RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog ainda está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, Katokutai, Pinóquio de Osamu Tezuka, Danger 3, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

sábado, 28 de novembro de 2009

CRÍTICAS TELEVISIVAS


Ontem, cometi um erro vendo TV. Assisti ao infame TOP TOP da MTV, com mais uma lista de bizarrices do mundo pop apresentadas por Marina Person e Leo Madeira. Eu tinha desistido de assistir depois que eles anunciaram uma vez uma banda japonesa muito estranha pra tirar sarro. Mas não disseram o nome e a tal banda era chinesa. Dava pra perceber, porque foneticamente são línguas muito diferentes. Por alto, vale lembrar que o japonês não usa "L" e o chinês usa bastante e é bem anasalado. Mas, oras, pra eles olho puxado é tudo igual...

Bom, voltando ao programa que vi ontem em questão: A lista mostrada era de figuras emblemáticas dos anos 80. Confesso que lista em si era divertida, com Cindy Lauper, Frankie Goes To Hollywood, Duran Duran e outros, mas chato foi ver o Metrô com um tratamento de muita má vontade. A carreira não se limitou só a "Beat Acelerado" (teve "Tudo pode mudar", "Ti Ti Ti", "Johnny Love"...) e a má vontade em pesquisar sobre a banda era evidente. Na hora de citar outro ícone dos anos 80, o Leo Jaime, a apresentadora disse que o Leo não era só cantor e compositor, era também ator, escritor, colunista, etc, etc... A cara de deboche dela mostrou o que ela devia estar pensando ("Grande coisa, eu sou melhor que ele.").

E o gran finale foi eleger o Band Aid (o projeto de música beneficente inglesa, não o curativo) o símbolo máximo do que a década de 80 produziu de mais ridículo. Ok, eles destacaram que a escolha foi porque o evento ocasionou a maior reunião de cabelos e roupas esquisitas daquela época (e foi mesmo). Mas também disseram que a música (criada para angariar fundos para os famintos da África e inspirou o We Are The World) despertou os sentimentos mais bregas e piegas do mundo. Olha, ainda bem que meu senso de humor não me permite rir de iniciativas que buscam ajudar crianças que morrem de fome. Ah, também não citaram que a música em si era a "Do they know it´s Christmas?".  

Enfim, a culpa foi minha por ter dado outra chance para aquele programa, que tem uma premissa legal, mas que é executado de modo irritante. Obviamente, os apresentadores estão interpretando personagens quando estão no TOP TOP. Mas são personagens insuportavelmente idiotas.


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Em outra ocasião, citaram o Roupa Nova como o maior "cachorro morto" da música brasileira porque lá, até o baterista canta. Bem, tomando esse argumento tosco, o que dizer do Genesis com Phil Collins e dos Monkees com Mickey Dolenz, só pra citar dois bateristas com vozes fantásticas? Ah, e o batera Ringo Starr cantou alguns dos maiores clássicos dos Beatles, como "Yellow Submarine" e "With a little help from my friends". Genesis, Monkees e Beatles também foram bandas "cachorro morto" por deixarem até o baterista cantar? Em boca fechada não entra mosca, mas a dupla de apresentadores não deve achar que precisam pesquisar ou pensar antes de falar, afinal estão na TV, são descolados...  

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Assisti também o Furo MTV, com notícias gerais comentadas com ironia e cinismo. Divertido, inteligente e politicamente incorreto. Dá pra fazer isso sem ser um mala que se acha o máximo.

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Zapeando mais um pouco, vi uma apresentação de Supla e seu mano João Suplicy, o Band of Brothers, no Programa Novo, da TV Cultura. Som bacana, divertido e com uma pegada interessante, explorando só violão e bateria. Vou dar uma conferida. Aliás, eu gostava muito da banda Tokyo, que marcou a estréia do Supla lá nos anos 80. Tanto que escrevi sobre eles no Omelete. Leia aqui.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

MANGÁ E CULTURA POP JAPONESA NO ANGLO DE ILHA SOLTEIRA

No dia 2 de dezembro, irei apresentar uma palestra sobre mangá e cultura pop japonesa no Colégio Anglo ISA (Ilha Solteira). O assunto tem sido presença constante em minha carreira e certamente é o tema que eu mais apresentei em palestras pelo Brasil.

