sexta-feira, 31 de julho de 2009

RELATO SOBRE O SANA 9 (PARTE 1)

Começarei aqui um pequeno relato sobre minha participação no evento SANA - Super Amostra Nacional de Animes, que rolou em Fortaleza (CE), de 17 a 19 de julho. Fui indicado a participar pela minha colega Clarice Barroso, do grupo de Jovens Líderes que participou da viagem de intercâmbio no Japão, no ano passado. A participação foi acertada com o Consulado Geral do Japão de Recife, que cuidou dos preparativos de minha viagem. O relato dos três dias será bem resumido, bastante pessoal e irá se restringir à minha participação e o que vivenciei por lá.

CHEGANDO EM FORTALEZA

No dia 16 de julho, às 16h10, embarquei num voo da Gol que ia direto para Fortaleza, saindo de Guarulhos. O lanche que eles servem no avião ainda é aquela amostra grátis de amendoim com suco ou refrigerante. Mas pelo menos, agora eles oferecem a opção de lanches pagos. (Devia ser de graça, mas enfim...)

Chegando em Fortaleza, senti a diferença de clima, com um calor bem agradável. A organizadora Aline Hollanda e a convidada Erica Awano foram me pegar no aeroporto. De lá, fomos direto a um restaurante encontrar alguns organizadores e a cantora Kanako Ito, seu empresário Shingo Minamino e o repórter Toru Fujimoto, que também vieram acompanhar o SANA. Feitas as apresentações, pedimos a janta. Na hora de pedir as bebidas, o pessoal da organização começou a pedir "biiru", que é como os japoneses falam "cerveja" (do inglês "beer"). Ao que a Kanako perguntou ao empresário se aqui no Brasil também se falava cerveja igual ao Japão. Em meu japonês meio básico, expliquei como dizemos por aqui, o que soou inicialmente como "cerubeedja". E rapidamente desenhei numa folha a caricatura de todos na mesa. Ainda bem que eu tinha bebido pouco...

Depois, foram levando os convidados aos hotéis. Acabei ficando num hotel diferente, o luxuoso Costa do Mar, um 4 estrelas realmente belíssimo. A programação do dia seguinte seria intensa, começando logo de manhã com uma entrevista num canal de TV local.

SANA 9 - PRIMEIRO DIA

Logo de manhã, a Aline me pegou no hotel e fomos encontrar a Erica e a Kanako. A Petra Leão havia chegado de madrugada e estava dormindo um pouco no hotel. Nossa primeira parada foi no canal de TV local O Povo, para uma entrevista. Nomes japoneses não são fáceis para quem não está acostumado e a apresentadora mandou assim: "Estamos aqui com Erica Avano, Alexandre Nagako e Kanako Ito." Felizmente ela percebeu e regravou depois, mas a gente deve ter feito umas caras engraçadas quando fomos apresentados. Eu queria rir, mas fiz a habitual cara séria. A entrevista foi rápida e terminou com a Kanako Ito cantando acapella um trecho de uma de suas músicas. Sua potência vocal impressionou a todos. Ela realmente é uma cantora de anime songs à moda antiga, apesar de jovem.

De lá, fomos almoçar e seguimos para o evento, que estava lotando o Centro de Convenções de Fortaleza. Stands de produtos, workshops, mostras de animê e tokusatsu, cosplayers por todo lado. O leque de atrações era variado e o público estava bastante animado. Às 14h00, começou uma mesa-redonda no auditório, com a Erica, Petra e eu. O começo foi meio tumultuado, pois muitos lá estavam só esperando o desfile de cosplay que aconteceria depois e faziam algazarra. A Erica pegou o microfone e colocou ordem no auditório depois que um cara gritou que estava com pressa. "Se está com pressa, a porta está ali!" A galera aplaudiu e, depois que os baderneiros saíram, mais de uma centena de pessoas ficou lá e o papo rolou bem descontraído.

