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Olá! O blog está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Entrevista com Ricardo Cruz, do JAM Project

Ricardo Cruz: Toque
brasileiro no JAM Project
O tradutor, jornalista, editor e cantor Ricardo Cruz é um paulista de 27 anos e um velho amigo na área de cultura pop japonesa. Ele foi meu leitor através da antiga revista Herói, mas logo nos tornamos colegas de trabalho, dividindo alguns projetos bem divertidos. Também vivíamos indo em karaokês e até cantamos juntos em alguns eventos, mas seu talento e incontestável vocação musical o levaram para onde fã algum jamais havia sonhado. Através de um concurso internacional, entrou para uma das mais importantes bandas do cenário das anime songs, cantando ao lado de seus ídolos. Já gravou canções e fez muitos shows com o já lendário JAM Project.

Cantor consagrado nos eventos de animê pelo Brasil, já se apresentou também na Argentina e, claro, no Japão. Em 2007, assinou o prefácio do meu livro, o Almanaque da Cultura Pop Japonesa. Sempre mantemos contato pela internet, mas nos encontramos em Fortaleza (CE), durante o evento SANA 2009, o qual narrei há alguns dias. E agora, arranjou um tempinho em sua agenda lotada para responder a algumas perguntas rápidas.

Com vocês, Ricardo Cruz!



Nagado: Como começou seu interesse por seriados japoneses?
Cruz: Com Jaspion e Changeman, como muita gente. Via sem parar: alugava os mesmos episódios em VHS, gravava da TV... Acompanhei até as séries sairem da programação, mas me interessei por Cavaleiros do Zodíaco em seguida (1994, talvez?), passando a colecionar qualquer coisa relacionada a desenhos e quadrinhos japoneses. Em 96, com uns 14 anos, fui passear no bairro da Liberdade e conheci uma locadora de vídeos japoneses, a Casa Ono. Lá, encontrei a série de super sentai vigente na época: Carranger, que passei a alugar todas as semanas. Desde então, nunca mais parei de acompanhar os tokusatsu, principalmente.

Nagado: E as anime songs? Como entraram na sua vida?
Cruz: Depois que fui morar no Japão, em 1999. Lá é muito comum os estudantes saírem do colégio e darem uma passada num karaokê box. O que mais me empolgou foi descobrir na lista de músicas todos os temas das séries e desenhos que eu sempre gostei. Virei frequentador assíduo!

Nagado: O JAM Project possui uma complexa arquitetura sonora no arranjo de coral. Há um elaborado trabalho de harmonia vocal envolvendo vários cantores de personalidade forte e autoral. Quem organiza isso tudo?
Cruz: Depende da música. Como é o Kageyama quem compõe a maioria das músicas é ele quem constrói os coros. Mas todos, na hora da gravação, dão seus pitacos e ideias.

Nagado: E como você se encaixa na harmonia? Você deve alinhar sua voz com algum integrante específico ou depende da música?
Cruz:
Como meu registro vocal é mais confortável nas notas agudas, faço as partes altas das harmonias, mas nem sempre. Depende da música. Costumo regular com o Masaaki Endoh, que também tem um alcance alto.

Nagado: Quais seus artistas e bandas favoritos? Vale de qualquer país, de todos os tempos.
Cruz:
O Hironobu Kageyama toca no meu toca-fitas desde sempre, hehehe! Admiro muito seu trabalho e sinto um grande orgulho de dividir o palco com ele hoje. Sou fanzão do Masaaki Endoh também. A lista é longa: Eric Martin, Bon Jovi, Stevie Wonder... Ouço de tudo. Esses dias comprei um DVD do Chitãzinho e Xororó e da Ivete Sangalo. No Japão, achei coisas do Bon Jovi e do AC/DC que estava procurando faz tempo. E, claro, Michael Jackson.


Nagado: Como você reagiu à notícia da morte de Michael Jackson?
Cruz: Fiquei muito triste, de verdade. O Michael Jackson foi o artista que despertou meu interesse por música. Gravava todos os clipes e shows dele. Quando era moleque, tinha uma sessão em casa com as fitas dos heróis japoneses e outra com as do Michael. Aprendi minhas primeiras nocões de ritmo, harmonias e linguagem corporal com ele. Eu acredito que nenhum artista na história foi tão completo e tão bom quanto Michael Jackson. Alguém uma vez comentou e eu concordo: "Billie Jean" é a melhor música do século XX!

 


Nagado: A canção "Sempre sonhando" (do álbum Get Over the Border, de 2008) marcou sua estréia como compositor. Como surgiu a ideia de fazer essa música?
Cruz: Surgiu da contade de expressar algumas ideias em que sempre acreditei. Como o JAM estava lançando um álbum novo, com espaço para canções inéditas, decidimos fazer essa faixa, que foi muito bem aceita entre os fãs no Japão. Isso me deixou bastante feliz. De certa forma, é a minha história que conto ali, quer dizer, o começo dela.

