
Finalmente, se há um desejo de exportar para o Japão, creio ser interessante que se produza já naquele formato, que no Brasil encontra receptividade (e não me impediu a leitura).

abraços, spacca

Alexandre Nagado disse...

Oi. Você está totalmente certo, Spacca. A opção artística está acima de "certo" ou "errado". Eu particularmente gosto de ver misturas e combinações. O Japão absorve muitas culturas e cria algo próprio, com uma identidade única.

O próprio mangá é fruto de influências e experimentações. Alguns pegam isso e acrescentam seu toque. Outros, igualmente válidos, vivem para reproduzir fielmente os códigos.

Mas como mercado nacional, continuo achando algo duvidoso. As vendas podem ser boas, mas também, como já disse, fechadas ao nicho.

Talvez seja até uma decisão acertada para sobreviver, pois a segmentação excessiva parece um caminho sem volta.

Se todo músico fosse se preocupar em ser popular, todos fariam funk, sertanejo, axé ou emo. E não teríamos maravilhosos músicos eruditos que vivem em nichos mais específicos. (Incluindo também os que fazem jazz, MPB, bossa-nova, etc...)

Todas as propostas são válidas, desde que verdadeiras.

Abraços!

Kiske - Otoko disse...

gostei mto da materia e concordo plenamente, tipo...o q mancha a imagem de quem curte mangás e animes são esses nipomaniacos junto com a midia, nao to menosprezando esse trabalho q é mencionado na metria por deus , mas to dizendo que poderia ser estilo de leitura nacional.

parabens pela matéria Nagado

Kadu disse...

Veja bem, só para lembrar "O príncipe do Best-seller" começou como fanzine virtual, só depois resolveram levar para as bancas, boa parte do material já estava feito em sentido oriental antes de editoras decidirem apostar no "mangá".

Para mim mangá é quadrinho japonês e ponto, isso não significa que não haja bons OEL ou Quadrinhos em estilo mangá (TMJ, Ethora, Principe do Best-Seller etc.). Eles podem ser melhores que os japoneses, mas continuam não sendo mangás (assim como manhwas e manhuas não são mangás, mas podem ser igualmente bons e até superiores).

Só para terminar é preciso lembrar que o público dessas histórias é fujoshi, ou seja, é nicho dentro do nicho do nicho. Leitores de quadrinhos são nicho, leitores de mangá são nicho dentro do nicho e as fujoshi são mais nicho ainda.
Valçe lembrar que as fujoshis (leitoras de material BL) costumam ser bem radicais quanto ao sentido de leitura etc. - Na vdd elas costumam ser radicais com tudo e emulação total é a regra. - Colocar o sentido oriental nesta obra é uma forma de fazer o material encontrar seu público.

Alexandre Nagado disse...

Kadu, concordo com o que escreveu sobre nichos. Na verdade, quem vive fechado em nichos pensa sempre levando em conta seu microcosmo, e não a sociedade. Mas poderia haver benefícios com algumas "concessões" que visassem atingir mais leitores ou gente fora do nicho.

Mas eu discordo de uma questão semântica que eu gostaria que já tivesse sido superada. "Vitral" e "O Príncipe..." são mangás, assim como "Holy Avenger", "Ethora" e tantos outros. TMJ é declaradamente "em estilo mangá" porque é uma mistura entre o estilo do estúdio MSP com influências de mangá.

Holy Avenger inclusive foi chamado de mangá em uma premiação dada pelo governo japonês. Se o governo japonês reconhece a existência de mangás fora do Japão, porque só aqui o pessoal fica nesse puritanismo?

Se fosse assim, somente ingleses poderiam jogar um "football" de verdade. Rock só poderia ser feito nos EUA, o que excluiria os Beatles e o U2 da parada, e por aí vai.

No Japão, existem músicos de bossa-nova. E lá ninguém diz pra eles que não é bossa-nova o que fazem, ninguém diz que "bossa-nova é música brasileira e só pode ser feita no Brasil por brasileiros". Os códigos podem ser aprendidos, como disse o Spacca.

Ah, voce também acertou sobre radicalismo.