Falamos sobre nossas carreiras e demos dicas sobre postura profissional, dificuldades que temos que encarar e como ser um profissional de criação de verdade, do tipo que trabalha sem se importar com inspiração e tendo que cumprir prazos rigorosos. Falamos sobre humildade e determinação, atitudes essenciais para se progredir na carreira artística (e na vida em geral).

De tarde, encontramos os cantores japoneses Hironobu Kageyama, Masaki Endo e Hiroshi Kitadani, do JAM Project Com eles, meu velho amigo Ricardo Cruz (o único brasileiro do JAM) e também outro velho colega, o jornalista Renato Siqueira (também de SP), que estava como organizador do show. É desnecessário dizer como é legal ver esse povo cantar ao vivo. O acompanhamento, nos primeiros dois dias, era de karaokê, mas as poderosas vozes empolgaram o público. Kageyama abriu o show com Cha-la Head Cha-la, seu grande hit de Dragon Ball Z. Um a um, os astros fizeram suas performances, com o Ricardo apresentando os colegas. Ao final, Soldier Dream (de Cavaleiros do Zodíaco) contou com a participação de todos e emocionou a platéia.

No final, fomos jantar todos juntos. Fomos a um restaurante na beira da praia, com um belo cardápio de carnes e frutos do mar. Também fomos apresentados a uma importante jovem senhora que se encantou com os cantores japoneses (pra dizer o mínimo e ser educado...). A nós, se juntaram os dubladores Ricardo Juarez (o Johnny Bravo) e José Leonardo (o Bob Sauro), que haviam chegado do Rio de Janeiro. O Ricardo eu havia conhecido num evento do Cartoon Network anos atrás. E o José Leonardo, logo de cara, demonstrou ser muito legal e também conversamos bastante.

Esgotado, fui para um outro hotel que haviam reservado para mim, o Holiday Inn, o mesmo em que estava o cônsul do Japão, o sr. Akira Suzuki, que foi ao SANA para palestrar também. Já era tarde e acabei perdendo a entrevista gravada cedo, que foi ao ar às 23h00. Dormi feito pedra. No dia seguinte de manhã, estava agendada uma visita à praia. Que vida dura!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A trilha sonora de Ultraseven

Ultraseven: Um herói clássico com
uma trilha sonora à altura de sua importância.
A trilha sonora de Ultraseven, umas das mais eletrizantes já compostas para um super-herói, foi tema de uma grandiosa sinfonia, lançada recentemente em CD e DVD no Japão.

Tamanha valorização das músicas de um seriado de monstros pode até causar estranheza a quem não conhece esse universo. Mas um olhar atento pode revelar que o trabalho extrapola em muito o universo infanto-juvenil e não pode ser subestimado. Afinal, ninguém nega a importância de uma trilha sonora para valorizar uma boa história, apesar do recurso ser muito mais reconhecido no cinema do que na TV.


É impossível falar em Superman, Tubarão, Indiana Jones ou Star Wars sem as músicas compostas por John Williams, por exemplo. Já em seriados de TV, isso em geral não é tão glamurizado ou cultuado. Mas no Japão, as trilhas sonoras para TV ocupam lugar de destaque tanto quanto no cinema, seja no mundo das anime songs ou dos BGMs (Background music), as músicas de fundo. Como exemplo, as trilhas da Patrulha Estelar por Hiroshi Miyagawa, Cowboy Bebop por Yoko Kanno ou Ultra Seven por Toru Fuyuki merecem tanta admiração quanto as séries onde foram tocadas e são apreciadas como peças musicais com vida própria.

Toru Fuyuki Conducts Ultraseven é o título do especial no qual o maestro e compositor Toru Fuyuki regeu a Tokyo Symphony Orchestra interpretando peças escritas e arranjadas por ele para o clássico seriado. A mesma trilha fora refeita e ampliada em 1999 para acompanhar uma minissérie feita para home video com o famoso herói.

Na gravação, realizada em março deste ano, alguns convidados ilustres, como os atores Koji Moritsugu (Dan Moroboshi/ Ultra Seven) e Yuriko Hishimi (Anne Yuri), além dos diretores Kazuho Mitsuta e Toshihiro Iijima. Há crianças dançando e um modelo fantasiado, mas nada tira o clima solene da apresentação, com coral e orquestra de cordas e metais. O cantor solo é o renomado Keizo Nakanishi. 


