segunda-feira, 13 de julho de 2009

A MODA EDITORIAL DO MANGÁ

Muita gente acusou a Turma da Mônica Jovem de ser apenas uma jogada de marketing do Mauricio de Sousa, para se aproveitar da enorme popularidade dos quadrinhos japoneses. Os puristas torceram o nariz, mas a empreitada foi bem recebida nas bancas. Depois, veio a Luluzinha Teen, que além da mesma acusação em cima da moda da vez, foi criticado por descaracterizar os personagens (o que não deixa de ser verdade). Depois, foi anunciado o Corinthians em mangá e a saraivada de críticas foi ainda maior, pois a qualidade do material parece que deixa muito a desejar.


E agora, a novidade divulgada na semana passada foi a vida de Michael Jackson em mangá. Como todos os citados anteriormente, esse título está sendo produzido por artistas brasileiros. Não vou cair aqui na surrada discussão sobre um suposto oportunismo ou em qualidades ou virtudes técnicas, narrativas, estilísticas, etc. A questão que me chama a atenção no momento é outra.

O que muita gente se esquece (ou desconhece) é que desenhar é, pra certas pessoas, um trabalho, um sustento que depende de encomenda e pagamento. É uma relação comercial, onde o editor encomenda um trabalho, um valor é negociado, o trabalho é entregue e o valor acordado é pago. (Vale dizer que isso nem sempre funciona tão claramente...)

Em um mercado complicado como o brasileiro, onde os artistas locais, em sua maioria, não conseguem estrutura para se manter e se desenvolver nos quadrinhos, as chances comerciais são poucas e precisam ser agarradas com unhas e dentes.

Por isso, defendo a existência dessas versões mangá. Pode-se discutir formas de se criar produtos que sobrevivam além do modismo e tantas outras questões, como analisar qualidades e defeitos. Mas vendo isso como uma atividade profissional, há um bom sinal nessas adaptações. Elas agitam o mercado, não apenas de publicações, mas profissional. Há revistas sendo produzidas para o grande público, e não apenas para os exigentes conhecedores do assunto e consumidores de sofisticados álbuns ou arrojadas publicações independentes. É produto para as massas (o que não precisa implicar em um produto ruim), algo essencial para uma mídia que já foi muito popular no Brasil e que tem se convertido em leitura para especialistas.

Que venham mais, melhores, mais regulares e dignamente remuneradas adaptações em mangá ou qualquer outro estilo, pois é isso o que pode ajudar a formar um mercado de trabalho sadio, onde há espaço para diferentes artistas desenvolverem seu trabalho de forma honesta, tirando dele seu sustento. É isso.

5 comentários:

Caio Murdock disse...

Sim, concordo com o senhor. Outro ponto que acho importante é que, o mangá é além de arte, e outros conceitos, é uma mídia. E como mídia pode ser usado para divulgar.

Alexandre Nagado disse...

A linguagem do mangá é bastante direta e explora bastante o poder de comunicação dos quadrinhos. Esse é um dos motivos pelos quais tem ditado tendência no mercado. Mas o pessoal tem que assimilar não só aspectos visuais, mas narrativos.

Mas não acho que um "mangá brasileiro" tenha obrigação de simplesmente emular o original.

Assimilar influências e somar com tantas outras pode até descaracterizar como mangá para os puristas, mas é um movimento bastante saudável. Dá pra mesclar diferentes influências sem perder de foco aspectos gráficos e narrativos marcantes no mangá.

E depois, o próprio povo brasileiro em geral é miscigenado. Por quê a arte feita aqui não haveria de ser também?

Abraços!

Kuroyuki disse...

O quadrinho coreano é bastante consolidado e é fortemente influenciado pelo quadrinho japonês e isso não é um problema, eles só ganham em cultura tendo produção nacional autoral.
Um exemplo que parece que não tem a ver mas tem, que envolve um "produto" japonês modificado no Brasil, é o brasilian jiujitsu. (que não é visto como cópia mas aclamado no mundo, no gênero).
Não deveria ser tão estranho ter mangá brasileiro/brasilian manga.
(agora, que o do MJ foi sacanagem foi... mangá num tem nem música nem animação pra explorar coreografia! Se fosse pelo menos anime...)

Alexandre Nagado disse...

Concordo com você. Infelizmente, muita gente no meio do mangá torce o nariz para o que é nacional. Iniciantes arranjam pseudônimos em japonês, ambientam as histórias em Tóquio e por aí vai.

A arte pode ter um caráter universal e é normal que adaptações regionais aconteçam.

Osamu Tezuka queria que os autores não ficassem só copiando o mangá, mas que desenvolvessem um trabalho próprio. É por aí.

Abraços!

Robinson Oliveira disse...

Com certeza Nagado existirá espaço para todos, desde que haja profissionalismo, competência e honestidade.
Eu mesmo comprei a Turma da Mônica em formato Manga para meu filho de 10 anos e adorou.
Que apareçam mais títulos nacionais e japoneses.
Até mais.