Abraços.
PS: Mangá ou não, é tudo HQ, certo? Nisso acho que todos concordamos, ufa!

esteves-hqemfoco disse...

Uma grande pergunta:

Mangá é um ESTILO de História em Quadrinhos?

Na minha opinião não é. Pra mim são VÁRIOS estilos dentro de um mercado EDITORIAL (o japonês).

Akira (ficção científica) é um Mangá, certo? Assim como Shin-Chan (humor tosco). E são dois estilos RADICALMENTE diferentes. Que inclusive guardam mais semelhanças com histórias em quadrinhos de outros países que possuem o mesmo gênero e publico que elas do que entre si.

Logo, não dá pra definir os Mangás como um "estilo" de quadrinho, pois os mangás guardam muitos estilos. Seria o mesmo que definir os "comics" como um estilo, sendo que lá você encontra desde super-heróis ao charlie brown.

Mangá, Comics, Banda Desenhada, ou qualquer outra palavra são apenas nomes dados as histórias em quadrinhos em outros países, já que infelizmente os quadrinhos não possuem um só termo que os definam.
Dentro desses países existem alguns estilos mais típicos, porém, não dá pra definir a produção de um país inteiro pelo que é mais conhecido. Seria o mesmo que um japonês achar que Histórias em Quadrinhos (o termo brasileiro) é só Turma da Mônica e os seus pares (as hqs mais famosas no Brasil).

Mas sobre a questão toda, quero mais é ver a iniciativa da HQM e das duas autoras dando certo. Seja na leitura Ocidental ou Oriental, que venda bastante e abra portas pra HQM lançar novas publicações produzidas aqui no Brasil.

abraços!

Alexandre Nagado disse...

Sabe, acho que em nenhum lugar do mundo existe um mercado de quadrinhos com um conjunto de características em comum tão marcante quanto no Japão. As gerações pós-Tezuka têm seguido e aprimorado códigos narrativos que acabam criando uma unidade dentro da diversidade de estilos, temas e propostas que formam o mercado japonês. Akira e Shin-chan são exemplos dessa riqueza, assim como Gon, Preto & Branco e outros. Mas ainda assim, são meio que exceções dentro de milhares de títulos. E ainda assim, especialmente no caso de Akira, a forma narrativa segue os parâmetros gerais do mangá, conforme codificou Scott McCloud em Desvendando os Quadrinhos.

Numa leitura superficial, pegar o "estilo mangá" é usar códigos visuais presentes na média dos mangás (olho grande, caretas exageradas, etc...).

Em um nível mais profundo, o estilo mangá tem a ver com marcação de tempo na HQ. A meu ver, é esse "timing" típico o que permite dizer que há um estilo mangá de se fazer HQ. Bom, é o que eu acho.

E concordo com você que, acima de tudo, essas iniciativas têm que ir pra frente e consolidar espaço em bancas.

Abraços!

Kadu disse...

"Holy Avenger inclusive foi chamado de mangá em uma premiação dada pelo governo japonês. Se o governo japonês reconhece a existência de mangás fora do Japão, porque só aqui o pessoal fica nesse puritanismo?"

Olha eu discordo vêementemente, essas premiações em minha opinião não passam de política de boa vizinhança, uma estratégia de parecerem legais aos olhos dos compradores de mangás.

De qualquer forma mangá no Japão significa quadrinho (não exatamente "quadrinho", mas todos os quadrinhos seriam mangá), como eu não sou japonês chamo de mangá os quadrinhos japoneses e os outros são estilo mangá.

As diferenças do mangá para os quadrinhos comuns são tantas, acho que a maior dela é a escala industrial.
No Japão vc precisa ter um "it" para se destacar no meio da indústria, por isso a composição de páginas é muito mais dinâmica do que os quadrinhos d equalquer outro lugar do mundo, pelos quadrinhos circularem em revistas principalmente semanais, quinzenais, mensais ou bimestrais e dependerem diretamente da resposta imediata do público e a força dos editores ser tão grande é difícil comparar com os quadrinhos ocidentais. Para produzir mangás é preciso pensar mangá e isso é bem difícil, não sei se você conhece, mas recomendo olhar o blog XSIL e principalmente o diário Moticomi aonde o autor (um brasileiro radicado no Japão) relata a sua tentativa de entrar para o time da Shonen Jump.
Fora isso tem que se lembrar do ritmo de trabalho inumano. Não adianta, nós não temos um mercado maduro como o japonês, concordo que os quadrinhos devem tentar atingir o maior público possível, mas não adianta sair atirando em todas as direções, acho que as medidas tomadas pelo Futago Studio foram muito positivas, elas se direcionaram (não tem como vender um material homoerótico para um pai de família tradicional de 35 anos, elas se dirigiram ao seu público, as fujoshis), basta saber se o público vai corresponder, espero que sim.