Confira aqui, o tema de Ultraseven, numa versão fiel à original, porém muito mais grandiosa na execução ao vivo.





Confira (antes que tirem do ar) um trecho maior do grandioso show, que também mostrou alguns temas compostos por Fuyuki para outras séries, como O Regresso de Ultraman



PARA SABER MAIS:

Lembra desse? Ultra Seven - parte 1

Lembra desse? Ultra Seven - parte 2 

terça-feira, 28 de julho de 2009

ENCERRAMENTO DAS OFICINAS DE HQ

No sábado passado, aconteceu o encerramento das oficinas de HQ do projeto FanZines nas Zonas de Sampa, da coordenadoria do sistema municipal de bibliotecas de São Paulo.

Estavam presentes quase todos os professores (ou oficineiros): eu, Edson Pelicer, Weberson Santiago, Ezê, Edu Mendes, Jozz, Rodrigo Bueno e Nobu Chinen. Sam Hart, que além de mim e do Edu, está no projeto desde seu início em 2006, não pôde participar por estar na Inglaterra
divulgando seu novo trabalho, a arte do álbum Outlaw Robin Hood.

A coordenadora e idealizadora do projeto, Doroty Rojas, representantes da bibliotecas, os oficineiros e alguns alunos deram seus depoimentos. Houve um espaço para perguntas dos participantes e rolou um papo bem bacana sobre violência em HQs e formas de se lidar com isso, entre outros assuntos. Os quadrinhitas falaram sobre seus trabalhos e contaram sobre as oficinas. Durante a tarde, foi mostrada também uma mini-exposição itinerante de trabalhos dos alunos e também foram distribuídos os fanzines de cada biblioteca.

Apesar do mau tempo, algumas dezenas de jovens compareceram, fazendo da atividade uma experiência bem gratificante. Meus agradecimentos à Doroty Rojas, ao pessoal da Biblioteca José Paulo Paes, na Penha, aos colegas oficineiros, aos alunos e a todos que apoiaram e divulgaram mais essa empreitada bem-sucedida.

Enfim, missão cumprida. Ano que vem tem mais.

- Blog do projeto FanZines nas Zonas de Sampa

quarta-feira, 22 de julho de 2009

CLIPE MUSICAL: WE ARE ~ ACÚSTICO (MANGÁ TRIO)


One Piece, de Eichiro Oda, é um daqueles mangás e animês que nunca chamaram muito a minha atenção, apesar dos elogios de alguns amigos próximos. No recente SANA 9 de Fortaleza, onde estive como convidado, pude conhecer o cantor original de "We are", uma das aberturas da série, o excelente Hiroshi Kitadani, membro do JAM Project.

Ouvindo a música ao vivo em dois shows, é fácil entender porque a música é tão querida. A roteirista Petra Leão, que estava lá no evento, falou empolgada da música e de sua letra sobre amizade, aventura e espírito destemido. Bem ao estilo das anime songs antigas, cujo espírito o JAM Project se esforça em preservar, tanto enquanto grupo quanto nas atividades solo de seus membros.

Nos bastidores, tive a honra e sorte de assistir ao ensaio da versão acústica da canção, interpretada pelo Manga Trio, uma subdivisão do JAM formada por Kitadani, Hironobu Kageyama (à esquerda no vídeo, tirado de um programa de TV japonês) e Masaaki Endo. Se a versão original da música é empolgante, a acústica simplesmente arrepia. Aqui, confira "We are" com legendas em espanhol e letra romanizada pra acompanhar. Essa música é sensacional!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

SANA 9: ALGUMAS PALAVRINHAS...