Nagado: Para o sistema fonético japonês, pronunciar a palavra "sonhando" é um tanto complicado. Foi difícil para o resto do JAM gravar o refrão?
Cruz:
Acho que foi sim. Um dia, de madrugada, o Kageyama me liga desesperado pedindo para eu ensinar de novo como pronuncia "sonhando". Os cinco estavam dentro do estúdio gravando, mas ninguém estava conseguindo acertar. Foi bem hilário.


Nagado: Como foi a receptividade do público japonês com sua estreia na banda?
Cruz: A melhor possível. O público do Japão dá a maior força para os artistas de quem são fãs. Levam presentes o tempo todo, escrevem cartas, criam comunidades, querem que você cresça como artista. É muito interessante e gratificante.

Nagado: Quando o JAM Project surgiu, você imediatamente se tornou um grande fã deles, por reunir cantores que você já curtia. Anos depois, você faz parte do grupo. Tem horas em que você se belisca pra saber se está sonhando?
Cruz: Sim, claro. O tempo todo. Esses dias vi no Youtube um video do show recente do Mr. Big no Budokan. Eles apareciam descendo do camarim até o palco, pelo mesmo trajeto que eu fiz no dia do show do JAM. Pensei: "porra, tenho só quatro anos de carreira e já toquei no Budokan!". É meio surreal sim, mas também é um grande aprendizado, que me dá diversas oportunidades importantes.

Nagado: Fora do mundo da cultura pop japonesa, você tem a revista SAX. Como surgiu o projeto e como ele está andando?

Cruz: Fui convidado no começo do ano para fazer a revista. O projeto é mais antigo. A revista fala sobre cultura em geral, com uma caída maior pelas artes. Está sendo ótimo trabalhar na SAX, a edição mais recente chegou agora às bancas. Também estou me preparando para editar a versão brasileira da revista inglesa MixMag, sobre música eletrônica.

Nagado: Ricardo, obrigado pela entrevista. Gostaria de deixar uma mensagem aos leitores?

Cruz: Obrigado pela força aos que me acompanham. Conto sempre com vocês. E convido quem quiser conhecer mais das minhas ideias e trabalhos a visitar meu blog, atualmente um tanto desatualizado, é verdade, mas jamais morto! ^^

Blog do Ricardo Cruz: http://ricacruz.wordpress.com 

3 comentários:

Michel disse...

Ótima entrevista, Nagado! O Ricardo é um cara iluminado mesmo. Eu mesmo também já havia feito a mesma pergunta, se já tinha caído a ficha dele ser membro do JAM Project! Tenho uma entrevista com o Ricardo, na revista Anison Magazine, e vou ver se posto o scan no meu blog, algum dia desses. Só não sei se fica legal traduzir, afinal, o entrevistado é brasileiro...HeHeHe! E fico feliz por ter sido um dos primeiros camaradas que se intrometeu na vida do Cruz, lá nos tempos do Neo Animation, na Gibiteca Henfil... Ter conhecido um outro Ricardo Cruz! Muito legal entrar numa loja de CDs, e dar de cara com um single com a cara do Cruz estampada (Mazinger Z). Quam sabe algum dia ele não cante sozinho a abertura ou encerramanto de algum anime/tokusatsu?

Alexandre Nagado disse...

Eu sinto muito orgulho por ter acompanhado de perto esse começo dele. Quando a gente cantava junto, eu pensava: "Eu estou só me divertindo, mas pra ele, é a VIDA que ele está construindo." Era muito difícil acompanhar ele, pelos tons muito altos e pela potêncial vocal. Hoje em dia, então, mesmo dentro do JAM a força de sua voz chama a atenção. E pode escrever: ele não só ainda vai cantar solo algum tema de tokusatsu, como também vai fazer uma ponta ou participação em algum seriado ou filme do gênero.

Valeu por acompanhar sempre, Michel.

Abraços!

sarah-chibi disse...

Entrevista nota dez com um cara nota dez!!!
Adorei, muito boa mesmo!!!
O Ricardo é minha inspiração pra seguir em frente com meus sonhos, pois olho para ele e penso "Olha, ele alcansou!Ele chegou até onde eu quero chegar, e ele era fan!!Eu posso também!!" E eu me tornei fan dele justamente numa época em que estav meio pra baixo e queria um incentivo pra ir em frente!!

"porra, tenho só quatro anos de carreira e já toquei no Budokan!"
Eu rolei de rir quando li isaso pq até eu to de queixo caído ainda!!!Desde mais nova acompanho as animesongs e bandas de J-rock, e sempre aparece o nome do Budokan na ficha dos grandes artistas da história japonesa!!!E esse cara não só tocou no Budokan em 4 anos de carreira como tocou junto com o primeiro grupo de animesongs a ter lotção no Budokan!!!!é algo inédito nesse meio!!!
Ele aceitou meu convite para se tornar membro do meu grupo de fans do JAM os JAM-Freaks, como me sinto honrada agora, dá muito orgulho!!!
Ricardo Cruz FOREVER!!!

kissus =****
by sarah-chibi
JAM-Freak Master