A atividade é aberta ao público em geral e o convite se estende também aos moradores de Andradina, Pereira Barreto, Itapura, Suzanópolis e demais municípios da região.

Conteúdo:
- As origens do mangá e sua explosão como meio de comunicação de massa. 
- A presença do mangá no Brasil e a produção do mangá brasileiro, incluindo as diferenças entre os mercados dos dois países.
- Características e peculiaridades do estilo de quadrinhos mais popular do mundo.
- O Japão como um centro produtor de cultura pop, fazendo de termos como animê, mangá, otaku, J-Pop, tokusatsu e cosplay palavras recorrentes no vocabulário de milhões de jovens no mundo inteiro.
Duração: aprox. 90 min.

Serviço:
PALESTRA - MANGÁ E CULTURA POP JAPONESA
Data:
2 de dezembro (quarta)
Horário: 19h00

- Entrada franca
Local: Anglo ISA
Endereço: Alameda Bahia, 490 - A - Ilha Solteira /SP - CEP: 15.385-000 
Fone: (18) 3742 2350

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Antes, no dia 30 de novembro, darei uma palestra aos alunos do Anglo Ilha Solteira. A palestra terá como tema a profissão de desenhista. Nela, irei falar sobre como aqueles alunos interessados em desenho podem buscar uma opção de carreira. Será uma abordagem semelhante à apresentada no começo do ano, no evento Animepan, de Recife (PE). Como será uma palestra fechada, estou apenas comentando no blog.

domingo, 22 de novembro de 2009

PRÊMIO ANGELO AGOSTINI E OS MESTRES DO QUADRINHO NACIONAL


A AQC-ESP (Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo) iniciou o processo de votação para escolher os melhores do quadrinho nacional deste ano. É o Prêmio Angelo Agostini, bastante tradicional e respeitado entre os profissionais do meio. Envio meus votos anualmente e já tive a honra de entregar o troféu a alguns homenageados em diversas ocasiões (apesar de nunca ter ganho nada...).

Porém, tenho lido muito pouca coisa de HQ e menos ainda de HQ nacional. Até pensei em votar pra ajudar alguns amigos, mas não ia ser algo muito honesto da minha parte. Se não li material suficiente pra formar opinião, pra ter parâmetros, melhor nem tentar.

Já na categoria Mestres do Quadrinho Nacional, devem ser escolhidos três veteranos que tenham contribuído para os quadrinhos brasileiros. A lista, publicada para refrescar a memória, não me deixou dúvidas.

MEUS VOTOS PARA MESTRES DO QUADRINHO NACIONAL

Franco de Rosa - Em 1982, vi incrédulo na banca um gibi chamado Robô Gigante, co-estrelado por Ultraboy. Apesar da semelhança óbvia com heróis japoneses, eram criações nacionais que pegavam carona na popularidade de outros personagens. Ultraboy tinha desenhos do Franco. Anos depois, comecei a ler suas matérias sobre HQ na Folha da Tarde. Toda semana, eu comprava a FT só pra ver a coluna do Franco (claro que depois eu lia o resto). Eu me deliciava em ler sobre a diversidade de quadrinhos que ele divulgava com textos que eu relia diversas vezes, o que sem dúvida influenciou meu trabalho como escritor. Tive algumas poucas chances de trabalhar com ele e o considero um grande sujeito.

Ataide Braz - Lá pelo final dos anos 80, comprei o Drácula de Ataide Braz (roteiro) e Neide Harue (arte), da Ed. Sampa. Da mesma dupla, também li Skorpion. Historias ágeis e descomprometidas, com bastante ação e toques de erotismo. Eram trabalhos de estética mangá, quando não se achava nada parecido nas bancas. Aliás, Neide Harue também deveria ser indicada, como uma pioneira entre autoras de mangá brasileiras. O trabalho da dupla não chegou a me influenciar tecnicamente, mas foi uma grande inspiração.