Ontem retornei à São Paulo depois de uma pequena temporada em Fortaleza (CE). Fui para lá na última quinta, para participar do SANA - Super Amostra Nacional de Animes, um evento em sua nona edição. Foram dias ótimos ao lado dos convidados. As quadrinhistas Erica Awano e Petra Leão, o cantor Ricardo Cruz, o dublador Ricardo Juarez e o cantor japonês Hironobu Kageyama eu já conhecia. Além de reencontrá-los, também pude conhecer o dublador José Leonardo e os cantores japoneses Hiroshi Kitadani, Masaki Endo e Kanako Ito. Todos muito simpáticos e divertidos.

A receptividade do público foi ótima, além do que eu esperava e fui muito bem tratado. Hotéis bacanas, restaurantes idem, passeios pela cidade (que é lindíssima) e uma certa mordomia que me fazia esquecer que eu estava lá a trabalho. Cumpri com minha agenda e pude ver como a cultura japonesa é popular num estado com poucos descendentes de japoneses. Aliás, algumas pessoas perguntaram pra mim e pra Erica se também tínhamos vindo do Japão como os cantores. Fiz palestra, workshop, participei de uma mesa-redonda, dei autógrafos. Tive, realmente, um tratamento VIP que me fez ter certeza de que tem valido a pena trilhar o caminho que escolhi, por mais difícil que seja se manter no mercado.


Enfim, foram dias maravilhosos e irei contar com detalhes saborosos e fotos exclusivas cada dia dessa minha visita ao Ceará. Por ora, meu fraterno agradecimento à toda a equipe do SANA (em especial a Aline Hollanda, Clarice Barroso, Eden, Elano, Wadson, Tanaka...), aos colegas de evento, ao Cônsul do Japão, o sr. Akira Suzuki (pela generosa atenção), à Satoko Nakamura por todo o apoio nos preparativos para a minha viagem e ao público que fez o evento ser um sucesso total. Muito obrigado por tudo, de coração.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

VOLUNTARIADO ON-LINE


O Jornal Nacional exibiu uma matéria sobre voluntariado on-line, que é uma forma de ajudar o próximo que pode ser feita de casa, pelo computador. No meu caso, tenho feito algumas ilustrações para a identidade visual da ONG Instituto Gabi, que atende crianças e jovens deficientes. Ouvi falar de seu trabalho há uns dois anos, na paróquia
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no bairro dos Jardins, onde eu frequentava e ainda colaboro esporadicamente. Daí, pesquisei o site deles e resolvi entrar em contato para ver como ajudar doando um pouco do meu tempo e trabalho.

Criei uma personagem inspirada na menina que deu nome ao instituto. Foi uma experiência tocante, pois a história que deu origem à ONG é bastante forte e carregada de um sentimento de amor ao próximo. Desde então, tenho feito algumas ilustrações eventuais.

É um trabalho bastante gratificante e seria bom se mais pessoas pudessem ajudar. O trabalho voluntário on-line não substitui o presencial, mas sem dúvida permite que se faça o bem mesmo com pouco tempo livre.

Saiba como trabalhar com voluntariado no site do JN: http://tiny.cc/voluntario

www.institutogabi.org.br

RUMO À FORTALEZA - SANA 2009

Está chegando a hora de embarcar para Fortaleza para participar do SANA - Super Amostra Nacional de Animes. Embarco no dia 16 (quinta), retornando a SP no dia 19 (domingo). Será uma estadia rápida, com uma programação bastante intensa, cujo conteúdo já está definido.

Doraemon - O Consulado Geral do Japão irá promover uma exibição do longa Doraemon - O Dinossauro de Nobita, o título que está divulgando no mundo o personagem, escolhido pelo governo japonês como o "Embaixador do Animê" e divulgador da cultura japonesa pelo mundo. Antes da exibição, farei uma pequena apresentação sobre o personagem, um dos mais importantes da cultura pop japonesa.

Mesa-redonda
- Um papo sobre quadrinhos, mercado de trabalho e o que mais pintar ao lado das convidadas Petra Leão e Erica Awano.
Dia 17, às 14h00, no Bloco D do Centro de Convenções do Ceará.

