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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

VENDENDO DESENHOS POR QUILO

O tema da valorização profissional, volta e meia, é assunto aqui no blog. Se procurar na lateral  o marcador "Dicas para desenhistas", verá muito do que eu penso sobre o assunto. Também já falei aqui sobre a importância de saber cobrar bem, de se valorizar como profissional, etc...

Por isso, não posso deixar de comentar algo que realmente incomodou descobrir. Há tempos, tenho ouvido falar de um grupo de caricaturistas que montou quiosques por São Paulo (capital). São jovens talentosos e competentes. E que cobram um preço ridículo para uma caricatura de casal que pode ser usada em convite de casamento. O valor "por cabeça" de caricatura que eles fazem é de um preço muito baixo, que não leva em conta que desenhar bem e rápido não é pra qualquer um e que não dá pra vender uma ilustração exclusiva a 20 reais. Não dá pra competir com um preço desses e esses garotos só podem aceitar isso porque são muito jovens e devem estar felizes por ganhar um trocado fazendo o que gostam.

Mas isso não é brincadeira, é todo um mercado de trabalho que está sendo detonado por uma prática infeliz de se ganhar pelo atacado, de vender desenho de baciada e ganhar na quantidade. E eles são bons. Como disse, não ataco o trabalho deles, mas a postura inconsequente de cobrar baratinho pra conquistar terreno. Depois, vai ser difícil pra eles subir o preço para algo mais justo e nivelado com os bons profissionais há mais tempo no mercado.

Espero que cada um deles, um dia, perceba o estrago que fez na própria carreira. Porque um dia eles vão envelhecer e se dar conta de que as necessidades financeiras de um adulto independente são bem diferentes das de alguém mais jovem que vive com os pais. E aí, alguns deles vão largar o desenho, dizendo que não dá pra viver de desenhar. Se o estrago fosse só nas próprias carreiras, tudo bem. Mas quando um grupo numeroso chega com um bom trabalho e cobrando absurdamente pouco, o estrago é no mercado como um todo.

2 comentários:

Alice Yumi disse...

concordo com você nagado-san! claro que não significa que todos os desenhos têm que custar uma fortuna, mas o trabalho deve ser valorizado, não importa qual área. No caso do desenho, não apenas o tempo deve ser levado em conta na hora de definir um valor.
a verdade é que pelo menos no brasil, não sei se em outros lugares, muitas vezes o artista não valoriza o próprio trabalho como deveria ou do outro lado, não há quem valorize o trabalho do artista o suficiente para aceitar o valor estipulado...

Alexandre Nagado disse...

Esse problema de muitos artistas não saberem se valorizar é bem real. Eu demorei um pouco para aprender a cobrar, mas se não fosse assim, não duraria muito no mercado. Estou sempre pronto a negociar, mas se o próprio artista não se valorizar, jamais o cliente o fará.

Sobre isso, aliás, tem a postagem de hoje (dia 18) que mostra mais sobre esse mesmo tema.

Abração!