Alexandre Nagado disse...

Ok, Kadu. Discordo de você quanto às suas definições de mangá. Você, discorda das minhas.

Holy Avenger é mangá e o que nós achamos é irrelevante. Você pode acusar o governo e os pesquisadores de fazerem política, mas é sua visão. Um não vai convencer o outro, mas espero que sua visão não seja representante da maioria.

Não interessa se é mangá ou não. A mim, importa se é quadrinho, se é bom e se colabora com o reconhecimento enquanto mercado de HQ no Brasil.

Ah, sim, existem mangás feitos fora do ritmo industrial, ao ritmo do autor e nem por isso deixam de ser mangás. Não é o posicionamento na indústria que vai definir se é mangá ou não, e nem a origem geográfica.

Enfim, discutir isso acaba sendo perda de tempo. Mas obrigado por trazer essa visão, que é tão válida quanto a minha e que mostra outra visão - pertinente e bem embasada (apesar de discordar veementemente) - sobre o tema.

E que bom que este humilde blog tem atraído gente com muito a dizer. Valeu!

Abraços.

A.D. Marius disse...

Manga é um estilo narrativo assim como a linha clara belga, e portanto pode ser aprendido por qualquer um que queira aprender (Suas comparações com estilos musicais foram perfeitas Nagado)seus códigos. Atualmente vemos o surgimento de obras em estilo manga em diversos paises (França, China, EUA, Alemanha, Brasil, etc) trazendo todo um novo ar para um estilo que começava a ficar engessado em sua terra de origem. Viva!
Quando aos mangas em questão só tenho que lamentar a decisão infeliz da editora ( que amanha ou depois podera alegar "virão? Quadrinho nacional não funciona!)que apenas mostra a falta de visão comercial da HQM. Ponto negativo para as autoras também que escreveram o material pensando em atender o gueto do gueto e em agradar seus amigos. Isso tudo mostra que no Brasil não há Editores de quadrinhos no Brasil... Infelizmente!

PS: Entre os mangas nacionais voce se esqueceu de citar Luluzinha teen - um produto bem feito, pensado comercialmente e que deveria servir de referencia para todos aqueles que pretender lançar hq no brasil!

Fui!

Onçana disse...

Minha vez de opinar aqui!
Toda vez que vem a tona o assunto de 'mangá brasileiro', toda a discussão sempre gira em torno de uma produção não-nipônica ser ou não ser mangá e enquanto se bate boca sobre o sexo dos anjos alguns pontos importantes passam invisíveis: vamos falar sobre eles!
Primeiramente há que se reconhecer que a qualidade gráfica do trabalho das gêmeas é primorosa. No tocante ao gênero, acredito que surge o primeiro obstáculo a uma popularidade mais plena do trabalho: nem todas as pessoas vêem yaoi com bons olhos, o que acaba limitando o produto aos apreciadores do gênero.
Segundo e mais importante: os preços são populares? Porque não adianta fazer de conta que estamos no Japão e temos todo dinheiro do mundo pra sair comprando todas as revistas que nos apetecem. Esta é a parte que me preocupa,tanto como leitora, como desenhista e futura editora: o preço final da minha revista vai ser atraente o suficiente para que um leitor comum se aventure a comprar o primeiro número e tanto que o fidelize a comprar a série completa? Será que basta ter um trabalho primoroso, que esteja pau a pau com os importados para que as pessoas o olhem sem preconceito e o comprem, não importando o quanto custa? É isto o que realmente me preocupa! E é exatamente por isso que eu não acho tão importante produzir um quadrinho fidelizado ao formato que possui no Japão, seja no sentido de leitura, seja na quantidade de páginas.
Eu espero realmente que o tabalho delas decole, são meninas muito esforçadas que merecem demais cada pedaço de sucesso que alcançarem!(eu as conheço e somos amigas a mais de 10 anos!)
Mas acredito também que, para uma estruturação de mercado, é muito válido que futuras publicações tenham em vista a viabilidade de vendas e popularização do gênero!