Eduardo Vetillo - Eu era um grande fã do seriado Spectreman, exibido na TV Record e posteriormente no SBT. E no comecinho dos anos 80, a Bloch publicava um gibi nacional com as aventuras do intrépido defensor do meio ambiente e combatente de monstros gigantes. A arte era de Eduardo Vetillo, que também publicava no gibi dos Trapalhões, um programa que eu também adorava. Eu achava engraçado que algumas cenas de personagens caindo meio desajeitadamente (fosse o Mussum ou o próprio Spectreman) entregavam quem era o desenhista, mesmo que o estilo geral usado fosse bem diferente. A expressão corporal dinâmica que ele usava entregavam a origem dos traços e eu achava tudo muito divertido.

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Eu sei que declarando assim meus votos estou sendo tendencioso. Mas, ora bolas, todo texto é tendencioso. Este aqui é assumido.

O criterio que usei para escolher os três veteranos não se baseia somente no reconhecimento da importância deles na construção da História dos quadrinhos no Brasil. Meu criterio aqui foi emocional. Quando eu era garoto e via os nomes deles em revistas, eu não estava apenas esperando uma leitura divertida. Eu estava me enchendo de sonhos e esperanças.

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Veja como enviar seus votos no site Bigorna.net ou clique aqui.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

CLIPE MUSICAL: IN MY LIFE (RIN')



Em janeiro de 2008, um evento em São Paulo, capital, abriu as comemorações oficiais do ano do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Em um evento somente para convidados, músicos brasileiros e japoneses criaram momentos de pura magia. Tive a honra de estar entre os felizes convidados e foi lá que eu descobri o grupo japonês Rin'


Um jovem trio feminino que se utiliza de instrumentos japoneses com suaves acordes dissonantes, o Rin' faz uma estilosa releitura de músicas tradicionais. 

Recentemente, descobri uma raridade do grupo no Youtube. Trata-se da participação delas em um tributo ao ex-Beatle John Lennon. Na ocasião, registraram uma interpretação hipnótica e irresistível de In My Life, uma das mais belas composições escritas por Lennon.

A música foi gravada pelos Fab Four em 1965 para o álbum Rubber Soul. Sem querer apenas tocar a canção com instrumentos japoneses, mas também dando seu toque pessoal em cada momento, a versão do Rin' é encantadora e poderia ter agradado muito ao próprio Lennon. Assim como eu espero que agrade a você. Divirta-se.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

ARTISTAS E CLIENTES

Aqui vai uma dica de leitura para ilustradores, designers, desenhistas e artistas em geral. Já postei no Twitter, mas como lá a informação é muito efêmera, resolvi reforçar aqui no blog.

É um texto assinado pelo artista Morandini onde ele expõe aquele velho problema de muitas pessoas não saberem valorizar ou não entenderem o valor de um trabalho artístico. A rapidez vira argumento ("pô, você desenha rapidinho..."), a divulgação vira argumento ("vou indicar você pra quem eu puder") e por aí vai. O texto resume muito bem as situações. Mas o melhor ficou para o final. Um vídeo absolutamente hilário chamado "Designers vs Clientes". Apresenta situações de cotidiano em que clientes usam com um garçom, um balconista de loja e um cabeleireiro os mesmos argumentos que geralmente usam com ilustradores, desenhistas e artistas em geral.

A dica foi do meu ex-aluno Leonardo Obara. Divirta-se!


E se você quiser assistir direto ao vídeo porque já leu muito sobre esse assunto aqui no Sushi POP, confira abaixo. É rir pra não chorar.




Leia também:
Divulgação x Trabalho

Dando aquela força

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

DESAFIOS DE UM DESENHISTA

Novamente, abro espaço aqui no blog para um autor convidado. De volta ao Sushi POP, o veterano e premiado quadrinhista Arthur Garcia assina um belo texto sobre os desafios da profissão. Para ler e se inspirar.

O CAMINHO DAS PEDRAS

Há muitos anos, dois jovens iniciantes ansiavam por criar histórias em quadrinhos de aventura, contudo, a maioria das revistas e ilustrações de então eram destinadas ao público infantil. Desanimado, um dos amigos decidiu-se por seguir uma outra carreira; já o outro, porém, desejando se tornar desenhista, buscou um emprego como assistente de um famoso artista da época, e aprendeu as técnicas da ilustração infantil.  


Alguns anos se passaram e, ainda ansiando criar histórias de aventura, o jovem assistente encontrou trabalho em uma agência de publicidade, não mais como assistente, mas como ilustrador e layout man. Ainda não era o que desejava, mas aceitou o desafio e aprendeu sobre composição, montagem, processos gráficos, etc.

