RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog ainda está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, Katokutai, Pinóquio de Osamu Tezuka, Danger 3, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O PODER DE COMUNICAÇÃO DOS QUADRINHOS INSTITUCIONAIS

Por sua combinação de texto e imagem, os quadrinhos têm um grande poder de comunicação e podem ter sucesso onde extensos manuais técnicos nada conseguem. Quadrinhos institucionais são aquelas peças narrativas encomendadas por uma instituição para divulgar suas mensagens, sejam elas voltadas ao público geral ou ao público interno, ou seja, seus funcionários.

E é fazendo materiais assim que tenho me mantido na ativa como quadrinhista, apesar de meu último trabalho editorial ter sido o álbum Mangá Tropical (Ed. Via Lettera, 2003).
Enquanto trabalhava como roteirista de Street Fighter (Ed. Escala, 1993 ~ 95), tive minha primeira experiência com HQ institucional, lá no estúdio-escola Núcleo de Arte, onde estudei e depois virei colaborador. Foram duas HQs para o Projeto Tietê, um órgão governamental que estava empenhado na recuperação do rio Tietê, isso em 1994. Foram duas histórias, sendo uma destinada ao público infantil, desenhada pelo meu professor Ismael dos Santos e outra de apelo mais juvenil, desenhada pelo Emerson Abreu, que atualmente é um dos melhores roteiristas da Turma da Mônica.

Depois, houve trabalhos feitos para o Pão de Açúcar, Dersa e Bosch, todos com o pessoal do Núcleo. Logo comecei a pegar projetos inteiros, onde eu escrevia e desenhava tudo. Em alguns casos, até fazia a colorização. Foram trabalhos pra Votorantim, Depto. de Águas e Energia Elétrica (Gov. do Estado de SP), ABB, Santander Banespa e muitos outros. Abaixo, vou comentar dois trabalhos feitos nessa área institucional.
CASOS PAROQUIAIS - Publicada pela agência Promocat, a revista Paróquias e Casas Religiosas tem um foco bem específico: religiosos e administradores de instituições católicas. Nessa publicação, a convite de um amigo, criei uma tira chamada Casos Paroquiais, onde o humor servia a um convite à reflexão. Um dos personagens, um padre jovem e entusiasmado, mas inexperiente e inclinado a dar muitos foras. O outro, um padre mais velho, experiente e um tanto sarcástico. Eu tenho algum conhecimento sobre os assuntos abordados, o que facilitou a aprovação dos roteiros. O trabalho durou alguns meses, mas acabou ficando de fora numa reformulação pela qual o título passou. Foi uma experiência bem interessante, afinal.
OS OPERADORES - Criada para o call-center de uma administradora de cartões de crédito, essa série mostra situações reais de trabalho, com abordagens bem humoradas. Normalmente, não há aqui a estrutura clássica de roteiro, com uma apresentação de problema ou conflito, clímax e sua resolução. Em HQs de uma ou duas páginas, o que fiz muitas vezes foi mostrar diálogos cotidianos, onde o tema a ser abordado era desenvolvido conforme a necessidade do cliente. O importante é não fazer parecer sermão, mas sim mostrar a importância da conscientização. 

Um tema que tenho abordado é o da necessidade de cumprimento de metas e regras da empresa não para manter seu emprego ou buscar promoção, mas para ser um profissional melhor. Em alguns casos, como na abordagem de comprometimento e responsabilidade, para ser uma pessoa melhor. Numa recente produção, teve que ser abordado o problema de que alguns funcionários estavam deixando seus armarinhos (escaninhos) muito sujos e isso foi feito de forma bem divertida. Em outro, o tema "como se vestir no trabalho" foi mostrado como parte de um bate papo ocasional entre duas amigas. São trabalhos onde os diálogos assumem a linha de frente da história, sendo o ponto mais importante do roteiro. Mesmo seguindo as ideias do cliente, há obviamente toques autorais ao se redigir os diálogos.


Tem funcionado, e o que era para ser uma série de 4 folhetos já se estende há mais de um ano em meio e já gerou outros projetos ligados à empresa.

Cada vez mais empresas têm aderido à essa forma de comunicação em quadrinhos e isso acaba se constituindo em mais uma alternativa de trabalho para profissionais de quadrinhos. Mas nessa área, mais do em qualquer outra, o ego deve ficar do lado de fora e a abordagem deve ser focada na mensagem do cliente. Isso deve ser feito de maneira clara e com a técnica narrativa sendo usada para que a leitura seja prazerosa e o público absorva a mensagem com naturalidade. E isso pode ser feito com pequenos toques autorais que dão sabor à mensagem. Afinal, é para isso que o quadrinhista foi contratado.

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