PS:Quanto a Luluzinha:não é nem mangá,nem nacional! A personagem original foi criada nos Estados Unidos em 1935 e 'espertamente' adaptada no Brasil atual, aproveitando a onda de Turma da Monica Jovem, que por sua vez pegou carona na febre dos mangás. Só acho pitoresco que personagens que eram crianças no tempo de nossos avós só tenham 'adolescido' agora...talvez envelheçam depois de nossos bisnetos. Mas enfim, é o comércio!

Alexandre Nagado disse...

Olá!

Só uma coisa: Luluzinha Teen é nacional, com certeza. É feito aqui por gente daqui. Da mesma forma, eu trabalhei no Street Fighter versão brasileira e aquilo era quadrinho nacional, sim. Não era de royalties nacionais, mas de produção. Ou era nacional e não nacionalista. Assim como tinha o maravilhoso Zé Carioca de Renato Canini. Aquilo é HQ nacional até o talo, apesar de ser copyright Disney. Mas reconheço que é difícil estabalecer limites entre "ser nacional" ou não. Isso valeu uma outra discussão gigantesca.

Sobre Luluzinha ser mangá ou não, caímos na questão sobre definições de estilo visual e narrativo. Eu não gostei do que vi, mas a influência de mangá é clara. Ao menos, a intenção.

Abraços!
PS: Esse tópico rendeu muito mais do que eu imaginava e fiquei muito contente com cada participação.

Joe de Lima disse...

Como eu escrevi no meu blog, acho que isso é uma questão de identidade e personalidade.

Quando você lê uma revista Disney, basta prestar um pouco mais de atenção para e dá pra dizer quais histórias são do Brasil, quais são dos EUA e quais são italianas.

Isso porque essas histórias tem uma narrativa própria e um estilo característicos.

O mesmo vale pra Turma da Mônica Jovem, Holy Avenger, Megaman e também Street Fighter (sem bajulação), essa revistas tinham cara de mangá, mas um estilo narrativo brasileiro.

Eu não posar de patriota ou nacionalista, mas acho que tentar se disfarçar assim de outra coisa é ter um pensamento limitado, e como o Marius comentou comigo, se isso não der certo vão dizer que o problema é que quadrinho nacional não vende.

Kiraji sensei disse...

Olha, pra mim o que importa é que estamos valorizando o artista nacionalo não esse ou aquele estilo. O brasil é uma miscelânia de povos e nações e lógico que possuímos quadrinhos naionais tímidos que são focados em um público específico. Não cabe a mim julgar se tal sentido de escrita está bom ou não, eu desenhraia como aprendi, no jeito ocidental e se fosse japonês no estilo dos mangás como há muito se conhece.Bom, além de desenhista, sou roteirista e me importo muito com a construção e trejeitos de personagens, não se importando se são galeses, japoneses ou até alienígenas. A melhor forma de valorizar o artsita nacional não seria apenas apoiar um estilo de escrita, mas incentivar os nossos desenhistas a investirem aqui tanto em editoras como em publicações. Passei muito tempo com essa nipofilia quando comecei a gostar de mangás, mas com o tempo e a idade aprendi a diferenciar estilos e gosto tanto de Turma da Mônica a quadrinhos da marvel. por que não há também uma forma de se ter quadrinho nacional sem ser biografias e a exaltação a bandidagem? Isso que é preocupante e muito me espanta que um quadrinho no estilo shojo e nacional seja publicado. Não gosto do genero, mas aplaudo a inicitiva, prefiro mil mangás com estilo japones, mil comics imitando americanos, mil cartoons imitando quadrinhos europeus do que qualquer quadrinho nacional que só exalte em sua maioria figuras históricas deploráveis como lampião que não merecia uma nota de consideração pois só aterrorizou e sem contar filmes que só exaltam maldades em cima de maldade, mas isso está um pouco fora da questão.
Gostaria de parabenizar as desenhistas pela iniciativa, pois a meu ver o que faz um artista nacional é a vontade de publicar em seu país, não o estilo que adota. Temos mercado para todos e ao invés de discutirmos o sexo dos anjos devemos nos preocupar em termos quadrinhos nacionais bons não com temáticas chatas e que ninguém compra.