Pouco tempo depois, surgiram propostas para que ele voltasse ao campo editorial e se encarregasse dos desenhos de vários quadrinhos infantis. Claro que o desenhista desejava trabalhar com histórias de aventuras, mas amando o mundo das HQs, ele não poderia recusar as propostas, e lá se foi para mais esta empreitada.

Mas o mundo dá voltas e, como ele, o mercado editorial também tem os seus ciclos. Anos depois, o gênero de aventura florescia e o nosso artista, já um profissional conhecido, era chamado para exercer o seu ofício no campo que desejava. Havia passado por vários estilos e gêneros durante os anos anteriores e o que mais o surpreendia é que, agora, se deliciava com todos. Percebeu que se um dia o mercado desse outra virada, não seria para ele uma decepção, mas sim um desafio.

Se eu conto esta história é para que todos tenham em mente que, quanto mais completos forem como artistas maior será o prazer que conseguirão retirar dos seus trabalhos. Treinem todos os gêneros de desenho e estejam abertos a todas as propostas profissionais, assim como o grande mestre Osamu Tezuka, que desenhou mangás de aventura, infantis e para garotas. 


Ah! É claro que a história acima é a minha história. E aquele meu amigo que desistiu do desenho também acabou encontrando a felicidade... como DJ.


Arthur Garcia

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

PATRULHA ESTELAR E ULTRAMAN SE ENFRENTAM NOS CINEMAS JAPONESES

Depois de muito tempo sem postar nada no portal Omelete, resolvi mandar duas notas em sequência. Já fui colaborador atuante, mas ultimamente, a falta de tempo e interesse me afastaram dessa atividade. 

Porém, com dois assuntos - Patrulha Estelar e Ultraman - de que gosto com novidades interessantes, resolvi escrever. Ambas as séries irão estrear novos filmes para cinema no dia 12 de dezembro. Como se fosse pouco, ainda há o novo filme da franquia Kamen Rider. Na verdade, são dois especiais de cinema exibidos juntos, e não um filme só.

No meio dos fãs, são notícias velhas, mas para o público geral ou "normal", poderiam interessar bastante. Escrevi colocando a informação num contexto geral, mais para situar o leitor do Omelete no que está acontecendo com duas das mais importantes sagas da cultura pop japonesa.

Primeiro, foi uma nota publicada no dia 9 sobre o mais recente longa da Patrulha Estelar. Se ainda não viu, leia a nota abaixo antes de prosseguir:


A outra nota, que entrou dia 12, fala sobre a franquia Ultra, que continua uma marca bastante forte e conhecida no Japão. Agora sob a distribuição da poderosa Warner Bros, o estúdio Tsuburaya caprichou num filme digno de cinema.


Agora, no blog, posso usar uma linguagem mais pessoal e tentar me comunicar com um público mais hardcore, mais especializado mesmo. Dentro da cultura pop japonesa, são dois dos meus títulos favoritos e me dou o direito agora de jogar uma conversa fora.

REFLEXÕES SOBRE A NOVA PATRULHA ESTELAR

Claro que, como grande curtidor do Yamato, vou conferir a nova aventura em DVD, assim que sair. Achei uma pena o Leiji Matsumoto ter ficado de fora por causa da briga judicial envolvendo direitos autorais com o produtor Yoshinobu Nishizaki. Felizmente, o design que ele criou para o Yamato foi mantido. Teria sido uma heresia terem mudado. Aliás, já mudaram uma vez, na infame série para vídeo Yamato 2520, lançada na década passada. Foi um fiasco, apesar do visual do conceituado Syd Mead.

Voltando ao novo Yamato, apesar de vídeos de fãs estarem circulando com a música clássica (um dos quais foi pescado no Omelete), haverá uma nova trilha, especialmente uma nova canção-tema. A inglória tarefa de ocupar o lugar de uma das mais emblemáticas músicas de uma série coube ao grupo The Alfee. Veteranos do J-pop, não há dúvida de que eles poderão fazer um grande trabalho. Mas pra mim, será uma pena não ouvir a voz de Isao Sasaki cantando a empolgante música-tema.