Workshop Caricatura & Mangá - Dicas para transformar um rosto real em um personagem estilo mangá. Como manter as características únicas de cada um com o traço estilizado comum no quadrinho japonês. Vagas limitadas e somente para quem já desenha um pouco. Idade mínima: 14 anos
Dia 18, às 13h30, no Bloco B - Sala 6

Tarde de autógrafos com todos os convidados
Dia 19, às 14h00, no Bloco C

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Durante minha estadia em Fortaleza, deverei fazer atualizações via Twitter e, após meu retorno, devo elaborar um relato sobre o evento, a exemplo do que já fiz em outras viagens.

Fortaleza, aí vou eu!!!

www.portalsana.com.br

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A MODA EDITORIAL DO MANGÁ

Muita gente acusou a Turma da Mônica Jovem de ser apenas uma jogada de marketing do Mauricio de Sousa, para se aproveitar da enorme popularidade dos quadrinhos japoneses. Os puristas torceram o nariz, mas a empreitada foi bem recebida nas bancas. Depois, veio a Luluzinha Teen, que além da mesma acusação em cima da moda da vez, foi criticado por descaracterizar os personagens (o que não deixa de ser verdade). Depois, foi anunciado o Corinthians em mangá e a saraivada de críticas foi ainda maior, pois a qualidade do material parece que deixa muito a desejar.


E agora, a novidade divulgada na semana passada foi a vida de Michael Jackson em mangá. Como todos os citados anteriormente, esse título está sendo produzido por artistas brasileiros. Não vou cair aqui na surrada discussão sobre um suposto oportunismo ou em qualidades ou virtudes técnicas, narrativas, estilísticas, etc. A questão que me chama a atenção no momento é outra.

O que muita gente se esquece (ou desconhece) é que desenhar é, pra certas pessoas, um trabalho, um sustento que depende de encomenda e pagamento. É uma relação comercial, onde o editor encomenda um trabalho, um valor é negociado, o trabalho é entregue e o valor acordado é pago. (Vale dizer que isso nem sempre funciona tão claramente...)

Em um mercado complicado como o brasileiro, onde os artistas locais, em sua maioria, não conseguem estrutura para se manter e se desenvolver nos quadrinhos, as chances comerciais são poucas e precisam ser agarradas com unhas e dentes.

Por isso, defendo a existência dessas versões mangá. Pode-se discutir formas de se criar produtos que sobrevivam além do modismo e tantas outras questões, como analisar qualidades e defeitos. Mas vendo isso como uma atividade profissional, há um bom sinal nessas adaptações. Elas agitam o mercado, não apenas de publicações, mas profissional. Há revistas sendo produzidas para o grande público, e não apenas para os exigentes conhecedores do assunto e consumidores de sofisticados álbuns ou arrojadas publicações independentes. É produto para as massas (o que não precisa implicar em um produto ruim), algo essencial para uma mídia que já foi muito popular no Brasil e que tem se convertido em leitura para especialistas.

Que venham mais, melhores, mais regulares e dignamente remuneradas adaptações em mangá ou qualquer outro estilo, pois é isso o que pode ajudar a formar um mercado de trabalho sadio, onde há espaço para diferentes artistas desenvolverem seu trabalho de forma honesta, tirando dele seu sustento. É isso.

sábado, 11 de julho de 2009

UM DESENHO PASSO A PASSO

Muita gente já me perguntou sobre método de trabalho. Então, achei que pode interessar, especialmente a alguns alunos e desenhistas iniciantes, como eu chego no desenho final.

Entre ilustradores há os que são totalmente digitais. Eles fazem tudo, do esboço à finalização, nas mesinhas digitalizadoras chamadas tablets, com seus mouses em forma de caneta. Outros, usam programas gráficos para gerar vetores ou formas em 3D. E do outro lado, ainda há os que não aderiram ao mundo digital, trabalhando da forma o mais tradicional possível, com canetas, tintas e pincéis. Mesmo esses precisam escanear seus trabalhos e, frequentemente, enviar tudo por e-mail ou entregar em arquivos digitais.


