terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Resenha: STANDARD, de ASKA

Um dos grandes cantores japoneses interpreta novas versões de clássicos da música ocidental

Tendo praticamente encerrado sua longa parceria com o também cantor e compositor Chage, o versátil Aska se lançou em um ambicioso projeto solo: regravar clássicos da música popular dos EUA. O resultado foi o mini-álbum Standard, com apenas 5 faixas, lançado em novembro de 2009.


A primeira canção é "Smile", composição de Charles Chaplin. A introdução instrumental, no estilo das big bands americanas, deixa claro que o que vem a seguir é algo totalmente diferente do Aska roqueiro ou o das baladas românticas que fizeram história no mercado J-Pop. Num bom inglês, o astro interpreta a canção, criada originalmente como trilha instrumental para o filme Tempos Modernos, de 1936. Ganhou letra em 1954, numa versão cantada por Nat King Cole e também já foi regravada por Eric Clapton, Barbra Streisand e até Djavan, com sua versão em português "Sorria". A mais famosa interpretação de Smile foi feita por Michael Jackson em 1995. Divulgada como a canção favorita do Rei do Pop, Smile foi interpretada pelo irmão de Michael, Jermaine Jackson, no funeral do astro.


A cover seguinte é "The Christmas Song", lançada em 1944 por Mel Tormé, que co-escreveu a canção com Bob Wells. Outra canção muito regravada, ganhou interpretações de Nat King Cole (que cantou 4 versões entre 1946 e 1961), Al Jarreau, Aretha Franklin, Frank Sinatra, Barbra Streisand, Air Supply, The Carpenters, The Jackson 5, N´Sync, Céline Dion, BoA, Whitney Houston, Gloria Estefan, Christina Aguilera, Stevie Wonder e outros. Aska canta com sentimento, pois é um grande apaixonado pelo Natal, não por acaso o tema de uma criação sua incluída em Standard.


"Sekai ni Merry X´mas" é a única canção original de Aska presente no tracklist e a única cantada em japonês. Ela foi lançada no álbum Guys, de Chage and Aska, em 1992. Seu estilo se encaixa perfeitamente no espírito do álbum, mas não acrescenta nada de novo em relação à versão original, exceto pela voz de ASKA ouvida sem a companhia de Chage dividindo versos e harmonias vocais.


"Stardust", a faixa seguinte, é uma antiga canção estadunidense dos anos 1920 que foi gravada pela primeira vez em 1930, por Isham Jones. A canção se tornaria um clássico popular, sendo regravada por Frank Sinatra, Bing Crosby, Nat King Cole, Ella Fitzgerald, Willie Nelson, George Benson, Ringo Starr, Rod Stewart e outros. A edição de áudio deixou o começo da canção parecido com uma gravação muito antiga, o que aumentou o charme da versão de Aska.


O mini álbum fecha com "Good Night", uma pouco conhecida obra dos Beatles, escrita por John Lennon e cantada pelo baterista Ringo Starr no disco duplo The Beatles (de 1967), conhecido como Álbum Branco. A versão original é simpática e agradável, mas com a voz poderosa e de grande alcance de Aska, ganha uma outra dimensão e fecha o trabalho dignamente. Fortemente influenciado pelos Beatles em várias de suas composições, Aska presta sua homenagem aos ídolos resgatando uma música conhecida somente pelos aficionados.


Seja sussurrando os versos, entoando suavidade ou vibrando a voz poderosa com muita técnica, o cantor se alinha a grandes nomes da música mundial com essa coletânea refinada, infelizmente lançada somente no Japão (mas disponível em alguns sites).  A sonoridade do trabalho lembra muito as versões de "White Christmas" e "When You Wish Upon a Star", que Aska gravou com Chage em 1993. 

Chegando aos 52 anos em 24 de fevereiro e longe de seu tempo de grande exposição na mídia japonesa, Aska prossegue com um público fiel, interessado, como sempre, em boa música.

Ouça agora "Good Night" (Lennon-McCartney), na voz de Aska:




Leia também:
Chage ans Aska - 30 anos dos mestres do J-Pop - http://tiny.cc/ca30

3 comentários:

Anônimo disse...

Que linda voz. Vou procurar mais coisas deste cantor no youtube. Tks pela dica.

E Ringo Star q me desculpe, mas o Aska canta melhor.

Renato

João Aranha disse...

Sem dúvidas, uma preciosidade, especialmente quando vemos tantas porcarias sendo lançadas nos dias de hoje...muito bom mesmo relembrar.

Continue fazendo essas resenhas. Abraços!

Alexandre Nagado disse...

Renato, acho que cada um tem seu estilo, é complicado julgar. Mas que Aska tem uma voz fantástica, isso é verdade. Vale a pena conferir mais canções dele, seja sozinho ou com o parceiro Chage.

João, eu também não consigo me conectar com a música de hoje em dia. E não é preconceito, não. Tento ouvir, mas não desce.

Entre pagodeiros, sertanejos, funks, axés, emos e eletrônicos, fico mais com os clássicos, seja do Japão, Brasil, EUA, Inglaterra ou de onde mais venha música que me agrade pela melodia.

Abraços!