segunda-feira, 7 de setembro de 2009

DANDO AQUELA FORÇA

Vira e mexe, chega alguém pedindo pra cobrar um preço camarada, que está querendo "dar uma força" pra gente. Em contrapartida, pedem que a gente "dê uma força pra eles" fazendo um trabalho profissional a baixos valores ou de graça. Depois chega um cliente de pequeno porte dizendo, "Não vai cobrar caro de mim porque minha firma é pequena, não é igual àquele cliente grande que você tem." Que, por acaso, pediu pra cobrar barato pra dar a tal força. Com que moral a pessoa que começa cobrando errado vai conseguir subir valores um dia?

Um amigo sempre diz que "quem faz preço de amigo, não faz serviço de amigo." Claro que negociar faz parte do jogo e há momentos em que pesa a amizade para se firmar um trabalho, mas nunca pode ser desvantajoso para ninguém, senão a amizade fica comprometida. O melhor é ser profissional.

Para quem é prestador de serviços, a situação em geral não é muito bem compreendida. Se um cara é dono de um pequeno mercado, nenhum conhecido ou parente tem coragem de chegar e falar "Deixa eu levar 1 kg de carne moída e uns pacotes de macarrão? Faz de graça ou um precinho bem em conta pra mim, vai, que eu falo bem de você por aí."

Já perante um desenhista, fica sempre aquele pensamento: "Pô, o que custa ele fazer um desenhinho pra mim? Tá sem fazer nada agora..."

Morar com os pais realmente impede que muita gente se preocupe com essas coisas mundanas. Ou o artista em questão tem um emprego fixo, que permite encarar todo o resto como "bico". Mas até um bico tem sua função e parece que a maioria dos artistas não se preocupa com isso. Daí, quem corre atrás e fica cobrando posição acaba parecendo o mercenário que muitas vezes irrita o contratante ou o funcionário que tem que responder pelo seu pagamento. Que por acaso tem seu salário, independente do que aconteça.

Se muita gente subvaloriza o trabalho artístico, é porque muitos artistas não se comportam profissionalmente na hora de receber o pagamento que, sempre digo, é uma das minhas partes favoritas em um trabalho. E não me envergonho de dizer isso.

Profissionalismo é uma via de mão dupla: de um lado, você cumpre uma tarefa no prazo e com a qualidade que o cliente precisa e, do outro, espera que o pagamento acordado e agendado seja recebido na data estipulada.Muitos clientes não esquentam a cabeça com isso porque muitos artista
s, infelizmente, não ligam muito para o próprio bolso ou têm vergonha de ficar cobrando algo que é seu por direito.


Amanhã, um texto sobre as armadilhas do trabalho em troca de divulgação.


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O tema de valorização do trabalho artístico é tema recorrente neste blog. Se perdeu, leia também:

2 comentários:

Caio Murdock disse...

Obrigado, era esse tipo de informação que estava procurando!

Alexandre Nagado disse...

Essas situações que comentei são mais comuns do que se imagina e todo artista já passou por alguma situação semelhante. É importante valorizar seu trabalho e fazer com que as pessoas valorizem.

Abraços!