Pelo que vi dos créditos, o tema original será tocado em algum momento, pois há a menção ao nome do compositor e maestro Hiroshi Miyagawa como autor da trilha original. Talvez façam semelhante ao que o diretor Brian Singer fez no filme Superman - O Retorno, que apresentou, levemente modificado, o tema original dos anos 70 para não desapontar os fãs. 

A história irá mostrar alguns personagens envelhecidos, mas deve se focar em novos heróis. Agora, estão usando pesadamente a computação gráfica e o resultado deve ficar bom. Só espero que o senso de grandiosidade e drama sejam mantidos. Uma das coisas que não gosto dos animês modernos é a presença constante de adolescentes histéricos. Não há espaço pra isso no universo mais maduro que sempre marcou as aventuras do Yamato. Só nos resta aguardar. 

REFLEXÕES SOBRE O FILME DOS ULTRAS 


É ótimo ver de novo os velhos Hayata e Dan Moroboshi. Mas saber que outros três veteranos foram chamados apenas para dublar os heróis transformados foi bem decepcionante. Talvez o roteiro não tivesse espaço para eles aparecerem. Se isso for perceptível, ou seja, se o roteiro estiver bem amarrado e aproveitado, tudo bem.


O filme anterior, A Grande Batalha - Os 8 Super Irmãos Ultra foi bem interessante e com grandes momentos. Mas o roteiro de Keiichi Hasegawa foi um tanto confuso. Perderam a primeira metade do filme para explicar sobre dimensões paralelas, a fim de localizar numa mesma realidade os alter egos dos Ultras vindos de mundos diferentes em um enredo totalmente novo. Mas quando surge o perigo, eles se "lembram" que são heróis em outra dimensão, se transformam e vão à luta como se isso fosse normal, jogando toda a lógica para o espaço. Aliás, o final é das coisas mais incrivelmente acéfalas que já vi na vida, mesmo levando em conta o tipo de filme que é. 

O longa dos 8 Ultras também foi excessivamente focado em mostrar pontas e participações especiais e dar espaço aos atores que interpretam os heróis e suas companheiras. Foi um filme dos humanos. Dessa vez, parece ser muito mais um filme de ação dos Ultras. E as cenas de ação, nota-se, parecem dignas de cinema.

Conforme citei na matéria do Omelete, há a presença de Junichiro Koizumi no elenco de dubladores, além de alguns atores originais. Mas o peso do cast de vozes vai mais além, pois Ultraman Zero será dublado por Mamoru Miyano, conceituado dublador que já emprestou sua voz para Light Yagami, na versão em animê do aclamado mangá Death Note

Outro ponto interessante do filme será trazer de volta o personagem Asuka e seu alter-ego, Ultraman Dyna. Vagando perdido entre universos e dimensões desde o final de sua série em 1998, Dyna será trazido ao Universo Ultra clássico. Há fãs que consideram que tudo se passa num mesmo universo, mas isso cria incongruências incompatíveis entre as séries. 

Mesmo vagamente, a produtora estabelece que existem universos distintos em suas produções.  A Tsuburaya sempre deu um tratamento meio vago à cronologia de suas séries. Em Ultraman Moebius, tentou-se estabelecer um "universo clássico", que engloba as séries originais até 1980 e depois pula para Moebius, em 2006. 

Ultra Seven teve aventuras em 1994, 98, 99 e 2002. Pelo que foi visto nelas, as aventuras se passaram em um mundo que conheceu apenas Ultra Seven, apesar de Baltan (inimigo do Ultraman) e alguns outros aparecerem em fotos no início do primeiro dos filmes especiais de Seven. 

Muitos outros Ultras foram imaginados como pertencendo a universos paralelos ou alternativos. Porém, alguns deles irão aparecer no novo longa, como Ultraman Neos, Great, Powered e Max, cujas séries foram feitas antes de Ultraman Moebius e completamente ignoradas para efeito de cronologia, apesar de aparecerem no novo filme. Como a história do filme se passa no futuro, pode-se imaginar que os citados Ultras podem ter vivido aventuras depois de Moebius. É uma desculpa meio esfarrapada, mas que acaba fazendo algum sentido. Ou isso, ou eles podem até ser imaginados como sendo versões do "universo normal" de Ultras que tiveram séries próprias em outros universos. Bom, mas independente desse papo todo, o que vai importar mesmo é se o filme será bom. Se terá um roteiro bem amarrado e consistente em si, se a produção será tão boa quanto parece nos trailers e se o filme, no final das contas, for uma obra digna de cinema.

