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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

QUADRINHOS INSTITUCIONAIS - UM CASO DE SUCESSO

Vou relatar aqui um exemplo bem-sucedido do uso de quadrinhos como ferramenta de comunicação em uma empresa.

No final do ano passado, fui contatado para renovar o uso de folhetos informativos de uma empresa administadora de cartões de crédito, a Fidelity. Com a linguagem dos quadrinhos, deveria passar uma série de informações de conduta e procedimentos aos funcionários, com alguns itens bastante problemáticos. Eu já havia feito trabalhos similares com o Pão de Açúcar, Santander Banespa, Votorantim e muitos outros clientes, e o desafio aqui era dar uma nova cara à comunicação interna. E fazer ela funcionar melhor.

O projeto inicial visava experimentar o uso de quadrinhos como ferramenta de comunicação através de 3 ou 4 folhetos. De um lado, uma HQ de uma página com um tema estabelecido. Do outro, uma ilustração com os personagens falando a mensagem principal do tema relacionado. A mesma arte seria ampliada como um cartaz para ser afixado na empresa.

A receptividade foi boa logo de cara. Houve, é verdade, uma ou outra manifestação de desagrado por achar o recurso infantil, mas logo o formato foi bem aceito. Com isso, mensagens antes difíceis de serem assimiladas (porque os folhetos explicativos mal eram lidos), passaram a ser incorporadas ao dia-a-dia da empresa, com bons resultados. Estava sendo provado, mais uma vez, que os quadrinhos representam uma eficiente ferramenta de comunicação, para públicos de qualquer idade e formação.

Criei um núcleo de personagens que iria conduzir as histórias. Houve críticas iniciais com relação às roupas da garota protagonista, que parecia excessivamente informal e até meio desleixada. Já na segunda edição, ela passou por um "banho de loja" e ficou mais elegante, sem perder o jeito simples.

Depois, uma pesquisa foi feita para se medir a aceitação dos personagens. Essa mesma personagem feminina, que eu havia criado para ser aquela que aponta os problemas e sugere ações, acabou não agradando. Por ser muito "caxias", ela acabou ganhando a antipatia de muita gente. É o mesmo motivo que inspira muitos detratores do Mickey Mouse e do Superman. O que é certinho demais acaba criando antipatia.

Acabei brincando com isso, fazendo a personagem dar uns escorregões e ouvir gozações por seu jeito meio tagarela e intrometido. Já um personagem que eu havia criado mais para ser "escada", ou seja, aquele cara mais normal que acaba servindo para que outros com mais atitude apareçam, acabou eleito como o mais simpático e aquele com quem o pessoal mais se identificava. Joguei ele para a linha de frente. E um outro protagonista, de jeito bem descontraído e tirador de sarro, eu havia criado para ser alguém com quem o pessoal se identificaria, com seus defeitos e virtudes. Esse personagem dividiu opiniões, mas senti que estava no caminho certo, e apenas o deixei mais responsável e sentindo mais os efeitos de seu jeito meio desmiolado. O retorno dos leitores permitiu correções de rumo, aumentando ainda mais o poder de comunicação do projeto.

Ao invés de apenas 4, foram feitos 6 folhetos em HQ, mais um calendário de mesa ilustrado com os personagens e com frases ligadas aos temas apresentados, um outro cartaz independente e aí o projeto mudou de formato. Passou a ser uma folha dobrada, ficando com cara de gibi em formatinho do que de folheto. A HQ passou a ter 2 páginas, ficando ainda uma capa e um verso com recomendações ligadas ao tema da edição. Neste trabalho específico, tenho feito tudo, do roteiro à colorização. Três da nova fase já foram feitos e um quarto está a caminho, mostrando que até no sério e exigente ambiente corporativo, o uso de quadrinhos facilita e fortalece a comunicação.

3 comentários:

sarah-chibi disse...

nossa!!!Adorei!!!
Acho isso muito importante!!
Achei as ilustrações muito simpáticas!Gostaria de te um desses folhetos só pra ter guardado o trabalho bem feito ^_^!
Bom trabalho!

kissus =**
By sarah-chibi
JAM-Freak Master

enivaldo pires disse...

Fala Nagado!
Esse é o tipo de matéria que eu gosto de ver.
Quando criança, eu gostava de HQ como diversão, mas depois de adulto é que percebi o grande potencial de comunicação que essa linguagem oferece. Depois descobri que produzir quadrinhos não é uma tarefa fácil. Exige muitos conhecimentos específicos, além do envolvimento total com o projeto, o que pode esbarrar na falta de tempo daqueles que como eu, acreditaram que pudesse ser feito como hobby, nas horas vagas...
Esse seu depoimento mostra o auto grau de profissionalismo que o meio exige.
É gratificante ver alguém que eu conheço fazendo com tanta proficiência algo que até agora só almejei mas ainda não realizei.
Parabéns pelo excelente trabalho e sucesso cada vez maior!

Enivaldo Pires

Alexandre Nagado disse...

Oi, Sarah-chibi! Infelizmente, só tenho um de cada pra portfólio, mas posso mandar um arquivo de página completa por e-mail.

Ei, Enivaldo, há quanto tempo!

Dá pra fazer HQ como hobby, sim. É só ver a quantidade de fotologs com HQs e fanzines que têm proliferado nos últimos anos. O lance é ir colocando ideias no papel (ou no computador) e criar suas histórias. Posso dar umas dicas pra ajudar a formatar isso. Qualquer coisa, me escreve.

Abraços!!!