Gara, Ninja Master disse...

Oi. Sou um leitor eventual do seu blog, gosto dos seus artigos bastante autorais e gosto também, especialmente, das recomendações de vídeos e músicas de animes e tokusatsu old school, pura nostalgia.

Traçar uma linha entre o que é mangá e o que não é, é uma questão complexa que eu deixaria para os filósofos. Eu não consigo considerar 3 espiãs de mais anime nem Holy Avenger mangá.
Pra mim o primeiro é um desenho ocidental com rostos mais ou menos estilizados mangá (mal feitos) e um ou outro elemento de anime, tipo "gota", "vêia" etc. Mas tá longe de ter o rítmo de um anime, é bem diferente.
Holy Avenger ídem, é uma história com umas influências nítidas do Cassaro na diagramação, com o traço da Erika Awano por cima. Não tinha o rítmo de mangá tb e não parecia mangá pra mim, lembrava.

Quanto ao assunto do artigo; eu acho que realmente não faz sentido publicar no sentido de leitura oriental. Isso apenas é uma roupagem, uma máscara pra uma obra nacional se fantasiar de japonêsa.

Porém, talvez alguns dos potenciais leitores façam questão, então que seja feito assim.

Como já foi dito, a obra não foi feita para o público médio brasileiro, mas para um nicho específico, as meninas que gostam de shoujo mangá.

Isso é função da maturiade do público. Os leitores não estão atrás de material nacional mesmo. Se o material nacional se disfarçar de japonês talvez fique mais atraente pro público alvo.

Pra finalizar eu gostaria de tocar em outro ponto.
É sobre as adaptações e tentativas ocidentais de emular animes e mangás, as piadas, a narrativa, os recursos etc.
Acho muito mais interessante que se utilize o estilo mas que se conte a história com uma personalidade própria, como já foi falado que era com Megaman.
Tentar emular acaba ficando fake.
Contando a história da forma que pensamos por aqui eu acho mais natural logo interessante.

Um Abraço e boa sorte

sandra monte disse...

Bem, como eu disse em meu comentário, no Brasil, por conta da segmentação exagerada, se o autor imitar um mangá japonês completamente, será criticado por isso.

E também será criticado se não o fizer. O que acredito é que os autores devem fazer aquilo que lhes parecer o mais adequado.

Porque no final das contas, só uma boa história sobreviverá ou não. Quanto ao que é mangá ou não, anime ou não... Temos que tomar muito, mas muito cuidado com o conceito que "só é mangá se for feito no Japão"...

Se for assim, Ducktales é anime, Galaxy Rangers é anime... O Snoopy da propaganda Hot Pepper é anime...

E o que Koji Yamamura e o Shoji Kawamori fazem não é anime, é alguma coisa undergound...

Enfim... para mim, mangá e anime é tudo aquilo cujas características são semelhantes ao estilo criado por Osamu Tezuka. Claro... se desconsiderarmos o fato que TUDO para os japoneses é mangá e anime.

Enfim. É isso.

Sandra Monte
www.papodebudega.com

Gara, Ninja Master disse...

Sandra, Duck Tales eu não diria, mas vê as aberturas de ThunderCats, Silver Hawks, TigerSharks e de Galaxy Rangers tb e fala se não tem uma estética bastante anime?

Anônimo disse...

Essa nova editora optou por não publicar mangás em leitura oriental:

http://www.editoracras.com.br/como_se_juntar_a_nos.html

alphazine disse...

Creio que a orientação da leitura é o de menos, pois tratasse de um material de nicho. O que me chamou mais a atenção foi a qualidade da arte das autoras. Pelas poucas imagens que vi parecem estar num nível equiparável ao de mangakas profissionais.