Eu acredito estar no meio do caminho. Eu desenho tudo à mão (com a ajuda de réguas e gabaritos quando preciso), esboçando com lapiseira 0,5mm e grafite B. Depois, finalizo com canetas de espessuras variadas, geralmente da Staedtler e até a Fine Pen da Faber Castell, que é ótima para cartuns.


No exemplo desta postagem, primeiro foi feito um esboço para o cliente aprovar. A personagem é a Jane, da série de quadrinhos institucionais Os Operadores, que produzo para uso interno de uma empresa da área de call center. Depois de aprovado o lay-out, refiz o desenho em papel sulfite, acertando a proporção da figura, que no rascunho estava meio "cabeçuda", e finalizei com caneta. Então, escaneei a folha em alta resolução (300 dpi), ajustei contrastes de traço para que o trabalho ficasse limpo e fiz pequenos ajustes, eliminei sujeiras, etc... Nessa etapa, sempre aproveito para retocar eventuais traços errados. O computador é fantástico para isso, pois antes o desenhista que errasse algum traço tinha que fazer chatos retoques usando guache branco ou corretivos para então arrumar o desenho.

Por último, apliquei cores no Adobe Photoshop e salvei como arquivo PDF, que é o formato que o cliente prefere usar.

Depois, o desenho ainda tem que ser aplicado em uma página diagramada, mas a ilustração em si, com a combinação de desenho manual e acabamento digital, resultou em uma arte simples, porém funcional.

terça-feira, 7 de julho de 2009

SANA 9 - SUPER AMOSTRA NACIONAL DE ANIMES

No próximo dia 16 de julho, irei até Fortaleza (CE) para participar do festival de cultura pop japonesa SANA (Super Amostra Nacional de Animes), o maior evento do gênero no nordeste. O SANA acontece anualmente e está em sua nona edição, sendo um sucesso crescente de público. Com muitas atrações e atividades variadas para o público, espera-se um número aproximado de 50 mil pessoas no evento. A organização é da FCNB - Fundação Cultural Nipônica Brasileira, com apoio de diversas empresas e entidades. É a segunda vez que vou ao nordeste para palestrar, sendo que a primeira foi em janeiro, no AnimePan, em Recife (PE).

Terei uma maratona de atividades, com uma palestra, participação em uma mesa-redonda e também irei ministrar uma workshop de caricatura e mangá. Minha participação no SANA, assim como foi no AnimePan, é resultado de uma parceria do evento com o Consulado Geral do Japão de Recife, que cuida dos assuntos de cultura japonesa na região nordeste.

Estou bastante ansioso para essa participação no SANA, que terá como ilustres convidados os cantores japoneses Hironobu Kageyama (de Dragon Ball Z, Changeman e Cavaleiros do Zodíaco), Hiroshi Kitadani (de One Piece e Ryukendo) e Masaaki Endo (Street Fighter II-V, Cowboy Bebop e Abaranger), sendo os três integrantes do JAM Project. Além deles, também fará show no SANA a revelação das anime songs Kanako Ito. O Kageyama eu tive a honra de conhecer e entrevistar no palco do Anime Friends em 2003. Vai ser ótimo reencontrá-lo e também conhecer os outros.

Entre os convidados nacionais, além de mim, estará lá o cantor, tradutor e membro do JAM Project, meu velho amigo Ricardo Cruz, a desenhista Erica Awano (Street Fighter, Holy Avenger, Mangá Tropical), a roteirista e cosplayer Petra Leão (Victory, Turma da Mônica Jovem, Holy Avenger) e os dubladores Ricardo Juarez (Johnny Bravo, Tygra dos Thundercats e Capitão Átomo em Liga da Justiça Sem Limites) e José Leonardo (Perninha do Tiny Toons, Raito em Death Note, Homem de Gelo em X-Men Evolution e Anakin Skywalker em Star Wars - The Clone Wars).

O SANA 9 acontece de 17 a 19 de julho, no Centro de Convenções de Fortaleza.