E com distribuição da Warner Bros, tema do filme interpretada pela badalada cantora Misia e um ex-Primeiro Ministro entre seus dubladores, pode-se dizer que os Ultras nunca foram tão mainstream.

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É extremamente difícil e frustrante diagramar postagens com varios elementos aqui no Blogger. Espaços aparecem do nada, formatações que se alteram sozinhas... É um saco editar nesta porcaria. Estou pensando em mudar para a Wordpress. 

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

VENDENDO DESENHOS POR QUILO

O tema da valorização profissional, volta e meia, é assunto aqui no blog. Se procurar na lateral  o marcador "Dicas para desenhistas", verá muito do que eu penso sobre o assunto. Também já falei aqui sobre a importância de saber cobrar bem, de se valorizar como profissional, etc...

Por isso, não posso deixar de comentar algo que realmente incomodou descobrir. Há tempos, tenho ouvido falar de um grupo de caricaturistas que montou quiosques por São Paulo (capital). São jovens talentosos e competentes. E que cobram um preço ridículo para uma caricatura de casal que pode ser usada em convite de casamento. O valor "por cabeça" de caricatura que eles fazem é de um preço muito baixo, que não leva em conta que desenhar bem e rápido não é pra qualquer um e que não dá pra vender uma ilustração exclusiva a 20 reais. Não dá pra competir com um preço desses e esses garotos só podem aceitar isso porque são muito jovens e devem estar felizes por ganhar um trocado fazendo o que gostam.

Mas isso não é brincadeira, é todo um mercado de trabalho que está sendo detonado por uma prática infeliz de se ganhar pelo atacado, de vender desenho de baciada e ganhar na quantidade. E eles são bons. Como disse, não ataco o trabalho deles, mas a postura inconsequente de cobrar baratinho pra conquistar terreno. Depois, vai ser difícil pra eles subir o preço para algo mais justo e nivelado com os bons profissionais há mais tempo no mercado.

Espero que cada um deles, um dia, perceba o estrago que fez na própria carreira. Porque um dia eles vão envelhecer e se dar conta de que as necessidades financeiras de um adulto independente são bem diferentes das de alguém mais jovem que vive com os pais. E aí, alguns deles vão largar o desenho, dizendo que não dá pra viver de desenhar. Se o estrago fosse só nas próprias carreiras, tudo bem. Mas quando um grupo numeroso chega com um bom trabalho e cobrando absurdamente pouco, o estrago é no mercado como um todo.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ESBOÇANDO DIGITALMENTE



O esboço aqui apresentado foi feito diretamente na tela do computador, com o Photoshop sendo usado através do meu novo brinquedo (digo, ferramenta de trabalho), uma tablet G-Pen F509, da Genius. Pra quem não sabe, trata-se de uma prancheta que é acoplada ao computador e tem um mouse em forma de caneta, o que permite controle total do traçado. A que estou usando é uma tablet simples e comprei pensando em somente colorir desenhos, já que ela não é das mais indicadas para traçados muito detalhados ou complexos. Sua caneta, que substitui um mouse perfeitamente, permite um razoável controle de pressão, conseguindo imitar traços de pincel. Com paciência, dá pra pegar prática em alterar as opções do Photoshop e tirar melhor proveito das propriedades do equipamento para cada traçado, cada situação que o desenho exige.

Certamente, continuarei desenhando no papel e escaneando a arte. Mas agora é possível retocar desenhos facilmente com a tablet. Vinhetas e ilustrações mais estilizadas podem ser feitas tranquilamente direto na tela, facilitando muito a vida do desenhista profissional.

Eu já fui bastante resistente a algumas inovações, mas agora, mesmo sem ainda dominar a nova ferramenta, recomendo aos colegas profissionais. Agora, quem ainda está no começo, estudando ainda fundamentos básicos do desenho, não pode deixar o lápis (ou lapiseira) de lado, de jeito nenhum. A finalização digital pode até encobrir falhas de construção no desenho, mas somente para olhos amadores. A essência do traço ainda é – e sempre será – o toque humano. E isso só pode ser aprimorado com os dedos sujos de grafite e tinta.