Torço para que a empreitada tenha sucesso.

Alexandre Nagado disse...

Dias atrás, perguntei pra Soni como andava a produção e ela me contou que logo os volumes 2 de ambas as sérias serão lançados. Isso é bom sinal, pois a prova de fogo é sempre o número 1. Vamos acompanhar.

Coisinsc disse...

Não li o mangá, não lerei e não opinarei sobre a ordem de leitura. Porém, gostaria de deixar registrado que as duas autoras são gatíssimas! Se elas forem a algum evento de Mangá, comprarei a revista só para ter um autógrafo das duas!

Alexandre Nagado disse...

Ah ah, boa! Acho que elas vão ficar lisonjeadas. Mas não cometa a gafe de confundir uma com a outra, hein! ;-P

Guitar Hero disse...

P/ mim podem ser feitos mangás de qualidade fora do Japão sim. O problema é que na maioria esmagadora dos casos os artistas possuem uma visão extremamente superficial a respeito do mangá. Acham que estilo mangá só se resume a olhos grandes e piadas fora de hora.

Td bem, piadas fora de hora conbinam muito bem no mangá japonê. Mas isso é pelo fato de se encaixarem no estilo de humor japonês,nós também temos nosso estilod e humor e tenhoc erteza que os orientais não se dariam muito bem tenttando aplicá-lo a risca. Enquanto a maioria do pessoal continuar com essa visão pobre e estereótipada vai ser complicado.

O que define o mangá é sua narrativa. Isso é uma coisa que o scott Maccloud falou em um de seus livros e o Alexandre Nagado também afirmou em uma revista para roteiros de mangá.
Creio que o pessoal se preocupa muito em seguir características superficiais 9e não principais) do mangá. Nomrmalmente quando pego um mangá feito fora do japão tenho a sensação de que o autor nunca leu realnte mangás, ou se leu não prestou atenção em nada. O pior é que mutias vezes existem boas idéias, mas a visão esteréotipada e superficial que estes autores tem a respeitod e mangás fazem c/ que eles utilizem de forma incorreta as ferramenta sdo estilo.. ou nem utilizem.

Desenhar mangá não pe desenhar poster, sem narrativa não dá! E isso vale p/ qualquer estilod e quarinhos!

Guitar Hero disse...

AH, e eu nãoe estou criticando o mangá citado aí. Pois eu nem li, ainda. Eu só estou aproveitando a reflexão de nagado p/ falar de coisas que vejo normalmente.

O pessoal critica que o brasileiro tem preconceito contra o mangá nacional. Creio que sim, infelizemnte. Mas o problema também é que tem muita gente da motivos. Outro problema comum é a falta de cuidados com os roteiros, e isso é um problema em diversos outros estilos de quadrinhos feitos no Brasil. Infelizmente roteiro bom e desenho bom exigem muito tempo, investimento e esforço e como aqui não há um mercaod de quadrinhos nacional forte, nossos artistas não vivem inteiramente disso. Precisam trabalhar em outras coisas p/ sobreviver.

Até da p/ encontrar bons desenhos, mas a galera não investe nos roteiros. Já vi muito cara afirmar coisas do tipo; "Ah, p/ que pesquisar p/ fazer um roteiro?".

O pessoal (não todos) ainda está com uma mentalidade de achar que roteiro pode ser feito de qualquer jeito. Desenho bom sem roteiro bom não é nada.

O problema é que esta visão minimalista a respeito do mangá acaba fazendo com que muita gente que desconheça o estilo acabe criando uma visão negativa e pobre a respeito dele. Óbvio se até quem faz mangá aqui tem essa visão, imagine quem conhece pouco o estilo?

Como disse, tem muitos bons artistas aqui, infelizmente muitos deles possuem uma visão limitada sobre mangás. E os poucos que além de bons possuem uma visão ampla do estilo acabam batendo no espírito vira-lata do brasileiro, que normalmente acha que nada daqui presta. É complicado... como dizem: "se corre o bicho pega, se ficar o bicho come."

Vou procurar este mangá citado por nagado. Apesar de não curtir muito mangás deste tipo vou dar uma olhada.