Maiores informações:

www.portalsana.com.br

quinta-feira, 2 de julho de 2009

FRIO NA ESPINHA

Mais um "sushiman convidado" aqui no Sushi POP. O texto que segue abaixo é de autoria do Franco de Rosa, veterano quadrinhista e editor que conheço há muitos anos. Antes de ser profissional, fui assistir a uma premiação do Troféu Angelo Agostini e pedi um autógrafo a ele, cuja coluna na Folha da Tarde eu sempre lia.

Bom, o Franco passou por uma situação pitoresca e relatou num e-mail que enviou a alguns contatos. Pedi autorização a ele para reproduzir abaixo o que acabou se tornando uma crônica bem divertida - e arrepiante. E para quem conhece os bastidores do quadrinho nacional há algum tempo, certamente irá reconhecer alguns nomes citados. Divirta-se!

CALAFRIO!

Cara... Hoje a tarde me encontrei com o Toninho Mendes (Circo Editora/ Jacaranda/ Devir) na Comix. Tratamos de um projeto sobre vampiros. A reunião foi rápida e tranquila. De lá eu fui com ele até o Conjunto Nacional. Acabávamos de ver a recém-lançada edição em quadrinhos do Chico Xavier, desenhada pelo Rodolfo Zalla.

Eu tinha que levar os textos de um livro sobre piratas para o Zalla ilustrar, e ele ainda não tinha visto a edição do Chico. Resolvi levar um exemplar para ele.

Um parêntesis: A Ediouro mandou uma caixa para o endereço do Eugenio Colonnese, que faleceu antes de concluir a obra e a filha recebeu a caixa... Juntou a familia para abrir o pacote, e não tinha o trabalho do pai ali. Ela não havia acompanhado o processo nem sabia que o trabalho do Colonnese ficara incompleto... Para ela simplesmente o pai fez o Chico. Seria o último trabalho dele para ela... Mas não foi (o último), pois ele deixou em minhas mãos duas HQs inéditas: Uma do Morto do Pantano e outra da Mirza - A Mulher Vampiro. Fim do parêntesis.

Mas indo para a casa do Zalla, eu peguei um táxi. Estava atrasado e com frio. Estava na Av. Paulista. O motorista do taxi era nordestino e com sotaque carregado. Era bem moreno e parecia um indião de novela da Globo. Bem escuro, de cabelo liso. Mas o cara estava pálido. Com olhos esbugalhados, meio assustado... Estava vindo da região do Hospital das Clínicas. Na verdade, estava vindo do velório do Cemitério do Araçá...

Meio gaguejante, foi me falando que passou por uma situação que não conseguia saber como reagir.

Ele tinha pego um passageiro antes de mim, na região do Pacaembu. E passageiro falou pra ele que tinha sofrido um acidente naquele local uns dias atras. Era um senhor de mais de 70 anos. E o passageiro pediu pra ser levado para o cemitério. Ia para um velório. Chegando lá. Disse que não achava a carteira. Pediu pra ele esperar que ele iria pegar o dinheiro com um parente no velório.

A velho não voltava. Então o taxista resolveu ir atrás dele. Era quase R$ 50,00 pela corrida. Chegou lá dentro. E, ao procurar pelo senhor, encontrou o velho. Mas ele estava dentro do caixão, sendo velado. Tinha sido atropelado na véspera.

Imagina se eu não fiquei todo arrepiado com a história.

Fez-se um silêncio. Demorou um tempão pra eu chegar na casa do Zalla. O transito estava ótimo. Mas fez-se aquele silencio funesto. E eu pensando...putz. Peguei um Chico Xavier na Comix. Nem vi a revista por dentro. Tô levando uma cópia para o Zalla. O Zalla não viu impresso também. Mas... Essa história parece uma história da revista Calafrio ou Mestres do Terror (que fizeram a fama do Zalla). Um clichezaço...Mas o taxista não sabe do meu gibi do Chico Xavier aqui na minha mala. Que p*** coincidência de temas!

Quando cheguei, paguei e desci do carro depressa, mas passados alguns minutos, sinto alguém tocar nas minhas costas.

Era o taxista. Eu havia esquecido minha mala no carro com os dois exemplares do Chico Xavier...

Chego em casa, o telefone toca. É o Rubens Cordeiro...autor da Calafrio. Na sequencia, outro telefonema. É o Álvaro de Moya, que ultimamente vem falando que morreu e ressuscitou (teve uma parada cardiaca - felizmente na frente de um médico e num pronto socorro, já faz mais de dois anos.)

Bom...resolvi registrar isso aqui para vocês...Vou desligar o micro e ir assitir futebol...e nem sou corinthiano. Mas tô sozinho em casa. Tem um gibi com capa desenhada pelo Jayme Cortez olhando pra mim ali no canto...
Acho que estou vivendo um poema de Edgar Allan Poe interpretado pelo ótimo Vincent Price.

Vou assistir jogo, não. Vou contar essa história do taxista pro Rubens Lucchetti. Com certeza ele está acordado a esta hora. Lendo um livro antigo em sua poltrona macabra preferida ou datilografando um roteiro em sua velha Remington...

Boa noite.
Abraço.

Franco de Rosa
01/ 07/ 2009 - 23h26

quarta-feira, 1 de julho de 2009

FERIADO ÚTIL - WORKSHOP DE ROTEIRO PARA HQ

Graças ao êxito da workshop de roteiro para quadrinhos que ministrei no último dia 20, uma nova data foi confirmada. A que foi realizada em 20 de junho esgotou suas vagas dois dias antes, com algumas pessoas à espera de nova data, que já foi definida.

A atividade será parte do evento Feriado Útil, uma maratona de workshops voltadas à cultura e aprimoramento pessoal que o Instituto Cláudio Ayabe vai oferecer, a preços acessíveis e para grupos reduzidos (15 a 25 pessoas), no feriado paulista de 9 de julho.

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WORKSHOP DE ROTEIRO PARA QUADRINHOS

OBJETIVO
A arte de contar bem uma história, seja para quadrinhos ou qualquer outra mídia (como o teatro e o cinema), passa pela organização de idéias e criação de personagens. Nesta workshop, o aluno vai descobrir que contar bem uma história envolve disciplina e lógica, aliadas à liberdade criativa. E que existem conceitos que são comuns tanto aos quadrinhos ocidentais quanto aos mangás, os quadrinhos japoneses. Já quando o assunto é criação sob encomenda e comunicação institucional, a clareza da narrativa, tão importante para tornar a leitura agradável, faz uma história em quadrinhos se tornar uma importante ferramenta de comunicação de idéias e valores.A workshop vai abordar técnicas de roteirização para que o aluno entenda o plot, script, lay-out e storytelling. Tudo para começar a contar bem uma história ou transmitir uma mensagem.


DIA/ HORÁRIO
09/07/2009 (quinta-feira, feriado em SP) - das 9h00 às 12h30

LOCAL
Instituto Cláudio Ayabe
Endereço: Alameda dos Guatás, 231 - São Paulo/ SP
(perto da estação Praça da Árvore do metrô)

Tels.: (11) 2772-6213

IDADE MÍNIMA
14 anos

Vagas limitadas - As reservas devem ser feitas com antecedência e o aluno deve chegar ao menos 10 minutos antes do início da atividade.

INVESTIMENTO
- Inscrição individual - R$ 45,00
- Inscrição em dupla - R$ 38,00 (cada um)
No mesmo dia, outras workshops irão acontecer, com grandes especialistas em diversas áreas voltadas ao aprimoramento pessoal:

- Concentração e memorização, com Robinson Gessoni
- Oficina de Motivação, com João Climaco e Claudio Uehara
- Limpeza Energética - mental,ambiental e pessoal, com Angela Abreu
- Comunicação no resgate do poder pessoal, com Sueli Rizzo
- Dançaterapia, com Sueli Rizzo


Inscrições e informações:

www.ayabe.com.br

- PROMOÇÃO: Os participantes de qualquer uma das workshops irão ganhar de brinde um exemplar do livro Gambaru - O Poder do Esforço e da Perseverança, de Cláudio Ayabe!